Atividade industrial paulista tem ligeira alta no mês, mas cai no 3º trimestre do ano

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A performance da indústria paulista ficou praticamente estável em setembro ante agosto. Foi uma variação positiva de 0,1%, com ajuste sazonal, segundo o Indicador de Nível de Atividade (INA) da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

O levantamento apontou, no entanto, que o desempenho do setor manufatureiro paulista encerrou o terceiro trimestre do ano com queda de 0,1% na comparação com o trimestre imediatamente anterior.

O conjunto de variáveis que compõe o INA também apresentou taxas negativas no mês passado. Mas o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp, Paulo Francini, esclarece que o ligeiro crescimento do mês foi motivado pela projeção de alta de 0,5% da Produção Industrial Paulista (PIM-SP), incorporada ao levantamento do indicador das entidades.

“A nossa projeção da PIM, a despeito da taxa ruim das outras variáveis, acabou prevalecendo para estabelecer uma variação positiva”, complementa o diretor.

Embora tenha apresentado ligeira alta, a expectativa para a atividade da indústria até o fim do ano continua sendo de desaceleração. Segundo Francini, o INA deve encerrar o ano com queda de 5%.

“Pequenas altas ainda não configuram um processo de recuperação. Queiramos ou não, o panorama de 2014 já está fechado, ou seja, vai ser um ano ruim para a economia brasileira e ruim para a indústria brasileira”, reitera.

Interrupção da queda

Apesar do veredito para 2014, o diretor do Depecon avalia que a interrupção de uma queda que estava ocorrendo de forma progressiva no índice de atividade é “um elemento essencial” para que se inicie um processo de recuperação da indústria. Mesmo assim, ele analisa com cautela o resultado de ligeira alta dos últimos dois meses.

Paulo Francini, diretor de Economia da Fiesp e do Ciesp: interrupção de queda não é suficientemente clara. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

“A interrupção de queda que nós temos não é suficientemente clara porque a variação de dois meses não dá tal garantia. Nós acreditamos que ainda não é o momento de fazer tal comemoração”, diz Francini.

O Depecon revisou para cima o INA de agosto versus julho para um crescimento de 0,4%. Os últimos meses positivos não devem, segundo Francini, “variar grandemente o resultado previsto em 2014”, mas a atividade de 2015 pode não começar em queda.

Atividade em setembro

A atividade do setor manufatureiro em São Paulo caiu 5,2% no acumulado de 12 meses, contra igual período imediatamente anterior. A variação, sem ajuste sazonal, é próxima à projeção de queda de 5% para o índice no final do ano.

Com relação ao mesmo mês de 2013, o indicador apresentou recuo de 1,8%, também sem ajuste sazonal. Todas as variáveis de conjuntura mostraram fraco desempenho em setembro. O destaque negativo na composição do índice do mês foi a variável Total de Vendas Reais, que caiu 0,4% frente a agosto.

As Horas Trabalhadas na Produção caíram 0,1%, enquanto o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) registrou perdas de 0,2% ponto percentual para 79,5%.

Na contramão, o desempenho da indústria de Minerais não Metálicos registrou alta de 2,8% em setembro versus o mês anterior, na leitura com ajuste sazonal, em meio a ganhos nos itens Total de Vendas Reais (+6,9%) e Horas Trabalhadas na Produção (+2,3%).

A variação positiva de Minerais não Metálicos também se explica nas significativas vendas de materiais de construção em setembro. Já a atividade no setor de Alimentos apresentou queda consecutiva de 0,9% em setembro ante agosto, influenciada em parte por aumentos dos preços ao consumidor e piora dos fundamentos de consumo. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a classe de despesa Alimentos e Bebidas registrou o maior aumento na leitura mensal, sendo o principal impacto “altista” sobre o resultado geral do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no período.

A indústria de Móveis também encerrou setembro em queda. O segmento registrou declínio de 1,1% no mês, abatido principalmente pela retração de 1,3% do componente Total de Vendas Reais. O fraco desempenho do setor reflete a piora dos fundamentos de consumo das famílias.

Percepção

A percepção geral dos empresários diante do cenário econômico, medida pelo Sensor Fiesp, mostrou estabilidade este mês, a 48,5 pontos em outubro contra 48,6 pontos em setembro.

A variável Mercado também ficou estável, a 50,2 pontos no mês corrente versus 52 pontos no mês anterior. O mesmo aconteceu com o componente Investimento, que ficou em 50,5 pontos em outubro versus 49,2 pontos em setembro.

A percepção quanto ao item Emprego também se mostrou estável, em 45,2 pontos em outubro ante 44,7 pontos em setembro. A variável Vendas apresentou ligeira queda, com 50,7 pontos contra 52 pontos no mês anterior.

De acordo com o levantamento, a percepção quanto ao componente Estoque ficou em 45,7 pontos em outubro ante 44,9 pontos em setembro.

