Confiança do agronegócio tem queda de 13,4 pontos ao longo do ano, segundo ICAgro

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

O Índice de Confiança do Agronegócio (ICAgro), elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), acumula queda de 13,4 pontos ao longo do ano. O resultado para o terceiro trimestre de 2014, 89,3 pontos, é o menor da série histórica, iniciada no quarto trimestre de 2013. Segundo a metodologia do estudo, leituras acima de 100 pontos indicam otimismo e abaixo, pessimismo.

Para o Departamento do Agronegócio (Deagro) da Fiesp, o resultado foi influenciado pela corrida à eleição presidencial que estava no ápice em setembro, quando as pesquisas que compõem o ICAgro foram realizadas.

“As incertezas geradas pela indefinição eleitoral no período do levantamento preocuparam o setor, que ficou receoso, especialmente sobre a indefinição de como seria a condução da política econômica daqui para frente”, analisa o diretor titular do Deagro, Benedito Ferreira. “Não é à toa que a avaliação sobre a economia do Brasil foi a variável que mais contribuiu para a redução do índice que inclui todos os elos da cadeia produtiva (antes, dentro e depois da porteira da fazenda).”

Também foi o item “economia”, somado às avaliações sobre as condições da região e do setor, que contribuiu para a queda de 15,4 pontos na confiança da indústria de insumos. O índice do elo “pré-porteira” passou de 94,1 pontos registrados no segundo trimestre, para 78,7 pontos, computados no terceiro trimestre.

“A queda das cotações de soja, milho e algodão, em razão das estimativas de uma safra recorde no mundo, também contribuiu negativamente para as expectativas futuras de todos os segmentos da indústria de insumos. Para um dos setores que demostrou maior preocupação, o de defensivos agrícolas, essas culturas representam cerca de 70% do faturamento”, explica o gerente do Departamento do Agronegócio da Fiesp, Antonio Carlos Costa. “Se por um lado, a queda dos preços tende a beneficiar a indústria pós porteira, por outro impacta diretamente os insumos agrícolas como um todo.”

Já o elo “depois da porteira”, que engloba as indústrias de logística e alimentos, apresentou um aumento discreto, de 0,7 ponto. O otimismo desse segmento quanto às condições atuais e futuras foi influenciado pela queda dos preços das commodities (que representa redução dos custos da produção) e a alta da taxa de câmbio no período do levantamento, fator que auxilia o elo exportador da cadeia.


Preocupação é maior entre produtores agrícolas em comparação ao pecuário

No terceiro trimestre do ano, a confiança dos produtores agrícolas caiu 2,2 pontos, parando em 90 pontos. A preocupação com a “situação da economia brasileira” foi, novamente, o item que mais puxou o resultado para baixo, principalmente para os produtores de laranja e cana-de-açúcar que apresentaram, pela primeira vez, uma avaliação sobre a “situação atual” abaixo de 30 pontos.

O produtor pecuário, por sua vez, foi o único, entre todos os elos pesquisados, que mostrou melhora consistente na confiança, fechando o período em 103 pontos. O aumento foi de 4,8 pontos em relação à pesquisa anterior. A redução dos custos de produção e a recuperação dos preços foram os responsáveis por essa condição “otimista”, a qual só não foi maior devido a avaliação do item “economia brasileira”, que seguiu a mesma tendência negativa apresentada pelos demais elos da cadeia.

Segundo o presidente da OCB, Márcio Lopes de Freitas, “é importante notar que em um período de processo eleitoral, de incertezas quanto à economia, queda de preços de alguns produtos e eventos climáticos catastróficos, a confiança dos produtores na maior parte de seus setores ainda não é pessimista”.

“Isso nos mostra um produtor mais amadurecido e ainda confiante na sua capacidade de gerenciar os riscos e planejar seus negócios, com credibilidade nos demais agentes das cadeias produtivas onde atua”, ressalta.
Sobre o Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro)

Apurado trimestralmente pela Fiesp e pela OCB, o Índice de Confiança do Agronegócio (ICAgro) mede, por meio de um conjunto de variáveis, a expectativa dos agentes do setor em relação ao seu negócio e ao ambiente econômico de forma geral.

