São Pedro é inocente

São Pedro é inocente

Paulo Skaf 

Na sexta-feira passada, dia em que o volume de água armazenado no Sistema Cantareira caiu abaixo de 14% pela primeira vez, as ações da Sabesp subiram na Bolsa. A boa notícia (para os investidores) que suplantou a má notícia (para a população de São Paulo) foi o anúncio do pagamento de mais de R$ 500 milhões de dividendos aos acionistas da empresa. Elas explicam porque São Paulo sofre hoje o mesmo tipo de insegurança hídrica de dez anos atrás.

Enquanto a Sabesp distribuiu R$ 4,8 bilhões de lucro aos seus acionistas no Brasil e no exterior de 2004 a 2013, a empresa não cumpriu as diretrizes da outorga do Sistema Cantareira de 2004, que previa ações e investimentos para atender às demandas da população.

Nada contra uma companhia remunerar bem seus acionistas, pelo contrário. Mas uma empresa como a Sabesp deve ter como prioridade máxima o abastecimento e o tratamento de água.

A Sabesp é uma empresa de economia mista sob o controle do governo paulista responsável pelo fornecimento de água, coleta e tratamento de esgotos de 363 municípios paulistas. A outorga é uma concessão da União e do Estado para que a Sabesp possa manejar os recursos hídricos e cumprir suas funções. A outorga do sistema Cantareira foi renovada em 2004, justamente no ano em que outra seca severa fez o governo de então, também comandado por Geraldo Alckmin, fazer a mesma coisa que faz agora: pedir que a população economize água e torcer por chuvas.

Não seria assim com planejamento e gestão.

A outorga que autorizou a Sabesp a operar o Sistema Cantareira de 2004 a 2014 já deixava claro o que devia ser feito: 1) Reduzir a dependência do Sistema Cantareira criando fontes alternativas; 2) Combater as grandes perdas de água; 3) Aumentar a coleta e o tratamento do esgoto.

O governo do Estado de São Paulo não só sabia o que precisava ser feito como tinha o dever legal de fazê-lo. Portanto, a escassez de água não é só causada pela seca, mas também pela falta de planejamento e gestão dos recursos de uma empresa de serviço público essencial à saúde, ao bem estar e à atividade econômica.

Apesar de seu corpo técnico de alta competência, a Sabesp não só não fez o que deveria como não vem conseguindo elevar sua eficiência. Dos cerca de 3 trilhões de litros captados anualmente, ela perde cerca de 1 trilhão em vazamentos na coleta e distribuição, segundo dados da própria Sabesp. Em relação aos esgotos domésticos, a Sabesp trata apenas 64% dos esgotos sob sua responsabilidade.

Assim, além de faturar R$ 11 bilhões por ano e impor uma tarifa caríssima a seus usuários, a empresa continua lançando esgotos não tratados diretamente em córregos e rios do Estado, o que, além de inconstitucional, polui importantes mananciais de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo.

Se um industrial ou gestor privado tivesse registro como esse seria severamente punido pelas leis ambientais e de defesa do consumidor.

A indústria, aliás, faz a sua parte. Grande parcela da produção industrial paulista capta e trata sua água com meios próprios e alta eficiência, E devolve 100% dos seus efluentes devidamente tratados, atendendo à legislação. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo inclusive premia anualmente empresas de diversos portes que adotam as melhores práticas de uso responsável da água.

Em resumo, São Paulo enfrentou problema semelhante ao que vivemos hoje dez anos atrás. O governo de São Paulo tinha a obrigação e os recursos para cumprir as diretrizes definidas na sua outorga, que evitariam a repetição do stress hídrico atual. Mas ela preferiu privilegiar seus acionistas com uma gorda política de dividendos.

Não é só a falta de chuvas que ameaça o abastecimento de água em São Paulo, mas principalmente a falta de gestão e de investimentos.

 

Menos burocracia, mais empregos

Paulo Skaf

Todos nós já sentimos na pele, em diversos momentos de nossa vida, a capacidade que a burocracia tem em desestimular ações, projetos, investimentos e decisões. Quem deseja abrir uma micro ou pequena empresa, para pôr em prática seu sonho de empreendedor, sabe o tempo que leva para vencer as mais diversas etapas que as leis impõem.

Quanto mais os entraves burocráticos consomem tempo, mais os empreendedores se sentem desestimulados. A burocracia existente hoje no Brasil engessa as pessoas, engessa as empresas, impedindo a criação de mais negócios, mais empregos, maior movimentação da economia e, consequentemente, o desenvolvimento do Brasil.

Os custos elevados, os juros altos, a carga tributária muito pesada, a logística defasada, a falta de infraestrutura são fatores que devem ser olhados com urgência pelo governo, que não tem conseguido resolver esses problemas recorrentes e que dificultam a vida do cidadão que sonha em ser seu próprio patrão.

