Carolina Godoy apresenta o app ‘Anama’, vencedor da 3ª edição do Hackathon/Fiesp

Fernanda Barreira, Agência Indusnet Fiesp

O que fazer com as comidas que sobram nos restaurantes ou com os alimentos que não são vendidos em feiras e supermercados? Pensando na melhor forma para não desperdiçar esses suprimentos e aumentar a quantidade de doações para quem precisa, o grupo “Anama” criou um aplicativo com o mesmo nome, que foi o grande vencedor na categoria “Inovação para a Sociedade”, durante a terceira edição da maratona de desenvolvimento de aplicativos Hackathon, iniciativa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), por meio do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE), que mobilizou dezenas de participantes nos dias 20 e 21 de setembro, na sede da entidade.

A tecnologia torna viável a doação de alimentos perecíveis. Por meio dela, restaurantes, varejistas, indústrias e produtores podem doar o excedente de mantimentos para organizações não governamentais (ONGs).

Em entrevista ao portal da Fiesp, Carolina Augusta Alves de Godoy, especialista em desenvolvimento de pesquisas e negócios na área de alimentos e bebidas, falou sobre os desafios de trabalhar durante 48 horas no desenvolvimento de um aplicativo que colaborasse de alguma forma para as áreas de segurança, saúde e educação.

 

Carolina Godoy apresenta aplicativo "Anama" que utiliza tecnologia para facilitar a doação de alimentos. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Além dela, outras cinco pessoas integraram a equipe campeã, que foi batizada com o mesmo nome do aplicativo “Anama”: Beatriz Ferreira de Assis, designer gráfica e estudante de Artes Visuais, Homã Alvico, arquiteto, Karina Martins, jornalista, profissional de turismo e estudante de Marketing e Propaganda, e Phelipe Ramos Correa, estudante de Engenharia da Computação.

Carolina foi a responsável por convidar os demais integrantes do grupo. “Fui o ponto de elo entre eles”, disse.

Leia, a seguir, a entrevista na íntegra:

De que modo a Anama tomou conhecimento do Hackathon/Fiesp?

Carolina Godoy – Tomei conhecimento do Hackathon porque acompanho o CJE desde o Festemp, realizado em 2013. Assim, soube das palestras pré-evento, me inscrevi e acabei me interessando por participar. Os demais integrantes foram convidados por mim para formar o time. Para motivá-los, propus que trabalhássemos em um projeto social. Assim, na pior das hipóteses, caso não ganhássemos, conseguiríamos experiência profissional e ainda teríamos feito algo incrível para a sociedade. Na melhor das hipóteses, que foi o que aconteceu, de ganharmos, conseguiríamos também o reconhecimento.

No sábado, quando o 3º Hackathon efetivamente foi aberto, a equipe já tinha em mente desenvolver um aplicativo que torna viável a doação de alimentos perecíveis? Explique o projeto.

Carolina Godoy – Sim, a partir do momento que fui ao primeiro Esquenta dos Gurus pré-Hackathon feito pelo CJE e conheci o trabalho do Manoel Neto, ganhador da 2ª edição do evento, surgiu a vontade de desenvolver alguma proposta para o terceiro setor.

Concluí que conseguiríamos fazer um projeto totalmente novo e executável ao unir tecnologia a favor da doação de alimentos, algo que até então não existia. Assim, o nosso dispositivo consegue monitorar a localização, entrada de luz e peso de cada caixa de alimentos, garantindo que nenhum mantimento seja desviado ou violado, além de monitorar temperatura e umidade garantindo a segurança legal do controle microbiológico do alimento para as empresas doadoras e receptoras.

"Conseguimos incentivar a doação de alimentos não-perecíveis e, principalmente, incentivar e aumentar a doação de alimentos perecíveis", diz Carolina. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Conseguimos atender toda a cadeia de doação de alimentos: criamos um ambiente de doações, garantimos que elas serão entregues ao local de destino sem nenhuma possibilidade de desvio durante a logística e ainda asseguramos legalmente que a empresa doadora não sofrerá problemas jurídicos, pois controlamos a doação desde sua retirada até a sua entrega.

Desta forma, conseguimos incentivar a doação de alimentos não-perecíveis e, principalmente, incentivar e aumentar a doação de alimentos perecíveis. A garantia legal dá-se da seguinte forma: pela legislação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), é necessário fazer uma planilha em que todo o alimento perecível precisa ser monitorado na temperatura, dia, horário e validade. Logo, essa prática é comum a todos os estabelecimentos que mexem com alimentos. Como conseguimos monitorar o alimento durante a logística da doação, caso haja algum problema com alguém que passe mal por consumir este alimento doado, conseguimos provar que o erro se deu na manipulação final (ao cozinhar a comida) e não no ingrediente doado que estava devidamente monitorado e controlado.

Como foi o início do trabalho em equipe? De que modo cada integrante contribuiu para o desenvolvimento da solução?

Carolina Godoy – Estávamos ansiosos para colocar a mão na massa e tornar a ideia viável e executável. Tivemos ótimas sugestões de validação da proposta durante o almoço, em que todos estavam tranquilos comendo e socializando.

