Em reunião do Consea/Fiesp, cientista político analisa resultado de eleições municipais

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A eleição municipal 2012 refletiu efeitos do atual cenário econômico, carregou taxas de renovação mais alta [em função da performance dos atuais prefeitos] e promoveu a fragmentação do poder entre diversas siglas partidárias. Essa é a opinião do cientista político Antonio Lavareda, ao participar nesta segunda-feira (29/10) da série de debates “Repensando o Brasil”, promovido pelo Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Cientista político Antonio Lavareda (è esquerda) avalia cenário político após eleições municipais 2012, Na imagem, Ruy Martins Altenfelder (centro) e Antonio Penteado Mendonça (à direita). Foto: Julia Moraes.

O objetivo deste encontro foi refletir sobre a composição do atual cenário político, no país, especialmente o municipal, de acordo com o presidente do Consea, Ruy Martins Altenfelder.

A principal marca das eleições em 2008 foi a de continuidade, em função de contornos favoráveis da economia naquele momento, da parceria entre Estados e Governo Federal, além da expressiva aprovação da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, batendo na casa dos 75%. Foi quando se obteve índice expressivo de reeleitos, 67%, contra os 55% registrados agora, em 2012, nas prefeituras.

Hoje, com a economia crescendo menos, as prefeituras se ressentem disto, inclusive com a queda vertiginosa no Fundo de Participação dos Municípios, na reflexão de Lavareda. Além do mais, no primeiro semestre de 2008, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou crescimento de 6% e, em 2012, encolheu para 0,6%.

Nesse sentido, ele alerta para o número de prefeituras ocupadas por pequenos partidos. O PMDB e o PSDB tiveram desempenho favorável, mesmo diante de um declínio de 14% e 15%, respectivamente, em comparação com 2008. E se registra o crescimento de outras siglas: o PSC venceu em 21 municípios, o PRB, em 19, o PV, em 15, o PRP, em 7, o PTC, em 3, e o PSOL elegeu seu primeiro prefeito. Lavareda assinala o crescimento do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Social Democrático (PSD), que obteve quase 500 prefeituras, e que “se saiu bem”.

Para as eleições presidenciais, faz-se necessária a devida avaliação da situação econômica aliada à percepção dos eleitores, a popularidade do governo e o tempo que uma sigla está à frente da administração pública, além da ruptura na base partidária. Por isso, Lavareda crê que a presidente Dilma Rousseff saiu fortalecida do resultado obtido nas urnas ao olhar para o possível cenário político traçado para 2014.

Questionado, o cientista político avaliou a legislação eleitoral como antiquada e obsoleta, considerando-a singular em função do voto proporcional e da falta de cláusula de barreiras, refletindo que “a reforma política é inadiável”.

Lavareda também avaliou a alienação eleitoral (soma de votos brancos, nulos e índice de abstenção) na capital paulista. Para o cientista político, houve certa decepção que desestimulou o eleitorado.

Antonio Lavareda tem inúmeros livros publicados, entre eles, A democracia nas urnas e Emoções ocultas e estratégias eleitorais. O expositor é graduado em Direito e Jornalismo, com Mestrado em Sociologia e Doutorado em Ciência Política.