O foco é trazer investimentos para os projetos, diz diretor da Fiesp no Acelera Startup

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

O objetivo principal da quinta edição do Acelera Startup – concurso de empreendedorismo e investimento-anjo realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) – é fazer com que os investidores tomem a decisão de aplicar recursos nas iniciativas que participam do evento.

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Sylvio Gomide: incentivo para as startups e desburocratização do processo de abertura de uma empresa são os eixos estratégicos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

“O nossos foco principal é trazer o dinheiro. Vocês têm o conhecimento e a Fiesp tem esse network. Vocês foram selecionados entre 2.000 projetos˜, ressaltou o diretor titular do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Fiesp, Sylvio Gomide para os representantes dos 150 projetos concorrentes.

O evento, com dois dias de duração, tem como ponto alto a apresentação de 10 finalistas para uma banca formada por investidores-anjo do país, no modelo de elevator pitch. Três serão os vencedores do concurso.

Gomide destacou que pela primeira vez o Acelera Startup fez uma parceria com o Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Fiesp, resultando na criação da categoria especial construção, tendo como premiação uma viagem para conhecer as inovações do setor na França.

Agradeceu ainda a parceria do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), tem 19 projetos entre os selecionados; da Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP), por indicar projetos; ao Sebrae, pela divulgação; à Wayra, aceleradora global da Telefônica.

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Soriedem Rodrigues: "Sucesso da construção civil depende de novas ideias. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Gomide disse ainda que esta edição atende a sugestões feitas em eventos anteriores. “Colocamos mais baias para que os participantes possam um ter contato mais personalizado com os mentores. Tiramos as mesas e colocamos as carteiras para ficar mais dinâmico”, exemplificou.

Gomide adiantou ainda quais são os dois eixos estratégicos do CJE para o ano de 2015 que serão apresentados dentro de uma plataforma de reivindicações da Fiesp na esfera governamental. “Como trazer recurso e incentivo para as startups e como desburocratizar o processo de abertura de uma empresa. Sou empresário como vocês e sei como é difícil conseguir um crédito e como é difícil abrir uma empresa.”

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Bruno Ghizoni: Acelera Startup reúne algumas das principais bancas de investimento-anjo. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O diretor do Deconcic, Soriedem Rodrigues, disse que o Departamento está muito feliz de participar do Acelera. “O sucesso da construção civil vai depender muito de vocês”, declarou Rodrigues, desejando sorte aos participantes.

Bruno Ghizoni, integrante do CJE , destacou a qualidade dos projetos, citando como exemplos iniciativas que têm empreendedores com PhD. Disse ainda que o evento conseguiu atrair algumas das principais bancas de investidores-anjo como a Gava Investimentos, Novo Horizonte, São Paulo Angels, Bahia Angels, Gávea Angels e Anjos do Brasil, entre outras. “Fizemos um grande trabalho para trazer o que há de melhor.”

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Capacitação dos empreendedores são fatores para crescimento de empresas

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

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Wilson Nobre Filho, da FGV-SP, moderou painel. Foto: Everton Amaro/Fiesp

As experiências de ecossistemas regionais de empreendedorismo de alto impacto foram debatidas no seminário “Estratégias para a Inovação e Empreendedorismo”, realizado nesta terça-feira (07/10) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O painel foi moderado pelo professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), Wilson Nobre Filho, e teve rápidas apresentações de empreendedores e profissionais ligados ao tema.

Um deles foi o diretor de operações do programa Startup Brasil, do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI), Felipe Matos, que afirmou para quem, nos últimos anos, houve melhora no ambiente para investimento e financiamento das empresas startups. Contudo, observou Matos, há ainda a necessidade de formar empreendedores capazes de enfrentar esses desafios.

Matos informou que 62% dos entrevistados em uma pesquisa da Endeavor afirmaram ter o sonho de abrir um negócio, porém não têm nenhum contato com um ambiente de empreendedorismo e as ferramentas necessárias para isso.