A pesquisa é feita com os três elos que compõem o segmento: antes da porteira da fazenda (indústria de fertilizantes, máquinas e implementos, defensivos, nutrição e saúde animal, cooperativas, revendas, entre outros), dentro da porteira (produtores agropecuários) e depois da porteira (indústria de alimentos, tradings, cooperativas, armazenadores e operadores logísticos).

Os resultados, compostos por um painel de 645 respostas, são direcionados aos especialistas, acadêmicos, empresários, técnicos e jornalistas que desejam aprofundar o conhecimento estratégico do setor.

Para dar robustez aos resultados, outros dois levantamentos são realizados: o Perfil do Produtor Agropecuário e o Painel de Investimentos. Embora não entrem na composição do Índice de Confiança, essas sondagens ajudam a explicar o seu resultado.

Para saber mais sobre o ICAgro, acesse www.icagro.com.br

Outlook Fiesp: o agronegócio deve ganhar mercado nas exportações na próxima década

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1545177687

Mesmo com um crescimento projetado aquém do registrado na última década, o agronegócio brasileiro seguirá com desempenho superior ao restante do mundo em relação às exportações e deve aumentar sua participação no mercado mundial em diversas culturas nos próximos dez anos.

A avaliação é da equipe do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), responsável pela elaboração do Outlook 2024, que reúne diagnósticos e projeções para o setor na próxima década.

Segundo a nova versão do Outlook, atualizado a cada ano, as exportações brasileiras de soja devem crescer a uma taxa de 5,2% ao ano até 2024. Neste período, a soja brasileira responderá por 50% das exportações globais. Atualmente, o Brasil participa com 41%.

>> Saiba mais sobre o Outlook Fiesp 2024

>> Acesse o estudo Outlook 2024 na íntegra

“Quanto ao milho, fica a dúvida em relação ao seu desempenho exportador em um cenário menos favorável em termos de preços”, diz Antonio Carlos Costa, gerente do Deagro/Fiesp. “O grão vem de anos favoráveis, aproveitando-se de janelas importantes, como a quebra de safra nos Estados Unidos (EUA), e ganhando espaço no marcado internacional. No entanto, em um momento de inflexão de preços, o custo logístico ganha ainda mais importância e castiga a competitividade da cultura”, conclui Costa.

As vendas externas de carne de frango do Brasil também devem continuar crescendo pelos próximos 10 anos. O Deagro estima que as exportações devem ter um aumento anual de 2,7%, alcançando 42% de participação no mercado mundial, contra atuais 40%. Embora o crescimento se dê acima da média mundial para o período (2%), é inferior à expansão verificada na década anterior (7,1% ao ano).

No que se refere à carne suína, o setor deve experimentar uma década melhor do que o período de 2003 a 2013. Segundo o relatório da Fiesp, as exportações do produto devem subir 2,6% ao ano na próxima década.

Atualmente, o Brasil se aproveita de um momento em que importantes produtores e exportadores, como os EUA, apresentaram sérios problemas sanitários, como o Vírus da Diarreia Epidêmica (PED).

“O país é o único entre os quatro maiores exportadores mundiais sem problemas com doenças e isso confere uma grande oportunidade ao setor, afirma Benedito Ferreira, diretor titular do Deagro/Fiesp. “Além disso, há muito espaço para crescer no mercado doméstico”, complementa Ferreira, mencionando que, entre as três carnes, a suína é a que apresentará a maior variação do consumo no Brasil na próxima década.

No entanto, o estudo lança um alerta em relação ao desempenho da economia brasileira: como o mercado doméstico é o vetor de crescimento para grande parte do agronegócio, em especial as proteínas animais, como o leite, ovos e as carnes, a retomada da confiança e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) passam a ser fundamentais para assegurar o bom desempenho do setor.

