Momento certo para empreender em Portugal, diz na Fiesp secretária da Indústria

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Portugal tem experimentado notável melhora de sua economia, em parte graças a estímulos ao empreendedorismo que atraem investidores e dão condições de crescimento a startups. Para explicar as políticas públicas e medidas de apoio ao ecossistema empreendedor no país, Ana Teresa Lehmann, secretária de Estado da Indústria de Portugal, fez palestra nesta quinta-feira (10 de maio) na Fiesp.

“Temos a preocupação do fortalecimento do escossistema”, afirmou, e “uma visão aberta”. É o momento certo para se estabelecer em Portugal, assegurou, lembrando o crescimento da economia e das exportações do país nos últimos anos.

“Temos um significativo conjunto de medidas que abrigam as startups”, disse a secretária. São 15 medidas implementadas por diversas entidades do ecossistema empreendedor. Entre seus objetivos estão criar um ecossistema empreendedor em escala nacional, atrair investidores estrangeiros para financiar startups, cofinanciar startups e implementar as medidas do governo de apoio ao empreendedorismo.

Ana Teresa explicou a existência de uma rede nacional de incubadoras, fablabs e makers, as zonas livres tecnológicas (para testar tecnologias do futuro, como veículos autônomos) e o simplex para startups, mecanismo de desburocratização para facilitar a relação de startups com a administração pública em áreas como a criação de empresas e licenciamento.

Há mecanismos para incentivar projetos de empreendedorismo em fase de ideia e para estimular ideias de negócios de alunos recém-formados que foram beneficiados por apoio social.

Startups portuguesas, disse Ana Teresa, participam dos maiores eventos tecnológicos do mundo, e há instrumentos de apoio a isso. E destacou o Web Summit (leia mais sobre ele adiante), realizado em Lisboa em 2016 e 2017 e que terá edição na cidade neste ano também.

Explicou também medidas em desenvolvimento, em três áreas principais, o acesso a talento (com programas de capacitação e vistos facilitados para atração de profissionais), o acesso a smart money (por exemplo com a criação do fundo de fundos) e o acesso a mercados (que inclui iniciativa de compras públicas e o estímulo à aproximação entre startups e grandes empresas).

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Reunião na Fiesp sobre empreendedorismo em Portugal. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A apresentação do ecossistema empreendedor de Portugal e do Web Summit, maior evento de inovação e tecnologia da Europa, ficou a cargo de Inês Santos Silva, adjunta da Secretária de Estado da Indústria. Destacou números do país, como a presença de 3.000 startups abrigadas em 135 incubadoras, além da existência de 20 programas de aceleração. Para financiamento em coinvestimento há 240 milhões de euros, em capital de risco e investimento-anjo.

Destacou o “unicórnio” (startup com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão) Farfetch, do setor do varejo de moda de luxo.

Há vários players no ecossistema, com investidores importantes entre eles. Espalhadas por Portugal, algumas especializadas em ramos específicos, as incubadoras e aceleradoras oferecem infraestrutura completa, afirmou.

Eventos e iniciativas de promoção do empreendedorismo em suas diversas fases integram o ecossistema português. O Web Summit teve 60.000 participantes em 2017, com 1.200 oradores, 1.400 investidores e foi acompanhado por 2.500 jornalistas.

Califórnia europeia

Na abertura do evento, Pierre Ziade, diretor titular adjunto do Departamento da Micro, Pequena, Média Indústria e Acelera Fiesp, lembrou que foi grata surpresa ver durante missão a Portugal em 2017 as condições para empreender e inovar no país, com governo e iniciativa privada integrados. “Portugal é o melhor lugar para se instalar na Europa para quem quiser explorar esse mercado”, afirmou.

Ana Teresa Lehmann disse que o evento é especial entre outros fatores por ser em São Paulo, cidade vibrante, na Fiesp, entidade que ela admira. “Ecossistema empreendedor também engloba os grandes grupos e outros atores”, ressaltou a secretária de Estado.

Thomaz Zanotto, diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex), lembrou de discurso de Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, no fim de semana anterior, sobre as novas tecnologias e Indústria 4.0, com tom otimista a respeito do surgimento de empregos e oportunidades em áreas desconhecidas, destacando que o Brasil precisa sair do atraso em relação a isso. Isso mostra, disse Zanotto, a importância que a indústria paulista dá ao tema.

Em viagem a Portugal Zanotto sentiu em Lisboa ambiente não diferente do que havia em San Francisco três décadas atrás, com condições para a criação de um hub de tecnologia e inovação. Precisa haver, ressaltou, vontade do governo de desenvolver o ecossistema.

Paulo Lourenço, cônsul geral de Portugal em São Paulo, destacou a forma notável como a Fiesp colaborou em eventos de seu país. Portugal é simultaneamente a Califórnia, por seu polo e destino importante de incubação de empreendedorismo para empresas de todos os portes, e Flórida, pelo “pacote de bondades”, por seu custo/benefício em relação a qualidade de vida para quem quer investir.

Um dos desdobramentos desta fase de redescobrimento mútuo entre Brasil e Portugal é o contato entre pequenas e médias empresas de ambos os países, ressaltou Lourenço. Oportunidade de investimento em Portugal de pequenas e médias empresas brasileiras foi ampliada graças à missão do ano anterior, destacou.

Nuno Rebelo de Sousa, presidente da Federação das Câmaras Portuguesas no Brasil, destacou o sucesso da ida ao Web Summit no ano passado de startups e empresários de diversos portes.