O mundo moderno não permite mais a morosidade de muitas das leis que estão hoje em vigência.  Modernizar as leis já existentes e simplificá-las é mais eficaz do que criar mais regras e normas. O Poder Público precisa rever as políticas que, em vez de estimular os empreendedores, criam dificuldades e emperram a vida das pessoas e o desenvolvimento do país.

As pessoas querem mudanças, querem agilidade. Querem formas diferentes de fazer as coisas para ter resultados positivos e sólidos. Simplificar para crescer: esta é a mensagem que os brasileiros têm enviado cotidianamente aos governantes. É preciso ouvir os brasileiros, para que o país se desenvolva de maneira justa e duradoura.

Rosa e azul pela saúde!

Rosa e azul pela saúde!    

Paulo Skaf

Há alguns anos o mês de outubro é marcado pela campanha de conscientização de combate ao câncer de mama, segunda causa de morte entre as mulheres no Brasil.

Monumentos, fachadas de prédios, casas, vitrines se tingem de rosa, cor símbolo da campanha Outubro Rosa, que alerta para que as mulheres façam o autoexame, a fim de detectar a doença o mais cedo possível e combatê-la com sucesso.

Com o sucesso dessa iniciativa, o mês de novembro passou a ser dedicado aos cuidados e à prevenção do câncer de próstata. O Novembro Azul está colorindo o estado de São Paulo.

A indústria, que participou ativamente do Outubro Rosa, também está engajada nesta campanha, e a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, Fiesp/Ciesp, iluminaram sua fachada, programaram debates, palestras e a distribuição  de folhetos informativos e pulseiras na Avenida  Paulista, em frente a sua sede, além de diversos programas informativos para seu público interno.

As escolas do Sesi-SP e do Senai-SP, com capacidade de alcance de milhões de pessoas, estão promovendo campanhas educativas e ações de conscientização com familiares dos alunos e com as comunidades em que estão localizadas.

O esporte também adotou a ideia. Como fizeram no Outubro Rosa, até o final do mês os líberos dos times de voleibol masculino e feminino do Sesi-SP trocarão a camisa de seu uniforme para uma de cor azul. Nas costas, em vez do nome, a fita azul símbolo da campanha com a frase “Câncer de Próstata: Previna-se”.

As ações do Novembro Azul têm como objetivo incentivar a população masculina a procurar atendimento médico preventivo, principalmente para os homens que estão na faixa acima dos 40 anos, pois o câncer de próstata é, hoje, a segunda causa de morte nos homens. Só no Brasil, a doença acomete 60 mil homens por ano.

A campanha vem para reforçar aos brasileiros a diferença que um simples exame preventivo pode fazer na vida das pessoas.

Em artigo, Paulo Skaf afirma que Brasil pode ganhar educação com Olimpíadas de 2016

Agência Indusnet Fiesp,

Em artigo publicado nesta segunda-feira (28/10) no jornal Diário de S. Paulo e nos jornais da Rede Bom Dia, o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) e do Serviço Social da Indústria (Sesi-SP), Paulo Skaf, destaca a importância de investir em jovens talentos do esporte.

No texto, Skaf afirma que, apesar de ser apenas em 2016, o país deve adotar um regime de urgência no investimento e preparo de atletas para representar o Brasil nas Olimpíadas realizadas em solo brasileiro.

“As Olimpíadas só vão se realizar em 2016. Mas não podemos pensar em ‘só’. Temos de pensar em ‘já’. Porque preparar os talentos que estão escondidos por esse País é construir a oportunidade para que eles representem o Brasil, construam o futuro do esporte, do País, mais, o mais importante, deles mesmos”, afirma Skaf no texto.

“A indústria, por meio do Sesi-SP, vem trabalhando com empenho e investindo nos talentos de crianças e jovens de todo o Estado, para que eles possam se dedicar ao esporte”, completa o presidente da Fiesp.

Confira abaixo, na íntegra, o artigo de Skaf.

Aos professores

Aos professores

Paulo Skaf

Na data em que se comemora o Dia do Professor quero lembrar o papel insubstituível que esses profissionais desempenham na dinâmica da transformação das sociedades e na preservação da democracia.

É a partir da atuação dedicada de professores, no dia a dia extenuante de trabalho, que se transmitem o conhecimento e os valores; que se formam o caráter e o espírito de cidadania.

Professores são construtores da nação e criadores de vida.

É, portanto, muito mais que um clichê dizer que a educação é a base da sociedade democrática desenvolvida. Porque quem constitui a sociedade são os indivíduos. Quem constitui a sociedade são os cidadãos com competências, conhecimentos, valores, que pelas mãos de professores foram conduzidos nos primeiros passos da vida.

Educação e vida se confundem; são moto perpétuo. Como escreveu o filósofo e educador John Dewey, a educação “não é a preparação para a vida, é a própria vida”.

Assim, como num processo iniciático, o que os mestres doam a seus discípulos — e os professores aos seus alunos — é a própria vida.

Quero aqui levar minha profunda admiração e estender minhas homenagens a todos os profissionais de ensino que hoje, merecidamente, têm sua data comemorada.