Açúcar, crise e exportações

O setor sucroenergético vivencia a pior crise de sua história, com o fechamento de mais de 60 usinas no centro-sul do país nos últimos anos, com um endividamento total do setor de R$ 66 bilhões em 2013. O cenário é explicado em grande parte por problemas climáticos, quebras de safra, adaptação à colheita mecanizada, mas especialmente pela incapacidade do setor de repassar aos preços do etanol os aumentos do custo de produção, em razão da política do governo federal para a gasolina.

Além do prejuízo direto ao etanol, toda essa situação tem um grave efeito colateral no açúcar, pois causa um aumento significativo da produção do produto.

Ainda assim, o relatório aponta para a perspectiva de um novo ciclo em 2015, com uma relação mais favorável entre oferta e demanda de açúcar, em meio a uma provável recuperação de preços.

Segundo Costa, “as medidas do governo em relação ao setor serão determinantes para os rumos deste segmento para os próximos anos”.

O ambiente de forte preocupação é reforçado pelos números. Entre a safra 2009/10 e 2012/13, a redução no consumo do etanol hidratado foi de 5,5 bilhões de litros. “O problema é que esse etanol que deixa de ser consumido vira açúcar nas usinas, o que deprime os preços internacionais do produto. A conta é simples: esse volume a menos no consumo do combustível representou cerca de 5,6 milhões de toneladas a mais na oferta de açúcar. Para se ter uma ideia de grandeza, isso significa 83% do volume exportado pela Tailândia em 2012/13, segundo exportador mundial. Isso configura uma situação insustentável.”


Uso da terra

O bom desempenho da pecuária deve favorecer os investimentos na concentração do rebanho, com consequentes ganhos de produtividade. De acordo com Benedito Ferreira, isso permitirá que a pecuária ceda 4,5 milhões de hectares de pastagens para a agricultura.

Além disso, o aumento de 14% da produtividade média de grãos entre 2014 e 2024 ajudará a poupar áreas, já que o percentual equivale a uma preservação de 8,9 milhões de hectares. “No entanto, sabemos que existe um potencial para ir além na pecuária, caso o cenário se mantenha favorável por um período maior de tempo, aumentando ainda mais o efeito poupa-área”, conclui Ferreira.

PIB do agronegócio de SP representa 14% do total do estado, mostra estudo da Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio paulista aumentou para R$ 213 bilhões em 2013 versus R$ 212 bilhões em 2012, o equivalente a variação positiva de 0,6%, mostra pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em parceria com o Centro de Estudos e Pesquisas em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP).

O levantamento apura a geração de renda e riquezas de setores como o de insumos, incluindo os defensivos agrícolas, fertilizantes, máquinas e implementos, nutrição e saúde animal e óleo diesel.

>> Veja o estudo na íntegra 

Imagem relacionada a matéria - Id: 1545177687

Antonio Carlos Costa, gerente do Deagro/Fiesp: “Chama a atenção a grande participação da indústria na composição do PIB do setor”. Foto: Everton Amaro/Arquivo Fiesp

A pesquisa também mensura o PIB da produção agropecuária, em relação às mais diferentes culturas, da agroindústria, ou seja, os fabricantes de massas alimentícias, celulose e papel, suco de laranja, açúcar e etanol, laticínios, vestuário e do segmento de serviços, que, entre outras atividades, inclui comércio, transporte, instituições de financiamento e de seguros diretamente ligados ao agronegócio.

“Em relação aos resultados, chama a atenção a grande participação da indústria na composição do PIB do setor”, destaca Antonio Carlos Costa, gerente do Departamento do Agronegócio (Deagro) da Fiesp. “Somente a indústria, considerando os segmentos de insumos e de processamento somadas, representam praticamente a metade do PIB, ou 48%”, conclui Costa.

A participação do setor de insumos no PIB de 2013 foi de 6% do total, enquanto o segmento de serviços deteve 43%, seguido pela agroindústria, com 41%, e pela agropecuária com 10%.

