Economia brasileira está mais complicada com sociedade mais exigente, diz ex-ministro

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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O economista e ex-ministro de Minas e Energia Antonio Dias Leite, durante reunião do Cosec/Fiesp. Foto: Julia Moraes

O cenário econômico atual do Brasil é muito mais complicado em comparação com o quadro de desenvolvimento que se iniciava no país há 50 anos, uma vez que a sociedade está mais exigente. A afirmação é do economista e ex-ministro de Minas e Energia Antonio Dias Leite, ao participar nesta segunda-feira (5) do encontro do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp.

“São muito mais requisitos para a população, mais objetivos a alcançar e mais conflitos entre os objetivos. O ajuste da economia e a promoção do crescimento econômico requerem o aperfeiçoamento das instituições”, disse ele que está lançando o livro Brasil País Rico – O Que Falta.

Segundo Dias Leite, a publicação, preparada no segundo semestre de 2011, em plena crise mundial, trata essencialmente do que ainda falta para o Brasil ingressar na comunidade dos países ricos. “Nós estamos diante de dois problemas: enfrentar os desafios do curto prazo e começar de novo o processo de desenvolvimento. Nesse clima de incertezas, até que o Brasil se saiu bem, pelo menos até agora. Talvez porque o nosso tradicional e exagerado apego a regulamentos nos tenha trazido, nesse caso, proteção adequada quanto a eventuais aventuras e imprudências do sistema financeiro local”, refletiu.

Ele alertou, no entanto, que o complexo sistema jurídico do país usado como proteção não pode ser considerado para o crescimento econômico e fortalecimento da produção nacional. “Esse sistema dá lugar à lentidão dos processos que acabam em prejuízos para as partes interessadas, inclusive para o próprio Estado.”

Para o ex-ministro, o principal objetivo das autoridades brasileiras para elevar a posição econômica do Brasil no mundo é discutir e controlar a instabilidade monetária. “Nesse princípio do século 21, ficaram mais variados e sofisticados os desejos da sociedade. E mais difíceis se tornaram as coisas para compor uma nova estratégia nacional de desenvolvimento, evitando a tentação de querer alcançar tudo ao mesmo tempo”, analisou.

Dias Leite acredita que ainda falta muito para que o Brasil encontre o caminho para a retomada do desenvolvimento sustentável com uma estratégia de crescimento, segundo ele, “coerente”.