Alternativas para preservação de água são apresentadas em seminário da Fiesp

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp, de Campinas

A escassez de chuvas e a fragilidade do abastecimento na Grande São Paulo  foram o destaque nas palestras apresentadas, nesta quinta-feira (17/07), no seminário Gerenciando a Escassez de Água, realizado no auditório do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Campinas, a 100 quilômetros da capital.

O professor Antônio Carlos Zuffo, da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC) da Unicamp, foi um dos que apresentaram o tema.  Zutto deu uma aula sobre a formação do Sistema Cantareira desde sua construção, na década de 1960, e das Bacias PCJ, que envolvem os rios das cidades de Piracicaba, Capivari e Jundiaí.

“Quando temos bastante água e o sistema ainda produz mais, outorga-se mais”, afirmou. Em relação ao Sistema Cantareira, Zuffo explicou detalhadamente o funcionamento da estrutura, citando seu volume de espera, volume útil e mínimo operacional, bem como o balanço hídrico nos reservatórios. Segundo ele, a outorga vigente até hoje é de 36m³.

Por conta dessa escassez de água, de acordo com Zuffo, a indústria já reduziu em 50% o  consumo. Com a crise, as indústrias estão tomando providências com o intuito de gerenciar o problema, principalmente porque este afeta a produção. O uso da tecnologia, com processos e equipamentos mais eficientes, tem sido fundamental para esse gerenciamento.

Zuffo: tecnologia para o gerenciamento do uso da água. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Zuffo: tecnologia para o gerenciamento do uso da água. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O palestrante lembrou que outras medidas têm sido frequentemente utilizadas pela indústria, como captação e tratamento de água da chuva, reúso e investimento em redução de perdas no sistema público, entre outros. “A indústria vai ter que fazer reúso do seu próprio esgoto, visando essa diminuição de consumo”, disse.

Uma alternativa, não a solução

Leandro Zanini Santos, primeiro vice diretor do Ciesp Americana e coordenador adjunto da Câmara Técnica da Indústria nos Comitês do Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), apresentou números que mostram as taxas de crescimento populacional na área, muito significativas na região do PCJ e acompanhadas, claro, de uma propensão ao crescimento da demanda por água. No entanto, as captações vêm diminuindo desde 2012. “A água na indústria tem custo, tem valor, ainda mais quando está envolvida em seu processo produtivo”, disse.

Santos: comitês organizados pela indústria para debater questão. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Santos: comitês organizados pela indústria para debater escassez de água. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Em relação ao gerenciamento do problema, Santos disse que a indústria já está gerando comitês de crise ou grupos temáticos para debater a questão. “Todos estão envolvidos, estão sendo feitas ações internas e externas em busca da resolução do problema”, explicou.

Segundo Santos, a falta de água tem motivos para gerar demissões e interfere em toda a estrutura da indústria, portanto, é preciso analisar os recursos hídricos disponíveis e estudar as reais necessidades de seu uso, visando à redução do indicador litro de água por produto produzido.

Como opção de gerenciamento, é possível acompanhar os níveis de vazão e o volume de cotas disponíveis nos afluentes da planta e na rede de monitoramento, além de criar campanhas com os colaboradores e a comunidade para a conscientização do uso da água. “Quase 15% do consumo é industrial. O reúso da água pode ser uma alternativa, mas não é a solução”, finalizou.