Maratona de inaugurações

Maratona de inaugurações

Paulo Skaf

Enquanto nossos alunos do Sesi e Senai de São Paulo aproveitavam suas merecidas férias, estávamos trabalhando muito para que 2013 seja marcado pela inauguração de dezenas de escolas em todo o Estado. Até o final do ano, serão mais 50 novas unidades do Sesi, começando por Presidente Epitácio, dia 22 de fevereiro.  O Senai vai ganhar mais 20 unidades novas, ou totalmente reformuladas.

Essas escolas serão integradas à rede hoje em operação, que já conta com 211 unidades do Sesi e 90 do Senai – além de 74 unidades móveis. O número total de alunos chegará a 350 mil no Sesi, e as matrículas no Senai passarão de um milhão neste ano.  Os números impressionam — só como exemplo, o Sesi é a maior rede privada de ensino do Estado.

Visitar uma de nossas escolas é ver salas de aulas modernas, laboratórios equipados com materiais de ponta, bibliotecas completas, quadras e piscinas preparadas para a prática desportiva. Sem falar de refeitórios de dar água na boca. Nossos alunos dispõem de material didático de grande qualidade, preparado pela própria instituição, e grande parte deles frequenta as aulas em tempo integral. Os professores são permanentemente treinados, e sua motivação é contagiante!

No Senai paulista, as aulas acontecem em ambientes que propiciam o desenvolvimento pessoal e a qualificação profissional ao mesmo tempo, com equipamentos de alta tecnologia e cursos voltados às necessidades de cada Região. Diplomas do Sesi ou do Senai valem muito no mercado de trabalho. Por isso, conquista-los é motivo de orgulho dos nossos alunos e seus familiares.

Estamos entusiasmados com o que chamei de “maratona de inaugurações”, uma ou duas por semana! Vamos cruzar o Estado abrindo as portas pelas quais mais e mais crianças, jovens e adultos entrarão buscando um amanhã seguro. Educação transforma a vida das pessoas, dá oportunidade de evoluir e de preparar um país melhor para as futuras gerações. Essa é a gratificante contribuição da indústria paulista para um Brasil mais justo e próspero!

Vem aí mais um ano promissor

Paulo Skaf

As perspectivas positivas começam no contexto mais amplo da economia nacional, que deverá ter expansão maior em 2013

As micro, pequenas e médias empresas têm boas perspectivas de conquistar resultados positivos em 2013. Elas são responsáveis, em grande parte, pelo baixo desempenho que temos hoje e por manter o bom desempenho do país na prolongada crise mundial. As perspectivas positivas começam no contexto mais amplo da economia nacional, que deverá ter expansão maior no próximo ano. Além disso, as pequenas e médias empresas têm ao seu alcance novas oportunidades, que deverão ser desencadeadas no ano novo, na esteira da exploração da província do pré-sal e dos grandes eventos previstos para o Brasil: a  Copa das Confederações, em 2013; a Copa do Mundo da Fifa, em 2014; e a Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.

Na área produtiva de petróleo e gás, por exemplo, as micro e pequenas têm espaço para atender às demandas de produtos e serviços do setor, por meio delas próprias e também nas cadeias de fornecedores. Elas podem atender com agilidade, flexibilidade, preços competitivos e eficiência uma série de atividades-meio e insumos fundamentais para o setor.

Reconhecimento crescente

No mercado atrelado aos grandes eventos esportivos, o segmento dos negócios de pequeno porte também será muito requisitado. Haverá toda uma procura pela produção de impressos, cartazes, turismo receptivo, confecção de roupas especiais e temáticas, além de bares e restaurantes, entre outras atividades. Deve-se considerar também a demanda aquecida do mercado interno – tanto na hora de atender o consumidor final como na de fornecer a empresas de maior porte. Essa demanda deriva do processo de inclusão e ascensão socioeconômica de milhões de brasileiros nos últimos anos. Existem numerosos nichos a serem prospectados.

Para aproveitar essas oportunidades e atender às novas exigências de competitividade e qualidade do Brasil e do mundo globalizado, as empresas precisam se manter atualizadas em gestão e aporte tecnológico, capacitação de recursos humanos e eficácia na prospecção dos mercados. Órgãos governamentais, universidades, institutos de treinamento e entidades de classe devem contribuir para o seu fomento. Um dos resultados mais visíveis dessa mobilização ocorreu há cinco anos: a aprovação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, que beneficia hoje 6,5 milhões de firmas e microempreendedores individuais e para a qual a Fiesp contribuiu bastante, organizando um fórum e toda a agenda de debate para sua discussão e votação no Congresso Nacional.