A todos vocês, minha gratidão e meus cumprimentos.

 

Mais um passo para o futuro

Mais um passo para o futuro                             

Paulo Skaf 

A indústria tem um compromisso permanente na área da educação, tanto em infraestrutura quanto em capacitação de profissionais que dedicam seu tempo e seu conhecimento para preparar os brasileiros para um futuro melhor, mais digno, mais justo. Por isso pensamos na educação não apenas em sala de aula.

É isso que vai acontecer a partir do dia 25 de setembro, no Parque Anhembi, quando começa um dos maiores torneios de formação profissional do Brasil: o São Paulo Skills 2013, organizado pelo Senai-SP. Serão cinco dias de provas, nos quais 730 jovens disputarão um lugar no pódio em cinquenta e cinco modalidades, como webdesign, marcenaria, joalheria, mecatrônica, panificação, entre outras. Neste evento, os alunos vão pôr em prática tudo o que aprenderam nos mais diferentes cursos que as  escolas do Senai oferecem no estado.

Mais que um torneio, esta é a oportunidade para que as pessoas se encontrem, troquem ideias, interajam com professores e especialistas de diversas áreas e possam dar mais um passo rumo a um futuro melhor.

Além do São Paulo Skills 2013 haverá outros eventos simultâneos: o Inova Senai 2013, feira que mostra as novidades no campo tecnológico; o lançamento do Torneio de Robótica; a etapa regional de São Paulo da Olimpíada Brasileira de Robótica, competição que classificará dois representantes do Sesi-SP para a final nacional do evento; o Desafio de Ideias, concurso que desafia os estudantes a criar soluções inovadoras para o mercado da indústria; e o Festival do Empreendedorismo, evento dedicado à educação empreendedora, com programas de capacitação, palestras e debates.

Aberto ao público, esses eventos vêm contribuir para que milhares de brasileiros possam conhecer novas áreas de trabalho, se informar, se preparar para o futuro, para novos desafios, novas conquistas.  Participe! Acesse o site www.saopauloskills.sp.senai.br  e descubra um mundo cheio de possibilidades.

A democratização da cultura

A democratização da cultura

Paulo Skaf 

Construir uma sociedade independente, livre e democrática passa pela qualidade da educação que todos recebem desde a infância. É nisso que a indústria acredita. Por isso investe em escolas que têm como prioridade o cidadão. Escolas que unem o ensino à arte, à música, ao teatro, ao esporte e à ciência.

Nós acreditamos que a educação só é completa quando o cidadão tem a oportunidade de conhecer outras expressões de arte, pois elas trazem conhecimento e estimulam as pessoas a fazer diferente, a ousar, a criar.

Quando formamos a orquestra Bachiana Sesi-SP, regida pelo maestro João Carlos Martins,  levamos à população a oportunidade de ver os mais variados concertos de música clássica. Foi um estrondoso sucesso. Só em 2012, a orquestra foi vista por mais de três milhões de pessoas.

Nos teatros e anfiteatros das escolas do Sesi-SP, sempre estimulamos as apresentações de grupos profissionais e amadores que pudessem disseminar cultura e informação entre nossos alunos.

Dentro dessa filosofia, criamos o Projeto Educacional Sesi-SP em Teatro Musical, com o objetivo de oferecer aos alunos oficinas de vivência, capacitar atores para os musicais e também formar plateia para espetáculos deste gênero.

A estreia do musical “A Madrinha Embriagada”, dirigido por Miguel Falabella, no sábado passado, veio coroar esse importante movimento da indústria para oferecer à população o que há de melhor em cultura.

Durante onze meses, mais de 150 mil pessoas poderão assistir gratuitamente a um espetáculo que até agora estava restrito apenas aos que podiam pagar. Estamos mudando este cenário. Agora os musicais estarão ao alcance de todos. Isso é democratizar a cultura! Você é nosso convidado. Acesse o site www.sesisp.org.br/ingressomadrinha e reserve o seu ingresso.

A conta não é nossa

A conta não é nossa

Paulo Skaf

Aprovado por ampla maioria na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei Complementar 200/2012 está nas mãos da presidente Dilma Rousseff. Cabe a ela sancionar esse projeto, que extingue os 10% da multa do FGTS pagos pelas empresas em casos de demissão sem justa causa.

Criada em 2001, a contribuição extra surgiu para cobrir os prejuízos acumulados na conta do FGTS, gerados pelo fracasso dos planos Verão e Collor. Essa contribuição deveria ter acabado há muito tempo, pois já havia cumprido o seu objetivo, mas as empresas continuam tendo de recolher a taxa diretamente para o caixa do governo. Somente no último ano, as indústrias desembolsaram mais de 2,7 bilhões de reais.

Extinguir o adicional de 10% do FGTS trará alívio para as empresas de todos os setores da economia e de todos os portes. É preciso que fique claro que esse adicional não tem absolutamente nada a ver com a multa rescisória de 40% sobre o saldo do FGTS, um direito do trabalhador que continua a ser pago normalmente em dispensas sem justa causa. 

