Coscex/Fiesp apoia retaliação aos EUA anunciada pelo governo brasileiro

Agência Indusnet Fiesp

Apesar de ter divulgado uma lista de produtos norte-americanos que receberão aumento na alíquota de imposto como forma de retaliação, o governo brasileiro se mantém disposto a negociar com os Estados Unidos.

Carlos Márcio Cozendey, do Ministério de Relações Exteriores, em reunião na Fiesp. Foto: Vitor Salgado

A informação foi dada nesta terça-feira (9) pelo chefe do Departamento Econômico do Ministério de Relações Exteriores, Carlos Márcio Cozendey, durante reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp.

“Esta é uma medida em reação ao resultado de processo da OMC (Organização Mundial do Comércio), que não é cumprido”, explicou. Entretanto, Cozendey reconheceu que “ninguém ganha” com sua aplicação.

O governo brasileiro argumenta que o anúncio da retaliação tem como objetivo mobilizar os Estados Unidos para que se retirem os subsídios ilegais oferecidos aos produtores de algodão.

“Os Estados Unidos têm se mostrado favoráveis em negociar, mas não houve proposta concreta. O governo brasileiro pretende levar adiante a retaliação caso não seja encontrada solução”, ressaltou o ministro.


Algodão

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Haroldo Rodrigues da Cunha, informou que está acompanhando o processo com interesse, e que o resultado positivo é um “bom exemplo” de parceria entre os setores público e privado.

“Este caso serve a outros de subsídios agrícolas ilegais e, ao mesmo tempo, dá visibilidade ao Brasil diante de outros países agrícolas”, justificou Cunha.

O executivo voltou a defender a criação de um fundo de desenvolvimento com recursos norte-americanos, a ser gerido pelo setor privado e o governo. “Assim, poderemos diminuir gargalos internos e externos”, reiterou.


Posicionamento

Em nota oficial , divulgada na última segunda-feira (8), a Fiesp endossa a atitude do governo brasileiro em retaliar os EUA e lamenta a resistência do governo de Barack Obama em resistir a um acordo.

A Fiesp prestará apoio aos setores industriais afetados pela retaliação e atuará junto aos governos do Brasil e dos EUA, com o objetivo de obter uma solução negociada.

Segundo o presidente da entidade, Paulo Skaf, “está nas mãos do governo americano realizar um gesto que demonstre compromisso com as regras internacionais de comércio”.