Uma expedição ao lado de Amyr Klink no InteligênciaPontoCom

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

É impossível não viajar um pouco com ele. Basta ouvir o empresário, navegador, escritor e palestrante Amyr Klink falar da Antártica para se sentir um pouco no continente gelado. Foi o que aconteceu, na noite desta terça-feira (10/12), com os participantes do InteligênciaPontoCom, projeto de debates promovido pelo Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) todos os meses em sua sede, na Avenida Paulista, em São Paulo. Em sua apresentação, a mais concorrida do ano pelo Inteligência, no Teatro do Sesi-SP, Klink falou sobre navegação, barcos, magnetismo e até paixão pelo trabalho.

Amyr já realizou cinco grandes expedições pelo mundo e cada uma delas deu origem a um livro sobre as conquistas e dificuldades por ele enfrentadas. Em sua viagem mais famosa navegou, sozinho, aos dois círculos polares da Terra em uma jornada que durou 642 dias, com 50 mil quilômetros percorridos. A saga foi contada na obra “Paratii – Entre dois polos”.

“Eu descobri a Antártica pelos livros, tenho muito respeito pelos livros”, disse.

Klink no Teatro do Sesi-SP: apresentação foi a que atraiu mais público no ano no InteligênciaPontoCom. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Klink: apresentação foi a que atraiu mais público no ano no InteligênciaPontoCom. Foto: Beto Moussalli/Fiesp


Para o navegador mais famoso do Brasil, cada chegada ao destino é sempre um “momento muito especial”. “É uma sensação de encantamento e alívio saber que os meses de planejamento, dúvidas e medos ficaram para trás”, explicou. “A Antártica tem um magnetismo sobre quem vai para lá: você pode ir muitas vezes, em várias épocas do ano, sempre vai ser diferente”.

Segundo Klink, a Antártica é “um lugar destinado à paz e à ciência”. “Sempre que vou para lá com as minhas filhas, luto pela paz pedindo para elas brigarem menos”, brincou.

Uma diarista para ajudar

Para quem acha que sobra tempo nas jornadas pelo mar, tempo ocioso, ele explica que não faltam atividades para preencher o dia, como cuidar do barco e de si próprio, preparando as três refeições, por exemplo. “Cheguei a pensar que queria uma diarista para me ajudar”, brincou.

O barco Paratii 2, companheiro nessas expedições, com autonomia de dois anos, foi citado com todo o carinho. “O Paratii 2 levou muitos anos para ser feito, tem soluções muito ousadas e é extremamente simples por outro lado”, afirmou. “Foi feito com o conhecimento de quem depende do mar para sobreviver”.

Ainda sobre o tema barcos, Klink destacou que o Brasil tem a “maior diversidade de tipos de embarcações regionais”. “Por isso fizemos o Museu Nacional do Mar, em São Francisco do Sul, Santa Catarina”, disse. “Procuramos mostrar a genialidade que há por trás de estruturas aparentemente simples, como uma jangada da Paraíba com dois mastros ou os saveiros do recôncavo baiano, por exemplo”.

Nessa linha, para o viajante, tecnologia “não é um mundo cintilante de coisinhas eletrônicas, mas a capacidade de usar o conhecimento disponível”. “Praticamente para todo o problema que a gente propor tem uma solução, existe um desafio de superação importante para nós hoje”, disse.

Até o último fio de cabelo 

O saldo de tantas viagens? “Construí um currículo do qual me orgulho bastante”, contou. “Nunca cheguei arrebentado no final de uma viagem e isso é fruto desse empenho que a gente tem, de se envolver até o último fio de cabelo”.

Esse envolvimento, para ele, é fundamental para ter sucesso em qualquer carreira.  “O envolvimento emocional com o trabalho é muito importante”, explicou. “Essa é a escolha mais importante que um jovem tem que fazer: trabalhar com aquilo que ama”.

InteligenciaPontoCom promove bate-papo com Amyr Klink

Agência Indusnet Fiesp

Nesta terça-feira (10/12) o InteligênciaPontoCom recebe o empresário, navegador, escritor e palestrante Amyr Klink. Ele falará sobre a diferença entre aventura e planejamento minucioso e entre voluntariedade e consciência crítica diante de tarefas corriqueiras ou cruciais para o sucesso de um empreendimento.