Num país em que o cidadão é penalizado com uma carga tributária elevadíssima, é preciso pôr um ponto-final nas cobranças indevidas, que encarecem ainda mais o custo de produzir no Brasil, desestimulam o emprego e freiam os investimentos, principalmente nas áreas de inovação e qualificação profissional. Recentemente já conseguimos isso com a campanha Energia a Preço Justo – que também era uma cobrança indevida.

A presidente não pode hesitar. Tem de olhar para o que as ruas estão cobrando — credibilidade, ética e transparência do governo — e começar a fazer as grandes mudanças que o Brasil precisa. Por isso, sancionar sem vetos o Projeto de Lei Complementar 200/2012 é essencial para que a indústria se torne mais competitiva e para que esse dinheiro seja investido em benefícios para os trabalhadores.

Essa conta não é da indústria nem dos trabalhadores. Não devemos pagar por ela!

São Paulo na disputa para sediar a Expo 2020

São Paulo na disputa para sediar a Expo 2020

Paulo Skaf 

A cidade de São Paulo é forte candidata a sediar a Exposição Universal de 2020. Realizada a cada cinco anos, com duração de seis meses, este evento tem como objetivo promover o encontro entre as nações e apresentar questões relativas à cultura, aos negócios e às propostas de inovação desenvolvidas no mundo inteiro.

Concorrendo com Dubai (Emirados Árabes), Ekaterinburgo (Rússia), Ayutthaya (Tailândia) e Izmir (Turquia), São Paulo tem o apoio dos governos federal, estadual e municipal, do setor privado e de toda a sociedade. Terceiro maior evento do mundo, as exposições geram investimentos em infraestrutura, benefícios sociais e novas oportunidades de emprego.

Realizada pela primeira vez em Londres, em 1851, a Exposição Universal foi de grande importância para as cidades-sedes.  Na Expo 1889 de Paris, por exemplo, a Torre Eiffel foi construída especialmente para o evento. Eleita Patrimônio da Humanidade, a torre atrai milhões de visitantes todos os anos, movimenta a economia da cidade e é o cartão-postal do país.

As exposições também apresentaram pela primeira vez à população invenções como o telefone, o elevador de passageiros, a máquina de costura, a máquina de escrever e a criação do projeto do Canal de Suez, entre tantos outros.

No ano de 2010, a exposição foi em Xangai. Em 2015 será a vez de Milão. Em novembro próximo, os representantes dos 161 países-membros do Bureau Internacional de Exposições, órgão coordenador do evento, irão eleger a cidade-sede da Expo 2020. CasoSsão Paulo seja a escolhida, será a primeira cidade da América Latina a sediar o evento.

Uma etapa decisiva da competição entre as candidatas está acontecendo esta semana em Paris: cada uma vai apresentar seu projeto. O tema escolhido por São Paulo é  “O poder da diversidade, harmonia para o crescimento”.  O local em que será realizada a Expo 2020 já foi definido. É um terreno de cerca de 5 mil metros quadrados, entre o bairro de Pirituba e o parque estadual do Jaraguá, na Zona Norte, o que trará desenvolvimento para essa região com reflexo em outras da cidade.  Será mais uma oportunidade de mostrar por que São Paulo é uma das metrópoles mais importantes da atualidade.

Cai o preço da cesta básica

Cai o preço da cesta básica

Paulo Skaf

Já podemos comemorar a vitória de mais uma luta iniciada pela Fiesp em 2008, quando defendemos a retirada dos impostos dos produtos que compõem a cesta básica, com o objetivo de baratear os alimentos que vão para a mesa dos brasileiros. Na ocasião, fizemos um estudo que mostrou que a carga dos impostos sobre alimentos é muito mais alta aqui que nos demais países: algo como três vezes mais!

O mesmo estudo mostrou a injustiça dos impostos altos nos alimentos, porque eles recaem em maior proporção sobre aqueles que ganham menos. Famílias com renda de até 2 salários mínimos gastam 30% do que ganham com comida. Para essas famílias, portanto, o peso dos impostos é muito maior.

No último dia 8 de março, a presidente Dilma Rousseff anunciou em cadeia nacional o corte do IPI, do PIS e da Cofins nos itens tributados da cesta básica, entre alimentação e produtos de higiene pessoal.  O repasse do corte de impostos começou a ser vigorar no dia 12 de março.

Essa medida permitirá que milhares de trabalhadores tenham condições de adicionar mais produtos ao seu carrinho de compras. Os produtos que terão maior queda em seu preço serão a carne, começando com uma redução de 6%, e os produtos de higiene pessoal. Os demais itens cairão cerca de 3%.

É importante ressaltar também que o corte de impostos gera outros benefícios à população, além da diminuição do custo na compra da cesta básica. Esta é uma medida que estimula e aquece o consumo, o que gerará mais produção, mais emprego e renda.

As batalhas da Fiesp e do Ciesp têm sido todas voltadas para garantir um país mais justo e mais competitivo. Acabar com o imposto do cheque, derrubar o valor das contas de luz e, agora, baixar o preço da cesta básica estão entre elas. Ganham os brasileiros. Ganha o Brasil.

Sua conta de luz baixou?

Sua conta de luz baixou?

Paulo Skaf

Você já pode responder a essa pergunta, caro leitor. Em outras oportunidades, aqui neste mesmo espaço, já compartilhei com você a longa batalha da Fiesp e do Ciesp para que todos os brasileiros pudessem pagar menos pela energia que consomem. Foram dois anos de muita luta, e saímos – todos nós – vitoriosos.  A adesão da sociedade, aliás, foi decisiva para o sucesso da campanha “Energia a Preço Justo”.

Agora, nas contas de luz com vencimento em março, o desconto anunciado pela presidente Dilma em 24 de janeiro (e que entrou em vigor no dia seguinte) vai aparecer. Será um valor considerável – e para ajudar o consumidor a entender quanto vai economizar, a Fiesp preparou uma ferramenta fácil de usar.

Funciona assim: com a conta de luz em mãos, o consumidor acessa o site (www.energiaaprecojusto.com.br) e inclui os dados num simulador do desconto. Vai colocar ali o nome da concessionária, o nível de tensão e o tipo de tarifa (todos esses dados estão na conta). Depois, inclui o consumo em kW (que também aparece na conta), e clica em “calcular”. Pronto: tem o percentual do desconto, quando gastava antes e quanto vai passar a gastar, se mantiver o mesmo nível de consumo de energia. Indústria, comércio e serviços também podem fazer o cálculo.

Simples, fácil e acessível a todos, o simulador tem o objetivo de ajudar o consumidor a garantir os seus direitos. Com a energia mais barata, tudo fica mais barato e o país ganha competitividade. Nos cálculos da Fiesp/Ciesp, serão quase 1 trilhão de reais nos próximos 30 anos que, em vez de pagar uma conta de luz injusta, ficarão no bolso das famílias, para que elas usem como quiserem!

A batalha da conta de luz mais justa deu certo, como tantas outras. Aqui, na Fiesp/Ciesp, vencemos a briga pelo fim da CPMF, o tal imposto do cheque. Engrossamos o coro pela redução dos juros, que o governo atendeu. Defendemos um câmbio mais razoável, menos burocracia, menos impostos. Aliás, desde 2008 estamos na luta para tirar impostos da cesta básica, barateando os alimentos. Mais uma vez, a presidente Dilma já disse que está do nosso lado. Essa é a próxima vitória que queremos comemorar junto com você, leitor.

Leia ‘Vem aí mais um ano promissor’, texto de Skaf na revista Pequenas Empresas, Grandes Negócios

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, foi uma das sete personalidades de destaque da cena empreendedora brasileira convidadas a publicar um texto na reportagem ‘Adeus ano velho, feliz ano novo’, da revista Pequenas Empresas, Grandes Negócios, em 12/12/12, com o intuito de refletir sobre os fatos que marcaram este ano e as perspectivas para 2013.

Leia abaixo o texto na íntegra.

Vem aí mais um ano promissor

As perspectivas positivas começam no contexto mais amplo da economia nacional, que deverá ter expansão maior em 2013

Paulo Skaf

As micro, pequenas e médias empresas têm boas perspectivas de conquistar resultados positivos em 2013. Elas são responsáveis, em grande parte, pelo baixo desempenho que temos hoje e por manter o bom desempenho do país na prolongada crise mundial. As perspectivas positivas começam no contexto mais amplo da economia nacional, que deverá ter expansão maior no próximo ano. Além disso, as pequenas e médias empresas têm ao seu alcance novas oportunidades, que deverão ser desencadeadas no ano novo, na esteira da exploração da província do pré-sal e dos grandes eventos previstos para o Brasil: a  Copa das Confederações, em 2013; a Copa do Mundo da Fifa, em 2014; e a Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.

Na área produtiva de petróleo e gás, por exemplo, as micro e pequenas têm espaço para atender às demandas de produtos e serviços do setor, por meio delas próprias e também nas cadeias de fornecedores. Elas podem atender com agilidade, flexibilidade, preços competitivos e eficiência uma série de atividades-meio e insumos fundamentais para o setor.

Reconhecimento crescente

No mercado atrelado aos grandes eventos esportivos, o segmento dos negócios de pequeno porte também será muito requisitado. Haverá toda uma procura pela produção de impressos, cartazes, turismo receptivo, confecção de roupas especiais e temáticas, além de bares e restaurantes, entre outras atividades. Deve-se considerar também a demanda aquecida do mercado interno – tanto na hora de atender o consumidor final como na de fornecer a empresas de maior porte. Essa demanda deriva do processo de inclusão e ascensão socioeconômica de milhões de brasileiros nos últimos anos. Existem numerosos nichos a serem prospectados.