É importante que os pequenos e microempreendedores tenham a mais absoluta consciência de que é crescente o reconhecimento ao seu grande significado para a economia do país. E que saibam que, no ano novo e sempre, jamais estarão sozinhos em seu empenho por mais acesso ao crédito, linhas especiais de financiamento com dinheiro mais barato, melhores condições de prospecção do mercado externo e remoção de entraves burocráticos. Estamos todos juntos nessa luta por um Brasil melhor e mais desenvolvido.

Eleições 2012: ganhou o povo

Eleições 2012: ganhou o povo

Paulo Skaf

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544611121Vinte e oito anos depois da pacífica, marcante e cívica campanha das Diretas Já, um dos maiores movimentos populares de nossa história, podemos afirmar que tudo valeu a pena! A cada eleição, é crescente a consciência quanto ao significado de votar com critério, escolhendo candidatos competentes, éticos e compromissados em trabalhar, realmente, pelo bem público.

As eleições de 2012, concluídas neste domingo, 28 de outubro, com a realização do segundo turno em vários municípios com mais de 200 mil eleitores, foram um feliz exemplo disso: mostraram o quanto o brasileiro evoluiu no entendimento de que o voto tem o poder de mudar a realidade de seu bairro, sua cidade e do país.

Os candidatos apenas conhecidos pela exposição na mídia e/ou que pouco fizeram no exercício de seus mandatos não se elegeram. Regra geral, o eleitor em dúvida mandou para o segundo turno candidatos com uma boa ficha de serviços prestados, descartando os demais. Notou-se que as escolhas, em escala muito menor do que antes, não se fizeram sob critérios discutíveis ou irresponsáveis.
Valorizaram-se a consistência das propostas, o currículo, as realizações, a honestidade e um efetivo potencial como gestores de planos de governo alinhado às prioridades da população. O povo buscou o que entendeu ser melhor, o que pode trazer mais desenvolvimento.

Foi possível constatar, ainda, que o desequilíbrio de direitos e deveres
entre homens e mulheres e as discriminações de gênero vão ficando no passado. O aumento do número de prefeitas eleitas atesta um avanço de nossa moderna e correta cultura política.

É fator condicionante ao desenvolvimento que as eleições, cada vez mais, se convertam em instrumento da sociedade para melhorar a economia, a saúde, a educação, a moradia, a segurança, os transportes e a vida de nossos 190 milhões de habitantes.
Para isso, basta entender que cabe a cada um de nós votar em candidatas e candidatos honestos, competentes e dedicados ao exercício da política com o propósito de contribuir para a prosperidade dos indivíduos, das famílias, das empresas e do Brasil. Esta é a grande vitória da democracia e de nossa gente!

Um acordo pela indústria brasileira

Um acordo pela indústria brasileira

Paulo Skaf, presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp)
Artur Henrique, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT)
Paulo Pereira da Silva (Paulinho), presidente da Força Sindical

O Brasil atravessa um grande momento econômico e social. Os bons indicadores da economia e o volume de investimentos públicos e privados previstos colocam o país em condições de aprofundar o seu processo de desenvolvimento. Resultado de uma política que articulou estabilidade financeira, fortalecimento do mercado interno e compatibilização entre crescimento e distribuição de renda, o cenário atual aponta para uma curva mais estável de crescimento.

A acertada decisão de estimular o mercado interno criou um novo dinamismo econômico. Isso se deu, entre outros fatores, pela valorização do salário mínimo, pela universalização de programas como Bolsa Família e Pronaf (agricultura familiar) nas áreas mais pobres e pela ampliação da disponibilidade de crédito. Essas medidas, associadas a uma retomada dos investimentos públicos, renovaram o fôlego de nossa economia.

Para ler este artigo na íntegra, clique aqui.


Cinco Vezes Dilma

Cinco Vezes Dilma

Paulo Skaf

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) está satisfeita com os resultados de sua campanha “Energia a Preço Justo”. Criada para alertar a sociedade a respeito do vencimento das concessões do setor elétrico a partir de 2015, a iniciativa conquistou o apoio de centenas de milhares de cidadãos, entidades empresariais e organizações de defesa dos consumidores.

