‘Olhar o desenvolvimento humano tem a ver com dar opções para as pessoas’, diz coordenadora das Nações Unidas sobre atividade física e desigualdade social

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A oportunidade de envolvimento com atividades físicas e esportivas não é igual para todos. Um cenário que pode e deve ser superado. O assunto foi alvo de debates na reunião plenária do Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto (Code) da Fiesp, realizado na tarde desta segunda-feira (30/01), na sede da federação. Na ocasião, foram apresentados os avanços do Relatório de Desenvolvimento Humano Nacional (Pnud), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. O documento é publicado desde 1990 e já apresentou ao mundo indicadores como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

“Em torno de 65% das pessoas no Brasil não praticam atividade física”, explicou a coordenadora do relatório nas Nações Unidas, Andrea Bolzon.

E isso não é tudo: os homens se envolvem 40% mais com as atividades físicas e esportivas (AFEs) que as mulheres. Os jovens, por sua vez, se envolvem 50% mais que os idosos nesse ponto. “Um homem profissional liberal com curso superior tem 6 vezes mais chances que mulher trabalhadora doméstica e com nível de instrução que não supere o ensino fundamental de fazer atividade física”, afirmou Andrea. “Não podemos fechar os olhos para essas desigualdades, temos que pensar o fomento da atividade física nesse contexto”, disse.

É nessa direção que, segundo Andrea, seguem os estudos das Nações Unidas nesse campo. “Olhar o desenvolvimento humano tem a ver com dar opções para as pessoas, ir além da responsabilização do indivíduo e da pedagogia do medo”, explicou. “Será que é por aí que a gente vai ajudar nessa conscientização? Propomos uma discussão que questione esses conceitos, que ofereça oportunidades e pare de fazer com que as pessoas se sintam preguiçosas e culpadas”.

De acordo com Andrea, o fato de a maioria dos projetos de condomínios envolverem a oferta de academias é uma prova de que “esse debate tem valor”. “Até a Fiesp tem um comitê voltado para o esporte”, brincou.

Assim, é preciso “analisar o impacto da atividade física nos campos da saúde, educação e economia”. “Como estão as atividades físicas e esportivas no cenário contemporâneo?”, questionou.

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Andrea: impactos da atividade física na saúde, educação e economia. Foto: Everton Amaro/Fiesp


A reflexão em torno dessas questões envolve uma série de cruzamentos de dados sobre o envolvimento da população com atividades físicas. “Precisamos pensar nas AFEs em relação às cidades, à renda, à violência, às questões de gênero e assim por diante”.

E mais: “temos que relacionar as atividades físicas com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, com a priorização e a definição de conjuntos de metas segundo objetivos estratégicos”, disse.