Para aproveitar essas oportunidades e atender às novas exigências de competitividade e qualidade do Brasil e do mundo globalizado, as empresas precisam se manter atualizadas em gestão e aporte tecnológico, capacitação de recursos humanos e eficácia na prospecção dos mercados. Órgãos governamentais, universidades, institutos de treinamento e entidades de classe devem contribuir para o seu fomento. Um dos resultados mais visíveis dessa mobilização ocorreu há cinco anos: a aprovação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, que beneficia hoje 6,5 milhões de firmas e microempreendedores individuais e para a qual a Fiesp contribuiu bastante, organizando um fórum e toda a agenda de debate para sua discussão e votação no Congresso Nacional.

É importante que os pequenos e microempreendedores tenham a mais absoluta consciência de que é crescente o reconhecimento ao seu grande significado para a economia do país. E que saibam que, no ano novo e sempre, jamais estarão sozinhos em seu empenho por mais acesso ao crédito, linhas especiais de financiamento com dinheiro mais barato, melhores condições de prospecção do mercado externo e remoção de entraves burocráticos. Estamos todos juntos nessa luta por um Brasil melhor e mais desenvolvido.

Energia mais barata, não podemos perder

Energia mais barata, não podemos perder

Paulo Skaf

Há dois anos a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) encabeça a campanha “Energia a Preço Justo”, para baixar a conta de luz de todos os brasileiros. Depois de muitas batalhas, foi uma vitória o anúncio da presidenta Dilma Rousseff em setembro, em rede nacional de TV, de que as contas de luz das famílias e das empresas ficarão, em média, 20% mais baratas a partir do próximo ano. O Brasil não podia mais continuar com a terceira conta de luz mais cara do mundo!

Por isso, é inaceitável que três companhias estatais — Cemig (MG), Copel (PR) e Cesp (SP) — recusem-se a participar do plano da presidenta, que renova os contratos das empresas do setor se elas aceitarem dar um bom desconto no valor da energia que produzem e levam até as casas, indústrias, escritórios, escolas e hospitais, entre outros. Para quem fizer o preço justo, o contrato continuará valendo.

Ser contra essa ideia é uma tremenda falta de visão quanto à importância de uma energia a preço justo para a criação de empregos, maior competitividade dos setores da produção e da economia como um todo, além de mais tranquilidade no orçamento familiar. Um desconto médio de 20% nas contas de luz de todos os brasileiros é, sem dúvida, um grande passo nesse sentido!

Assim, no vencimento dos contratos dessas estatais, o governo federal deve chamar os leilões para novas concessões, forçando a baixa dos preços também nas usinas que elas operam. E até lá, para atingir os 20% anunciados, terá que abrir mão de impostos e encargos além do que já pretendia.
Não vamos condenar o lucro, legítimo e necessário, mas sim o ganho indevido sobre a parcela da conta de luz relativa à amortização do investimento, feita há muitos anos.

É incrível que apenas três estatais queiram que o povo continue bancando algo que já pagou há décadas. Elas devem enfrentar os novos leilões, assumindo as consequências de não contribuir para um Brasil mais competitivo.

Não podemos perder a oportunidade de ter contas de luz cujos valores sejam justos. É fundamental manter em 2013 essa vitória de todos nós, brasileiros. E se você quiser saber mais, acesse:www.energiaaprecojusto.com.br.

Obscura reação a uma conquista popular

Obscura reação a uma conquista popular

Paulo Skaf

É decisivo que o Congresso Nacional vote e aprove a Medida Provisória 579, editada pela presidenta Dilma Rousseff, que dará à população do Brasil um desconto médio de 20,2% nas contas de luz a partir de 2013.

Além de aliviar o orçamento das famílias e empresas, tal providência colocará R$ 24 bilhões por ano no bolso dos consumidores, quase o dobro do valor do Bolsa Família, maior programa social do País.

Com esse dinheiro, as pessoas pouparão mais e comprarão o que precisam. É um grande estímulo ao crescimento sustentado, à criação de empregos, geração de renda e à melhoria da qualidade da vida de nossa gente.

É por isso que a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, FIESP, promoveu a grande campanha intitulada Energia a Preço Justo, denunciando que o brasileiro paga, de maneira injusta, uma das mais altas tarifas de eletricidade do mundo.

Tal distorção ocorre porque as concessionárias cobram, indevidamente, o custo dos investimentos feitos na construção das usinas hidrelétricas. Sim, continuamos bancando algo pago há muito tempo, que não é mais devido e que ultrapassa o valor da energia consumida.

Felizmente, a presidenta Dilma ouviu nossos argumentos e baixou a MP 579, que precisa ser aprovada pelo Poder Legislativo para virar lei. No entanto, tem gente jogando contra essa importante conquista da sociedade. De maneira lamentável, existe uma pressão para que deputados e senadores votem contra esse benefício tão importante para os brasileiros.

É um golpe contra nossos quase 200 milhões de habitantes e a favor daquelas poucas empresas que enriqueceram durante décadas à custa de uma cobrança absurda nas contas de luz.

