Brasil-Argentina: rodada de negócios na Fiesp reúne cerca de 200 empresas do setor de autopeças

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) recebeu nesta terça-feira (18/09), para uma rodada de negócios, uma comitiva de aproximadamente 120 empresários argentinos do setor de autopeças e acessórios automotivos – a delegação veio acompanhada do secretário de Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno.

Paulo Skaf e Guillermo Moreno, secretário de Comércio Interior da Argentina. Foto: Junior Ruiz

Paulo Skaf e Guillermo Moreno, secretário de Comércio Interior da Argentina. Foto: Junior Ruiz


Os empresários do país vizinho tiveram encontros com cerca de 90 empresários brasileiros.

De acordo com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, a rodada representa um esforço bilateral para que empresas brasileiras e argentinas conheçam mais os produtos vizinhos e assim realizem mais negócios. A missão foi organizada depois que a entidade constatou, em pesquisa, que a principal razão das empresas brasileiras não estarem comprando mais produtos argentinos era o desconhecimento de fornecedores.

“Essa reunião reflete aquilo que nós combinamos na reunião passada. Identificamos [em uma pesquisa] que poderíamos melhorar o fluxo de comércio entre o Brasil e a Argentina, porque muitos produtos que o Brasil importava de terceiros países poderiam ser comprados da Argentina e muitos produtos que a Argentina compra de terceiros países poderia comprar do Brasil”, comentou Paulo Skaf.

Segundo Guillermo Moreno, a missão comercial é um passo para resolver os obstáculos e que os problemas bilaterais se resolvem com mais comércio.

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Rodada de negócios: mais de 100 empresários argentinos. Foto: Helcio Nagamine

“Acredito que estão sendo resolvidos todos os obstáculos. Vejo um clima que não é de obstáculos. Ao contrário. É de participação das cadeias de valor entre nossos empresários e os brasileiros. Hoje tivemos alguns presidentes de terminais automotivos brasileiros, mas estiveram todos os compradores, em níveis máximos, e interessados em fazer negócios com nossas empresas de autopeças”, disse Moreno.

O setor de autopeças e acessórios responde por mais de 1/3 das exportações brasileiras para a Argentina, cujo fluxo vem caindo de forma generalizada ao longo deste ano.

No período de janeiro a agosto, o Brasil vendeu 18% menos ao país vizinho e a Argentina, por sua vez, vendeu 6% menos ao Brasil se comparado ao mesmo período de 2011. O superávit do Brasil também teve uma redução de 54%.

Paulo Skaf diz que esforço da Fiesp visa aproximar empresas brasileiras e argentinas

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Em entrevista coletiva, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, comentou a visita de aproximadamente 120 empresários argentinos do setor de autopeças para mais uma rodada de negócios bilaterais. A delegação veio acompanhada pelo secretário de Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno.

Veja os principais trechos da coletiva:

Objetivo da rodada de negócios

Paulo Skaf, presidente da Fiesp/Ciesp. Foto: Junior Ruiz

Paulo Skaf: "Nosso esforço é no sentido de juntar empresas brasileiras e argentinas". Ao lado, Guillermo Moreno (secretário de Comércio Interior argentino). Foto: Junior Ruiz.

“Essa reunião reflete aquilo que nós combinamos na reunião passada. Identificamos [em uma pesquisa] que poderíamos melhorar o fluxo de comércio entre o Brasil e a Argentina porque muitos produtos que o Brasil importava de terceiros países poderiam ser comprados da Argentina e muitos produtos que a Argentina compra de terceiros países poderia comprar do Brasil. Então, a nossa meta não era a Argentina comprar menos do Brasil – é comprar mais. Mas o Brasil também comprar muito mais da Argentina, buscando maior equilíbrio na balança comercial. Ficamos desde 2005 em superávit comercial com a Argentina. E no ano passado tivemos US$ 5,8 bilhões como superávit. Temos que entender que a Argentina é nossa vizinha e nossa parceira no Mercosul.”

