Para executivo da ANTF, ferrovias precisam ser melhor entendidas e atendidas

Priscila Della Bella, Agência Indusnet Fiesp

Subvalorização da eficiência do setor e descaso do governo com o transporte ferroviário são os principais impasses para a expansão da

Rodrigo Vilaça, presidente-executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF

Rodrigo Vilaça, presidente-executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF

malha ferroviária brasileira, segundo Rodrigo Vilaça, presidente-executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).

“O setor está com 44 mil trabalhadores. Crescemos 54% acima do PIB [Produto Interno Bruto]. Será que somos tão ineficientes assim?”, provocou Vilaça ao participar nesta terça-feira (22/05) do segundo e último dia de debates do 7º Encontro de Logística e Transportes, evento realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

No entendimento do presidente da ANTF, falta um plano concreto de expansão da malha ferroviária – segundo ele, a rede está concentrada no sudeste, tem presença ineficiente no nordeste e é ausente na região conhecida como cerrado brasileiro. “Precisamos de um plano de investimento em longo prazo. E também de ambiente regulatório, o chamado ambiente jurídico estável. Esse foi o nosso grande embate do ano passado e vai continuar sendo”, apontou.

Com investimentos bem aquém dos aplicados nas rodovias, as ferrovias pagam R$ 5,4 bilhões por ano ao setor, e, segundo Vilaça, “não recebem nada de volta desses arrendamentos”. Para ele, as constantes comparações com o transporte rodoviário são desleais. “Não vamos comparar ferroviário com o rodoviário. Aliás, por que não dizem que o sistema rodoviário é desregulado? Que eles põem peso acima do normal, não pagam impostos, tributos?”, assinalou o presidente-executivo da ANTF.

No entendimento de Vilaça, o transporte ferroviário é injustiçado também quando o tema é o transporte de agronegócio. Segundo ele, há outros fatores que colaboram para o alto custo e morosidade, mas que acabam sendo esquecidos. E questionou: “E a ineficiência dos portos? E a falta de armazenamento do produtor? A corda arrebenta para os mais fracos: as ferrovias. Será que só o trem é culpado do custo logístico da soja?”

Mesmo que a passos curtos, o setor apresenta constantes evoluções e, ironicamente, em momentos de crise no país, tem uma demanda maior de serviços. “Na última crise, aumentou a procura por transporte via contêineres, pois ninguém tinha pressa que o produto chegasse”, reforçou Vilaça.

Ferroanel

O Ferroanel, que chegou a ser incluído na lista de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na opinião do executivo da ANTF, pode ser a solução, “ou pelo menos, um bom adianto”, para o trânsito e o transporte público de São Paulo.

“Não se tem critérios de investimento, de renovação ou novo modelo. Os órgãos envolvidos não se conversam nem interagem para buscar resolver problemas que estão há 14 anos nas mãos do governo e não são resolvidos”, concluiu Vilaça.