Artigo: Empresas e governo atuando em sinergia rumo à Produção e Consumo Sustentáveis

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540212295

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor.

——————————————————————————————————————————————————————————————————-

Por Marlucio Borges e Ana Paula Yoshimochi*

O mundo se encontra em um cenário de grandes mudanças tecnológicas, econômicas, socioambientais. Sendo que a conciliação do crescimento populacional e aumento do consumo, com a escassez de recursos naturais é um dos grandes desafios que se impõe aos governos, indivíduos e empresas.

No decorrer das últimas décadas diversas iniciativas empresariais têm ganhado destaque, demonstrando que as empresas vêm fazendo sua parte. Com a implantação de sistemas de gestão ambiental ou adoção de programas de produção mais limpa, as empresas melhoraram a eficiência de seus processos, produtos e serviços, reduzindo o uso de matérias-primas e insumos (água, energia etc), e seus impactos ambientais.

O governo brasileiro, no exercício de seu papel de fomentar políticas, programas e ações que promovam a produção e o consumo sustentáveis no país, elaborou em 2011 o Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis (PPCS). A iniciativa reflete os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, sobretudo com as diretrizes do Processo de Marrakesh, que foi criado para dar aplicabilidade ao conceito de Produção e Consumo Sustentáveis e promover mudanças verificáveis nos padrões de produção e consumo no mundo.

No processo atual de revisão do Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis (PPCS) e implantação do segundo ciclo do plano, que irá de 2015 a 2018, o setor empresarial tem participado ativamente, atuando em conjunto com o governo na elaboração destas estratégias.

Isto porque as empresas passam a entender que focar a sustentabilidade não somente traz benefícios financeiros como também fortalece o gerenciamento dos diversos riscos aos quais as empresas estão submetidas, e melhora as relações com empregados, consumidores e fornecedores. Ou seja, competitividade e sustentabilidade são condições interdependentes que caminham na mesma direção.

No momento atual, de múltiplas crises e escassez de recursos é fundamental que as empresas se atentem às oportunidades que surgem com a nova economia, entendendo e investindo em negócios que gerem valor com sustentabilidade.

Existem diversos exemplos práticos, que demonstram que as empresas estão caminhando nesta direção e já colhem resultados bastante positivos. Os cases submetidos anualmente ao Prêmio Mérito Ambiental, iniciativa da FIESP que reconhece as boas práticas de sustentabilidade da indústria, são bons exemplos disto.

As práticas apresentadas neste prêmio, ainda que pontuais, destacam uma série de benefícios gerados, como a maior eficiência operacional, a redução de custos, e o maior comprometimento da organização. Em 2014, ano em que o prêmio completou 20 anos, os cases apresentados resultaram em: redução da geração de 13 toneladas de resíduos, 60 mil toneladas de resíduos desviados de aterros, 5 milhões de litros de água reutilizadas e 2,9 milhões de toneladas de CO2 eq evitadas, resultando em ganhos econômicos, ambientais e sociais.

Outras empresas vão além e, ao vislumbrarem estas novas oportunidades, buscam integrar a sustentabilidade em suas estratégias. Um exemplo bastante emblemático é o da empresa General Eletrics, cuja linha de produtos Ecomagination – produtos ecoeficientes que tem como proposta ajudar seus clientes a economizarem bilhões de dólares e reduzirem seus impactos ambientais – se tornou uma das iniciativas comerciais mais bem sucedidas da empresa, com faturamento de mais US$ 100 bilhões desde 2005.

Embora os benefícios sejam evidentes, internalizar a sustentabilidade na gestão estratégica dos negócios não é uma tarefa simples, principalmente para as pequenas e médias empresas, que correspondem a grande maioria das empresas do país. Daí, a importância da atuação conjunta e sinérgica entre governo e setor empresarial, visando ao envolvimento de agentes e setores estratégicos e à implementação das condições e incentivos necessários para que essas empresas possam avançar a patamares mais sustentáveis e competitivos de atuação.

* Marlucio Borges é diretor adjunto do Departamento de Meio Ambiente da FIESP e Ana Paula Yoshimochi é analista sênior do Departamento de Meio Ambiente da FIESP