Menos burocracia, mais empregos

Paulo Skaf

Todos nós já sentimos na pele, em diversos momentos de nossa vida, a capacidade que a burocracia tem em desestimular ações, projetos, investimentos e decisões. Quem deseja abrir uma micro ou pequena empresa, para pôr em prática seu sonho de empreendedor, sabe o tempo que leva para vencer as mais diversas etapas que as leis impõem.

Quanto mais os entraves burocráticos consomem tempo, mais os empreendedores se sentem desestimulados. A burocracia existente hoje no Brasil engessa as pessoas, engessa as empresas, impedindo a criação de mais negócios, mais empregos, maior movimentação da economia e, consequentemente, o desenvolvimento do Brasil.

Os custos elevados, os juros altos, a carga tributária muito pesada, a logística defasada, a falta de infraestrutura são fatores que devem ser olhados com urgência pelo governo, que não tem conseguido resolver esses problemas recorrentes e que dificultam a vida do cidadão que sonha em ser seu próprio patrão.

O mundo moderno não permite mais a morosidade de muitas das leis que estão hoje em vigência.  Modernizar as leis já existentes e simplificá-las é mais eficaz do que criar mais regras e normas. O Poder Público precisa rever as políticas que, em vez de estimular os empreendedores, criam dificuldades e emperram a vida das pessoas e o desenvolvimento do país.

As pessoas querem mudanças, querem agilidade. Querem formas diferentes de fazer as coisas para ter resultados positivos e sólidos. Simplificar para crescer: esta é a mensagem que os brasileiros têm enviado cotidianamente aos governantes. É preciso ouvir os brasileiros, para que o país se desenvolva de maneira justa e duradoura.

A grande sacada da indústria

A grande sacada da indústria

Paulo Skaf 

A indústria que gera emprego, movimenta a economia e proporciona melhores condições de vida aos brasileiros é a mesma que acredita no esporte como agente de mudança social, capaz de ensinar às crianças e aos jovens valores éticos, morais e sociais, de tirá-los das ruas e fazê-los descobrir novas oportunidades.

Quando um jovem se dedica a algum tipo de esporte, seu rendimento escolar é mais elevado, pois a prática de atividade física aumenta sua autoestima e faz com que ele se sinta parte de novos grupos da comunidade em que vive.

Com os olhos voltados para o futuro, o Sesi-SP tem desenvolvido em seus centros de atividades uma série de ações com o objetivo promover a educação para a prática de esportes.

Desde o início de 2004, as escolas do Sesi-SP  passaram a oferecer programas de formação e rendimento esportivo, criando condições para milhares de alunos de sua rede educacional no estado de São Paulo, pudessem praticar diversas modalidades gratuitamente.

Vôlei, natação, luta olímpica, atletismo, triatlo, bocha e atletismo paralímpico, vôlei sentado, polo aquático e o ainda pouco conhecido rugby são alguns dos esportes praticados nas escolas do Sesi-SP.

A indústria, por meio do Sesi-SP, vai dar uma importante contribuição ao Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Na próxima olimpíada, serão cerca de cinquenta atletas em doze modalidades que representarão o nosso país e servirão de espelho para os jovens alunos. Hoje eles aprendem com os ídolos. Amanhã serão os ídolos de uma nova geração que vêm aí.

Essa é a inspiração que faz a indústria prestigiar e apoiar os nossos talentos, patrimônios do país. Não é possível que sejam desperdiçados por falta de oportunidade. É hora de o Poder Público dar também a sua grande sacada, pois o sucesso na construção de um Brasil melhor e mais justo depende diretamente de sua capacidade de formar cidadãos.

Nós investimos em pessoas

Nós investimos em pessoas

Paulo Skaf

Construir uma sociedade independente, livre e democrática passa, sem sombra de dúvida, pela qualidade da educação que as pessoas recebem desde a infância. Mas não basta colocar a criança na escola. É preciso dar a ela a oportunidade de aprender, de se desenvolver. E isso só acontece se houver investimento na qualificação e na atualização dos educadores.

No último mês de julho o Sesi-SP organizou o evento Saber em Ação, que reuniu mais de cinco mil educadores. A presença de todos, a dedicação e o interesse com que participaram do encontro reforça ainda mais a razão de nossas escolas serem cada vez mais respeitadas e reconhecidas por sua excelência em todo o Brasil: nós investimos em pessoas!

