Na Fiesp, secretário José Aníbal debate novos projetos para a geração de energia

Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

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José Aníbal, secretário de Energia do Estado de São Paulo

O governo de São Paulo sinalizou nesta quinta-feira (7) que deve fechar um acordo com os produtores de açúcar e álcool para adaptar até 15 usinas por ano com o objetivo de aproveitar ao máximo a energia proveniente do bagaço e da palha de cana.

Hoje, a capacidade instalada para a cogeração em São Paulo é de 3 mil megawatts. Segundo o secretário de Energia, José Aníbal, que participou de reunião do Conselho Superior de Infraestrutura (Coinfra) da Fiesp, o estado tem um grande potencial de geração de eletricidade a partir da biomassa.

“Nossa meta é chegar a 20 mil MW de cogeração em 2020 só com esse tipo de fonte. A palha da cana ainda é mal utilizada. Temos muita disponibilidade, só precisamos aprimorar a tecnologia”, garantiu o secretário.

A proposta é adaptar o método utilizado nas caldeiras, no processamento da cana, para queimar a biomassa de forma a gerar excedente de energia. José Aníbal informou ainda que o governo estuda autorizar o diferimento do pagamento de ICMS na compra dos equipamentos necessários para a modernização das usinas.

O Conselho Estadual de Política Energética apresentou, na semana passada, um estudo sobre a evolução da oferta e da demanda em São Paulo até 2035. A previsão é que a demanda por energia aumente de 51 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (2005) para 130 milhões. A tendência também aponta crescimento da participação de fontes limpas na geração, como o bagaço de cana (de 18,9% para 23,5%).

Segurança energética

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Carlos Cavalcanti, diretor de Energia da Fiesp

O secretário de Energia reconheceu que é preciso fiscalizar de perto os contratos de concessão de transmissão e distribuição de energia, e administrar conflitos para afastar o risco de apagões.

“A Secretaria terá uma relação direta com transmissores e distribuidores. É preciso definir bem as responsabilidades para poder cobrar”, disse Anibal.

Fernando Xavier, presidente do Coinfra/Fiesp, cobrou que as agências – no caso do setor elétrico, a Aneel – tenham um corpo técnico eficiente que não se perca na burocracia e ajude efetivamente a regular o sistema.

José Aníbal afirmou que um de seus objetivos é mudar a relação do governo federal com os estados nessa questão – a proposta é que o Fórum Nacional de Secretários de Estado para Assuntos de Energia (FNSE), presidido por ele, participe ativamente das comissões do Senado e da Câmara Federal que discutem políticas e soluções para a área energética. “É preciso descentralizar algumas decisões para dar agilidade à resolução das questões”, disse.

Discutir o custo da energia é um dos pontos defendidos pela Fiesp para elevar a competitividade das cadeias produtivas paulistas. Carlos Cavalcanti, diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da entidade, pediu apoio do secretário de Energia para “combater o sistema perverso de cálculo de ICMS sobre a tarifa de energia elétrica, feito por dentro”, e enfrentar o grave problema do preço do gás.

“Mesmo com o aumento de oferta, o gás não chegará à indústria porque não há investimento suficiente na distribuição”, defendeu Cavalcanti.