Esperamos que os parlamentares cumpram seu papel democrático na defesa dos interesses maiores da sociedade, da justiça e da economia de nosso Brasil.

Sesi-SP é Brasil em Londres

Sesi-SP é Brasil em Londres 

Paulo Skaf

Todos sabemos que o ensino muda a realidade das pessoas, das comunidades e do País. O conhecimento é o bem mais precioso que se pode conquistar e, ao mesmo tempo, ninguém pode tirar. Dá poder aos indivíduos e os torna capazes de lutar por seus direitos e conquistar seu próprio futuro. Uma nação próspera e desenvolvida se constrói a partir da educação de seu povo.

Como presidente do Sesi-SP, tenho trabalhado diariamente para melhorar o ensino no Estado de São Paulo. Implantamos em nossas escolas um modelo básico que valoriza a formação plena do ser humano. Com atividades em tempo integral, além do conteúdo curricular obrigatório, oferecemos em todas as classes, do nível Fundamental ao Médio, programas esportivos, culturais, de saúde e de alimentação. Preparamos nossas crianças para a vida. Em 211 escolas, temos hoje cerca de 200 mil alunos.

Como parte do que fizemos nos últimos três anos, somente na área do esporte, foram construídas 103 quadras poliesportivas cobertas, 40 campos de futebol com grama sintética e 39 piscinas semiolímpicas aquecidas, com investimentos de R$ 125 milhões. Temos 50 mil inscritos no programa Atleta do Futuro, em 104 municípios. Além disso, dedicamos R$ 25 milhões anuais para a manutenção de 17 equipes, em 12 modalidades, abrangendo 651 atletas de rendimento, dentre os mais importantes do País.

A ideia de investir nesses atletas tem dois focos: além de contribuir para a presença do Brasil em competições esportivas nacionais e internacionais, como a Olimpíada que começa agora em Londres, criamos “dentro de casa” exemplos nos quais nossos alunos e milhões de outras crianças e jovens espalhados pelo Brasil  querem e podem espelhar-se. Os resultados desse esforço estão expressos na convocação de 17 atletas e dois técnicos do Sesi-SP para representar nosso país na Olimpíada e  Paraolimpíada de Londres.

A indústria paulista orgulha-se de estar contribuindo para um Brasil vitorioso também no esporte. Só posso desejar boa sorte aos nossos atletas e que tenham muito sucesso!

Mais prazo para os impostos

Mais prazo para os impostos

Paulo Skaf

Como se sabe, o brasileiro paga muito imposto, e com o setor industrial não é diferente. Mas as indústrias lidam ainda com um agravante: precisam recolher seus tributos antes mesmo de receber os valores devidos pelos clientes, com grande prejuízo para o chamado fluxo de caixa.

O que acontece é o seguinte: as indústrias vendem seus produtos a prazo. E, na média, pagam os impostos 50 dias antes de receber. Com isso, o empresário precisa tirar dinheiro do dia-a-dia do negócio para financiar o governo, ficando “apertado”. Muitas vezes, precisa recorrer aos bancos, arcando com juros altíssimos.

No passado, os prazos de recolhimento dos impostos chegavam a até 180 dias. Mas, no Brasil da inflação alta e galopante, governos federal e estaduais passaram a reduzir esses prazos, para perder menos na hora de receber. O Brasil mudou, a inflação está sob controle, mas os prazos continuaram curtos para quem paga. É hora de mudar.

Recente estudo da Fiesp mostra que um aumento de 60 dias no prazo para pagamento dos impostos não só corrigiria uma distorção, restabelecendo os prazos antigos, como beneficiaria toda a sociedade, aumentando o volume de negócios das empresas e a sua capacidade de gerar empregos. E isto sem gerar qualquer problema para as finanças públicas.

A ideia foi apresentada na semana passada aos governos federal e estadual, em São Paulo. Se for implementada, o país só tem a ganhar. É de esperar que uma medida simples como esta encontre apoio entre nossos governantes, interessados em promover o crescimento do Brasil, o bem-estar de nossa gente e um futuro melhor para todos.

Humanidade 2012

Humanidade 2012

Paulo Skaf

Sim, somos diferentes. Em gênero, na história cultural dos povos, na fé e nas religiões, nas necessidades especiais, na orientação sexual, nos traços raciais. Preservar, respeitar e promover essas diferenças garante a mais valiosa característica da humanidade: a diversidade.  Somos diferentes, mas não podemos continuar desiguais.  A desigualdade de oportunidades e direitos entre os seres humanos é insustentável.  Essa é a posição que levamos aos debates da Rio+20,  como contribuição dos setores produtivos, no documento “A Desigualdade é Insustentável”.

A humanidade precisa criar condições dignas de trabalho a todos, combater o trabalho escravo, forçado e infantil; assegurar salários iguais para funções iguais e garantir o justo acesso das mulheres ao mercado de trabalho, à educação e ao sistema político; valorizar a riqueza cultural dos povos; assegurar ampla liberdade religiosa, política e de opinião; garantir direitos aos portadores de necessidades especiais; respeitar e garantir direitos às minorias também quanto à sua orientação sexual; combater e criminalizar a discriminação racial.

