Energia: ‘Inépcia do regulador justifica a necessidade de leilões’, diz Carlos Cavalcanti

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Em seu pronunciamento na abertura do 13º Encontro Internacional de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o diretor-titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra), Carlos Cavalcanti,  fez uma analise das políticas públicas que, em sua opinião, impedem o desenvolvimento da infraestrutura brasileira e minam toda a competitividade da economia do país.

Carlos Cavalcanti, diretor-titular do Deinfra da Fiesp, discursa na abertura do 13º Encontro Internacional de Energia. Foto: Junior Ruiz

Carlos Cavalcanti, diretor-titular do Deinfra da Fiesp, discursa na abertura do 13º Encontro Internacional de Energia

“Podemos antecipar que, sem diagnóstico, o governo não sabe onde estamos. Sem planejamento, o governo não sabe para onde vamos. Sem estratégia, o governo não sabe como vamos”, assinalou.

Cavalcanti listou exemplos de corrupção, dispersão administrativa, ausência de planejamento e de estratégia na expansão dos ativos e incompetência no cálculo de avaliação dos negócios concessionados.

O diretor da Fiesp criticou a subordinação dos interesses públicos aos monopólios estatais, a valorização dos interesses dos concessionários em detrimento dos interesses dos consumidores, o atraso nos aperfeiçoamentos regulatórios e casos em que a autoridade regulatória assume o papel de formulador de políticas e não promoção da concorrência.

Cavalcanti alertou que o governo federal pretende editar medida provisória prorrogando as concessões do setor elétrico. “Felizmente, nossa Constituição não dá margem ao Governo para essa aventura política”, reforçou, lembrando que no último ano, o Brasil mudou por conta da conscientização da campanha Energia a Preço Justo.

“A inépcia do regulador brasileiro é uma das razões mais veementes para que a solução dessa questão seja submetida aos leilões públicos. Apenas por meio destes, o povo brasileiro poderá ter segurança do preço justo de sua energia”, destacou o diretor da Fiesp, acrescentando que os consumidores e a população despertaram para a satisfação dos seus direitos.

“A sociedade brasileira pode contar com a Fiesp, em todas as trincheiras, políticas e jurídicas, para resistir a essa ameaça”, completou.


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O evento

O 13º Encontro Internacional de Energia acontece nos dias 06 e 07 de agosto, no Hotel Unique, em São Paulo, com o tema “Energia no Brasil: tão limpa, tão cara”. Durante dois dias são realizados vários debates com presença de autoridades e especialistas brasileiros e estrangeiros. Ao todo serão 27 painéis, mais de 110 palestrantes do Brasil, América do Sul e dos Estados Unidos. A realização é da Fiesp com correalização da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Sistema Firjan).

O evento também pode ser acompanhado pela internet por meio de transmissão on-line.