‘Queremos aperfeiçoar a administração pública no país’, diz presidente do TCU em reunião na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

“O nosso desafio é melhorar a governança no Brasil, queremos aperfeiçoar a administração pública no país”. Foi com o objetivo de abrir um debate público sobre o assunto que o ministro Augusto Nardes, presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), participou, nesta quinta-feira (28/11), de uma reunião na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Estiveram no encontro o presidente da entidade, Paulo Skaf, e diversos outros diretores e executivos da federação, como o primeiro vice-presidente Benjamin Steinbruch.

Augusto Nardes explicou, em linhas gerais, como funciona o trabalho do TCU, destacando que o desafio maior do Tribunal é lutar contra as fragilidades gerenciais na aplicação dos investimentos no Brasil. “Precisamos prestar serviços melhores”, disse. “E esse é um problema da União, dos estados e dos municípios”.

De acordo com o presidente do TCU, o estado brasileiro gasta 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, ou seja, perto de R$ 2 trilhões dos R$ 4,4 trilhões de riquezas geradas no Brasil. “Desses quase R$ 2 trilhões, 52% são para encargos especiais e 48% para as demais despesas”, afirmou.

Dentro do bloco das “demais despesas”, confirme informou Nardes, a Previdência fica com 42,9% dos recursos. “Com isso os nossos investimentos são muito baixos em outras áreas, como infraestrutura, por exemplo”, disse. “Muito menores que os investimentos dos países desenvolvidos”.

Nardes, ao centro, e Skaf, à direita: investimentos baixos em infraestrutura no país. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Nardes, ao centro, e Skaf, à direita: Brasil tem investimentos baixos em infraestrutura. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

Segundo Nardes, para melhorar a chamada governança no Brasil, é preciso investir em pontos como responsabilidade fiscal, educação, pesquisa e inovação, infraestrutura, inclusão social e regional e racionalização do gasto público.

Para melhorar as coisas nesse sentido, o TCU fiscaliza se os recursos federais estão sendo bem aplicados e se os interesses dos cidadãos estão sendo bem atendidos.

Especialização

Uma medida importante adotada pelo TCU nessa direção foi, conforme Nardes, investir em especialização. “Fizemos isso de acordo com função do governo, como saúde, educação, meio ambiente e assim por diante”, explicou. “Temos 22 secretarias especializadas”.

Outra ação digna de nota são as chamadas auditorias coordenadas. “Descobrimos que 300 mil mortos recebiam dinheiro do Bolsa Família, por exemplo”, afirmou Nardes. “São informações que o governo não tem como descobrir. Por isso, a importância do trabalho do TCU”.

Um problema de gestão

Após a apresentação, Paulo Skaf fez questão de reafirmar o apoio da entidade às metas do TCU de ajudar a melhorar a administração dos serviços públicos no Brasil. “Temos toda a intenção de construir parcerias”, afirmou o presidente da Fiesp.

Segundo Skaf, o país enfrenta problemas de gestão. “É pura gestão: num país em que se arrecadam R$ 1,6 trilhão em impostos não faltam recursos”, explicou. “O que existe é incompetência, falta de honestidade e compromisso com os resultados”.