A pesquisa

“A principal razão de as empresas brasileiras não estarem comprando mais produtos argentinos era o desconhecimento. Então, nosso esforço é no sentido de juntar empresas brasileiras e argentinas para que elas se conheçam mais, realizem mais negócios e melhorem nossas relações.”

Avaliação do encontro

“Recebemos 105 empresas argentinas. Estão [na Fiesp] também 90 empresas brasileiras. São cerca de 200 empresas argentinas e brasileiras que realizaram durante o dia 1.200 reuniões produtivas. De acordo com relatórios que recebi, havia, em cada mesa, um tempo de meia hora [para as negociações], e houve casos de reuniões em que as pessoas pediam para ficar mais, ou seja, os encontros foram proveitosos.”

Próximos passos

“Esse é um trabalho que temos que intensificar mais. Ainda esta semana vamos receber um grupo argentino apresentando os projetos de investimentos que terão em hidrelétricas na Argentina para que tenhamos também uma integração no setor de infraestrutura.”

Arestas

“Há um diálogo bom com o governo argentino hoje com o secretário [Guillermo] Moreno. Ele reiterou que não vai aceitar qualquer desvio de comércio, ou seja, a Argentina deixar de comprar do Brasil para comprar de um terceiro país. Nós combinamos que qualquer fato concreto nesse sentido, que seja demonstrado e que ele tomará providências. E, da mesma forma, o Brasil também não pretende deixar de comprar produtos argentinos para comprar de terceiros países. E essa relação boa é importante para que a gente possa melhorar cada vez mais nosso Mercosul.”

 Aumento da alíquota de importação

“As alíquotas que aumentaram [em 25%] foram dentro dos limites internacionais, mas, sem dúvida nenhuma, o governo brasileiro fez um estudo criterioso de produtos cujas importações estavam com crescimento absurdo e que estávamos com dificuldades de exportar e cujos preços haviam caído. Enfim, dentro de certas características técnicas, foram escolhidos 100 produtos e me parece que isso é positivo para o Brasil. Não resolve o problema, mas vai ajudar.”

Moeda local nas negociações bilaterais

“Isso não depende de uma discussão nossa, é dos bancos centrais do Brasil e da Argentina. Se perguntarem a minha opinião, estou de acordo em encontrarmos um caminho para podermos ter o comércio em moeda local. Isso, sem dúvida nenhuma, destravaria totalmente o comércio entre os dois países. Seria em peso de um lado e em real de outro lado. (…) Daria para a Argentina um total interesse de ampliar e muito as nossas compras. A Argentina é um grande cliente de manufaturas brasileiras e beneficiaria a todos nesse momento. O Brasil, nesse momento, está com mais de US$ 2 bilhões de superávit com a Argentina em manufatura, então nós devemos fechar esse ano em torno de US$ 3 bilhões de superávit. E a balança de manufaturas com o mundo é de US$ 100 bilhões negativos, então, sejamos justos.”

Vitória Fiesp/Ciesp: Portaria do Ministério da Fazenda beneficia setores industriais

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) obtiveram mais uma importante vitória com a publicação, pelo Ministério da Fazenda, da Portaria MF nº 206/12, no Diário Oficial da União no último dia 16 de maio.

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A medida corrige distorção de portaria anterior e beneficia os seguintes setores: têxtil, confecção, calçados, autopeças, móveis e couro.

Quando a Portaria MF nº 137/12 foi publicada, em 30 de abril, o prazo de recolhimento referente a março já havia vencido.

Assim, determina-se a prorrogação do prazo de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins relativos aos fatos geradores ocorridos em maio de 2012. Com vencimento em junho de 2012, o prazo foi estendido até o último dia útil da primeira quinzena de dezembro deste ano, ou seja, 14/12.

Esse pleito foi motivado pela divulgação das medidas do Plano Brasil Maior pelo governo federal.