Seminário sobre mercado chinês aborda panorama atual e ambiente de negócios na China

Marília Carrera, Agência Indusnet Fiesp

O atual cenário macroeconômico chinês e suas perspectivas para os anos de 2020 e 2030. Este foi o tema da palestra proferida nesta terça-feira (06/11) por Marcos Caramuru de Paiva, sócio e gestor da Kemu Consultoria em Xangai, durante o seminário “Mercado Foco China”, promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Marcos Caramuru de Paiva, da Kemu Consultoria em Xangai. Foto: Everton Amaro

Ao abordar o período de crise mundial, Paiva chamou atenção para a necessidade da China em realizar reformas tanto políticas, quanto econômicas. “A crise acelera a necessidade de reformas”, afirmou.

Em sua análise, a China é um país pobre, mas bem gerido, o que fará com que continue crescendo a uma taxa de pelo menos 6%, nos próximos dez anos. Para que este crescimento seja efetivo, entretanto, algumas transformações no cenário socioeconômico chinês são altamente recomendadas, como melhorias na competitividade do sistema financeiro, sofisticação do mercado de capitais, aceitação da mobilidade geográfica da população e mudanças na lógica fiscal do país, apontou.

A China do futuro

Em relação às aplicações financeiras, Paiva salientou que os investidores devem enxergar a China com uma visão do futuro. “Quem olhar a China, tem que olhar a China de dez anos adiante. Até 2020, ela será um país importador de bens, exportador de capitais e, possivelmente, gerará inovação numa proporção maior do que gera hoje”, explicou.

As perspectivas, segundo ele, são de que, entre 2020 e 2030, o país oferecerá condições de negócios muito mais vantajosos àqueles que desejarem realizar seus investimentos ali. “Além de se tornar um ambiente propício para as operações de joint-ventures”, destacou.

As regras do mercado financeiro chinês também terão sofrido algumas mudanças, pontou o especialista, as quais culminarão numa maior seletividade de investimentos externos, sendo priorizados aqueles que levarem mais inovação e aporte econômico ao país.

Quanto ao mercado, completou Paiva, a expectativa é de que a China estabeleça uma relação mais intensa com o restante do mundo, principalmente com os países do sudeste asiático: “Ela abrirá cada vez mais sua conta de capital e apreciará sua moeda, atraindo, assim, mais investimentos de portfólio”.

Ambiente de negócios

Ao abordar as principais características do ambiente de negócio com o dragão asiático, o gestor explicou que, para os chineses, o país apresenta alguns fatores que os levam a aplicar seu capital em outras regiões (Europa, EUA, América Latina e África). Entre eles, salários mais elevados, leis trabalhistas e regras mais rígidas e a análise e o equilíbrio dos riscos de investimentos, segundo os próprios investidores.

Ele frisou ainda, apesar do protecionismo da China em relação a alguns de seus setores produtivos, não há grandes dificuldades para a realização de negócios dentro o país. Mas ressaltou a necessidade de o empresário estrangeiro ficar atento a alguns costumes locais e diferenças culturais que facilitam o sucesso do empreendimento na China, como a valorização do contato pessoal em detrimento dos contratos e a lentidão nas decisões perante a rapidez na implementação de acordos e medidas.

“Não se conquista a China; é preciso chegar aos segmentos da China falando a língua de cada um deles”, concluiu.

Negócio com chineses é 60% pautado por relacionamento, segundo escritório de advocacia especializado

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

José Ricardo dos Santos Luz Júnior: 'Demora para fechar negócio com chineses desestimula o empresário'. Foto: Everton Amaro

Parceiros comerciais chineses são muito ágeis em desfazer negócio. No entanto, para celebrar um acordo, é necessário tempo e dedicação em um relacionamento interpessoal, destacou nesta terça-feira (06/11) o consultor José Ricardo dos Santos Luz Júnior, sócio da Duarte Garcia, Caselli Guimarães e Terra Advogados.

“Detalhes são imprescindíveis para celebrar o negócio: são 60% relacionamento e 40% contrato”, disse Luz Júnior, ao participar do seminário Mercado Foco China, realizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O objetivo do encontro é explorar estratégias e soluções para empresas brasileiras que desejam exportar para a China, ou ampliar a sua presença naquele mercado. Um dos obstáculos para fechar negócio com chineses, na avaliação do advogado, é a demora, que acaba desestimulando o empresário.

“Por que muito dos contratos celebrados entre chineses e brasileiros não são respeitados? Quando a gente leva em consideração o custo para prestação judicial e o tempo disso, muitos empresários brasileiros se sentem frustrados, porque é inviável”, afirmou José Ricardo Luz Júnior.

Brasil disputa mercado chinês com Japão, Vietnã e Coreia do Sul, afirma coordenador da Apex-Brasil

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Marcos Lélis, da Apex-Brasil, analisa o mercado chinês em seminário na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine

Acompanhado por países vizinhos, o Japão tornou-se um dos principais fornecedores de mercadorias para a China na última década.

