Em análise, Departamento da Construção da Fiesp defende pagamento de obras públicas

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Em meio às incertezas que comprometem o planejamento do setor de construção, o setor privado amarga uma estagnação dos investimentos e a retração de suas atividades. A análise é do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Segundo a equipe do Deconcic, o atraso nos pagamentos de obras públicas por parte do governo é um dos principais responsáveis pela recessão do setor.

“A reversão dessa situação é essencial para que a construção brasileira volte a crescer com o mesmo vigor de anos anteriores. Para isso, é urgente o acerto dos pagamentos atrasados e a criação de um novo ciclo de obras no país, a partir do aumento significativo nos investimentos destinados à infraestrutura econômica e desenvolvimento urbano nos próximos anos”, afirma a equipe de especialistas em nota.

O Deconcic comenta ainda o corte orçamentário anunciado recentemente pelo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. A redução do orçamento deve chegar a R$ 69,9 bilhões, segundo Barbosa, e afeta principalmente o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) e o Programa Minha Casa, Minha Vida, “ambos responsáveis pelo bom desempenho do setor nos últimos anos”.

“O ajuste também não traz boas perspectivas para a construção”, aponta o departamento. O artigo também traz propostas para alavancar o setor, algumas delas apresentadas no 11º Construbusiness, congresso realizado pelo Deconcic em março deste ano.

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Consumo da China ainda é bastante elevado, apesar da perda de competitividade industrial, diz secretário da SAE

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Roger Leal. Foto: Julia Moraes

Roger Leal, secretário-executivo da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Foto: Julia Moraes

Um estudo elaborado pela Universidade de São Paulo (USP) e outras instituições revela que a competitividade da China perde fôlego com o aumento do custo da mão de obra nos últimos anos. Ainda assim, informa o levantamento, o mercado asiático mantém um padrão de consumo bastante elevado.

Na visão do secretário-executivo da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Roger Leal, no entanto, apenas uma análise aprofundada da pesquisa pode mensurar o impacto dessa perda no Brasil.

“Existe uma queda de exportação, mas é óbvio que a China ainda mantém padrões de consumo bastante elevados”, afirmou Leal ao comentar o estudo intitulado Competitividade Industrial Chinesa – Impacto Econômico e Realidade Socioambiental, apresentado nesta terça-feira (18/02) pelo professor da USP, Gilmar Masiero, durante seminário “A Competitividade Industrial Chinesa no Século XXI”, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Ele [o estudo] traz a possibilidade de se perceber nichos de atuação do setor privado brasileiro do ponto de vista da exportação, da atuação conjunta com empresas chinesas no sentido de provê-las em suas cadeias produtivas de bens mercadorias”, completou Leal.

A publicação analisa a competitividade dos setores metal-mecânico, químico e eletroeletrônico chineses e enfatiza os impactos dos custos do trabalho e de preservação ambiental no desempenho das empresas do país.

Conforme o estudo, no período de 2000 a 2010, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da China apresentou variação positiva acima da média mundial. Enquanto o mundo melhorou o IDH em 9% em 10 anos (de 0,570 pontos para 0,624 pontos), a China registrou melhora de 17%, chegando a 0,663 em 2010. Comparando com o Brasil, a China praticamente dobrou o crescimento do índice durante o período.

No que diz respeito a custo com mão de obra, informa ainda a pesquisa, entre 2002 e 2008 o custo do trabalho/hora subiu 140%, para US$1,36. Ainda assim, o valor 23 vezes inferior ao pago pelos Estados Unidos é seis vezes inferior ao pago pelo Brasil.