Após ecoácido e prêmios, Antares quer unidade de reciclagem internacional

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A Antares Reciclagem trata efluentes e resíduos sólidos desde 1992, mas tem se destacado nos últimos anos com um projeto de reutilização do único componente de baterias que, até então, não era recuperado durante o reaproveitamento dos dispositivos: a solução eletrolítica.

Antes de ser tratada e transformada em matéria recuperada para um novo consumo, a solução eletrolítica de baterias usadas era neutralizada em estações de tratamento de efluentes com alcalinos fortes (soda cáustica ou cal) e descartada na redes públicas de esgoto, rios e córregos.

O Programa Ecoácido da Antares completa o ciclo de reciclagem das baterias em um processo que consiste no tratamento da solução sem queda de concentração, eliminando metais pesados por meio de procedimentos químicos e de filtração. A solução tratada é fornecida a outras indústrias como produto reciclado, a um custo inferior ao da matéria-prima original.

Em 2011, o projeto ganhou o Selo Verde da Associação Brasileira de Normas e Técnicas (ABNT).

Três anos depois, o ecoácido foi o vencedor da categoria micro e pequena empresa da 9º edição do Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso da Água – iniciativa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O diretor da companhia, Almir Trindade, acredita que a Antares é uma empresa “que acredita que a economia do futuro resultará em sustentabilidade corporativa, com tecnologias limpas que vão aumentar a eficiência operacional e atitudes proativas que serão vistas como um diferencial competitivo”.

No ano passado, a Antares ganhou o Prêmio Brasil Ambiental da American Chamber of Commerce do Rio de Janeiro e o Prêmio de Excelência de Projeto da Agência Nacional de Águas (ANA).

Após o projeto, o próximo desafio da Antares, segundo Trindade, será abrir a primeira unidade de reciclagem internacional.

Confira abaixo entrevista com Almir Trindade.

Como funciona o ecoácido?

Almir Trindade – O Projeto Ecoácido é operacionalizado primeiramente na prospecção no mercado de indústrias que geram soluções ácidas residuais como sub produto de seus processos fabris. Em geral, as indústrias que geram esse tipo de resíduo gastam grande montante de dinheiro com neutralizantes e produtos químicos nobres para tratar seus efluentes para lança-los nas redes de esgotos, rios e córregos.  Esse processo gera uma quantidade de resíduos sólidos e sais dissolvidos muito grande. O que a Antares faz é captar esses ácidos sem diluição nas indústrias geradoras e reciclá-los, transformando-os em matéria-prima recuperada para outras utilidades industriais. Nossos processos impediram que toneladas de resíduos industriais e substâncias tóxicas perigosas fossem jogadas em rios e aterros, causando passivos ambientais, e que toneladas de CO2 fossem liberadas para a atmosfera causando o aquecimento global.

O que motivou a Antares Reciclagem a desenvolver o ecoácido?

Almir Trindade – O Grupo Antares já realizou projetos para os mais diferentes segmentos industriais brasileiros.  Nesses serviços sempre observávamos que grande parte dos resíduos contaminantes tratados na Estações de Tratamento de Efluentes (ETE) eram perdas industriais e falhas de processo, podendo ser reutilizados. Dessa forma, nosso foco de trabalho passou a ser a reciclagem e a regeneração desses produtos químicos, tornando-os adequados para a reutilização em outros processos industriais. Nós somos uma companhia que acredita que a economia do futuro resultará em sustentabilidade corporativa, com tecnologias limpas que vão aumentar a eficiência operacional e atitudes proativas que serão vistas como um diferencial competitivo.

Quanto a empresa ganhou com a implantação do projeto?

Almir Trindade – Os clientes do Projeto Ecoácido, além de terem economizado muito dinheiro, já que passaram a não mais consumir reagentes de tratamento e neutralizantes para inertizar e descartar seus ácidos residuais, passaram também a evitar impactos ambientais e potenciais danos à natureza e à saúde humana com a minimização de descargas de efluentes industriais; melhor reutilização de efluente tratado na empresa; minimização do risco de contaminação do solo e águas subterrâneas;  minimização do risco de salinização das águas subterrâneas; adequação do efluente tratado de acordo com regulamentações governamentais em vigor; minimização do processo de perda industriais; minimização da geração de resíduos; mais eficiência e rentabilidade de processos industriais e preservação dos recursos naturais, uma vez que a matéria-prima se origina a partir de materiais reciclados.

Quais são os projetos da companhia daqui para frente?

Almir Trindade – Por causa das ações e resultados alcançados, tivemos uma grande aceitação do nosso processo e produto no mercado. Atualmente, possuímos 12 unidades de reciclagem localizadas estrategicamente em cinco estados brasileiros e implantamos também 14 unidades dosadoras de ecoácido em diversas indústrias nacionais. Hoje estamos concentrados na tentativa de abertura de nossa primeira unidade internacional. Como nosso processo é único e patenteado, estamos sendo chamados para participar de palestras nos Estados Unidos, Canadá, Holanda, Portugal, Espanha e outros países.

9º Prêmio Fiesp/Ciesp de Conservação e Reúso de Água – Cases Vencedores

O Prêmio FIESP de Conservação e Reúso de Água objetiva conhecer, difundir e homenagear, anualmente, empresas que utilizam boas práticas na promoção do uso eficiente de água, com medidas efetivas na redução do consumo e do desperdício de água, gerando benefícios ambientais, econômicos e sociais e aumentando a competitividade do setor, bem como dar ampla publicidade às ações realizadas pela indústria paulista na construção do desenvolvimento sustentável.

Clique nos links abaixo para ver os projetos das empresas vencedoras.

Empresa vencedora categoria Média/Grande: 

– Toyota do Brasil

Empresa vencedora categoria Micro e Pequena:

Antares Reciclagem

Toyota e Antares Reciclagem vencem 9º Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso da Água

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Sheila Sakamoto, da Toyota, recebe premiação da diretoria do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A Toyota do Brasil e a Antares Reciclagem são as vencedoras da 9º edição do Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso da Água – iniciativa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A cerimônia de premiação aconteceu nesta terça-feira (18/03) no Teatro do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) na Avenida Paulista.

A Toyota do Brasil obteve o primeiro lugar na categoria média/grande  com o “Sistema de Gestão Ambiental (SGA)”, que faz uso da norma ISO 14.001.

Aplicado no cotidiano das operações de fábrica da montadora, nos escritórios e nos centros operacionais da organização, o sistema da Toyota identifica oportunidades de aumentar a eficiência do uso de água, diminuindo desperdícios, o consumo e a geração de efluentes.

Ao implementar o SGA no Brasil, a montadora conseguiu diminuir o consumo de água em 40,9 mil metros cúbicos de água, o que corresponde a uma redução de 81,7%. Foram investidos no projeto R$ 721,5 mil e os resultados apontam uma poupança de R$ 411 mil anuais no consumo.

Para Sheila Sakamoto, representante da Toyota do Brasil, o reconhecimento da Fiesp incentiva os funcionários da montadora a continuar produzindo com práticas menos agressivas ao meio ambiente.

“Esse trabalho que desenvolvemos em específico não envolve grandes tecnologias. É um trabalho baseado na melhoria, mesmo, do dia a dia de nossos colaboradores. A Toyota preza muito a questão de treinamento. Então, essa orientação que o colaborador recebe todo dia dá a ele as oportunidades de apresentar melhorias”, afirmou Sheila.

“Esse reconhecimento é para todos os colaboradores da Toyota. Vamos voltar com esse troféu e divulgar para as três unidades. E isso vai ser mais um incentivo”, completou.

Micro e pequena empresa

Antares Reciclagem vence categoria Micro e Pequena Empresa do Prêmio Fiesp de Reuso da Água. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Na categoria micro e pequena empresa, a Antares Reciclagem levou o primeiro lugar com o “Processo ecológico de reciclagem (Ecoácido) para solução eletrolítica”, o único componente de baterias que não era recuperado durante o reaproveitamento dos dispositivos.

Antes de ser tratada e transformada em matéria recuperada para um novo consumo, a solução eletrolítica de baterias usadas era neutralizada em estações de tratamento de efluentes com alcalinos fortes (soda cáustica ou cal) e descartada na redes públicas de esgoto, rios e córregos.

O programa Ecoácido completa o ciclo de reciclagem das baterias e ganhou o Selo Verde da Associação Brasileira de Normas e Técnicas (ABNT).

O processo consiste no tratamento da solução sem queda de concentração, eliminando metais pesados por meio de procedimentos químicos e de filtração. A solução tratada é fornecida a outras indústrias como produto reciclado, a um custo inferior a matéria prima original.

Segundo Daniel Trindade, assessor da companhia, a Antares “tem traçado uma longa jornada com esse projeto. Tem dado tudo certo e temos recebido boas indicações e prêmios”.

O programa Ecoácido em Pindorama e Bauru, interior de São Paulo, produz cerca de 390 mil litros da solução eletrolítica por mês. Os clientes da Antares Reciclagem diminuíram em ao menos 90% o descarte de seus efluentes industriais.

A Antares Reciclagem possui outras nove unidades de reciclagem de ácido em indústrias recicladoras de baterias chumbo-ácido no Brasil, localizadas em Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina. Segundo a companhia, o processo de reciclagem é 20% mais barato que o de neutralização.

Menções honrosas

A fabricante de bebidas Ambev recebeu uma menção honrosa pelo trabalho desenvolvido nos últimos quatro anos para redução do consumo de água.

A filial de Jaguariúna reduziu o índice de consumo de água de 3,80 para 2,75 litros usados na produção de cada litro de cerveja, o que equivale a mais de 1,17 milhão de metros cúbicos.

A companhia ainda pretende, entre outras metas, reduzir a emissão de gases de efeito estufa em até 10% até 2017.

Já a Votorantim Metais também recebeu menção honrosa por adotar processos mais eficientes de lavagem de resíduos em instalações como filtros e diluição de substâncias.  Segundo a companhia, o projeto somou, em cinco meses, um retorno de R$ 1,117 milhão.

 >> Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso da Água: cases serão referência para a indústria, diz diretor da Fiesp