A Fiesp calculou o impacto do fim dos contratos sobre o preço da energia elétrica no Brasil e chegou a números estarrecedores. Com a licitação dos ativos, determinada pela Constituição, a sociedade poderá economizar nada menos do que R$ 1 trilhão nos próximos 30 anos. Os defensores da reprorrogação das concessões, por sua vez, não demonstram a mesma transparência e sugerem uma mudança na lei para beneficiar algumas poucas empresas em detrimento de 190 milhões de brasileiros. Nesse aspecto, a campanha teve sua segunda vitória: antes tida como “consenso”, a tal reprorrogação passou a ser tratada como “impasse”.

A solução desse impasse está nas mãos de uma pessoa que não apenas conhece o setor elétrico, como também já demonstrou, em diversas oportunidades, ser contra a reprorrogação das concessões: a presidente Dilma Rousseff. Sempre que esteve diante do tema, Dilma agiu no sentido de preservar a lei e os interesses maiores do Brasil.

A questão do fim dos contratos tem sido apreciada por Dilma desde 2003 e, por cinco vezes, ela mostrou ser contra qualquer possibilidade de reprorrogação. A Medida Provisória n.º 144 de 2003, conhecida como a Lei de Reforma do Setor Elétrico, assinada pelo então presidente Lula e por sua ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, varre da ordem jurídica qualquer possibilidade de reprorrogação das concessões de geração para os contratos firmados depois de 2003. Nos contratos de transmissão e distribuição, limitou rigorosamente as condições de prorrogação a “no máximo igual período” do contrato original. Ou seja, um veto a qualquer hipótese de reprorrogação. Para os contratos anteriores a 2003, Dilma aquiesceu a ato de governo anterior que prorrogara os contratos em 1995, por 20 anos. Sua lei reafirmou o término dos contratos a partir de 2015. Essa foi a primeira vez.

Dilma seguiu como ministra de Minas e Energia por quase dois anos mais. Rejeitando pressões e não convencida de qualquer erro em sua lei, nunca a alterou. Essa foi a segunda vez.

Na segunda metade de 2005, Dilma foi convocada para a chefia da Casa Civil da Presidência da República. Sabe-se que a questão do fim dos contratos do setor elétrico lhe foi submetida, requentada, inúmeras vezes. Em nenhum momento, contudo, Dilma tomou qualquer iniciativa para revogar a sua lei. Essa foi a terceira vez.

Entre março e outubro de 2010, na campanha para a Presidência que a consagraria com o voto de mais de 55 milhões de eleitores, a candidata Dilma, que os brasileiros já conheciam, nunca disse ter passado a concordar com a reprorrogação de concessões. Essa foi a quarta vez.

Agora, em 2012, o governo Dilma anuncia sua rejeição à tese de reprorrogação das concessões dos terminais portuários. E decide cumprir a lei e licitá-los novamente. Essa foi a quinta vez.

Desta forma, sugerir que a presidente da República admita voltar atrás num tema que lhe é tão familiar só pode ser fruto de incoerência. A trajetória política de Dilma Rousseff forjou uma mulher comprometida com a sua palavra, com a sua história e com o seu povo. Pedir-lhe que renuncie a tudo isso é desconhecer o seu caráter. Fazer isso em nome do interesse de poucos é um desrespeito. Querem convencer Dilma a desfazer tudo o que ela fez. Ao que tudo indica, sairão frustrados.

A hora e a vez da América do Sul

A hora e a vez da América do Sul

Paulo Skaf

A América do Sul vive um de seus mais importantes ciclos de desenvolvimento. Enquanto o crescimento médio das economias mundiais foi de 3,9% no período de 2002 a 2010, os países localizados na porção sul das Américas registraram incremento econômico de 5,3%. De maior importância, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) aderiu à boa performance, alcançando 0,72 em 2011, classificado como alto pela Organização das Nações Unidas (ONU). A renda per capita média superou os US$ 10 mil, mais alta que no Oriente Médio.

Os números atestam o sucesso da vinculação do crescimento econômico à distribuição de renda, promovendo inclusão social, com resultados efetivos na eliminação da pobreza extrema e no bem-estar de seus 400 milhões de cidadãos. Com um território de 1,8 milhão de quilômetros quadrados, a América do Sul ocupa 42% do continente americano e, em 2010, respondeu por 5,9% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e por 17,4% do PIB das Américas.