O Brasil tem progredido na implantação de políticas sociais e na garantia dos direitos. Leis foram aprovadas para assegurar igualdade de direitos às mulheres e criminalizar a agressão doméstica e social. Povos indígenas têm sua riqueza cultural preservada pela demarcação das suas áreas de reservas territoriais. Leis criminalizaram o racismo. Códigos e regulamentações garantem a acessibilidade aos portadores de necessidades especiais. Nossa mais alta Corte reconheceu o direito constitucional às uniões estáveis entre parceiros do mesmo sexo. A Constituição garante ampla liberdade religiosa e de culto.

Uma agenda que promova a igualdade só se tornará realidade por meio de ações viáveis e concretas de inclusão social, do desenvolvimento econômico equilibrado entre todos os países, da valorização da diversidade humana e equidade de gênero e da preservação da biodiversidade do planeta.

O futuro da humanidade na Terra depende das decisões tomadas agora.  Conhecemos os caminhos corretos. É preciso percorrê-los.

Punição aos corruptores

Punição aos corruptores

Paulo Skaf (Presidente da Fiesp/Ciesp) e Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira (Presidente da Firjan)

O filósofo italiano Norberto Bobbio se referiu a política e moral como “códigos diferentes mas necessários”. Em artigo escrito há mais de 30 anos, Bobbio alertava para a acusação de moralista que costuma pesar sobre os que privilegiam em suas abordagens princípios como “não matar”, “não mentir”, “respeitar os outros como pessoas”. É preferível correr o risco de ser tachado de moralista se este é o preço a pagar pela defesa de valores morais.

Em nome da governabilidade, já houve quem defendesse jogar para debaixo do tapete um vasto rol de práticas condenáveis. Na confusão entre público e privado no Brasil, a figura do corruptor é muitas vezes encarada com indulgência. O corrupto é alvo de pouca tolerância e execração pública (a punição nem sempre acompanha o linchamento moral), mas não é parte da cultura brasileira o raciocínio óbvio de que não há corrupto sem corruptor. No já distante ano de 1995, o senador Pedro Simon propôs a criação da CPI dos Corruptores como resultado das investigações conduzidas pelas CPIs do PC Farias e dos anões do Orçamento. Nada aconteceu.

Mais recentemente, um grande passo foi dado por iniciativa do Executivo. Ocorreu em 2010, com o encaminhamento do projeto de lei n 6.826, que responsabiliza pessoas jurídicas por atos praticados contra a administração pública. Uma Comissão Especial foi criada para proferir parecer ao PL 6.826.

Assim como não se admite a generalização de que são vítimas os “bons” empresários quando alguém que se autointitula empreendedor pratica uma ilicitude, é inaceitável que um empresário que goza de credibilidade entre seus pares não hesite em firmar vínculos com agentes públicos para obter favores em concorrências públicas. O argumento de que o achaque precedeu o ato da corrupção não encontra mais eco numa sociedade que amadurece e consolida o viés de estímulo à ética e à transparência no trato da coisa pública.

Os índices de popularidade de uma chefe do Executivo que se notabiliza pela intolerância ao que definiu como “malfeitos” revelam o anseio da sociedade civil pelo cerco definitivo aos que insistem em atravessar as áreas de fronteira entre público e privado. É dever de todo cidadão, em especial dos empresários brasileiros, apoiar um projeto de lei que estabelece penalidades rigorosas a atos como suborno ou corrupção de agente público e fraude em licitações. É como se a sociedade tivesse agora a oportunidade de instituir uma espécie de Lei da Ficha Limpa do mundo privado.

O empresário no Brasil é acima de tudo um sobrevivente diante de um ambiente inóspito para a atividade produtiva, penalizada pela maior carga tributária do planeta, infraestrutura ineficiente, taxas de juros elevadas e legislação trabalhista que desestimula a contratação. Este mesmo empresário deve celebrar o PL 6.826, que banirá por longo tempo da atividade econômica os que não reúnem atributos morais para figurar entre seus pares e que, como se não bastassem todas as mazelas citadas, provocam, em sua ação nefasta, uma concorrência desleal ao empresário que respeita a Lei e a Constituição de seu país. Não se trata de moralismo, e sim de levantar a bandeira de uma sociedade transparente na política e na esfera privada.

O Brasil, sexta maior economia do mundo, ocupa apenas a 73 colocação no ranking que mede a percepção de corrupção da ONG Transparência Internacional. Escândalos recentes atestam a necessidade de perseguir as melhores práticas no relacionamento entre os setores público e privado. A punição severa e exemplar à figura do corruptor, a partir de um projeto de lei amadurecido por mais de dois anos de debates, é um passo essencial para mostrar que é possível compatibilizar política e moral no Brasil.