O PIB do setor de insumos em 2013 foi de R$ 13 bilhões, um incremento de 4% na comparação com 2012.

Já a agroindústria registrou um PIB de R$ 88 bilhões no ano passado, 1% superior ao registrado em 2012. A mesma variação percentual foi anotada no PIB do segmento de serviços, que alcançou um montante de R$ 91,5 bilhões.

Na contramão, o PIB da agropecuária caiu 5% na comparação anual para R$ 20 bilhões em 2013.

O agronegócio paulista representa 14% do PIB do estado de São Paulo e 20% do PIB do agronegócio do país. O segmento gera cerca de 15% dos empregos da economia paulista, o que significa mais de dois milhões de postos de trabalho.

A atividade de serviços empregou 47% do total de trabalhadores do agronegócio em 2013, enquanto a agroindústria foi responsável por 35% das vagas, seguida pela agropecuária, com 16%. Já o segmento de insumos empregou 3% do total.

Trajetória do PIB

Embora apresente crescimento de 0,6% em 2013 ante 2012, o PIB do agronegócio paulista já apresentou níveis mais elevados em anos anteriores.

Em 2010, por exemplo, o indicador chegou a R$ 221 bilhões, reduzindo para R$ 218 bilhões em 2011 e R$ 212 bilhões em 2012.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1545177687

Crise do setor sucroenergético influenciou resultado.

De uma forma geral, observa o gerente do Deagro/Fiesp, se avaliados os resultados desde 2008, é possível verificar uma clara tendência de queda. “O que demonstra que o agronegócio do Estado andou na contramão do Brasil, que experimentou, desde 2007, um ciclo muito positivo de alta de preços de grãos”, explica Costa.

“O resultado de São Paulo foi fortemente influenciado pela crise do setor sucroenergético e também pela laranja, que apresentaram desempenho negativo nos últimos anos. É possível que, para 2015, haja um esboço de recuperação, pela melhora, ainda que insuficiente, do cenário para o etanol, em razão do esperado reajuste dos preços da gasolina e do açúcar, por uma melhora na relação estoque/consumo internacional, além das proteínas animais”, complementa o gerente do Deagro/Fiesp.

Fiesp participa do 3º Fórum Nacional de Agronegócios em Campinas

Agência Indusnet Fiesp

O gerente do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Antonio Carlos Costa, participou sábado (20/09), em Campinas, do 3º Fórum Nacional de Agronegócios, realizado pelo Grupo de Líderes Empresariais (LIDE), pelo LIDE Agronegócios e pelo LIDE Campinas.

O evento debateu as incertezas da economia, reforma tributária, código florestal e a necessidade de estimular os investimentos em pesquisa no setor.

Antonio Carlos Costa foi convidado para falar sobre o Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro), pesquisa realizada pela Fiesp e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Antes da apresentação dos dados, o gerente do Deagro fez uma explanação sobre a metodologia utilizada para a realização do índice, assim como sobre seus objetivos.

“Nosso objetivo é compreender os elos da cadeia produtiva, apanhando o que acontece antes da porteira da fazenda, dentro da propriedade e também o depois da porteira para levantar as expectativas e, no futuro, antecipar as tendências relativas a confiança dos produtores rurais”, explicou Costa.

Ele acrescentou ainda que existe uma relação bem próxima entre os índices que medem o nível de confiança dos empresários em geral e o comportamento do PIB. Costa também detalhou que, para a confecção do índice de confiança do produtor rural são feitas 1.500 entrevistas em todos o país, respeitando a proporcionalidade de culturas por região, além de observar que o índice considera uma pontuação na qual, quanto mais próximo de zero significa maior pessimismo, 200 pontos representam otimismo máximo e 100 pontos é considerado neutralidade, ou seja, nem otimista e nem pessimista.

Na parte final do encontro foi entregue o Prêmio LIDE de Agronegócios 2014, que reconhece os melhores do setor nas categorias Carne Bovina, Carne de Aves, Carne Suína, Leite e Soja.