Ainda em 2010, a América do Sul exportou US$ 515 bilhões e importou US$ 434 bilhões. As exportações para o mundo repartiram-se entre produtos primários e manufaturados. Mas, dezenas de Acordos de Complementação Econômica mudaram o perfil do comércio na região. Entre eles, destacam-se o Mercosul e a Comunidade Andina de Nações. Dos 21% das exportações que têm como destino os países da região, 75,2% foram produtos manufaturados, que agregam valor aos bens primários e geram empregos de alta renda na indústria local.

A expressividade desses resultados tem apresentado aos países a necessidade de buscar uma integração concreta, em que os esforços sejam direcionados ao fortalecimento da região. No ano 2000, pela primeira vez em uma história de cinco séculos, os presidentes de todas as nações sul-americanas reuniram-se, em Brasília, com o claro objetivo de marcar o início do processo de unificação da América do Sul. Sete anos mais tarde, nascia a União das Nações Sul-Americanas (Unasul), composta pelos 12 países.

A tendência de crescimento continua nesta década e os investidores comprovam que há muito potencial e disposição para isso. Apesar do significativo desempenho, o continente ainda é bastante heterogêneo e as disparidades atuais só serão atenuadas com o esforço conjunto de buscar uma integração efetiva, que potencialize os projetos de desenvolvimento nacionais, articulados ao crescimento da região como um todo.

Para ter uma ideia da complexidade e da deficiente infraestrutura da região, um simples e-mail enviado de São Paulo para Lima ou Bogotá viaja a Miami, passa por outra cidade dos Estados Unidos, para só então voltar à América do Sul. A integração é impactada negativamente pela falta de conexão entre os países, resultado da queda de investimento em infraestrutura, que decresceu de 4% do PIB, no período 1980 a 1985, para apenas 2,3%, em 2007 e 2008.

Investimentos em infraestrutura refletem diretamente no grau de competitividade por possibilitarem ganhos de produtividade e redução de custos de produção dos bens econômicos. Dispor de infraestrutura adequada contribui com o desenvolvimento social porque permite a conexão entre áreas menos desenvolvidas com as principais atividades econômicas e, desta maneira, oferece novas oportunidades às pessoas.

Da mesma maneira, investimentos em infraestrutura de setores como saneamento básico, transportes, energia e comunicação possuem efeitos positivos na saúde e na educação das pessoas. Exceto por Itaipu e outros poucos projetos, o comércio de energia elétrica é esporádico e emergencial, necessitando conexão e regulação. Há imensos potenciais hidrelétricos que precisam ser aproveitados. O exemplo do Gasbol, gasoduto que une Bolívia, Brasil e Argentina tem potencial para ampliação.

Quase não há conexão das malhas ferroviárias e os investimentos são escassos. Predomina o transporte rodoviário de carga, não competitivo, grande emissor de gases de efeito estufa e que oferece pouca segurança. Não existe logística no sentido Atlântico-Pacífico e vice-versa que use a enorme malha fluvial navegável do eixo Amazônico, em conexão terrestre com o eixo Andino; e ao sul, por meio de ferrovias, no eixo Capricórnio.

Atentos a estes e tantos outros gargalos, o Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan), integrado por ministros da área de infraestrutura dos 12 governos que compõem a Unasul, aprovou em novembro de 2011, em Brasília, sua primeira Agenda Prioritária de Investimentos (API). A API articula oito eixos para promover a integração física da América do Sul, por meio de 31 projetos estruturantes, divididos em 88 projetos individuais.

Nos primeiros meses deste ano, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) visitou os governos de quase todos os países sul-americanos. Com o apoio do Cosiplan, da Unasul e das embaixadas brasileiras, a entidade uniformizou e atualizou dados de todos os projetos, por meio de metodologia comum, reunindo-os na publicação “8 Eixos de Integração da Infraestrutura da América do Sul”, que será lançada no Fórum de Infraestrutura da América do Sul – 8 Eixos de Integração -, a ser realizado terça e quarta-feira, na Fiesp.

Organizado pelo setor privado brasileiro em parceria estreita com a presidência pro tempore do Cosiplan; com a secretaria-geral da Unasul; e com o governo brasileiro, por meio dos ministérios das Relações Exteriores e do Planejamento, o Fórum reunirá representantes dos 12 governos, bancos de fomento, empresas de construção, concessionários e investidores de toda a América do Sul. Os objetivos são apresentar a carteira de projetos; aproximar entes públicos e setor privado, facilitando a criação de networking; e acelerar o cronograma das obras.

