Observatório europeu busca apoio da indústria brasileira para telescópio no Chile

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A principal organização intergovernamental da Europa para pesquisas em astronomia está de volta ao Brasil em busca de investimentos e negócios que viabilizem seus projetos de telescópio no Chile.

O Observatório Europeu Sul (ESO na sigla em inglês) participa de uma série de reuniões na sede da Fiesp, nesta terça-feira (23), com o objetivo de apresentar seu ambicioso projeto de telescópio de enorme dimensão, o European Extremely Large Telescope (E-ELT).

Em maio deste ano, a delegação da ESO, acompanhada por empresários chilenos, esteve na Fiesp com o mesmo intuito de discutir a adesão brasileira ao projeto.

“Eu diria que o grande negócio para o ESO é construir o maior olho no céu”, disse Alistair McPherson, responsável pelo projeto do E-ELT. Com 42 metros de diâmetro, o telescópio será construído no topo de uma montanha de 3.000 metros no deserto do Chile. As operações devem começar a partir de 2018.

Representantes do ESO apresentaram os planos da organização para executivos de empresas do setor de construção civil, como as construtoras OAS e Queiroz Galvão, e instituições de tecnologia, como a Rede Paulista de Inovação e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica. O Grupo Gerdau também participou do encontro.

“Nós temos cientistas para desenharem o projeto, mas é a indústria que entrará com a manufatura”, acrescentou McPherson.

Negócios

Ainda segundo McPherson, o projeto E-ELT oferece oportunidades de negócios para empresas de tecnologia, no desenvolvimento de softwares, hardwares, detectores e dispositivos de segurança para garantir a operação do maior telescópio do mundo.

Já a indústria de infraestrutura pode fechar negócios para a geração de energia ao projeto e revestimento das instalações. Empresas de construção civil ganham espaço na construção de estradas e de estruturas do telescópio como a cúpula.

Adesão ao ESO

Desde 2010 tramita um processo de entrada do Brasil no ESO, organização que hoje conta com 15 países-membros e opera telescópios principalmente na Cordilheira dos Andes, no Chile.

A adesão brasileira tem, no entanto, divido opiniões desde então. De um lado, especialistas temem o País competir em desigualdade com os europeus. Na outra ponta estão os argumentos favoráveis de que a entrada do Brasil na organização seria a melhor maneira de desenvolver a astronomia do País.