Amyr já realizou cinco grandes expedições pelo mundo e cada uma delas deu origem a um livro que eterniza as conquistas e dificuldades enfrentadas por ele. Na sua viagem mais famosa navegou, sozinho, aos dois círculos polares da Terra em uma viagem que durou 642 dias, percorreu 50 mil quilômetros e é contada na obra Paratii entre dois polos.

Durante o bate-papo no Centro Cultural da Federação das Indústrias do estado de São Paulo (Fiesp), Amyr Klink deve contar algumas de suas experiências e mostrar como é possível concretizas ideias ao invés de sonhar com o impossível, como se pode construir um barco capaz de realizas as maiores travessias e sustentar a vida em ambientes hostis e inóspitos.

Os ingressos para o evento podem ser reservados com antecedência pelo site www.sesisp.org.br/meu-sesi e também será transmitido ao vivo pela internet no www.fiesp.com.br/online.

Serviço

InteligênciaPontoCom – Amyr Klink
Data: 10 de dezembro, terça-feira
Horário: 20h
Local: Espaço Mezanino (Avenida Paulista, 1313, em frente ao metrô Trianon-Masp)
Entrada gratuita


Empresas precisam se adaptar às novas regras do mercado para sobreviver, diz especialista

A adaptação das empresas às novas condições de mercado, cada vez mais direcionadas para a sustentabilidade dos negócios, foi o tema principal do VI Encontro Estadual de Jovens Empreendedores do Ciesp, que reuniu mais de 450 empresários nesta quarta-feira (19) na regional de Jundiaí.

Para Marcos Andrade, diretor-titular do Núcleo de Jovens Empreendedores (NJE) da entidade, a teoria da evolução de Charles Darwin pode ser facilmente aplicada à condição de sobrevivência das empresas em um mercado competitivo, em que os produtos ambiental e socialmente responsáveis ganham mais espaço entre os consumidores.

“Os dinossauros não se adaptaram à nova condição da Terra e acabaram extintos. Da mesma forma, as empresas que não se adaptarem à nova condição de mercado estarão fora dele”, comparou o diretor. “Melhor é procurar a mudança do que ser forçado a mudar. Acho que essa é a grande mensagem desse encontro”, sublinhou.

Andrade fez um paralelo com a crise financeira que aterrisou em solo brasileiro em setembro do ano passado, e explicou por que a tarefa do empreendedor deve sempre estar ligada à inovação, tema do encontro anual do NJE.

“Essa crise, que ninguém podia prever, mudou todo o planejamento. Mesmo assim, as empresas mais flexíveis e que trabalham a inovação talvez tenham condições de se adaptar mais facilmente, procurando novas formas de fazer negócio que viabilizem sua competitividade”, reforçou.


Exemplo empreendedor
O navegador Amyr Klink, que tem 25 anos de experiência em viagens pela Antártica, falou sobre inovação e criatividade ao público de jovens lideranças no Ciesp. Klink customiza a construção de barcos com matéria-prima especial, em seu estaleiro em Itapevi, interior de São Paulo. Ele aboliu, por exemplo, o uso da madeira, e estuda a utilização de substitutos como eucalipto e bambu, ainda em pequena escala.

“A pressão constante do custo e do cliente são muito saudáveis. Mas o empresário não pode se obrigar a inovar pura e simplesmente. Deve pensar em ser mais eficiente, sem colocar em risco o seu negócio”, sublinhou o navegador.

Para Klink, se o empresário brasileiro começar a usar seu diferencial de criatividade e agilidade para pensar o futuro de maneira estratégica, o Brasil vai dar um salto tecnológico muito grande. “Temos enorme capacidade de sobrevivência, superação de obstáculos e de falhas estruturais do país. Esse é o grande mérito do empreendedor brasileiro”, considerou.


Inovação… apesar da crise
Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, fez o encerramento do encontro do NJE e passou confiança aos jovens que pensam em abrir ou acabaram de montar seu negócio. O dirigente aposta em um novo ciclo de crescimento após a crise.