Entre 2001 e 2011, 22,4% das exportações japonesas destinaram-se ao mercado chinês e apenas 0,8% foram exportados para os Estados Unidos, informou nesta terça-feira (06/10) o coordenador da Inteligência Comercial e Competitiva da Apex-Brasil, Marcos Lélis, ao participar do seminário “Mercado Foco China”, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Na década anterior, entre 1990 e 2000, acontecia o inverso, já que 22,7% das mercadorias japonesas eram destinadas aos EUA, segundo números apresentados por Lélis, para quem, no que diz respeito à concorrência comercial, o foco da preocupação sobre a China deve ser ampliado aos países vizinhos, os quais vêm abocanhando fatias significativas do mercado chinês – principal destino das exportações brasileiras.

“A nossa concorrência não é só a China. Porque, quando a gente for vender sapato lá, vamos concorrer com o sapato do Vietnã. Quando for vender uma máquina lá, a gente provavelmente vai concorrer com uma máquina japonesa”, salientou o coordenador da Apex-Brasil.

De acordo com Lélis, a China compra 43% das exportações da Coreia do Sul, 35% das mercadorias exportadas pelo Japão e 20% dos produtos exportados pela Índia. O mercado chinês continua sendo o principal destino das exportações brasileiras, com uma fatia de 58% comercializada naquele país.

Apex aponta mercados não tradicionais como oportunidade de negócios para exportadores brasileiros

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Ana Repezza, gerente geral da Apex, durante reunião do Coscex/Fiesp. Foto: Everton Amaro

Ana Repezza, gerente geral de negócios da Apex, durante reunião do Coscex/Fiesp. Foto: Everton Amaro

O crescimento das exportações para os mercados não tradicionais – formados pelos países da América Latina, Oriente Médio, África, China e Índia – pode ser uma excelente oportunidade de negócios para empresários brasileiros, na avaliação da gerente geral de negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Ana Repezza.

Segundo ela, com as restrições dos produtos brasileiros nos mercados tradicionais – Estados Unidos e países da Europa –, a Apex adotou uma estratégia de explorar os mercados não tradicionais, que possibilitam o aumento do volume de vendas dos exportadores nacionais.

“Nós temos tido um sucesso muito grande com a chegada das empresas brasileiras [nos mercados não tradicionais], porque eles são pouco explorados e permitem que as nossas empresas entrem com uma posição mais competitiva”, disse Ana Repezza, durante a reunião mensal do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizada nesta terça-feira (18/09).

A gerente geral Apex-Brasil deixou claro, porém, que Apex não abandonou os mercados tradicionais, que, no seu entendimento, têm um forte poder de compra. “Estamos buscando estratégias de diluir o risco com novas oportunidades”, explicou.

De acordo com Ana Repezza, atualmente o Brasil conta com 22 mil empresas exportadoras, dentre as quais 13 mil são atendidas pela Apex. Em 2011, informou, a instituição teve participação de 21,24% no índice de exportações indústrias do país – resultado dos 977 eventos realizados pela instituição que beneficiaram 81 setores produtivos. “Nós temos um desafio muito forte de sensibilizar os empresários para as oportunidades do mercado internacional”, enfatizou a gerente geral.

Parcerias comerciais com o Paraguai

Embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex da Fiesp. Foto: Everton Amaro

Embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex da Fiesp. Foto: Everton Amaro

O presidente do Coscex/Fiesp, embaixador Rubens Barbosa, aproveitou a oportunidade para relatar aos conselheiros sua visita ao Paraguai, onde conversou com empresários locais e concluiu que o país vizinho pode ser “um excelente parceiro comercial do Brasil”.

Algumas das vantagens apontadas pelo embaixador são os incentivos fiscais e “impostos baixíssimos” oferecidos pelo país. “Se fizermos isso, estaremos beneficiando a economia brasileira e ajudando um parceiro pequeno que, por uma série de questões políticas e ideológicas, sofreu uma violência muito grande”, salientou, referindo-se aos últimos conflitos políticos que desencadearam o impeachment do presidente Fernando Lugo.

Barbosa defendeu, por exemplo, a criação do corredor ferroviário interoceânico entre a cidade de Paranaguá (Brasil) até o município de Antofagasta (Chile): “Para o Paraguai é importante porque abre mais um canal para o Pacífico e Atlântico”, afirmou.

Opinião compartilhada pelo diretor-titular-adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex), Thomaz Zanotto: “Nos precisamos enxergar o Paraguai como um instrumento da competitividade da indústria brasileira”, disse.

Fabricantes de alimentos para animais discutem futuro do setor

Agência Indusnet Fiesp 

“O Brasil tem capacidade para ser o centro mundial de produção de alimentos para animais”. A frase foi proferida na segunda-feira (21), na abertura do III International Pet Meeting, por José Ricardo Roriz, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

Apesar do olhar positivo, Roriz destaca que ainda há entraves para o crescimento do setor, que tem faturamento anual na casa dos R$ 10 bilhões. “O próximo presidente terá de realizar as reformas estruturais, como a trabalhista e a tributária”, afirmou Roriz, que também citou o alto custo do crédito como um importante impeditivo.

No evento, que é promovido pela Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Animais de Estimação (Anfalpet) e que se estende até a quarta-feira (23), há mostra de produtos e serviços do setor, com 20 expositores.

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) também marca presença. Além disso, nos três dias haverá diversos fóruns temáticos: negócios, fashion, técnico, científico e veterinário.