Não há como fugir dos ciberataques, diz israelense especialista em segurança

Bernadete de Aquino, Agência Indusnet Fiesp

Como combater os silenciosos e anônimos ataques cibernéticos, atraídos pela vulnerabilidade de produtos como celulares, tablets, geladeiras e até o marcapasso ou automóvel inteligente? De acordo com o ex-diretor da Autoridade Nacional de Segurança Cibernética de Israel, Erez Kreiner, no caso de ciberataques não há para onde fugir ou se esconder. “Um vírus pode entrar nos lugares mais defendidos, se as medidas corretas não forem tomadas, como treinamento para uso de ferramentas adequadas para evitar o ataque.”

O executivo abordou o tema durante a palestra “Para o Sucesso do Negócio, a Melhor Defesa é … Defesa”, ministrada, nesta quarta-feira (21/9), na sede da Fiesp.

Para demonstrar o quanto ainda há de vulnerabilidade tecnológica em todo o mundo, que permite ciberataques e muitos danos, Kreiner lembra de casos como o do aeroporto de Varsóvia, que em 2015, depois de um ataque cibernético, ficou fechado por cerca de cinco horas e afetou mais de 1.400 passageiros.

O especialista também citou a Sony Pictures Entertainment, vítima de uma grande invasão cibernética há dois anos, com o vazamento de dados de bastidores do filme The Interview, que retrata fictícia entrevista com o ditador norte-coreano Kim Jong-un. “Os hackers estavam dentro da Sony muitos anos antes do ataque, O prejuízo para a empresa foi de US$ 500 milhões”, explica.

Para Kreiner, o exemplo demonstra que as empresas geram muitas informações diariamente, com brechas que permitem ameaças cibernéticas. “A melhor prevenção é fazer uma análise correta para a proteção adequada.”

Questionado sobre a pouca eficiência na caça a terroristas, mesmo com tanta tecnologia moderna, Kreiner respondeu com tranquilidade. “Mesmo que 95% dos ataques cibernéticos sejam detectados, não encontramos 95% dos criminosos responsáveis por eles. É difícil rastreá-los”, afirmou. E acrescentou: “se combinarmos a flexibilidade de um [Israel] e a força do outro [Brasil], podemos conseguir avançar”, conclui.

Fragilidade cibernética

Diretor do Departamento de Segurança da Fiesp (Deseg), Rony Vainzof abriu o evento destacando que a grande vulnerabilidade dos atuais softwares e hardwares, além do desconhecimento das pessoas que utilizam rotineiramente a tecnologia sem saber da fragilidade, aumenta a possibilidade de ameaças cibernéticas.

Para exemplificar, Vainzof lembra que nos Jogos Olímpicos o número de tentativas de ataques cibernéticos no país duplicou, segundo dados do Mapa de Ameaças Digitais desenvolvido pela empresa de segurança digital PSafe.

O diretor da Fiesp cita pesquisa de empresa norte-americana, divulgada em agosto de 2015, que aponta o Brasil como o terceiro país no mundo em realização de ataques cibernéticos. Daqui são feitos 11% dos ciberataques, apenas atrás dos Estados Unidos, com 15%, e da China, com impressionantes 51%. O Brasil também está entre os maiores alvos destes ciberataques recebendo 7% das ameaças do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, que recebem 81% destes ciberataques.

De acordo com Vainzof, “Security by design”, o desenvolvimento de hardwares e softwares com a segurança aplicada, é um novo conceito que já vem sendo discutido em todo o mundo, que traria a proteção ao usuário, desde a fabricação do produto. “Ainda há polêmica sobre isto, mas seria uma excelente ferramenta para minimizar os estragos dos ciberataques”, finaliza.

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Erez Kreiner, especialista em segurança cibernética, fez palestra na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp