Entrevista: Ana Paula Cutolo fala sobre a licença social para operar e seus benefícios para a empresa

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Por Karen Pegorari Silveira

Ao iniciar a operação de uma indústria em uma região, é essencial que a corporação entenda os impactos negativos que ela poderá causar para a comunidade e como ela pode minimizar estes impactos.

Para isso, foi criado um modelo de engajamento chamado “Licença Social para Operar”, como explica Ana Paula Cutolo, especialista em Gestão Social da Anglo American, na entrevista a seguir.

Leia na íntegra:

O que é e qual a finalidade da licença social para operar?

Ana Paula Cutolo – A “Licença Social para operar” é uma aprovação informal quanto à presença e operação de um empreendimento num determinado local, manifestada por grupos e pessoas que se relacionam com a empresa. Essa aprovação significa que os benefícios gerados pela empresa são reconhecidos pelas partes interessadas e justificam sua instalação e permanência na região. As partes interessadas são representantes da sociedade civil que influenciam e são influenciados pelas atividades realizadas pelo empreendimento. Geralmente compõem o grupo: comunidades do entorno, organizações do terceiro setor, órgãos públicos, governo, imprensa, funcionários e contratados, outras empresas etc.

Por que ela é importante e quais os riscos que podem ser evitados pela perspectiva da licença social?

Ana Paula Cutolo – Ela é importante, pois evidencia à empresa que sua presença é bem-vinda no local e que a comunidade vê valor nas contribuições que o empreendimento traz. Construída a partir do diálogo, a Licença Social traz em si um compromisso com a transparência. Se os relacionamentos não estão bem estabelecidos, a empresa pode ter que enfrentar insatisfações em função de dúvidas ou conclusões equivocadas pelas partes interessadas. Isso pode trazer danos imediatos à reputação, refletindo em prolongamentos de processos formais de regularização junto a órgãos oficiais, dificuldade na obtenção de licenças, manifestações e audiências públicas, podendo chegar a casos extremos de paralisação das operações. Conhecer o cenário do entorno permite que a empresa se antecipe e busque aproximação e esclarecimentos com os públicos relacionados, fortalecendo sua imagem e seus valores institucionais.

Quais são as ações necessárias para legitimar a licença social para operar de um negócio?

Ana Paula Cutolo – Diversos mecanismos legitimam a “Licença Social para operar”, uma vez que ela se estrutura em uma relação de confiança entre as partes interessadas e não em um documento emitido por um órgão oficial – ela é resultado do bom relacionamento. Portanto, são importantes ações que prezem pela transparência na prestação de contas da empresa, em diversas linguagens, espaços e representantes. Também são necessários canais para que pessoas e organizações consultem a empresa e recebam retorno em tempo e nível de esclarecimento adequados.

Quais os benefícios da licença social para uma empresa?

Ana Paula Cutolo – Os benefícios são a relação de confiança e parceria que se estabelece entre empresa, comunidade, governo, órgãos públicos etc. Além do favorecimento da discussão de agendas positivas e controle dos riscos sociais, uma vez que a empresa conhece suas partes interessadas e sabe o que é relevante para cada uma. Dessa forma, a empresa pode gerir outros riscos (operacionais, financeiros, segurança, meio ambiente, entre outros) sem trazer prejuízos àqueles que vivem próximos ao empreendimento.