Preço e dificuldade para instalar rede são desafios para ampliar cobertura celular

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

As operadoras de telefonia móvel não podem implantar rede sozinhas. Dependem do apoio das autoridades municipais, e é indispensável o compartilhamento com postes de energia elétrica para melhorar a qualidade do serviço, afirmou nesta quinta-feira (17) o presidente da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (Telcomp), João Moura.

Segundo Moura, o avanço na qualidade dos serviços prestados por operadoras será possível quando “a municipalidade entender que não se trata de interesse exclusivo de operadora, mas dos munícipes. Se trata de unir forças para atender um objetivo”.

O presidente da Telcomp defendeu ainda mais segurança jurídica para que as operadoras possam investir em ampliação de rede.

“Todo mundo quer preservar seus investimentos. E tomar multas nessa proporção realmente inviabiliza o serviço”, disse ele ao comentar sobre uma mudança na legislação municipal em 2010 que alterou o valor de multa aplicada às penalidades por irregularidades de R$ 6 mil para R$ 100 mil.

Poste compartilhado

Embora o ideal seja uma estrutura de cabos subterrâneos, Moura afirmou que, diante da realidade econômica do país, o compartilhamento com postes de energia elétrica é uma opção “insubstituível no momento”.

“Todos nós gostaríamos de cabos enterrados, mas isso é inviável economicamente. Podemos ter obras de enterramento pontuais em regiões mais críticas. Mas um investimento acelerado em termos de rede é totalmente irreal no momento”, reforçou.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539802853

Workshop na Fiesp sobre desafios para a ampliação da cobertura celular. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Lei Geral das Antenas

João Moura falou sobre as dificuldades de ampliar e melhorar o serviço de telefonia móvel durante um workshop organizado pelo Departamento de Infraestrutura da Fiesp sobre a ampliação da cobertura móvel.

Na ocasião, o presidente da Telcomp e outros especialistas do setor avaliaram o desafios e benefícios com a implementação da Lei Geral das Antenas, aprovada em março pelo Senado. A lei unifica regras para instalação de torres.

Nesse caso, Moura voltou a defender a mobilização das administrações municipais para atender às diretrizes propostas pela lei. “Principalmente em relação a prazos, é indispensável” a participação pública.

O diretor da Nokia Networks, Wilson Cardoso, também presente no debate, defendeu mais investimentos em novas tecnologias e preços de leilões do setor de telecomunicações mais competitivos.

“Não é somente buscar mais espaço para antenas. Com os preços dos leilões subindo e toda a dificuldade para instalar mais rede, estamos indo completamente na contramão de dar mais velocidade para o usuário final.”

Da parte de São Paulo, o vereador Mário Covas Neto trabalha com uma equipe na Câmara dos Vereadores para adequar a Lei das Antenas à realidade local.  O vereador também participou das discussões na Fiesp.

“Esse evento está beneficiado pela sua presença, para que você escute tudo isso que está sendo dito aqui, todas essas reinvindicações”, disse Helcio Binelli, diretor de Telecomunicações da Fiesp.

O diretor do Departamento de Infraestrutura para Inclusão Digital do Ministério das Comunicações, Américo Tristão Bernardes, também participou do workshop. Ele apresentou os dados da pesquisa TIC Domicílios 2014, divulgada pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br) na terça-feira (15).

Segundo o levantamento, o número de residências brasileiras conectadas à internet atingiu o patamar de 32,3 milhões em 2014, o equivalente a 50% do total de lares brasileiros. Essa marca foi atingida pela primeira vez, segundo o Cetic.br.

Ainda de acordo com o levantamento, o Brasil registrou 148,2 milhões de usuários de telefone celular em 2014.

Lei Geral das Antenas será debatida no seminário de telecomunicações da Fiesp

Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp

A sanção aplicada recentemente pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a empresas de serviços de telefonia móvel no Brasil, que suspendeu a venda de novas linhas, abriu uma discussão sobre a instalação de antenas no Brasil.

No 4º Seminário de Telecomunicações que a Fiesp realizará na próxima terça-feira (25/09), em São Paulo, o assunto estará em debate, tendo em vista o PLS 293/2012, mais conhecido por Lei Geral das Antenas, em tramitação no Senado.

A dificuldade para instalação de antenas devido às mais de 250 legislações municipais no Brasil foi o principal motivo alegado pelas empresas de telefonia móvel para justificar falhas e deficiência nos serviços oferecidos, tanto de voz como o de banda larga.

A posição do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia Fixa e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil) é de que as operadoras apoiam a chamada Lei Geral das Antenas, proposta pelo Ministério das Comunicações e que visa simplificar o processo para a instalação das antenas.

“Temos, em todo o Brasil, cerca de 50 mil antenas que cobrem o 3G (só no Estado de São Paulo são 14.700) mesma quantidade da Itália, que é menor que o Estado de Goiás”, explica o diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, Carlos Cavalcanti.

Com a implantação do sistema 4G, o número de antenas deverá ser, no mínimo, triplicado, pois apesar de maior capacidade de tráfego de dados, a antena com sistema 4G (2,5 GHz) tem uma abrangência de sinal menor e, portanto, requer que elas fiquem mais próximas umas das outras. O Deinfra estima que seria necessário, pelo menos, triplicar o número de antenas para adequação ao novo sistema, o que requer investimentos na ordem de R$ 37 bilhões.


Clique aqui e veja a programação completa.