“Não tenho dúvida de que aquele que montar o seu negócio com criatividade, buscando sempre a inovação, com responsabilidade e equilíbrio, dando os passos conforme suas próprias pernas, vai ter sucesso. Até porque as crises são passageiras”, apontou Skaf. “As palavras-chave são inovação, tecnologia, educação e infraestrutura. Precisamos caminhar para essas direções, para que possamos reposicionar o Brasil no mercado global”.

Skaf destacou a perda de 500 mil postos de trabalho na indústria brasileira de outubro passado a março deste ano, a principal atividade atingida pela crise financeira, mas está confiante na recuperação do setor.

“Pelas sondagens que temos feito, sentimos que as pessoas estão mais otimistas. Há sinais positivos para a indústria”, afirmou, sem desconsiderar que uma retomada efetiva de produção e geração de emprego depende do mercado global.

“O Brasil não é uma ilha, cerca de 20% da produção nacional é exportada. Se os principais mercados continuarem retraídos, isso vai acabar nos afetando. Mas quero crer numa melhora constante daqui para frente, mesmo que seja lenta”, ponderou.

Apesar da fatia destinada à exportação, 80% da produção brasileira é voltada ao mercado interno. Nesse sentido, Skaf insistiu no aumento de crédito, juros mais baixos e desoneração tributária para reativar os setores produtivos – esta última medida, responsável pelo crescimento de 40% na venda de automóveis este ano, com a redução do IPI.

“O interesse excessivo pelo lucro nos faz esquecer outras prioridades”, diz Amyr Klink

Agência Indusnet Fiesp

Em 1984, quando decidiu realizar sua primeira travessia pelo Atlântico Sul a remo, Amyr Klink ainda não sabia o quanto significaria aquela viagem. Sozinho num barco construído por ele mesmo, Klink descobriu que ao concluir o percurso ficaria mais feliz com seu término do que com a própria experiência.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540252262

Da esq. para dir: Kleber de Paula, Amyr klink e Sylvio Gomide

“Descobri que o grande legado dessa experiência não era o sucesso, mas sim, a sucessão de erros que havia estudado antes de iniciá-la”, reconheceu o navegador a cerca de 150 jovens empreendedores presentes à reunião mensal do CJE da Fiesp, nesta quarta-feira (29), na sede da entidade.

O navegador atribui sua trajetória ao sucesso conquistado. “Não adianta ser um excelente gestor. Tem que conhecer o processo por completo”, disse.

Klink apontou a ambição pelo lucro dos empreendedores como principal responsável pelo fracasso de projetos desafiadores e inéditos: “Eu sei que a maioria de vocês não concorda, mas eu questiono muito o excesso de preocupação pelo lucro acima dos objetivos de se criar algo de risco”.

O navegador contou que foi muito criticado quando decidiu montar um estaleiro em Itapevi, no interior de São Paulo, a 140 km do mar. Mesmo assim, insistiu num sonho que o levaria à construção de “um barco de baixo custo, com melhor desenvolvimento tecnológico e máxima confiabilidade”.


Força tarefa

Segundo ele, o fato de não abrir mão do seu objetivo nas dificuldades foi o que garantiria a subsistência futura do seu negócio. “Quando terminamos nossos primeiros barcos, tínhamos uma qualidade de trabalho que a França não tinha”, ressaltou.Ao perceber que teria um grande obstáculo, como a falta de mão de obra, Klink montou uma escola para capacitação profissional de soldadores na região. “Foi um processo difícil e demorado, mas dez anos depois a gente tinha um dos melhores corpos de soldadores do mundo, conhecidos na Austrália, nos lugares de excelência em soldagem de alumínio”, explicou.

“Os soldadores naquele país terminam seu expediente mais cedo, enquanto os nossos, moradores de rua, da favela, idosos, alcoólatras, veem nele uma chance de mudar de vida”, concluiu.

Formação

Amyr Klink é economista e administrador, formado pela USP. Com diversas travessias pela Antártica, algumas solitárias, é autor dos livros “Cem Dias entre Céu e Mar”, “Paratii Entre Dois Polos”, “As Janelas do Paratii”, “Mar Sem Fim” e “Linha D’Água”.