Nós sabemos que o crescimento profissional e pessoal depende de constantes treinamentos e atualizações. Por isso a importância de realizar o Saber em Ação todos os anos, para que os educadores possam discutir, juntos, temas importantes de nossas escolas, de nossos alunos.

Num ano em que o Sesi-SP vai inaugurar 70 novas escolas, equipadas com os mais modernos laboratórios de química, física e informática, com bibliotecas, quadras poliesportivas, boa alimentação, área de lazer, além de um bom material didático e ensino em tempo integral, não é possível evitar a comparação com o que está ocorrendo com as escolas públicas: depredações, violência, abandono, desistência por parte dos professores e  falta de treinamento e capacitação dos profissionais.

A indústria está fazendo a sua parte. Investir na valorização dos profissionais da área da educação é investir no futuro do país: na redução da pobreza, da desigualdade social e da violência. É hora de garantir qualidade de ensino nas escolas públicas para as próximas gerações. É hora de garantir um Brasil melhor!

 

 

A indústria na direção certa

A indústria na direção certa

 Paulo Skaf

O dia 25 de maio, dia da Indústria, resume as nossas lutas, nossas conquistas, os nossos desafios. É um dia de comemoração para todos os brasileiros, particularmente para o estado de São Paulo, pois é aqui onde há o maior investimento do setor.

Temos mais de 130 mil indústrias, que empregam cerca de três milhões e quinhentas mil pessoas, investem na educação, na capacitação profissional, nos esportes, nas artes e no lazer, sem perder o foco na competitividade.

Sinto imenso orgulho quando entro em fábricas e vejo inovação, tecnologia, equipamentos de última geração. Sei que ali está gente que acredita no país, pois sabe que é responsável pela geração de bons empregos e colabora decisivamente para o desenvolvimento do Brasil.

Posso dizer que da porta pra dentro as empresas são competitivas, estão prontas para disputar os mercados internacionais. Mas, da porta pra fora, os obstáculos ainda são muitos.

De batalha em batalha, estamos ajudando a melhorar o Brasil. Já conseguimos a redução da conta de energia, da taxa de juros, reduções de impostos, realinhamento cambial e mais recentemente a aprovação da MP dos Portos. Mas é preciso fazer muito mais.

Nosso desafio é criar condições para que nossas indústrias possam competir em pé de igualdade com produtos fabricados em outros países. Afinal de contas, se fala muito de chineses, americanos, europeus, argentinos, mas nossos principais problemas estão aqui no nosso país e precisamos resolvê-los.

Reduzir o custo de produção, do setor logístico, diminuir a carga tributária, a burocracia são ações que farão com que nossa indústria consiga tomar fôlego e ser competitiva. Aí, sim, teremos muito mais a comemorar.

A educação integrada faz novos campeões mundiais!

A educação integrada faz novos campeões mundiais!

Paulo Skaf

No torneio mundial de robótica realizado em Saint Louis, Estados Unidos, há duas semanas, a equipe da escola do Sesi de Ourinhos, interior de São Paulo, trouxe a medalha de prata. Nosso time competiu com mais de 70 equipes de seis continentes. E não se intimidou. Para subir no segundo lugar mais alto do pódio, derrotou equipes de potências como Estados Unidos, Alemanha e Canadá.

Bárbara Martins, Bianca Miranda, Daniel Ortiz, Giovana Frioli, Julia Camacho, Luiz Felipe Carvalho, Luiza Camacho, Murilo Foz: estes são os nomes do Sesi-SP que brilharam nos Estados Unidos, mostrando que, além da excelência na educação, a entidade valoriza, apoia e trabalha a tecnologia  como fator de desenvolvimento, sociabilização e cidadania.

Nas salas de aula das escolas do Sesi-SP, os alunos são estimulados a desenvolver competências e habilidades para a aplicação da ciência, desmistificando o uso da tecnologia na vida moderna.  Muito mais do que educação, estamos dando aos nossos jovens uma nova maneira de olhar a vida, o futuro e as novas oportunidades que o mundo oferece.

Sempre acreditei no projeto de escola de tempo integral, onde a criança pode ficar durante todo o dia e consegue desenvolver seu talento e sua criatividade nas mais diversas áreas. A equipe vice-campeã é uma prova de que quando cultivamos habilidades, revelamos talentos.

E essa turma não é a única a se destacar. O time de robótica do Sesi de Itapetininga foi classificado para o torneio europeu realizado na cidade de Paderborn,  na Alemanha. Isso mostra o resultado de um trabalho sério e permanente que temos realizado em prol do Brasil. Vamos continuar nesse caminho. Para nós, o ensino é prioritário como base, para que o nosso país seja sempre um campeão no desenvolvimento.

 

Violência: onde vamos parar?

Violência: onde vamos parar?

 Paulo Skaf

Todos os dias, quando ligamos a televisão, ouvimos rádio ou abrimos o jornal, somos bombardeados por notícias sobre atos de violência ocorridos em todo o Estado. Os noticiários, que anteriormente falavam sobre educação, política, serviços e variedades, agora relatam, na maior parte do tempo, a morte de inocentes.

O sentimento da população de São Paulo é de insegurança e medo, o que faz com que todos vivam em constante estado de alerta. Quem anda de ônibus está sujeito a ter o veículo invadido por assaltantes, que roubam e aterrorizam os passageiros. Para quem está de carro, não é diferente. Arrastões, assaltos a mão armada, sequestros relâmpagos são praticados à luz do dia.

A violência, antes restrita às grandes cidades, se espalhou por todo o Estado. O prazer de caminhar em parques, de ir a restaurantes ou de simplesmente ir à padaria mais próxima é acompanhado pelo constante temor de que algo possa acontecer. O cidadão que trabalha, estuda, paga impostos e cumpre seus deveres perante a lei está se sentindo encurralado.

Estatísticas divulgadas pelo próprio governo paulista mostram que a violência vem crescendo em todas as modalidades de crime nos últimos oito meses, e o índice mais alarmante é o de latrocínio. Só nos dois primeiros meses de 2013 subiu 114% em relação ao ano passado.  O governo dá mostras de que ainda está longe de encontrar a solução para um problema que vem se agravando dia a dia, sempre fazendo mais do mesmo.

Imperioso definir uma política de segurança pública estribada em modernos métodos de análise de inteligência e planejamento, adotar boas práticas de polícia preventiva, investir na qualificação e no aprimoramento dos serviços policiais, definir metas claras e efetivas de combate ao crime, bem como adotar parâmetros de recuperação salarial.

É dever do Estado devolver com urgência à população o direito de exercer, na plenitude, a sua cidadania.

Parceria do bem

Parceria do bem
Paulo Skaf

Uma pesquisa feita pela Fiesp – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – em 2012 mostrou que cerca de 80% dos egressos das penitenciárias do Estado voltam a praticar delitos por falta de oportunidade de emprego, de formação profissional, de chance de mudar de vida.

Com essa pesquisa, nasceu na Fiesp um projeto para inserir essa população no mercado de trabalho, com o objetivo de capacitar ex-detentos e também aqueles que cumprem pena em regime semi-aberto, para que sejam ressocializados e não voltem ao mundo do crime.

Ao colocar esse projeto em prática, ganha toda a população brasileira. Porque, quanto mais pessoas conseguirmos capacitar e dar condições de trabalho, mais estaremos contribuindo para a diminuição da violência, que tantas tragédias têm causado às famílias brasileiras.

Sempre tive a convicção de que quando as pessoas têm oportunidades, elas progridem, vão pra frente, tomam o rumo certo. E, ao conhecer o grupo AfroReggae, que se dedica há vinte anos, na cidade do Rio de Janeiro a projetos sociais e culturais de reinserção de ex-detentos na sociedade, tive certeza de que juntos poderíamos fazer mais. Essa, sem dúvida é uma iniciativa e uma parceria que renderá muitos frutos

Vários projetos foram pensados no sentido de beneficiar toda a comunidade. Dentre eles um dos projetos que considero da mais alta relevância é o da Empregabilidade, pois é voltado para os egressos da penitenciária, para que tenham a oportunidade de se capacitarem profissionalmente por meio dos cursos do Senai.

Ao formar pedreiros, carpinteiros, marceneiros, armadores, eletricistas, pintores, entre outras profissões, estamos dando oportunidade para ex-detentos ingressarem novamente no mercado de trabalho.

Esta é, sem dúvida, uma maneira de dar nossa contribuição à questão da segurança pública do estado de São Paulo.

A lei é para todos

 A lei é para todos

Paulo Skaf

O atropelamento do ciclista David Santos, ocorrido na Avenida Paulista recentemente, nos deixou consternados. Brutal, chocante, mas não o único caso. É só o mais recente. Há muitos “David” sendo atropelados todos os dias, tendo seus sonhos esmagados, suas vidas ceifadas.

Os hábitos nas grandes metrópoles vêm mudando nos últimos anos, e o número de pessoas que usa a bicicleta como meio de transporte para se deslocar para o trabalho tem aumentado dia a dia. Economia de tempo. Economia de dinheiro. Vontade de colaborar com o meio ambiente, com a redução do trânsito. O desejo de tornar a cidade mais humana.

Mas o que dizer das condições? Sem ciclofaixa, a disputa por espaço com os carros torna cada deslocamento uma perigosa aventura.

De acordo com o IBGE, o índice de mortalidade dos ciclistas aumentou quase 5% no ano passado, em relação a 2011. Isso sem falar no alto número de ciclistas que são internados em hospitais públicos do estado de São Paulo, vítimas de acidentes. Conforme dados fornecidos pela Secretaria de Estado da Saúde, no ano passado foram 3.200 casos de ciclistas acidentados, algo que poderia ser evitado caso houvesse investimento em educação de trânsito e em ações de prevenção de acidentes.

Apesar de o código de trânsito nacional considerar os veículos de maior porte responsáveis pela segurança dos veículos menores, não existe fiscalização que puna exemplarmente os infratores.  A Lei 9.503, de 23 de setembro de 1997, precisa ser revista e atualizada, para acompanhar o desenvolvimento da cidade e as novas necessidades dos cidadãos.

Não podemos apenas nos consternar a cada nova tragédia. É necessário que as leis cumpram seu papel, seja ele educativo, seja punitivo. Que levem a cada cidadão seus direitos e não apenas seus deveres.

É preciso cobrar dos governantes ações para que cada nova tragédia não caia no vazio.

 

Maratona de inaugurações

Maratona de inaugurações

Paulo Skaf

Enquanto nossos alunos do Sesi e Senai de São Paulo aproveitavam suas merecidas férias, estávamos trabalhando muito para que 2013 seja marcado pela inauguração de dezenas de escolas em todo o Estado. Até o final do ano, serão mais 50 novas unidades do Sesi, começando por Presidente Epitácio, dia 22 de fevereiro.  O Senai vai ganhar mais 20 unidades novas, ou totalmente reformuladas.

Essas escolas serão integradas à rede hoje em operação, que já conta com 211 unidades do Sesi e 90 do Senai – além de 74 unidades móveis. O número total de alunos chegará a 350 mil no Sesi, e as matrículas no Senai passarão de um milhão neste ano.  Os números impressionam — só como exemplo, o Sesi é a maior rede privada de ensino do Estado.

Visitar uma de nossas escolas é ver salas de aulas modernas, laboratórios equipados com materiais de ponta, bibliotecas completas, quadras e piscinas preparadas para a prática desportiva. Sem falar de refeitórios de dar água na boca. Nossos alunos dispõem de material didático de grande qualidade, preparado pela própria instituição, e grande parte deles frequenta as aulas em tempo integral. Os professores são permanentemente treinados, e sua motivação é contagiante!

No Senai paulista, as aulas acontecem em ambientes que propiciam o desenvolvimento pessoal e a qualificação profissional ao mesmo tempo, com equipamentos de alta tecnologia e cursos voltados às necessidades de cada Região. Diplomas do Sesi ou do Senai valem muito no mercado de trabalho. Por isso, conquista-los é motivo de orgulho dos nossos alunos e seus familiares.

Estamos entusiasmados com o que chamei de “maratona de inaugurações”, uma ou duas por semana! Vamos cruzar o Estado abrindo as portas pelas quais mais e mais crianças, jovens e adultos entrarão buscando um amanhã seguro. Educação transforma a vida das pessoas, dá oportunidade de evoluir e de preparar um país melhor para as futuras gerações. Essa é a gratificante contribuição da indústria paulista para um Brasil mais justo e próspero!

Nada vale mais do que uma vida

Nada vale mais do que uma vida 

Paulo Skaf    

Como todo e qualquer brasileiro, fiquei consternado com a tragédia ocorrida em Santa Maria (RS), com a morte de tantos jovens. Ocorre que essa tragédia não é senão o triste resultado de um problema antigo no Brasil: o descaso com a vida humana. São milhares de casas de espetáculos, baladas e danceterias em situação irregular de alvará, de normas relativas a saídas de emergência, treinamento de brigada de incêndio, equipamentos de combate ao fogo e sinalização de fuga.

O problema, porém, é mais amplo e grave: são barcos na Amazônia com superlotação e sem condições adequadas; prédios residenciais e comerciais com fragilidade de estrutura após reformas sem suporte de engenharia; comunidades localizadas em terrenos irregulares, nas encostas de morros, áreas contaminadas ou sob risco de enchentes; bairros e até cidades inteiras anualmente atingidos por inundações à época das chuvas, como se as tempestades fossem raras no Brasil e não algo que ocorre todo ano nos trópicos. Sem falar no trânsito, que é dos que mais matam no mundo…

Por conta desses descuidos, assistimos com frequência a tragédias como a de Santa Maria. Não se pode combater o acaso, mas é dever de todos, em especial das autoridades, prevenir o que pode ser evitado. Quem despreza leis e regras deve ser punido exemplarmente pela Justiça, mas isso não repõe as vidas. Assim, é fundamental trabalhar para evitar cenas como as que acompanhamos desde aquele domingo em Santa Maria, e que não vamos esquecer…

Prefeitos devem determinar rigorosa inspeção nos estabelecimentos que promovem espetáculos e concentração de pessoas. União, estados e municípios, dentro de suas competências, precisam fazer cumprir a legislação de uso e ocupação do solo, edificações e reformas, transportes e tudo o que possa gerar riscos. É obrigação do poder público evitar tragédias previsíveis. O bem mais precioso que temos é a vida. Nada é mais valioso. Por isso, ela deve ser preservada, acima de qualquer outro interesse.

 

Energia mais barata, não podemos perder

Energia mais barata, não podemos perder

Paulo Skaf

Há dois anos a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) encabeça a campanha “Energia a Preço Justo”, para baixar a conta de luz de todos os brasileiros. Depois de muitas batalhas, foi uma vitória o anúncio da presidenta Dilma Rousseff em setembro, em rede nacional de TV, de que as contas de luz das famílias e das empresas ficarão, em média, 20% mais baratas a partir do próximo ano. O Brasil não podia mais continuar com a terceira conta de luz mais cara do mundo!

Por isso, é inaceitável que três companhias estatais — Cemig (MG), Copel (PR) e Cesp (SP) — recusem-se a participar do plano da presidenta, que renova os contratos das empresas do setor se elas aceitarem dar um bom desconto no valor da energia que produzem e levam até as casas, indústrias, escritórios, escolas e hospitais, entre outros. Para quem fizer o preço justo, o contrato continuará valendo.

Ser contra essa ideia é uma tremenda falta de visão quanto à importância de uma energia a preço justo para a criação de empregos, maior competitividade dos setores da produção e da economia como um todo, além de mais tranquilidade no orçamento familiar. Um desconto médio de 20% nas contas de luz de todos os brasileiros é, sem dúvida, um grande passo nesse sentido!

Assim, no vencimento dos contratos dessas estatais, o governo federal deve chamar os leilões para novas concessões, forçando a baixa dos preços também nas usinas que elas operam. E até lá, para atingir os 20% anunciados, terá que abrir mão de impostos e encargos além do que já pretendia.
Não vamos condenar o lucro, legítimo e necessário, mas sim o ganho indevido sobre a parcela da conta de luz relativa à amortização do investimento, feita há muitos anos.

É incrível que apenas três estatais queiram que o povo continue bancando algo que já pagou há décadas. Elas devem enfrentar os novos leilões, assumindo as consequências de não contribuir para um Brasil mais competitivo.

Não podemos perder a oportunidade de ter contas de luz cujos valores sejam justos. É fundamental manter em 2013 essa vitória de todos nós, brasileiros. E se você quiser saber mais, acesse:www.energiaaprecojusto.com.br.

A hora e a vez da América do Sul

A hora e a vez da América do Sul

Paulo Skaf

A América do Sul vive um de seus mais importantes ciclos de desenvolvimento. Enquanto o crescimento médio das economias mundiais foi de 3,9% no período de 2002 a 2010, os países localizados na porção sul das Américas registraram incremento econômico de 5,3%. De maior importância, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) aderiu à boa performance, alcançando 0,72 em 2011, classificado como alto pela Organização das Nações Unidas (ONU). A renda per capita média superou os US$ 10 mil, mais alta que no Oriente Médio.

Os números atestam o sucesso da vinculação do crescimento econômico à distribuição de renda, promovendo inclusão social, com resultados efetivos na eliminação da pobreza extrema e no bem-estar de seus 400 milhões de cidadãos. Com um território de 1,8 milhão de quilômetros quadrados, a América do Sul ocupa 42% do continente americano e, em 2010, respondeu por 5,9% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e por 17,4% do PIB das Américas.

Ainda em 2010, a América do Sul exportou US$ 515 bilhões e importou US$ 434 bilhões. As exportações para o mundo repartiram-se entre produtos primários e manufaturados. Mas, dezenas de Acordos de Complementação Econômica mudaram o perfil do comércio na região. Entre eles, destacam-se o Mercosul e a Comunidade Andina de Nações. Dos 21% das exportações que têm como destino os países da região, 75,2% foram produtos manufaturados, que agregam valor aos bens primários e geram empregos de alta renda na indústria local.

A expressividade desses resultados tem apresentado aos países a necessidade de buscar uma integração concreta, em que os esforços sejam direcionados ao fortalecimento da região. No ano 2000, pela primeira vez em uma história de cinco séculos, os presidentes de todas as nações sul-americanas reuniram-se, em Brasília, com o claro objetivo de marcar o início do processo de unificação da América do Sul. Sete anos mais tarde, nascia a União das Nações Sul-Americanas (Unasul), composta pelos 12 países.

A tendência de crescimento continua nesta década e os investidores comprovam que há muito potencial e disposição para isso. Apesar do significativo desempenho, o continente ainda é bastante heterogêneo e as disparidades atuais só serão atenuadas com o esforço conjunto de buscar uma integração efetiva, que potencialize os projetos de desenvolvimento nacionais, articulados ao crescimento da região como um todo.

Para ter uma ideia da complexidade e da deficiente infraestrutura da região, um simples e-mail enviado de São Paulo para Lima ou Bogotá viaja a Miami, passa por outra cidade dos Estados Unidos, para só então voltar à América do Sul. A integração é impactada negativamente pela falta de conexão entre os países, resultado da queda de investimento em infraestrutura, que decresceu de 4% do PIB, no período 1980 a 1985, para apenas 2,3%, em 2007 e 2008.

Investimentos em infraestrutura refletem diretamente no grau de competitividade por possibilitarem ganhos de produtividade e redução de custos de produção dos bens econômicos. Dispor de infraestrutura adequada contribui com o desenvolvimento social porque permite a conexão entre áreas menos desenvolvidas com as principais atividades econômicas e, desta maneira, oferece novas oportunidades às pessoas.

Da mesma maneira, investimentos em infraestrutura de setores como saneamento básico, transportes, energia e comunicação possuem efeitos positivos na saúde e na educação das pessoas. Exceto por Itaipu e outros poucos projetos, o comércio de energia elétrica é esporádico e emergencial, necessitando conexão e regulação. Há imensos potenciais hidrelétricos que precisam ser aproveitados. O exemplo do Gasbol, gasoduto que une Bolívia, Brasil e Argentina tem potencial para ampliação.

Quase não há conexão das malhas ferroviárias e os investimentos são escassos. Predomina o transporte rodoviário de carga, não competitivo, grande emissor de gases de efeito estufa e que oferece pouca segurança. Não existe logística no sentido Atlântico-Pacífico e vice-versa que use a enorme malha fluvial navegável do eixo Amazônico, em conexão terrestre com o eixo Andino; e ao sul, por meio de ferrovias, no eixo Capricórnio.

Atentos a estes e tantos outros gargalos, o Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan), integrado por ministros da área de infraestrutura dos 12 governos que compõem a Unasul, aprovou em novembro de 2011, em Brasília, sua primeira Agenda Prioritária de Investimentos (API). A API articula oito eixos para promover a integração física da América do Sul, por meio de 31 projetos estruturantes, divididos em 88 projetos individuais.

Nos primeiros meses deste ano, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) visitou os governos de quase todos os países sul-americanos. Com o apoio do Cosiplan, da Unasul e das embaixadas brasileiras, a entidade uniformizou e atualizou dados de todos os projetos, por meio de metodologia comum, reunindo-os na publicação “8 Eixos de Integração da Infraestrutura da América do Sul”, que será lançada no Fórum de Infraestrutura da América do Sul – 8 Eixos de Integração -, a ser realizado terça e quarta-feira, na Fiesp.

Organizado pelo setor privado brasileiro em parceria estreita com a presidência pro tempore do Cosiplan; com a secretaria-geral da Unasul; e com o governo brasileiro, por meio dos ministérios das Relações Exteriores e do Planejamento, o Fórum reunirá representantes dos 12 governos, bancos de fomento, empresas de construção, concessionários e investidores de toda a América do Sul. Os objetivos são apresentar a carteira de projetos; aproximar entes públicos e setor privado, facilitando a criação de networking; e acelerar o cronograma das obras.

Esta primeira e ambiciosa Agenda de Projetos Prioritários de Infraestrutura tem como prazo o ano de 2022 para construir 2,4 quilômetros de pontes; 14 quilômetros de túneis; 57 quilômetros de anéis viários; 360 quilômetros de linhas de transmissão; 379 quilômetros de dragagem de rios; 1500 quilômetros de gasodutos; 3.490 quilômetros de hidrovias; 5.142 quilômetros de rodovias; e 9.739 quilômetros de ferrovias. Um total de investimentos que ultrapassa US$ 21 bilhões.

Certamente, este pacote de obras permitirá a construção de um novo e definitivo momento na integração da América do Sul.

Grito de alerta

Grito de alerta

Paulo Skaf

O consumo tem crescido bastante no Brasil, mas uma boa parte do que nós compramos é fabricada no exterior. Essa avalanche de importados prejudica a nossa indústria, a geração de riquezas em nosso país e a criação de empregos para os brasileiros. Postos de trabalho, que poderiam estar surgindo no Brasil, são criados lá fora. Isso acontece porque a indústria brasileira enfrenta uma concorrência externa desigual, por várias razões. As principais são nossas taxas de juros, entre as mais altas do mundo; o grande número de impostos e seu custo elevado para quem produz; o real sobrevalorizado, que barateia artificialmente os importados; o custo de energia elétrica entre os mais altos do mundo; e ainda a absurda Guerra dos Portos, que dá desconto nos impostos para incentivar a entrada de produtos estrangeiros no Brasil!

Por tudo isso, os setores produtivos se uniram em diversas manifestações para defender a produção e o emprego no Brasil. É o nosso “Grito de Alerta”, que nesta quarta-feira, 4 de abril, às 10h, vai reunir milhares de pessoas em frente à Assembleia Legislativa de São Paulo. Vamos mostrar que um perigoso processo de desindustrialização vem se intensificando. Quando a indústria começa a perder a capacidade de contribuir com o crescimento do país, toda a economia sofre, com impactos negativos sobre o emprego e a renda.

Não há como negar a importância do setor industrial para a transformação social. Educação de qualidade, saúde eficiente, ofertas de habitação e transportes, segurança e salários dignos são realidades dos cidadãos dos países ricos. E eles só conquistaram essa riqueza com uma indústria forte. Não podemos permitir que nossa indústria, que levou 200 anos para ser construída, seja dilapidada da forma como vem ocorrendo. Por isso cobramos medidas urgentes das autoridades, para que a indústria brasileira possa retomar seu papel de geração de empregos e de riquezas para nossa sociedade.