Pesquisa da Fiesp revela: 47% das indústrias foram alvo de crimes, e mercado ilegal movimentou R$ 13 bilhões em 2015

Agência Indusnet Fiesp

Os resultados da primeira Pesquisa de Vitimização Industrial, realizada pela Fiesp com 345 indústrias paulistas, em setembro de 2015, mostram que do total ouvido, 46,7% afirmaram ter sido vítimas de algum tipo de crime nos 12 meses antes do questionamento, e 64,6% foram vítimas de algum tipo de crime em qualquer momento. Os crimes ocorreram na sede ou filiais da indústria em 27,1% dos casos, e no transporte de cargas ou valores para 23,8% das empresas. De acordo com a pesquisa, no período, a perda estimada dessas empresas em faturamento foi de R$ 5,12 bilhões.

A pesquisa foi apresentada nesta sexta-feira (16/9) na sede da Fiesp e faz parte do Anuário de Mercados Ilícitos Transnacionais – 2016, publicação lançada pelo Observatório de Mercados Ilícitos da Fiesp (OMI), desenvolvido pelo Departamento de Segurança da Federação (Deseg).

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, considera esses números preocupantes. “Nesse patamar, os custos das empresas com segurança privada e seguros são obrigatórios e estão a cada dia maiores, elevando assim, o custo da produção e impactando a competitividade dos setores em relação a regiões ou países que não possuem vitimização tão elevada”.

“Além disso, esses fatores podem desestimular a ampliação dos negócios existentes e abertura de novas unidades. Garantir a segurança e reduzir riscos de vitimização da indústria é essencial para que aumente o investimento e o empreendedorismo”, afirma.

Mercados Ilícitos

Com o objetivo de analisar os efeitos nocivos da criminalidade sobre a indústria paulista e o real impacto dos mercados ilícitos na renda, empregos, impostos e competitividade das empresas, o Deseg desenvolveu o Anuário 2016: Mercados Ilícitos Transnacionais em São Paulo.

>> Ouça reportagem sobre a pesquisa

A análise considera 9 setores da indústria paulista – alimentos, automóveis, brinquedos, eletrônicos, higiene e perfumaria, medicamentos, químicos, tabaco e vestuário – e revela que o mercado ilegal movimentou R$ 13,2 bilhões em 2015. Com isso, deixaram de ser gerados 111.598 empregos formais e R$ 3,02 bilhões em renda (salários e lucro). A perda do governo federal em arrecadação chegou a R$ 2,81 bilhões – o suficiente para custear 1.522 escolas de ensino básico, 1.232 hospitais ou montar uma nova corporação para a Polícia Rodoviária, do mesmo tamanho da atual.

“Até hoje não contávamos com um indicador que nos apontasse como e o quanto crescem os crimes e seus efeitos negativos na indústria. Agora temos”, explica Skaf.

Skaf afirma que a presença e o crescimento da economia criminal são problemas públicos gravíssimos. “Isso tem um impacto econômico absurdo que afeta diretamente o setor produtivo (indústria e comércio), com perdas de empregos e investimentos, e sobretudo, o cidadão, que corre um risco ainda maior de ser vítima de crimes que alimentam o Mercado Ilícito Internacional (MIT) em São Paulo.”

“A sociedade está assustada com a violência e com a epidemia de roubos. Diariamente são roubados celulares em restaurantes, nas ruas, veículos nas portas das casas, vidas são perdidas. E para completar, além dos roubos e furtos, as empresas ainda precisam enfrentar contrabando, pirataria, falsificações de produtos, o que impacta negativamente a competitividade da indústria”, alega.

Skaf lembra ainda que além de todas essas dificuldades, a pressão constante do governo pelo aumento de impostos é uma solução ilusória, já que os produtos com altas cargas tributárias estão entre aqueles que mais sofrem a concorrência desleal dos produtos ilícitos, decorrente de roubos e contrabando. “Se houvesse de fato um combate efetivo à criminalidade, os governos não precisariam pensar em criar ou aumentar impostos como fonte de arrecadação.”

Mercados Ilícitos Transnacionais

De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mercados ilícitos transnacionais são caracterizados por:

  • Oferta compartilhada, em escala regional ou internacional, de drogas, armas, produtos roubados, furtados, contrabandeados, de contrafação ou pirateados, que atentem a demanda interna ou externa do país destinatário, formando uma economia criminal transnacional

Transnacionalidade, interdependência, além de relação lucro X violência

Clique aqui para conhecer o site do Observatório de Mercados Ilícitos.