Atividade industrial paulista cai 1,9% no mês e março é o pior desde 2002

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A performance da indústria de São Paulo registrou queda de 1,9% em março deste ano com relação a fevereiro, segundo dados com ajuste sazonal do Indicador de Nível de Atividade da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp). O resultado é o pior da série histórica da pesquisa para o mês de março e corrobora para uma perspectiva ainda mais pessimista para o desempenho da indústria este ano.

Segundo Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon), responsável pelo levantamento de conjuntura da indústria da Fiesp e do Ciesp, o arrefecimento da indústria deve ser ainda mais severo do que esperado.

De acordo com Francini, o Produto Interno Bruto (PIB) da indústria de transformação, em queda de 0,8% em 2014 segundo previsão das entidades, deve encerrar o ano ainda menor que o estimado. “O carregamento estatístico ficou muito negativo e ficamos em dúvida se iremos atingir a projeção de -0,8%, ou seja, a queda pode ser mais expressiva”, afirma Francini.

Na comparação com meses de março dos anos anteriores, o resultado deste ano é o pior da série histórica do indicador, iniciada em 2002. Francini esclareceu que mesmo com a ocorrência atípica do carnaval no terceiro mês do ano, o resultado ainda é pior que o esperado.

Em março de 2011, por exemplo, houve o feriado de carnaval, resultando em menos dias de produção para a indústria, mas o desempenho do setor manufatureiro na ocasião foi de 6,3%. O mesmo aconteceu em 2003, mas a atividade industrial subiu 6,9%.

“O carnaval sempre dá um resultado pior, comparativamente, para o mês. Porém, já houve outros anos que o carnaval ocorreu em março e nem isso tirou deste ano de 2014 a posição de ter sido o pior entre os marços que tiveram carnaval”, explica o diretor do Depecon.

O comportamento negativo da indústria automotiva puxou o indicador de atividade para baixo em março. Segundo a pesquisa da Fiesp e do Ciesp, o índice Veículos Automotores registrou baixa de 1,5% na performance industrial, na leitura com ajuste sazonal, uma vez que a variável Vendas Reais caiu 3,6%.

Segundo a Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de automóveis, com exceção de máquinas agrícolas, caíram 3% em março com relação a fevereiro, descontados os efeitos sazonais.

“A indústria automobilística entrou numa dificuldade que não era esperada por conta de fatores que se somam: a redução da confiança do consumidor e a questão do crédito apertando”, afirma Francini.

A indústria de Minerais não Metálicos também contribui para a baixa atividade da indústria de transformação em março com uma queda de 2,3% em seu desempenho em comparação a fevereiro, com ajuste sazonal. O declínio das vendas de materiais de construção no mês chamou a atenção.

O desempenho da cadeia de Celulose, Papel e Produtos de Papel também foi baixo, caindo 0,6% na leitura mensal com ajuste sazonal. Amplamente dependente de exportações, o setor sofreu com a queda de 7,9% das vendas externas, de acordo com informações da Funcex.

Na comparação trimestral, a atividade da indústria nos primeiros três meses deste ano caiu 7,1% com relação ao mesmo período do ano anterior. Com relação a março de 2013, o desempenho do mês passado caiu 10,1%.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) ficou em 80,2% em março contra 80,7% em fevereiro deste ano.


Indústria em 2015

Na avaliação do diretor da Fiesp e do Ciesp, o próximo ano é “emblemático” para a indústria e a economia em geral por coincidir com o início de um novo governo. E ainda que ajustes venham a ser feitos pelo novo governo, os eventuais resultados positivos dessas medidas não devem ser sentidos de imediato em 2015, mas pode preparar um possível cenário melhor para os anos seguintes do mandato (2015-18).

“Você tem o problema de desalinhamento de preços que vai precisar corrigir, tem um problema de política fiscal, de previdência, trabalhista. Há um elenco de problemas e reformas que são necessárias. Se não aproveitar o início de mandato para fazer, não faz. E o país requer que seja feita urgentemente”, alerta Francini.

Atividade Industrial Março/2014


Percepção pior

A percepção geral dos empresários com relação ao cenário econômico no mês de abril, medida pelo Sensor Fiesp, caiu ao menos quatro pontos para 47,3 pontos, contra 51,9 pontos em março.

O item Mercado também caiu para 47,9 pontos em abril ante 54,4 pontos em março, enquanto a percepção dos empresários com relação a Vendas piorou para 46,6 pontos este mês versus 55,3 no mês passado.

O componente de Estoque caiu de 48,6 pontos em março para 43,4 pontos em abril.

Já percepção quanto ao Emprego ficou estável em 46 pontos em abril, ante 46,6 pontos em março. O componente Investimento também ficou estável em 52,8 pontos em abril contra 54,7 pontos em março.

Sensor Abril/ 2014