Esta primeira e ambiciosa Agenda de Projetos Prioritários de Infraestrutura tem como prazo o ano de 2022 para construir 2,4 quilômetros de pontes; 14 quilômetros de túneis; 57 quilômetros de anéis viários; 360 quilômetros de linhas de transmissão; 379 quilômetros de dragagem de rios; 1500 quilômetros de gasodutos; 3.490 quilômetros de hidrovias; 5.142 quilômetros de rodovias; e 9.739 quilômetros de ferrovias. Um total de investimentos que ultrapassa US$ 21 bilhões.

Certamente, este pacote de obras permitirá a construção de um novo e definitivo momento na integração da América do Sul.

Grito de alerta

Grito de alerta

Paulo Skaf

O consumo tem crescido bastante no Brasil, mas uma boa parte do que nós compramos é fabricada no exterior. Essa avalanche de importados prejudica a nossa indústria, a geração de riquezas em nosso país e a criação de empregos para os brasileiros. Postos de trabalho, que poderiam estar surgindo no Brasil, são criados lá fora. Isso acontece porque a indústria brasileira enfrenta uma concorrência externa desigual, por várias razões. As principais são nossas taxas de juros, entre as mais altas do mundo; o grande número de impostos e seu custo elevado para quem produz; o real sobrevalorizado, que barateia artificialmente os importados; o custo de energia elétrica entre os mais altos do mundo; e ainda a absurda Guerra dos Portos, que dá desconto nos impostos para incentivar a entrada de produtos estrangeiros no Brasil!

Por tudo isso, os setores produtivos se uniram em diversas manifestações para defender a produção e o emprego no Brasil. É o nosso “Grito de Alerta”, que nesta quarta-feira, 4 de abril, às 10h, vai reunir milhares de pessoas em frente à Assembleia Legislativa de São Paulo. Vamos mostrar que um perigoso processo de desindustrialização vem se intensificando. Quando a indústria começa a perder a capacidade de contribuir com o crescimento do país, toda a economia sofre, com impactos negativos sobre o emprego e a renda.

Não há como negar a importância do setor industrial para a transformação social. Educação de qualidade, saúde eficiente, ofertas de habitação e transportes, segurança e salários dignos são realidades dos cidadãos dos países ricos. E eles só conquistaram essa riqueza com uma indústria forte. Não podemos permitir que nossa indústria, que levou 200 anos para ser construída, seja dilapidada da forma como vem ocorrendo. Por isso cobramos medidas urgentes das autoridades, para que a indústria brasileira possa retomar seu papel de geração de empregos e de riquezas para nossa sociedade.


Violência Inaceitável

Violência Inaceitável

Paulo Skaf

Alguns dias atrás, chegando em casa à noite, vi na televisão um programa que mostrava situações absurdas de maus-tratos a cães, no Brasil e em outros países. As cenas de animais doentes, mutilados, famintos e vítimas de abusos por parte das pessoas que deveriam cuidar deles me deixaram indignado. Senti-me muito mal com aquilo, vi cachorros sendo chutados, abandonados sem comida e sem água, em condições degradantes.

Aquelas cenas me deixaram tão revoltado que, já na manhã seguinte, pedi à minha equipe uma cópia do programa e determinei que encontrássemos um modo de reagir. Pretendo entrar com ações na Justiça e denunciar, com todos os meios que estiverem ao meu alcance, toda e qualquer forma de violência contra animais. Não vou me calar, muito menos ficar parado diante de casos como esses. Quem maltrata animais tem em mim um inimigo declarado. Que estejam preparados, porque não vou descansar até conseguir punições exemplares aos responsáveis.

Os homens convivem com os cães há milhares de anos. São animais incríveis, que se afeiçoam aos humanos, demonstram carinho e fidelidade. Sei disso porque tenho cinco em casa. Gosto de todos os animais, mas, tenho um amor especial pelos cães. Por isso fico tão revoltado quando vejo cenas como essas. Ou como a da enfermeira de Goiás que espancou seu animal até a morte, só para citar um caso recente que ganhou notoriedade graças à internet, indo parar nas páginas de todos os jornais.

Não podemos aceitar esse ou qualquer outro tipo de violência. É nosso dever reagir e buscar na Justiça a punição desses criminosos. Que futuro poderemos construir se perdermos a capacidade de nos indignar com atos de crueldade? Não abro mão dessa convicção e me levantarei sempre que necessário. Como agora, diante desses absurdos contra animais dóceis e indefesos.