Outro fator importante – além de educação, cultura e investimento – é o ambiente regulatório, item em que o Brasil evoluiu pouco, segundo ele.  “O sistema tributário é complicado e há falta de incentivos para empreendedores de alto impacto e de base tecnológica. Esse é um ponto onde o Brasil está mais atrasado.”

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Milton Mori, diretor executivo da Inova Unicamp: polo tem três empresas que podem ser consideradas de classe mundial. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O diretor executivo da Inova Unicamp, agência de inovação da Universidade de Campinas, Milton Mori, apresentou um panorama da atual situação da agência. “Existem hoje 240 empresas filhas, gerando 11 mil empregos e 1,5 bilhão de reais por ano. Dessas empresas, três podem ser consideradas de classe mundial.

Segundo Mori, essas “empresas filhas” foram criadas tanto por alunos, ex-alunos ou profissionais da Unicamp, e atendem a várias áreas de negócios, desde Tecnologia da Informação, Consultorias, Alimentos, E-commerce, Fashion design, entre outros.

Ele citou ainda exemplos de empresas incubadas na Unicamp bem sucedidas, como a Griaule Biometrics, que fechou contrato para implementar a biometria no sistema eleitoral brasileiro.

Mori também citou os obstáculos encontrados para alavancar as empresas incubadas: marco regulatório, “pesada carga de impostos” e burocracia. Outras dificuldades são: a falta de especialistas de negócios e marketing nas empresas incubadas e encontrar investidores. “Nos Estados Unidos, o investidor acompanha e ajuda as empresas incubadas nessa área de marketing para viabilizar o negócio”, comentou.

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Patrícia Leal Gestic, diretora de Propriedade Intelectual da agência Inova Unicamp: importância do setor privado. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A diretora de Propriedade Intelectual da agência Inova Unicamp, Patrícia Leal Gestic, ressaltou a importância de transparência da política de propriedade intelectual das universidades para atrair parceiras. “A universidade que não encontra o parceiro privado dificilmente vai conseguir encontrar um ponto para mostrar sua inovação”, afirmou.

Patrícia explicou o trabalho realizado pela Unicamp junto às empresas em incubadoras. “Antes de a incubada começar a trabalhar, a gente a ajuda a se situar sobre sua marca ou inovação. A universidade entende que deve dar suporte e compartilhar dos riscos e dos ganhos de forma a retroalimentar o sistema.”

Experiências dos empreendedores

O consultor e professor do Instituto de Ensino Superior e Pesquisa Insper, Marcelo Nakagawa, falou de sua experiência em relação ao estímulo de novos empreendedores. “Hoje, minha preocupação é menos no “start” e mais no “up”, afirmou sobre a melhora das oportunidades de negócios.

O consultor comentou ter sido procurado pelo Bradesco, que estava interessado em criar um programa voltado com as aceleradoras de empresas. “Daí nasceu o programa Inova-Bra, para oferecer o ‘up’ para as ‘starts’, ou seja, vai oferecer mercado para essas empresas”, explicou.

Uma das ideias é o uso de aplicativos de serviços de táxis não só para as empresas, mas para seus clientes. “Vamos acertar e errar muita coisa, mas o interessante é que o banco está preparado também para o risco de errar.  E o banco está usando a Lei do Bem para esse projeto”, destacou.

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Cassio Spina, fundador da Anjos do Brasil: “Procure mentores, conselheiros. Ache pessoas experientes que vão agregar valor e ajuda com você como empreendedor.” Foto: Everton Amaro/Fiesp

Cassio Spina, fundador da Anjos do Brasil, falou de sua experiência como empreendedor. “O que que deu certo não foi o que eu imaginei, mas foi aquilo que alguém me pediu. Hoje eu me assusto quando alguém vem me apresentar uma ideia genial.”

Com sua própria experiência, Spina aconselhou os novos empreendedores. “Todos os negócios que deram me impulso foram quando eu vi que podia atender uma necessidade de alguém. Portanto, não reinvente a roda, olhe ao seu lado que vocês vão encontrar.”

Ele também destacou a importância da capacitação. “Empreender é uma experiência prática, mas se não buscar a informação e conhecimento, não dá certo. Procure mentores, conselheiros. Ache pessoas experientes que vão agregar valor e ajuda com você como empreendedor.”

A diretora executiva e sócia fundadora da Gentros Biotecnologia, Taíla Andrade, concordou com a importância da capacitação dos empreendedores. “Startup não precisa de dinheiro. A gente precisa de conhecimento.”

Segundo a executiva, a Gentros Biotecnologia está desenvolvendo três vacinas veterinárias, que, em breve, poderão ser comercializadas.

Ela também enfatizou a importância de pensar de forma global.  “A troca de experiência foi que fez com que a minha empresa desse certo.”

Taíla comentou que em visita ao México foi questionada sobre o porquê de o Brasil não ter uma política de colaboração entre as startups ou até entre os países da América Latina. “Acho que tem que ter governança em todas as áreas, deve haver transparência, conhecimento, monitoria, e criar proximidade de startup com o mercado e comportamento empreendedor”, destacou.  “O Brasil vai crescer quando o país criar inovação de alto valor agregado”, afirmou.

Durante o painel também foram ouvidas as experiências e opiniões de Felipe Baeta, co-fundador da Ofélia Bebidas; Fernando Reinach, gestor do Fundo Pitanga; João Barion Neto, cofundador da Sabora (sal sem sódio); Pierre Ziade, cofundador da Eco-X Usina de Reciclagem de RCD; Fernando Reinach, gestor do Fundo Pitanga; e Antonio Carlos Teixeira Alvares, professor da FGV-EAESP, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Estamparia de Metais (Siniem) e CEO da Brasilata.

Faltam projetos para o Brasil, diz fundador da Totvs no Acelera Startup

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

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Ernesto Haberkorn, da Totvs, recomenda ter experiência profissional em grandes empresas antes de partir para a criação de um negócio próprio. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Dinheiro não falta no Brasil, o que falta mesmo é projeto, afirmou Ernesto Haberkorn, sócio fundador da Totvs e diretor da TI educacional, nesta quarta-feira (07/05), durante painel do Acelera Startup, evento promovido pelo Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Haberkorn foi o convidado para dar dicas sobre empreendedorismo e gestão para os participantes do evento, que prossegue por mais um dia (08/05) na sede da instituição. E, durante sua exposição, lembrou sua evolução profissional.

“Antes de tudo, você precisa fazer o que gosta. Assim nunca terão problemas”, brincou Haberkorn, no início de sua participação.

O empresário também ressaltou a importância da tecnologia tanto para gestão empresarial como para a criação de novos negócios. “A Tecnologia da Informação (TI) e a tecnologia de software são sinônimos de eficiência e sempre serão aceitos, se funcionarem.”

Sobre a evolução profissional, o empresário ressaltou a necessidade de o empreendedor ter experiência profissional em grandes empresas antes de partir para a criação de um negócio próprio. “Nas empresas, aprendemos a ser corporativos, a cumprir prazos, a tratar orçamentos, a respeitar hierarquia”, explicou.

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Iaconelli: capacidade pessoal do empreendedor é avaliada pelos investidores. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Segundo ele, para investir, inovar e empreender são necessários atributos como inteligência, e, principalmente, liderança. Além disso, Haberkorn destacou a importância de saber dividir seus sonhos com outros empreendedores. “Às vezes dividir é multiplicar.”

Em seguida, Maria Rita Spina Bueno, diretora-executiva da Anjos do Brasil, e André Iaconelli, representante da Harvard Angels, falaram sobre a importância dos investidores-anjo para a evolução de um plano de negócios. O investimento-anjo é o investimento efetuado por pessoas físicas com seu capital próprio em empresas nascentes com alto potencial de crescimento,

“Investidores-anjo são muito mais que apenas agentes que colocam capital em um projeto. Um projeto tem que ter valor agregado”, disse Maria Rita.

Segundo Iaconelli, muitas vezes o investidor-anjo não analisa apenas a ideia inovadora, mas, sim, a capacidade pessoal do empreendedor.

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Fabiana Saad, mediadora do painel, André Iaconelli, Maria Rita Spina Bueno e Eduardo Grytz. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp