No Teatro do Sesi-SP, britânico diz que ‘senso de mudança’ não é opcional para gestor de ensino

Alice Assunção e Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

O trabalho de um diretor de escola implica o uso de um conjunto de estratégias para promover mudanças na forma de aprendizagem dos alunos de sua escola e, justamente por ser a segunda influência mais importante no ensino, o diretor precisa ter “um reservatório de esperança”.

A afirmação é do professor e especialista em ensino Christopher Day, docente da Escola de Educação da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, no Teatro do Sesi-SP , em aula magna nesta segunda-feira (19/08) para alunos da quarta e quinta turma do curso de MBA em “Gestão Empreendedora” – iniciativa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e da Federação das Indústrias do Estado de Rio de Janeiro (Firjan) em parceria com os governos dos respectivos estados, visando o aprimoramento de profissionais da educação da rede em pública em ambos estados.

>> Sesi-SP abre novas turmas do MBA em ‘Gestão Empreendedora’ para profissionais do ensino da rede pública

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Christopher Day: ensinar não é apenas questão profissional, mas também pessoal. Foto: Everton Amaro/Fiesp

“Apesar de perdas, dos esforços, a mudança não é uma opção para vocês”, afirmou Day. “Vocês vão sempre ter de mudar porque sempre há o que melhorar, mas não existe fórmula mágica para o sucesso”, disse ele.

Ele ainda fez um apelo aos mais de 400 professores e gestores da rede pública presentes: “Por favor, não sejam apenas gerentes sentados em uma mesa preenchendo formulários porque, dessa maneira, vocês vão comprometer a capacidade de a escola alcançar um bom padrão de ensino”.

Segundo o especialista, também líder do grupo de pesquisa Teacher Work and Lives and School Leadership Reserach, os meios para se chegar a uma direção eficiente de uma escola são liderar estrategicamente, com organização, e também exercer liderança sobre as pessoas e, na medida do possível, na comunidade na qual a escola se encontra.

“Quanto tempo você gasta ouvindo os pais? E como você responde às demandas”, questionou Day. No caso do relacionamento com os professores, o especialista aconselha o gestor a compreender os momentos de maior e menor produtividade de seus professores.

“Há uma volatilidade do nível de comprometimento e paixão dos professores. Isso é normal. Nosso trabalho é identificar esses momentos. E, para isso, precisamos conhecer bem nossos professores”, disse.  “Ensinar não é apenas questão profissional, mas também pessoal”, complementou.

Day apresentou dados de uma pesquisa canadense que apontou uma liderança efetiva para melhorar a eficiência do e a igualdade de qualidade do ensino no mundo.  “Não existe um único documento que ateste uma trajetória de sucesso no ensino de uma escola sem uma liderança talentosa”, afirmou.

Segundo ele, 93% das escolas na Inglaterra atingiram bom padrão de ensino. “Sem boa liderança, os resultados de aprendizado dos estudantes não vão progredir”, concluiu.

Professores da Universidade de Oxford apresentam a instituição a jovens empreendedores

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Na manhã desta terça-feira (21/08) aconteceu, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), mais um encontro do Ciclo Grandes Universidades, promovido pelo Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Fundação Estudar.

A convidada desta vez foi a Oxford University, uma das mais antigas universidades do mundo e a primeira instituição de ensino superior da Europa.

Pierre Ziade, diretor-titular-adjunto do CJE/Fiesp, deu as boas vindas aos convidados e ressaltou a importância da iniciativa, considerando o objetivo do Comitê de fazer os jovens empresários pensarem muito além de suas empresas, e sim no desenvolvimento do País.

“Quando se fala em desenvolvimento se fala em formação de pessoas. E vocês, da Universidade de Oxford são especialistas na formação de pessoas e líderes”, ressaltou Ziade.

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Ex-alunos da Universidade de Oxford contam suas experiências. Na foto, ao centro, o empresário Antônio Bonchristiano

A diretora-executiva da Fundação Estudar, Thais Junqueira, explicou o intuito dos encontros de trazer as informações sobre cursos das grandes universidades mundiais e reproduzir um pouco de seu ambiente, com a experiência de ex-alunos.

O economista e empresário Antônio Bonchristiano, conselheiro da Fundação Educar, contou como Oxford contribuiu no seu crescimento profissional. Bonchristiano foi o fundador do portal Submarino e é, atualmente, o vice-presidente e sócio da GP Investimentos. Graduado em Economia por Oxford, ele sente-se lisonjeado por fazer parte do conselho do College da Universidade.

O evento teve ainda a presença dos professores Andrew Hamilton, vice-reitor da Universidade de Oxford, e Gordon Clark, diretor internacional de graduação da Escola de Geografia e Meio Ambiente da Universidade de Oxford.

Celeiro de líderes

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Andrew Hamilton, vice-reitor da Universidade de Oxford

Ao apresentar um panorama sobre a instituição, cursos e intercâmbios internacionais, Hamilton apontou duas razões para a Universidade ser destaque no mundo.

“Além de ser uma das mais antigas – é tão antiga que não sabemos quando começou –, Oxford tem uma forte tradição na formação de líderes. Já formou 26 primeiros-ministros britânicos e também outros líderes no mundo, como o ex-presidente Bill Clinton, dos Estados Unidos, e o atual Primeiro-Ministro da Índia, Manmohan Singh.”

Hamilton atribui isso ao sistema tutorial aplicado em Oxford. De uma a duas vezes por semana, o aluno se encontra com um especialista no assunto que pesquisa ou estuda. “Eu digo que não tem como se esconder. Tem que não só mostrar o material que desenvolvem, mas expô-lo.” Essa metodologia, segundo o vice-reitor, traz um grande desenvolvimento como indivíduos. “Isso instila uma autoconfiança intelectual importante para os líderes.”

De Oxford saíram grandes avanços científicos – como a descoberta da Penicilina, a técnica de Raio-X, o mais recente tratamento para a Malária, entre outros – e alguns ganhadores do Prêmio Nobel.

Sustentabilidade Global

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Gordon Clark, diretor internacional de graduação da Escola de Geografia e Meio Ambiente da Universidade de Oxford

Em sua aula magna, intitulada O Mundo dos negócios e o meio ambiente na economia global, o professor Gordon Clark ressaltou o papel do Brasil no cenário global atual e afirmou que um dos principais desafios para o século 21 é assegurar e manter o desenvolvimento econômico.

Clark elencou o conceito  de “externalidade de preço”, isto é, atribuir-se um preço ao meio ambiente nas corporações, como ponto crucial nas decisões.

O especialista negou a crença de que meio ambiente e desenvolvimento são antagônicos. “Se bem administrados, podem ser complementares”, postulou. E defendeu a necessidade de se valorizar a integração global. “As barreiras só trazem empobrecimento global e degradação ambiental”, acrescentou.

Sobre as mudanças climáticas, Clark afirmou que sempre haverá vencedores e perdedores e citou exemplos. Na China há áreas com risco de desertificação e, no sul da Inglaterra, o aumento das chuvas beneficia algumas culturas. Para ele, a questão é como os vencedores poderão contribuir para os que perdem. Umas das sugestões seria um fluxo de capital de uma região para outra. Porém, isso deve ser pensado sempre a longo prazo.