Na luta contra o câncer de mama, Sesi-SP faz parceria com Instituto Se Toque

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Em um ciclo de quatro palestras, alunos de 8º e 9º ano das escolas do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) estão recebendo informações e tirando dúvidas sobre o funcionamento do corpo, sexo, gravidez e prevenção de doenças, em especial, o câncer. Por meio do programa Colar da Vida, parceria com o Instituto Se Toque, os jovens se transformam em grandes disseminadores de conhecimento, alertando pais, familiares e amigos para a importância dos cuidados com a saúde.

As ações serão desenvolvidas em 13 escolas da cidade de São Paulo, alcançando 1,5 mil alunos durante todo o ano letivo.

“Saúde e qualidade de vida fazem parte da educação. É um conteúdo dado em sala de aula mas expandido para outros setores da vida da criança e do adolescente”, diz Anne Lise Dias Brasil, supervisora de serviços médicos, da área de saúde e inclusão escolar do Sesi-SP.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1545036008

Colar mostra as etapas de crescimento do tumor de mama e suas chances de cura. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


Os alunos assistem a palestras sobre gravidez não-planejada, doenças sexualmente transmissíveis, câncer de próstata, pulmão e colo do útero e, para finalizar, uma apresentação específica sobre câncer de mama. É quando eles recebem o colar da vida, para entregarem para as mães, avós ou outras familiares na idade-alvo de realizar os exames preventivos para o câncer de mama.

Feito de pérolas em diversos tamanhos, o colar mostra as etapas de crescimento do tumor de mama e suas chances de cura. Tumores de até 1 cm, tamanho da menor pérola do colar, tem 95% de chance de cura. Com mais de 3 cm, maior pérola, as chances caem para 30%. O objetivo do colar é que ele seja um lembrete sobre a importância de fazer a mamografia.

“No Brasil, cerca de 50% das mulheres na faixa-etária alvo, acima dos 50 anos nunca fizeram mamografia. Não sabem que precisam ou que tem direito”, alertou a coordenadora científica do Se Toque, Michelle Miya. “Sabendo da necessidade do exame, as crianças vão informar as mães e as familiares, porque são grandes disseminadoras de conhecimento e influenciadoras dentro de casa.”

Anne Lise defende o importante papel da criança na difusão das informações. “Quando a criança incorpora um conceito, ela leva para a família e para a comunidade em que vive e passa a ser um multiplicador do conhecimento”, diz.

“Ela aprende que fumar faz mal, então cobra o pai cada vez que ele acende um cigarro. Aprendeu que não pode desperdiçar água, então fica atenta para fechar as torneiras. Com as informações de saúde farão o mesmo, para muitas mulheres que não têm acesso a isso.”


Alunos

Atentos e curiosos, a turma que assistiu às palestras na unidade do Sesi-SP do Tatuapé, zona leste de São Paulo, na segunda-feira (07/04), aproveitou as palestras para tirar dúvidas e descobrir mais sobre o corpo e os riscos à saúde.

Os meninos foram os mais participativos durante a palestra. “Foi interessante, porque aprendemos sobre um monte de coisas que a gente não sabia”, disse Matheus Henrique, 12 anos.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1545036008

Palestras: informação para ajudar na prevenção. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


“A palestra foi bem legal e acho importante saber que preciso me prevenir, quando eu for maior, e tiver minha primeira relação”, comentou Yuri Ferreira, 13 anos. Para João Vitor, também de 13 anos, foi bom ver um novo conteúdo. “Vimos assuntos que não aprendemos nas outras aulas, nem vimos no nosso dia a dia.”

As meninas sabiam da necessidade de tomar a vacina do HPV, mas não sabiam ao certo as consequências da doença. “Não é sempre que podemos ter informações como essa. Muitas coisas que foram faladas eu não sabia e agora me sinto mais informada”, disse Jamile Helder, de 12 anos.

“Tem muito adolescente que precisava de uma palestra dessa, porque os pais não podem ensinar ou eles desistiram da escola. Que bom que a gente pode ter um conhecimento maior”, comentou Julia Chinen, de 12 anos. Já Nicole Assis, também de 12 anos, se surpreendeu. “Não esperava que fosse ser uma palestra legal. Achei muito interessante aprender tudo isso.”