Profissionais capacitados, país desenvolvido!

Profissionais capacitados, país desenvolvido! 

Paulo Skaf

O mais importante patrimônio de um país é a formação de profissionais com elevada qualificação. Pessoas com melhores oportunidades de boas carreiras, com grande desempenho produtivo e, portanto, capazes de contribuir para a competitividade e o desenvolvimento do Brasil.

Exatamente por isso, uma de minhas prioridades ao assumir a presidência da Fiesp foi promover a modernização e ampliação do número de escolas do Senai-SP. Como se sabe, trata-se de uma das mais reconhecidas instituições de ensino profissionalizante do mundo. Estamos na fase final da meta de transformar todas as suas unidades em centros de inovação e tecnologia de excelência, com reconhecimento público, aqui e no exterior.

O investimento anual em obras e equipamentos passou de R$ 64,8 milhões, em 2004, para R$ 321 milhões, em 2011. De 2005 a 2011, o total foi de R$ 1 bilhão. O número de escolas saltou de 146 para 164, avançando 12%. Chegamos a 867.013 matrículas em 2011, com aumento, na comparação com 2004, de 46% nos cursos de aprendizagem industrial, 120% nos técnicos e 139% nos superiores.

Também ampliamos de quatro para 15 o número de cursos superiores, enquanto na educação à distância as matrículas passaram de 1.535 para 76 mil. Construímos, ainda, quatro modernos laboratórios, elevando para 35 o número dessas unidades nas escolas da rede.E não para por aí! Em dezembro, recebemos terreno da Prefeitura, ao lado do Estádio Itaquerão e do metrô, onde investiremos R$ 51,2 milhões para construir a oitava escola do Senai-SP na Zona Leste. O novo estabelecimento terá 20 mil matrículas por ano, em cursos nas áreas de metalmecânica, ferramentaria, automobilística, eletroeletrônica, panificação e confeitaria, corte e costura.

Estamos oferecendo boa formação profissional aos nossos jovens, para que tenham oportunidades concretas de transformar o Brasil numa grande potência!

Crescimento gera emprego e renda

Crescimento gera emprego e renda 

Paulo Skaf

É improcedente a avaliação de alguns analistas de que a queda da taxa Selic signifique não respeitar as metas da inflação. A rigor, as autoridades monetárias apenas estão ajustando os juros às projeções do impacto na economia brasileira da crise fiscal no Hemisfério Norte. Os indicadores mostram haver desaceleração, em especial na indústria.

A produção manufatureira diminuiu 2% na passagem de agosto para setembro. Encerrou o terceiro trimestre com recuo de 0,8% ante o segundo, quando registrou redução de 0,6% (a maior desde o primeiro trimestre de 2009). O comércio varejista, que vinha mostrando vigor, apresentou contração de 0,7% no terceiro trimestre em relação ao segundo. O decepcionante desempenho do Dia das Crianças já provocou uma revisão para baixo das expectativas para o fim do ano. Por fim, o mercado de trabalho e o crédito mostram arrefecimento.

A projeção do Copom é de que a atual deterioração do quadro internacional deve causar impacto doméstico equivalente a um quarto do observado na crise de 2008/2009. Além disso, supõe que a presente adversidade seja mais persistente do que a verificada em 2008/2009, porém menos aguda. Também é importante frisar que a redução da taxa de juros implicará economia adicional para os cofres da União. Cada ponto percentual da taxa Selic equivale a R$ 17 bilhões em gastos públicos adicionais. Por outro lado, o governo despenderá este ano mais de R$ 240 bilhões com juros, enquanto a saúde recebe apenas R$ 70 bilhões e a educação, menos de R$ 60 bilhões.

Ao reduzir a Selic, a autoridade monetária tenta diminuir o impacto do quadro internacional. No entanto, isso não significa abdicar da meta inflacionária de 4,5% em 2012. A bem-vinda ideia é estimular o crescimento!


Educação Transformadora

Educação Transformadora

Paulo Skaf

De todas as instituições em que se organiza nossa sociedade, a escola é seguramente a mais importante. Porque nenhuma outra tem o seu potencial transformador. A educação muda a realidade das pessoas, das comunidades, do país. É o bem mais precioso que se pode conquistar e, ao mesmo tempo, ninguém pode tirar. O conhecimento dá poder aos indivíduos e forma cidadãos capazes de lutar por seus direitos e conquistar o seu próprio futuro. Uma nação próspera e desenvolvida se constrói a partir da educação de seu povo.