Mesmo com incremento da indústria, Brasil ainda será líder em importações de fertilizantes na próxima década

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Os investimentos da indústria de fertilizantes em novas plantas nos próximos anos devem reduzir a dependência de importação dos insumos nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K) para 59% do total consumido pela agricultura brasileira em 2018. Apesar dessa perspectiva, a franca expansão do agronegócio no país deve fazer com as importações retomem força, chegando a 63% do total consumido em 2023.

Fornecedor global de alimentos, o Brasil é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo e figura como um dos maiores importadores do insumo no mercado internacional.

“Essa situação leva em conta os planos de investimentos como os previstos pela Vale e pela Petrobras saindo do papel”, projetou Antônio Carlos Costa, gerente do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) “Caso não aconteçam, o cenário pode ficar ainda pior, com uma dependência externa maior ainda”, alertou.

O cenário estimado para o consumo de fertilizantes no Brasil faz parte do Outlook Fiesp, um conjunto de análises e projeções para o agronegócio brasileiro elaborado pelo Deagro.

De acordo com o prognóstico para a próxima década, a participação da soja na demanda total do agronegócio brasileiro vai aumentar de 27% para 36%.

Já o milho representará 20%, ante os atuais 22% do consumo total, enquanto a cana-de-açúcar deverá absorver 14% do total demandado em 2023, contra 15% em 2013. Em termos absolutos, no entanto, o incremento do consumo será expressivo para essas culturas.

Fósforo

As perspectivas são mais promissoras para a produção de fósforo (P), macronutriente essencial para a nutrição de culturas agrícolas.

Segundo a Associação Nacional de Difusão de Adubos (Anda), a produção do insumo deve aumentar de 2,245 milhões para 4,106 milhões de toneladas, o que significa a necessidade de importar 22,2% da demanda, contra os atuais 57,4% importados.

No caso da produção de nitrogênio (N), apenas a Petrobras tem investimentos para o aumento da produção nacional. A estatal anunciou este ano a construção da unidade de fertilizantes nitrogenados em Três Lagoas (MS), o que deve incrementar a produção da companhia na Bahia e em Sergipe.

Maior dependência externa

Macronutriente cujas importações corresponderam a 93% da demanda total em 2012, o potássio (K) deve continuar sendo o nutriente com maior dependência externa, em termos percentuais. A produção na região de Taquari Vassouras (SE) diminuiu de 0,65 milhão de toneladas para 0,32 milhão de toneladas em 2012.

De acordo com Costa, o Governo possui um papel importante no estímulo a novos investimentos, especialmente no que se refere à maior racionalidade da incidência do ICMS, por exemplo, que atualmente privilegia o produto importado em detrimento do nacional. “Os investimentos para a implantação de novas plantas são muito altos e o prazo de maturação dos mesmos é longo, o que faz com que novos projetos ocorram somente se houver um ambiente favorável, especialmente no que tange aos aspectos tributários”, ponderou.

Produtividade de grãos no Brasil pode crescer 10,3% em dez anos, mas poderia ser maior, aponta Outlook Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A produtividade média dos grãos cultivados no Brasil pode aumentar em 10,3% entre 2013 e 2023, apontam estimativas do Outlook Fiesp 2013. Mas o resultado poderia ser mais significativo, já que o governo, que interfere nos processos de novas tecnologias, como no registro de novas moléculas para os agroquímicos, está atrasado em relação à necessidade do setor.

A análise foi feita por Antônio Carlos Costa, gerente do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), divisão responsável pelo estudo, o qual reúne análises do setor nos últimos dez anos e projeta o cenário para a próxima década.

“Se a produção de grãos no futuro ocorresse com a mesma produtividade de hoje e com o mesmo pacote tecnológico, precisaríamos de 6,5 milhões de hectares a mais para  colher a mesma safra”, explicou Costa. “Esse ganho de produtividade (10,3%), no entanto, poupará essa área”, completou.

Acima da média mundial

Entre 2002 e 2012, a produção de soja no Brasil cresceu a um ritmo de 5% ao ano, enquanto o cultivo no mundo avançou 3,2%. Na safra 2013/14, o Brasil deve se consolidar como maior produtor mundial da oleaginosa. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma colheita recorde entre 87,6 milhões a 89,7 milhões de toneladas.

Segundo o Outlook, a área ocupada por lavouras (cana, floresta plantada e lavouras de primeira safra) no Brasil deve chegar a 52 milhões de hectares em 2013 e aumentar para 61,5 milhões até 2023, o equivalente a um incremento de 9,5 milhões de hectares.

A área utilizada para pastagens, no entanto, deve diminuir de 182 milhões de hectares para 177,1 milhões em dez anos, cedendo o equivalente a 4,6 milhões de hectares para a agricultura. Costa acredita que a área poupada deve ser cedida ao cultivo de lavouras já que, para o produtor, a produção agrícola “é mais atrativa do ponto de vista econômico do que a pecuária”.

O gerente do Deagro explicou que o movimento, já iniciado no estado de São Paulo, leva a uma necessidade de incremento da produtividade, via intensificação do rebanho, para que o país continue abastecendo a demanda doméstica e o mercado internacional de forma adequada.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1545177687

Costa: incremento da produtividade no agronegócio no estado e no Brasil. Foto: Vitor Salgado

“Toda região oeste do estado sempre foi muito tradicional em pecuária, mas aos poucos ela vem se transformando também em área de cana-de-açúcar, que se expande em trechos de pastagens”, explicou Costa. “É possível que, com investimentos em genética, manejo e recuperação de pastagens, no futuro a pecuária se torne mais atrativa em termos econômicos para o produtor, especialmente com uma maior intensificação do rebanho”, afirmou. Ele ponderou, no entanto, que, de forma geral, “o que existe hoje de concreto para o produtor pecuário é uma realidade de margens muito apertadas, o que tem levado à agricultura a avançar sobre essas áreas com pastagens, tendência que será mantida para os próximos anos”.

Papel do governo e preservação de áreas

Na avaliação do gerente de Agronegócio da Fiesp, a taxa de abertura de novas áreas para lavoura é “absolutamente decrescente” e isso tem relação direta com os ganhos de produtividade, como os observados na última década.

“A indústria química, por exemplo, está direcionando parte importante dos investimentos para a produção de sementes e agroquímicos cada vez mais seguros e eficientes no combate a pragas e doenças”, disse. “Tem sido notável o desempenho da indústria das máquinas e implementos agrícolas, que vem registrando um forte crescimento nos últimos anos”.

Na outra mão, para Costa, cabe ao governo interferir para agilizar os processos de liberação de novas moléculas e abrir caminho para tecnologias que permitam ampliar esses ganhos.

“A aprovação de moléculas para um produto químico, por exemplo, leva anos. Hoje você precisa da aprovação do Ministério da Agricultura, da Anvisa, do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama para a criação de uma nova molécula”, explicou. “Não se questiona a importância de uma análise rigorosa, no entanto, esse processo é tão lento que ele inibe muita vezes a inovação e, quando o produto é aprovado, chega sempre atrasado em relação às necessidades do setor”, criticou.

Para conferir essas e outras projeções no Outlook Fiesp 2013, só clicar aqui.

Aumento da renda faz de mercado doméstico vetor do crescimento da produção de carnes e milho na próxima década

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp 

Na próxima década o mercado doméstico será vetor do crescimento da produção brasileira de arroz, trigo, milho, carnes, café, lácteos e ovos, em razão da soma de dois fatores: por um lado, a redução do ritmo das exportações e, por outro, o incremento da renda  da população, que continuará alterando a cesta de consumo,  em direção  aos alimentos mais elaborados, como as carnes e lácteos.  Na outra ponta, o mercado externo terá grande importância para o desempenho da soja, celulose, algodão e açúcar.

