Investimento em 4G é positivo, mas desafia a indústria, diz diretor da Secretaria de Telecomunicações

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Do ponto de vista da indústria, o investimento em infraestrutura para implantar a tecnologia de quarta geração (4G) no Brasil é positiva para a indústria de equipamentos, já que as licitações feitas trazem compromissos de investimentos em tecnologia nacional e em produtos com conteúdo daqui. Um desafio para a capacidade de produção da indústria.

A avaliação é do diretor do Departamento de Banda Larga da Secretaria de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Artur Coimbra. Ele vai participar do 5º Encontro de Telecomunicações da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta quarta-feira (07/08). Hotel Unique, em São Paulo.

“Existe capacidade ociosa capaz de receber os primeiros pedidos, mas para o projeto como um todo o setor vai ter de ampliar sua esteira de produção”, afirma Coimbra.

Até 2014, operadores de telefonia devem investir R$4 bilhões, segundo informações da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Para Coimbra, tal investimento é bom no curto prazo já que a acelerada migração de usuários para telefonia e internet móvel de quarta geração pode levar a uma “saturação relativamente rápida da rede”.

“E como se combate isso? Expandido a rede fixa. Então pode haver um desafio do ponto de vista da carência de uma rede fixa”, sugere.

Segundo Coimbra, em 2011 a tecnologia móvel como principal acesso a internet estava presente em 2 milhões de domicílios no País. Em 2012, esse número dobrou para 4 milhões. Na avaliação de Coimbra, o crescimento significativo se deu por duas razões: preço mais baixo da conexão móvel e  falta de cobertura de rede cabeada, ou seja, fixa.

“Hoje a rede cabeada cobre pequenas manchas da área urbana. Existem bairros, distritos deixados sem rede fixa”, afirma o diretor.

Burocracia

As operadoras de telefonia móvel de São Paulo, do Rio de Janeiro e de outras grandes capitas ainda amargam um moroso processo para conseguir licenças para instalar antenas, um problema que recai principalmente sobre o usuário, explica Coimbra.

“Essa é uma preocupação que a gente tem de ter com o usuário. A empresa precisa instalar mais antenas, mas se não consegue obter autorização para instalar mais, quem sai prejudicado não é só a prestadora”, conclui.