O Brasil atravessa atualmente um período de grandes mudanças e realizações. Fomos capazes de preservar a estabilidade financeira, mesmo em um cenário de crise internacional, conseguimos melhorar nossos indicadores sociais e nos manter no caminho do crescimento econômico. Para que essas conquistas se tornem definitivas, contudo, é fundamental intensificar os investimentos em educação. Temos de preparar a nossa população para os desafios que estão por vir. Porque vamos precisar cada vez mais de bons profissionais, bons cidadãos, bons brasileiros.

Ao falar de investimentos, não me refiro apenas aos recursos financeiros. Nosso dever é enxergar a questão de forma mais abrangente. Investir na educação significa desenvolver um sistema de ensino moderno e inclusivo, capacitar professores, assegurar a disponibilidade de instalações e materiais didáticos adequados à aprendizagem e garantir boas condições de saúde e alimentação para as nossas crianças. Educar é muito mais do que lotar salas de aulas com alunos. Educar é preparar as pessoas para a vida e isso envolve a criação de um ambiente cultural que favoreça e estimule a construção do conhecimento em todos os níveis. Nossa sociedade tem a obrigação de abraçar essa causa e colocar o desenvolvimento humano no centro de suas prioridades estratégicas.

Como presidente da FIESP, do SESI e do SENAI, tenho trabalhado diariamente para transformar a educação no Estado de São Paulo. Implantamos no SESI um modelo de ensino que valoriza a formação plena do ser humano. Não preparamos nossas crianças somente para o vestibular ou para o mercado de trabalho: preparamos para o futuro. Com atividades em tempo integral, além do conteúdo curricular obrigatório, oferecemos em todas as classes, do ensino fundamental ao médio, programas esportivos, culturais, de saúde e de alimentação. Em 211 escolas, temos hoje cerca de 200 mil alunos matriculados. No SENAI, apenas no ano passado, registramos cerca de 1 milhão matrículas nas 164 unidades que oferecem formação profissional de qualidade em todo o Estado.

Esses excelentes resultados nos animam a seguir em frente e a ampliar nossos esforços. Nossas instituições manterão seu compromisso de contribuir com o crescimento do país por meio da educação. Vamos transformar nossos cidadãos para criar uma sociedade mais madura, capaz de construir um futuro de desenvolvimento e prosperidade dos quais todos possam usufruir.

Por um Brasil mais inovador

Por um Brasil mais inovador

Paulo Skaf

Vivemos a era da informação, do conhecimento e, principalmente, da inovação. As marcas mais admiradas da atualidade utilizam e vendem inovação. É por meio de processos inovadores que essas bem sucedidas empresas conseguem aumentar a eficiência, a produtividade e, consequentemente, a competitividade. Inovação gera valor para o setor produtivo.

No mundo todo, muitas empresas e governos já despertaram para a questão e investem boa parte de seus recursos, financeiros e humanos, em pesquisa e desenvolvimento (P&D). No Brasil, contudo, ainda não temos um ambiente favorável que estimule a inovação por parte dos agentes do desenvolvimento, que são as empresas, os trabalhadores e o poder público. Nos falta uma postura mais ousada e inovadora. É preciso criar urgentemente essa cultura no Brasil.

Os números comprovam o nosso atraso na área. De acordo com o Índice FIESP de Competitividade das Nações, o gasto em P&D no Brasil subiu de 0,9% do PIB em 1997 para aproximadamente 1,1% do PIB em 2008. Nos países mais competitivos, o gasto em P&D cresceu de 2,6% do PIB para 2,8 % no mesmo período.

Temos, portanto, um modelo ultrapassado de gestão da inovação. Nossas empresas, de modo geral, têm dado pouca importância à questão quando ela deveria estar no centro das atenções. Sem uma conjuntura que fomente a inovação nos setores produtivos, corremos o risco de perder ainda mais competitividade, tanto no mercado doméstico, com a invasão dos importados, como no internacional, onde boa parte dos atores econômicos está mobilizada em busca de mais eficiência por meio da inovação.

