Para subir no pódio, campeões da educação profissional do Senai-SP têm personal trainer, nutricionista e psicólogo

Agência Indusnet Fiesp

Parece coisa de craques do esporte. Os 19 “atletas” do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) que começaram nesta quarta-feira (12/8) a disputar o torneio mundial da formação profissional WorldSkills São Paulo 2015 têm direito a uma estrutura de apoio que inclui psicólogos, nutricionistas, dentistas e instrutores físicos. Nenhum detalhe é esquecido – nem pode ser, porque a disputa, muito acirrada, é decidida nos detalhes.

“A grande dificuldade é resistir à pressão”, afirma José Carlos Dalfré, gerente regional do Senai-SP e coordenador da delegação paulista, ao explicar a estrutura montada para assegurar que os alunos do Senai-SP cheguem à competição com o máximo possível de concentração.

Iracema Vilalva, do Senai Marília, que concorre em Panificação, considera essencial a preparação psicológica, iniciada junto com o treinamento, de quatro anos, para a WorldSkills.  “É pressão a todo momento, todo mundo te observando”, afirma. E a situação é ainda mais tensa para outros competidores. “A minha modalidade ainda tem vidros ao redor, porque é climatizada, mas outras são ao ar livre, então esse contato com o público é bem mais intenso e bem mais difícil de lidar.”

Iracema Vilalva, do Senai Marília, no primeiro dia de provas da Panificação no WorldSkills 2015. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Iracema Vilalva, do Senai Marília, no primeiro dia de provas da Panificação no WorldSkills 2015. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

E os competidores veem também o trabalho dos concorrentes, o que aumenta a pressão, diz Dalfré. “Ele olha pro lado e vê alguém que é tão bom quanto ele, mas não consegue medir os detalhes de qualidade para saber se está à frente ou atrás, e isso pode levar a entrar em parafuso.” Seria um desastre, pondo a perder uma preparação difícil.

“É um processo longo. A preparação leva em média quatro anos, com pelo menos dez horas por dia dedicadas ao treino na ocupação”, explica.

Os campeões da indústria não ficam sozinhos na preparação. “Há um docente dedicado a cada um deles, um especialista da profissão”, diz Dalfré. E mais uma estrutura para assegurar que todos os competidores do Senai-SP tenham apoio emocional, médico e alimentar. “Só é possível ganhar uma medalha mundial se o aluno for preparado para ser um competidor de alta performance”, afirma Dalfré. Ele explica que, além de suportar a pressão, os alunos precisam de “enorme resistência física”.

Segundo Dalfré, por cerca de um ano os jovens recebem atendimento personalizado de psicólogos, nutricionistas e personal trainer. “Em São Paulo, os alunos foram avaliados por uma psicóloga em entrevistas individuais para o diagnóstico de fatores ou características pessoais que pudessem prejudicar o competidor no momento da exigência máxima da prova.”. Em outras palavras, a profissional verificou se conseguiam trabalhar com limite de tempo, qual a capacidade de cada um para apresentar soluções para os problemas e como reagiam ao medo de falhar e ao nervosismo. “Foi traçado um perfil bem detalhado de cada um dos alunos porque essas características de personalidade envolvem vida e estrutura familiar e responsabilidades com a família, por exemplo.” Essa iniciativa, explica Dalfré, foi complementada por dinâmicas de grupos que simulam a pressão dos momentos de competição, palestras e acompanhamento via internet com um profissional de coaching.

Condicionamento e força

A preparação física foi realizada por professores de educação física das escolas do Senai-SP que participaram da Copa Senai – competição esportiva voltada a alunos de cursos de aprendizagem industrial e técnicos. Esses profissionais estudaram a necessidade de cada competidor, levando em conta as atividades desenvolvidas nos treinamentos, pois existem áreas que demandam mais força física – como as ocupações ligadas a construção civil, por exemplo. Essa ação também incluiu treinamentos semanais realizados em academia. As orientações nutricionais seguiram a mesma linha da preparação física, com prescrição de alimentação balanceada segundo as necessidades individuais de cada competidor.

Os alunos também passaram por um check-up geral de médicos e dentistas para sanar pequenos problemas, como cáries, dores no corpo e rinites, que pudessem comprometer a concentração ou o desempenho físico durante as provas.

Apoio familiar

Tranquilidade extra é dada aos alunos que avançam nos torneios de formação profissional. Quando ganham etapas estaduais, passam a receber uma bolsa equivalente a um salário mínimo, mais auxílio transporte e alimentação, para que possam se dedicar ao treinamento. Vencendo o torneio nacional (Brasil Skills), o total mensal passa a dois salários mínimos, o que tira dos alunos a pressão para procurar emprego. Ao longo do processo de preparação para a WorldSkills, o aluno pode chegar a salário de R$ 2.000 por mês, mais auxílio alimentação e transporte, bancado pelo Senai-SP.

A família faz parte do projeto, diz Dalfré. O Senai-SP procura as famílias dos vencedores da etapa estadual, para envolvê-las no treinamento. Explica o processo de preparação para uma competição de nível mundial de alta performance e conta o grau de dedicação necessário. Ela “compra” a ideia e apoia a garotada. “A família entende que esse é um grande projeto de vida” para o aluno, diz Dalfré.