No segundo dia de L.E.T.S., especialistas falam sobre o desperdício na água tratada

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

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Marcos Danella, sócio-diretor da consultoria em geoprocessamento Linedata. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

As perdas de água tratada atingem níveis alarmantes, acima de 50%. O alerta é de Marcos Danella, sócio-diretor da consultoria em geoprocessamento Linedata, ao participar na manhã desta terça-feira (20/05) da Semana de Infraestrutura (L.E.T.S.), evento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Segundo ele, o volume de desperdício pode ser muito maior. “Não dá para medir o número real”, afirmou, destacando que o tempo médio de atendimento de vazamento visível em ligações é de 14 dias, com perda de 350 metros cúbicos/ligação.

“Das 1.100 empresas de saneamento do Brasil, menos de 10 possuem sistema de gestão de ocorrências e gestão técnicas. Aqui tem muito o que se fazer”, alertou ele no painel “A energética aplicada no saneamento básico”.

Danella acredita que as origens dos problemas de gestão na rede de distribuição são culturais, com o uso do sistema comercial para abrir ordens de serviço na área técnica; na TI, que ainda não chegou na área operacional; e falta de cursos na área operacional, o que gera baixa produtividade. “Faltam centros de operações para fazer um controle sistemático diário.”

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Eduardo Moreno, presidente da Vitalux. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Outro convidado do painel, Eduardo Moreno, presidente da Vitalux, empresa da área de eficiência energética, falou sobre indicadores, cenário atual do setor e soluções técnicas e financeiras. Segundo ele, São Paulo tem 38% de perda de água produzida, o que classificou como “um índice alto”.

Moreno destacou alguns dos principais problemas do setor de saneamento, como grandes perdas de água por vazamento nas redes e em ramais, deficiência no controle de vazamentos, deficiência na manutenção de infraestrutura, má utilização da capacidade de reserva, impedindo a racionalização, e redução da demanda no horário de ponta.

“As empresas de saneamento são, via de regra, públicas; poucas são privadas”, lembrou Moreno ao explicar as diferenças entre os modelos de contrato atual e de performance.

“Num contrato de performance, quanto mais se ganha com a empresa púbica, maior o ganho das privadas, o que é mais interessante. No modelo tradicional, há um conflito de interesses porque os interesses públicos chocam-se com os privados.”

O professor doutor Augusto Viana, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), apresentou alguns estudos de caso com medidas de gestão para redução do bombeamento no horário de ponta e do ajuste da demanda contratada, em cidades do interior de São Paulo. “É preciso ter treinamento e promover a conscientização e motivação dos funcionários, com cursos de capacitação, metas e objetivos e divulgação dos resultados obtidos”, afirmou.

L.E.T.S.

A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico. O evento acontece de 19 a 22 de maio (segunda a quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Mais informações: www.fiesp.com.br/lets