Escola do Senai-SP de Itu é referência na educação de pessoas com deficiência

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Mais de 6 mil alunos preparados para o ingresso no mercado de trabalho. Cerca de 430 empresas atendidas através de uma assessoria que prepara as instalações para o apropriado recebimento de pessoas portadoras de deficiência. Esses são apenas alguns dos feitos alcançados pela Escola do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) Ítalo Bologna, localizada em Itu, interior de São Paulo. A unidade é referência mundial em ensino profissionalizante de pessoas portadoras de deficiência.

“A escola existe desde 1947, e a partir de 1996, passou a desempenhar uma nova função social. Além da qualificação para a indústria local, temos um trabalho no sentido de incluir pessoas com deficiência, desde deficientes visuais até pessoas com Síndrome de Asperger”, explica o professor Helvécio Siqueira de Oliveira, responsável pela unidade.

Polo de tecnologia e metodologia

O professor conta que a Lei de Cotas para Deficientes, a 8213/91, que entrou em vigor a partir de 1999, ajudou a consolidar o trabalho da escola. Com a determinação, as empresas precisam ter em seus quadros de funcionários de 2 a 5%  de pessoas com deficiência.

A Escola do Senai Ítalo Bologna: qualificação para a indústria e inclusão social. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A Escola do Senai Ítalo Bologna: qualificação para a indústria e inclusão social. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

“Diante desse novo cenário para a indústria, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) resolveu fazer um grande investimento na escola de Itu, para que ela se tornasse um centro de educação, atraindo tecnologia e metodologia de ensino do Brasil e de fora”.

De acordo com Siqueira, uma das missões do projeto era disseminar métodos de ensino que atendessem todas as escolas estaduais do sistema Senai-SP. E a missão foi cumprida, com louvor.

O primeiro público atendido pelos serviços da escola foram os deficientes visuais. “Passamos a desenvolver softwares especiais em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para atender deficientes visuais”.

Logo depois, segundo o professor, a escola passou a produzir material impresso em braile. “Devido à grande demanda do sistema Sesi/Senai, passamos a produzir e imprimir livros, cadernos e apostilas, sendo criada a primeira editora de material em braile para a educação no Brasil, que hoje publica em 19 idiomas”.

Todos os campos da indústria

Na Escola Ítalo Bologna todos os programas disponíveis são capazes de atender alunos com deficiência. “Desenvolvemos cursos em vários campos. Da metalomecânica à usinagem, até torno mecânico e torno convencional. Cursos de vestuário, assistente de escritório. Todos os programas são adaptados”, explica.

“Aqui se desenvolve uma tecnologia e uma metodologia educacionais únicas. Daqui todas as escolas do Senai serão alimentadas. É um trabalho inovador e em rede, por meio do qual centenas de escolas se beneficiam”.

Através desse trabalho, uma indústria que fique num dos extremos do Estado de São Paulo, por exemplo, pode ser beneficiada, recebendo equipamentos e métodos educacionais apropriados para o ensino adequado de deficientes. Nessa linha, as indústrias e as empresas de diversos municípios paulistas também se beneficiam.

Outro trabalho pioneiro realizado pela escola ituana é atender e preparar empresas para receber os profissionais com deficiência. “Nosso trabalho extrapola o campo escolar e a capacitação de deficientes”, conta. “Dessa forma, assessoramos também empresas a se equiparem e prepararem o ambiente e o método de trabalho para receberem nossos alunos”, conta.

Maquinário especial

André Luiz Pereira, instrutor de formação profissional II da escola de Itu, conta que os equipamentos da unidade são especialmente adaptados para receber alunos com qualquer tipo de deficiência física.

“As máquinas e a metodologia são preparadas para que os alunos com deficiência possam ter contato com a atividade sem nenhuma perda”, explica. De acordo com Pereira, com esse método, os alunos saem preparados para o mercado de trabalho. “Muitas vezes com a mesma capacidade de uma pessoa sem deficiência”.

Fórmula de sucesso

“A escola tem uma fórmula de sucesso”, conta a aluna Sara Silva, hoje contratada de uma grande empresa de comunicação. “A maioria das pessoas com quem estudei na escola já está empregada ou com o passaporte carimbado para ingressar no mercado”.

Sara, que começou a estudar na escola do Senai-SP de Itu em 2010, quando realizou o curso de assistente de escritório, considera que a mistura entre alunos com deficiência e alunos sem deficiência gera benefício para todos. “Aqui nós passamos a ser incluídos no mercado de trabalho, com conteúdo e competência”, conclui.

Lei de Cotas 

Nesta terça-feira (30/07), a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo, com o apoio de entidades como a Fiesp, vai realizar uma cerimônia para marcar o avanço da inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho. O evento dos 22 anos da Lei de Cotas (a de número 8213/91) enfatiza a data e a importância da inclusão ao promover a acessibilidade, o respeito e a cidadania. Para saber mais, só clicar aqui.