A avaliação faz parte do Outlook Fiesp 2023, um conjunto de análise do agronegócio brasileiro nos últimos 10 anos e de projeções para o Brasil na próxima década, em termos de produção, exportações, consumo, entre outras informações.

>> Conheça  as projeções e tendências do  Outlook Fiesp 2023

“Qualquer incremento de renda  modifica os hábitos alimentares e, como vem ocorrendo de forma intensa nos países em desenvolvimento, esse é um movimento que está longe de terminar”, afirmou Antonio Carlos Costa, gerente do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Segundo o levantamento do Deagro, o consumo total de carne de frango no Brasil em 2013 é de 9,3 milhões de toneladas e deve chegar a 11,5 milhões de toneladas em 2023, um aumento de 24%.

“A carne de frango vai responder muito positivamente à elevação projetada da renda, ao mesmo tempo em que o milho vai ser destinado em grande parte para o mercado doméstico para atender justamente a essa indústria”, explicou Costa.

O Outlook Fiesp projeta um crescimento de 23% do consumo de milho no Brasil nos próximos 10 anos para 64,5 milhões de toneladas. Em 2013, o mercado brasileiro já  absorveu 52,6 milhões de toneladas. O milho é o principal insumo para a produção de aves.

O consumo de carne bovina no Brasil deve crescer 16% em 10 anos. Os brasileiros, que demandaram 8,5 milhões de toneladas de carne em 2013, devem  absorver em 2023  um  total de 9,8 milhões de toneladas.

Crescimento menor, mas acima da média mundial

O agronegócio no Brasil vai crescer menos do que cresceu nos últimos 10 anos, em termos relativos. Ainda assim, as taxas de variação da produção e a participação brasileira no mercado global de grãos e carnes serão superiores a media mundial.

O prognóstico do Outlook Fiesp é que em 2023, a produção brasileira de soja, milho e carnes manterá vantagem sobre a produção mundial.

Destaque para soja, cuja produção crescerá a taxas anuais de 3,9%, enquanto o incremento da produção mundial será de 2,4%. De 2002 a 2012, a safra brasileira de soja registrou um ganho de 5% ao ano. Em relação às exportações do produto, o Brasil ampliará de forma importante a sua participação, “devemos abrir uma vantagem nos os próximos anos em relação aos Estados Unidos”, afirmou Costa. É difícil repetir o mesmo desempenho exportador, já que o ritmo dos últimos dez anos foi muito forte, tanto pela grande quantidade de mercados abertos, quanto pelo papel desempenhado pelos países em desenvolvimento, explica Costa. Nesse período as exportações do agronegócio brasileiro em direção aos países emergentes, cresceram mais de 500%, concluiu.

“Apesar da redução do ritmo, o Brasil  manterá um forte desempenho exportador, de forma geral  acima  da média mundial”, concluiu Costa.

Para conferir o Outlook Fiesp, acesse: www.fiesp.com.br/outlook

Apenas 7% da área agrícola no Brasil é assegurada, alerta representante do Deagro/Fiesp ao portal RuralBR

Agência Indusnet Fiesp

Atendendo a uma reportagem do portal RuralBR, um representante  do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o gerente Antonio Carlos Costa, afirmou que apenas 7% da área agrícola brasileira está assegurada. No entanto, segundo ele, as perspectivas do setor para o seguro rural em 2013 estão mais otimistas.

“A expectativa dos agentes de mercado, seja o produtor, a indústria, ou as próprias seguradoras, é de um aumento substancial do volume de recursos”, disse o gerente do Deagro. “Mas isso essencialmente se dá sob bases ainda pequenas. É importante frisar isso”, completou.

Segundo Costa, em termos de valor, cerca de 3,5% do valor da safra brasileira é assegurada. “São valores ainda bastante incipientes, ainda muito longe do que poderia chegar”.

O Plano Trienal do Seguro Rural do Ministério da Agricultura prevê para 2013 recursos da ordem de R$400 milhões para seguro rural.

“Esse ano, especialmente, estamos otimistas”, concluiu.

Veja a reportagem na íntegra: portal RuralBR