Cada integrante foi fundamental para a realização do projeto Anama. O Phelipe ficou responsável por programar os dois dias. O Homã foi responsável pelo slogan. A Beatriz ficou com a confecção do logotipo, os wireframes, a identidade visual do projeto e o vídeo de apresentação. A Karina cuidou das mídias sociais e da publicidade. Eu fui a responsável por achar e fechar parceria com uma empresa de hardware, encontrar uma maneira de monetizar o projeto, definir propostas de valor, atividades, clientes, parceiros, segmento, recursos, ou seja, todo o business plan. Também fiz toda a pesquisa dos dados levantados e apresentados. Fui responsável por fechar parcerias com chefs e universidades. Depois, eu e a Karina ainda passamos a madrugada na rua para validar a ideia com os restaurantes da região.

Quais são os diferenciais da Anama que, no entendimento de vocês, foram decisivos para que o aplicativo fosse eleito o vencedor do 3º Hackathon?

Carolina Godoy – Primeiramente tínhamos dados muito sólidos, visto que eu sou especialista e consegui trazer um problema real para o Hackathon com uma solução factível. Depois foi o desenvolvimento completo da solução, segmentamos corretamente nossa área de atuação, fizemos parcerias, achamos clientes, desenvolvemos atividades importantes para o setor, entregamos propostas reais de valor e achamos o equilíbrio entre custos, recursos e receita. Creio que a chave do sucesso tenha sido uma mistura disso. O diferencial humano foi o espírito leve e complementar da equipe que promoveu um ambiente muito agradável de trabalho.

Os vencedores na categoria Inovação para a Sociedade com o projeto Anama. Integrantes da equipe (da esquerda para a direita): Karina Martins, Carolina Godoy, Beatriz Assis e Phelipe Corrêa. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Para a equipe, qual foi o aprendizado obtido com a experiência de ter participado do Hackathon/Fiesp? Já é possível estimar a importância do evento para a carreira de vocês?

Carolina Godoy – Tivemos aprendizados profissionais, pessoais e emocionais. Lidamos com pessoas, gestão de conflitos e trabalhamos sob pressão. Conhecemos pessoas fabulosas, os mentores eram interessantíssimos e muito competentes em suas áreas. Pudemos aperfeiçoar nossos conhecimentos e ainda colocá-los em prática. Experiência simplesmente sensacional.

O evento serviu para iniciar o nosso projeto social da melhor forma. Com o apoio e renome da Fiesp, conseguimos chamar a atenção de grandes e importantes parceiros, dando o devido destaque à causa que a Anama defende.

Uma vez vencido o 3º Hackathon, quais os próximos passos do grupo com relação a esse projeto?

Carolina Godoy – O próximo passo da Anama é dar continuidade ao projeto. Inclusive, gostaríamos, aqui, de apresentar o novo integrante do projeto Guilherme Henrique Rojas que está contribuindo imensamente com o desenvolvimento da Anama.

Poucos dias se passaram e já conseguimos inúmeras parcerias, inclusive com bancos de alimentos, ONGs, associações e empresas de renome em marketing, publicidade e direito. Esperamos agora, chamar a devida atenção daqueles com grande poder de decisão e assim nos ajudar a promover o projeto e essa causa.

Mais ainda, colocar o projeto para funcionar e poder ajudar a todos aqueles que necessitam de nossos serviços. Poder fazer da sociedade em que vivemos um lugar melhor é sempre enriquecedor.

Qual é a mensagem que vocês têm para outros jovens interessados em participar de uma quarta edição do Hackathon?

Carolina Godoy – Participem! Vale muito a pena. O autoconhecimento e a troca de informações são fantásticos. O networking feito é também incrível. É preciso dar o primeiro passo para conseguir sair do lugar. Eu mesma, li todas as entrevistas dos ganhadores do Hackathon antes de participar, torcendo para que a próxima fosse a minha. E aqui estou.

E para a indústria, qual é a importância de inovar num mundo cada vez mais conectado em que cada vez mais pessoas podem tomar múltiplas decisões ao alcance da palma de mão?

"Foi uma experiência sensacional", garante Carolina Godoy sobre a vitória no Hackathon. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Carolina Godoy – Inovar no mundo atual deixou de ser um diferencial para as empresas e indústrias e passou a ser fundamental para sua sobrevivência. Hoje em dia, empresas existem e deixam de existir na mesma velocidade, o peso da marca nem sempre funciona para o consumidor final quando sua concorrente consegue entregar um produto tecnologicamente melhor e com preço mais competitivo. Assim, para as empresas se adaptarem ao seu mercado é necessário ter um bom P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), ter a qualidade enraizada em todos os departamentos e funcionários, além de ferramentas de criação e inovação aplicadas em todos os setores da empresa. Logo, irão se destacar aqueles que acertarem na inovação não só de um produto ou serviço, mas do modelo de negócios, e maneira da empresa interagir entre si e com o mercado, seus clientes internos e externos.

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