Neste cenário, devemos esperar que o Estado assuma o compromisso de articular e perseguir um plano de longo prazo, com metas, projetos e programas bem estruturados, semelhantes aos de nossos principais concorrentes. Esse esforço passa necessariamente pelo estabelecimento de um ambiente jurídico mais estável e por evitar que o trinômio câmbio-juros-carga tributária, além da burocracia, sejam restrições permanentes aos investimentos privados em inovação. Em 2008, por exemplo, o gasto em P&D da indústria brasileira foi de R$ 12,4 bilhões. No mesmo ano, o gasto apenas com spread bancário foi em torno de R$ 60 bilhões, valor quase cinco vezes superior.

Para reverter esse cenário, é preciso enfrentar o desafio institucional. Precisamos aprimorar e ampliar o financiamento reembolsável e não reembolsável à inovação; reestruturar os incentivos fiscais à inovação tecnológica – permitindo a utilização por empresas de lucro presumido –; aumentar investimentos em Tecnologia Industrial Básica (TIB); reforçar o suporte à propriedade intelectual e, não menos importante, reconhecer efetivamente a educação como parte primordial do Sistema Nacional de Inovação.

É possível crescer sem inflação

É possível crescer sem inflação

Paulo Skaf 

O Brasil tem plenas condições de continuar crescendo à media anual de 4% ano, como ocorreu entre 2003 e 2010. Esforços não devem ser poupados para garantir a manutenção dessa significativa conquista, que pode ser conciliada com o controle da inflação, cujo risco de recrudescimento preocupa a sociedade. A FIESP e o CIESP unem-se a essa inquietação e defendem soluções mais efetivas, condenando a elevação da taxa básica de juros, que está longe de ser o melhor caminho para combater o aumento de preços.

Para entender melhor a questão, é necessário considerar, inicialmente, a majoração, nos últimos 12 meses, de 37,8% das commodities em geral e 43,2% das alimentares, apontada pelo ministro de Fazenda, Guido Mantega. Reforçando o diagnóstico, o Banco Central destacou, em relatório sobre o tema, que o fenômeno foi responsável por um terço da inflação de 2010.

Contudo, mesmo diante desse choque externo, nossos índices inflacionários apresentam quadro de deterioração menos acentuada quando comparados aos de vários países. O IPCA atingiu 6,3% em 12 meses, até março de 2011, contra 5,2% no mesmo período de 2010. A inflação chinesa registrou alta de 5,4% em março de 2011, contra 2,4% no mesmo mês em 2010. Os casos da Argentina, Índia e Rússia também indicam um surto inflacionário global, ao apresentar índices, em março último, de 9,7%, 8,8% e 9,4%, respectivamente.

Vale lembrar que novos instrumentos, como as medidas macroprudenciais, juntaram-se ao arsenal da política antiinflacionária e já estão contribuindo para a desaceleração da atividade econômica. Assim, a elevação da taxa de juros, mais do que ineficaz, poderá aprofundar a queda do nível de atividade e gerar efeitos colaterais nocivos: intensificação do processo de apreciação cambial e o aumento das despesas do governo com juros, que já atingiram a cifra de R$ 195 bilhões em 2010 e deverão saltar para R$ 210 bilhões em 2011.

Sobre a valorização excessiva do real, seus inconvenientes já são notoriamente reconhecidos. Refiro-me ao aprofundamento do déficit da balança comercial de manufaturados, à perda da participação do valor adicionado da indústria de transformação no PIB e ao aumento da participação de importados no consumo doméstico.

A balança comercial de manufaturados deverá registrar déficit de aproximadamente US$ 100 bilhões em 2011, ante US$ 71,1 bilhões, em 2010. A participação do valor adicionado da indústria de transformação no PIB passou de 27,2%, em 1985, para 15,8%, em 2010. O coeficiente de importações saltou de 14,6%, em 2005, para 21,8%, em 2010. Esse quadro não prejudica apenas a indústria, mas toda a sociedade, pois o setor é o mais dinâmico da economia, representando 60% dos investimentos. Portanto, é decisivo para a geração de empregos formais para os cerca de quatro milhões de jovens brasileiros que ingressam todo ano no mercado de trabalho.

Garantindo mais competitividade para a atividade industrial, com a redução dos juros e impostos, balizando melhor o câmbio e diminuindo os gastos públicos, o governo pode criar condições para o crescimento num ambiente de inflação controlada. É isso que os brasileiros desejam!

* Paulo Skaf, empresário, é o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP/CIESP).