‘Os números do nosso comércio exterior são muito modestos’, diz Skaf em Seminário Brasil – Líbano na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Está aberta a temporada de boas oportunidades. Com o objetivo de discutir oportunidades de cooperação empresarial e cultural entre os dois países, foi realizado, na manhã desta terça-feira (29/11), na sede da Fiesp, em São Paulo, o  Seminário Brasil – Líbano. Participaram do evento o presidente da federação, Paulo Skaf, o vice-presidente Elias Haddad, o embaixador do Brasil no Líbano, Jorge Kadri, o presidente da Autoridade de Desenvolvimento e Investimento do Líbano, Nabil Itani e o presidente do Conselho Empresarial Líbano Brasileiro, Rabieh Frem, entre outras personalidades.

“Recebemos muitas missões internacionais, mas ter aqui uma representação do Líbano é diferente”, disse Skaf. “Meu pai era libanês e a minha mãe era filha de libaneses, herdei deles os meus costumes, muito respeito e amor pela família”.

Para o presidente da Fiesp, as relações entre o Brasil e o Líbano são amplas e envolvem até oportunidades nos Emirados Árabes e em outros países da região. “Estamos à inteira disposição, de portas abertas para vocês”, afirmou. “Os números do nosso comércio exterior são muito modestos, há bastante espaço para crescimento”, disse. “Apoiamos essa representação do sangue libanês, dessa competência que eu admiro e respeito”.

Skaf lembrou ainda que há oportunidades de investimento em todas as áreas no país, como concessões de serviços públicos e de infraestrutura. “Há uma grande oportunidade, nesse momento, para investir no Brasil”, destacou. “A nação brasileira é muito maior do que qualquer crise”.

Frem (à esquerda) e Skaf: “Estamos à inteira disposição, de portas abertas para vocês”, disse Skaf. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Frem (à esquerda) e Skaf: “Estamos à inteira disposição, de portas abertas para vocês”, disse Skaf. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Já Haddad reforçou o seu desejo de que a reunião desta terça-feira (29/11) seja “a primeira de muitas outras para fortalecer ainda mais as nossas relações”. “Desde o século 19 o fluxo de imigrantes libaneses para cá é muito forte”, disse. “A comunidade libanesa levou para o interior a figura do mascate, mudou o comércio”.

A estimativa é de que vivam hoje, no Brasil, 8 milhões de imigrantes libaneses e seus descendentes, para 4,4 milhões de habitantes no Líbano.

Nessa linha, o embaixador Kadri lembrou que as relações entre o Brasil e o Líbano “são de família, de emoção, mas não se traduzem em comércio”. “O Conselho Empresarial Brasil – Líbano foi criado justamente com o objetivo de fomentar esse comércio”, explicou. “Esperamos que os empresários brasileiros possam visitar o Líbano em 2017”. Segundo ele, o fechamento de um acordo entre os países do Mercosul e o país árabe pode estimular ainda mais esse processo.

Ex-embaixador do Brasil no Líbano e conselheiro do Coscex, Affonso Massot destacou o fato de que Beirute pode ser uma base importante para a distribuição de produtos brasileiros no Oriente Médio. “Podemos  promover parcerias e propor recomendações que beneficiem os dois países”.

Grato pela “acolhida calorosa” que recebeu na Fiesp, o  presidente do Conselho Empresarial Líbano Brasileiro, Rabieh Frem, também reforçou a possibilidade de o seu país servir de base para as vendas de produtos brasileiros na região. “Somos comerciantes históricos”, disse. “Os libaneses contribuíram muito para o desenvolvimento do mundo árabe”.

Segundo Frem, os bancos libaneses estão abertos para investir no exterior e para apoiar os investimentos brasileiros por lá. “A nossa mão de obra é muito qualificada”.

Oportunidades

Para apresentar as oportunidades de investimento em seu país, o agente de investimentos da Autoridade de Desenvolvimento e Investimento do Líbano, Abbas Ramadan, destacou o bom momento pelo qual passa a economia local.

“Tivemos um PIB de US$ 51,2 bilhões em 2015, com crescimento de 1% do PIB real no período”, disse.

Em termos de investimentos, o país é considerado o 23º no mundo no que se refere à liquidez dos bancos. “No Líbano, são necessários nove dias e cinco procedimentos para iniciar um negócio”, afirmou Ramadan.

Quando o assunto envolve educação, foi destacada a qualidade da mão de obra local, sendo o Líbano o 19º do mundo em qualidade geral da educação e o sexto especificamente em Matemática e Ciência.

No quesito impostos, é aplicada uma tarifa de 15% de taxas para as empresas, com redução de 30% sobre a remuneração tributável de empregados estrangeiros em empresas offshore, quando estão trabalhando no Líbano.

“Temos agências de promoção dos investimentos e das exportações”, explicou.

Segundo Ramadan, há oito setores prioritários para os investimentos naquele país: tecnologia, agronegócio, telecomunicações, alimentos, bebidas, indústria, mídia e turismo.

Para investir no Brasil

Diretor adjunto da divisão de Telecomunicações do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, Ruy Bottesi apresentou aos empresários libaneses e brasileiros algumas das oportunidades de investimento no Brasil. “Podemos promover parcerias de prestação de serviços”, disse. “E estimular uma articulação institucional com as agências reguladoras do governo brasileiro”.

Entre as possibilidades, Bottesi citou o Projeto Crescer, pacote de concessões que envolve, entre outras obras, duas rodovias, três ferrovias e 11 hidrelétricas.

O agronegócio nacional também tem muito a oferecer aos empreendedores do Líbano. Diretor titular do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Fiesp, Mario Sergio Cutait lembrou que nós somos os primeiros do mundo em exportação de suco de laranja, açúcar, café e carne de frango. “Temos 61% da produção mundial de laranja, 21% no caso do açúcar e 36% no que se refere ao café”, disse.

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O Seminário Brasil-Líbano: oportunidades de investimentos nos dois países. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp