Indústria paulista contrata 6 mil em março, mas resultado não é ‘auspicioso’, avalia Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A indústria do estado de São Paulo criou seis mil novas vagas de trabalho em março e o setor de açúcar e álcool foi responsável pelas contratações. O desempenho do emprego na indústria no mês, porém, ficou negativo em 0,26% na leitura com ajuste sazonal. Enquanto isso, baixas expressivas envolvendo o setor automotivo preocupam a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

“Nos absolutos da variação mensal você tem os positivos que são açúcar e álcool. Porém, o que preocupa são os negativos porque eles estão muito próximos à indústria automobilística, seja do próprio setor que inclui montadoras e autopeças, seja de setores muito próximos como o de borracha e plástico”, explica Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp.

Segundo a Pesquisa de Nível de Emprego do Estado de São Paulo, elaborada pelas entidades, a indústria de Produtos de Borracha e de Material Plástico demitiu 1.082 funcionários em março, já o segmento de Veículos Automotores, Reboques e Carrocerias fechou 1.512 postos de trabalho.

Para Francini, o aumento dos estoques de veículos prontos no Brasil, divulgado pela Associação Nacional de Veículos Automotores (Anfavea) no começo do mês, é “um prenúncio ruim para esse setor que, na sua ramificação total, é de importância para a indústria de transformação”.

De acordo com a Anfavea, os estoques do setor subiram de 37 dias em fevereiro para 48 dias em março, um volume “recorde comparativamente aos anos anteriores”, segundo Francini.

“Outro setor que é sempre foco da nossa atenção é o de Máquinas e Equipamentos, que apresentou também um valor negativo no mês”, diz o diretor. A indústria de Máquinas e Equipamentos demitiu 2.505 empregados em março.

Usinas

O segmento de Produtos Alimentícios contratou 8.414 novos funcionários. Francini explica que boa parte corresponde às usinas de açúcar e álcool no interior do estado, as quais contratam para iniciar a colheita da safra 2014/15.

“Grande parte do desempenho de geração de emprego está em um único setor que é açúcar e álcool, que gerou de 8 a 9 mil empregos, e os demais setores que não açúcar e álcool tiveram redução. Então, não é um resultado auspicioso. É um resultado que, juntando-se a outros, é sem grande emoção, tanto do lado da euforia como do lado da tristeza”, esclarece o diretor do Depecon.

Segundo a pesquisa da Fiesp e do Ciesp, o setor sucroalcooleiro contratou 8.656 empregados em março, mas a indústria de transformação demitiu 2.656 funcionários, resultando nos 6 mil do mês.

Resultados

Nos primeiros três meses do ano, a indústria paulista criou 20 mil vagas de trabalho, com uma variação absoluta positiva em 0,78%, mas no acumulado de 12 meses, ou seja, março deste ano versus março de 2013, o setor manufatureiro paulista fechou 50,5 mil postos de trabalho, o equivalente a taxa negativa em 1,9%.

“Eu diria que, pelo seu significado, os [resultados] negativos falam mais do que os positivos. E falam coisas ruins com relação à expectativa futura”, alerta Francini.

A Pesquisa de Nível de Emprego da Fiesp do Ciesp apontou que o desempenho da indústria paulista no primeiro trimestre do ano é bem semelhante à performance de 2006, início da série histórica, e só supera a trajetória de 2009 e 2012.

Das 22 atividades consultadas pela pesquisa, 11 apresentaram baixa no emprego, 10 computaram alta e uma ficou estável. Na leitura mensal, o segmento que mais demonstrou baixa performance no mercado de trabalho foi o de Máquinas e Equipamentos, com queda de 1,2%. Já o setor de Coque, Petróleo e Biocombustíveis avançou 6,9% em março contra fevereiro deste ano.

No ano, o emprego na indústria de Impressão, Reprodução de Gravações foi o que mais caiu com variação negativa de 2,6%, enquanto o setor de Equipamentos de Informática, Produtos Eletrônicos e Óticos foi o que mais contratou, com alta de 7,3%, em relação aos mesmo período do ano anterior.

O levantamento das entidades apurou ainda que das 36 regiões avaliadas, 19 mostraram alta, 15 anotaram baixa e duas ficaram estáveis. A região de Araçatuba registrou alta de 3,10% no emprego, puxada pelos setores de Coque, Petróleo e Biocombustíveis (6,84%) e de Produtos Alimentícios (4,72%).

Outra região com concentração de usinas de açúcar e álcool, Sertãozinho também foi destaque entre os comportamentos positivos com variação de 3,01%, motivado pelos setores Produtos Alimentícios (9,65%). Jaú também registrou alta, a 2,29% influenciado por Coque, Petróleo e Biocombustíveis ( 8,27%) e Produtos Alimentícios (4,66%).

No âmbito das baixas, São Caetano do Sul foi destaque com -2,07%, pressionado pela redução de pessoal na indústria de Veículos Automotores e Autopeças (-3,41%) e de Produtos de Metal, exceto Máquinas e Equipamentos (-2,99%).

O emprego em Piracicaba caiu 1,53% com perdas em Produtos Alimentícios (-1,82%) e Veículos Automotores e Autopeças (-0,95%). E o quadro de funcionários nas empresas de Diadema também foi reduzido, em 1,02%, em meio a perdas nos segmentos de Produtos de Borracha e de Material Plástico (-5,43%) e Máquinas e Equipamentos (-1,70%).