Conselho de Inovação da Fiesp debate criação de ecossistemas para startups

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A estratégia do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para 2014 é fomentar o empreendedorismo de base tecnológico de classe mundial.

Para isso, os trabalhos do conselho no devem ser no sentido estimular a formação de ecossistemas regionais para a criação de startups, empresas nascentes de alto crescimento e de base tecnológica.

Na reunião desta sexta-feira (14/03), iniciada pelo presidente do conselho, Rodrigo Rocha Loures, os membros do Conic ouviram experiências de especialistas em startups [empresas jovens de perfil inovador] no exterior e de donos de algumas startups de sucesso.

O consultor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae), Renato da Fonseca de Andrade, apresentou um relatório da Feira do Empreendedor, realizada pela entidade em fevereiro deste ano. Novas rodadas da feira ainda devem acontecer em diferentes estados do país até novembro deste ano.

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Gilberto Sarfati, professor da FGV: alto nível educacional e isolamento geográfico foram fatores que ajudaram a colocar Israel em posição de destaque no nível de empreendedorismo. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Já o professor Gilberto Sarfati, docente da Fundação Getúlio Vargas (FGV), compartilhou a experiência da instituição na primeira Missão Empreendedora Israel, The Startup Nation, em janeiro deste ano.

Na avaliação de Sarfati, o que colocou Israel em uma posição de destaque em empreendedorismo a partir da década de 1980 é o alto nível de educação e o isolamento, sobretudo geográfico, da nação.

“Israel, nos anos 1980, era um país mais pobre que o Brasil. O próprio isolamento geográfico do país, a aridez do solo levou a nação a investir em tecnologia agrícola. E a tecnologia deles para agricultura continua sendo de ponta até hoje”, explicou.

Outra caraterística que ajudou Israel a se tornar referência em empreendedorismo, segundo o professor, é a experiência dos jovens no exército antes mesmo de chegarem à universidade.

“Ao viver três anos no exército esse jovem é exposto a um grau de dificuldade de gestão e decisões que um aluno meu, hoje, aqui no Brasil, não vai enfrentar antes dos 40 anos. Essa situação em que [o jovem israelense] tem de se virar aos 18 anos vai fazer com que ele, aos 22, tenha base para ser um empreendedor”, assinalou Sarfati. “Ele já é empreendedor porque a adversidade já o obriga a ser empreendedor”, acrescentou.

Segundo Sarfati, Israel possui 65 empresas listadas em Nasdaq, bolsa de valores norte-americana com negócios primordialmente de tecnologia, enquanto o Brasil possui pouco mais de 20.

Medo do Fracasso

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Taila Lemos: Brasil precisa perder a cultura do fracasso. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Sócia e fundadora da Gentros Biotecnologia, Taíla Lemos compartilhou a experiência de sua startup no desenvolvimento de quatro vacinas veterinárias.

Segundo ela,  o Brasil ainda padece a cultura do medo do fracasso.

“A gente vive no Brasil o medo do fracasso. E essa mentalidade tem de acabar. Já temos que trabalhar na mente das crianças para ela aceitarem os tropeços e aprendizados.”

O Conic começou a partir desta sexta-feira (14/03) a elaboração de recomendações para a formação dos ecossistemas que garantem a criação de startups. Depois de pronto, o documento deve ser levado para outros fóruns e organizações.

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Kleber Teraoka: empreendedor deve ter foco para resolver os problemas. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Na reunião, o presidente da Associação Campinas Startups, Kleber Teraoka, da empresa de soluções em CRM Strategy Manager, falou sobre os desafios de manter foco na criação de uma startup.

“Você não vai descobrir o produto de cara e ainda vai apanhar muito. Mas mantenha o foco. Busque problemas para serem resolvidos”, aconselhou.