Fiesp debate possibilidades de Logística Reversa de embalagens e apresenta projeto-piloto

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O nível de coleta de resíduos sólidos urbanos, no Brasil, alcança 90% de cobertura, taxa de um país desenvolvido, mas somente 3% do total são triados por via formalizada, de modo manual, custosa e sem escala. Ou seja, há um mercado da ordem de 97% que não retorna à cadeia produtiva e se traduz em oportunidade de negócios, como enfatizou Mario Hirose (diretor titular adjunto do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp e do Ciesp). Esses dados foram debatidos em workshop do setor de alimentos e bebidas – Logística Reversa de Embalagens, ocorrido na Fiesp, em 13/12.

Por este motivo, encontra-se em desenvolvimento modelagem de Logística Reversa que considera ação conjunta entre a indústria e os operadores de sistemas de gerenciamento de resíduos sólidos, visando à adequação às regulamentações federal e estadual, com responsabilidade socioambiental.

O objetivo é fazer uso de tecnologia, transparência e escala a fim de reduzir o custo sistêmico da Logística Reversa de embalagens descartadas. A modelagem deste projeto-piloto está sendo conduzido pelo Departamento de Meio Ambiente (DMA) e pelo Departamento de Agronegócio (Deagro) da Fiesp.

Para Rogério Ignácio Betancourt (diretor adjunto do Departamento de Agronegócio da Fiemsp e presidente do Sindirações), “o agronegócio é líder global, e a sustentabilidade é uma das prioridades”. Segundo informou, o setor exporta para mais de 15 países, e a imagem está associada à sustentabilidade e, nesse sentido, a destinação de embalagens e a logística são fundamentais. “Já demos um grande passo em relação à destinação adequada [das embalagens] dos defensivos agrícolas, mas queremos todo o setor dentro do marco de legalidade”, mediante alternativa racional e viável em função do momento de maturidade, afirmou o diretor.

Eduardo Trani (secretário adjunto da Secretaria de Meio Ambiente-SMA do Estado de São Paulo) frisou que o Plano Estadual de Resíduos Sólidos, de 2014, merece ser revisto. Ele avaliou que São Paulo se contrapõe ao restante do país. “O grande problema é avançar na normatização e legislação diante do pouco espaço para soluções de performance, na prática, e aqui se inaugura um Projeto-Piloto de grande perspectiva. Nós fizemos 14 Termos de Compromisso com diversos setores da indústria e já revimos 7 deles”, disse, ao avaliar que o Projeto-Piloto pode ser uma saída e ter bons resultados.

Esse projeto contará com um Portal de Economia Circular que centralizará informações e será instrumento de fácil consulta, além de um instrumento de comunicação sobre empresas recicladoras e de tratamento no Estado de São Paulo, sistemas implementados de Logística Reversa, Bolsa de Resíduos da Fiesp e trazer cases de sucesso. Há termo de cooperação firmado com a SMA e a Cetesb para a realização conjunta de projetos, nesse sentido, e a adesão de quinze sindicatos ao Projeto-Piloto, além do interesse manifesto por outras entidades.

Ricardo Lopes Garcia (especialista em meio ambiente da Fiesp e do Ciesp) fez a apresentação do Projeto-Piloto com a devida contextualização da Logística Reversa no Brasil e no Estado. Garcia realizou uma retrospectiva desde a Lei 12.305/2010 de Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS), que envolve fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e consumidores, além dos instrumentos para implementação de LR, tais como Termos de Compromisso e Regulamentos. Tratou dos Fóruns Interministeriais e dos Acordos setoriais, de embalagens diversas, lâmpadas fluorescentes, embalagens de óleos lubrificantes e seus resíduos. Também explanou sobre a Deliberação CORI n. 11/2017, que disciplina a implementação dos sistemas de LR, mais o Decreto n. 9.177/2017, que regulamenta o Artigo 33 da Lei 12.305, que institui a PNRS, e, ainda, Resoluções Conama e Leis que afetam os setores.

Garcia lembrou que alguns Estados, como Paraná e São Paulo, têm suas próprias políticas de implementação de LR, como a Resolução SMA 45/2013 para o Estado de São Paulo.

Em termos de embalagens, permanecem válidos os Termos de Compromisso para embalagens plásticas, metálicas e de vidro, que após o consumo são consideradas resíduos de significativo impacto: agrotóxicos, óleo lubrificante, saneantes e desinfetantes de uso industrial; produtos de higiene pessoal, perfumaria, cosméticos, de limpeza e afins; alimentos e bebidas [este em fase de negociação].

Workshop Logística Reversa de Embalagens, realizado por Fiesp e Ciesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

O objetivo principal do Projeto-Piloto é obter solução conjunta da indústria e do setor da reciclagem para a adequação às regulamentações estaduais com responsabilidade socioambiental. Nesse sentido, incentivo à utilização de tecnologia, transparência e escala para diminuir o custo sistêmico.

O seu fluxo envolve fornecedor de matéria-prima virgem; fabricantes/importadores de embalagens; fabricantes/importadores de produtos; distribuidores ou comerciantes; consumidor final, além do setor público. E a expectativa é que beneficie a todos, mas, de modo geral, as micro e pequenas empresas.

Nesse sentido já foram firmadas parcerias com a Secretaria do Meio Ambiente, Cetesb, RCR Ambiental, Abrelpe, Eppo Cidades Inteligentes, CSO Ambiental de Salto e New Hope Ecotech. Outras parcerias estão em estágio de negociação, todas com objetivo de assinatura de Termo de Compromisso do setor de alimentos e bebidas.

Para Fábio Sato (diretor de novos negócios da New Hope Ecotech Negócios Sociais e Gestão Empresarial), o modelo proposto tem como benefícios proporcionar conformidade legal, transparência, inclusão, menor custo e geração de créditos, além de investimentos proporcionais.

“Trata-se de um canal de colaboração confiável”, disse, lembrando que ao longo do seu desenvolvimento outros atores podem integrar-se ao projeto, aumentando o uso de materiais reciclados. Ele explicou que isto já ocorre na Europa e lá a certificação é obrigatória, bem como a compensação. O Reino Unido já conta, por exemplo, com bolsa de crédito.

Em sua opinião, a geração de resíduos sólidos continuará aumentando com o crescimento da economia e do país e o mercado depende dos preços dos materiais.

A certificação teria como vantagens: homologação dos participantes; desenvolvimento e manutenção da plataforma on-line, além de treinamento e suporte, adequação à lei, formalização e profissionalização da cadeia. E, ainda, facilitaria a fiscalização em função dos dados confiáveis, pela rastreabilidade das notas fiscais de venda de materiais, gerando credibilidade, repasse para remuneração do sistema, além de promover a inteligência de mercado.

Ainda segundo Sato, há um risco menor na adoção do sistema, pois já é um modelo implementado na Europa e operacional no Brasil. Outro aspecto apontado é a isonomia uma vez que podem se integrar ao sistema a cadeia de fabricantes de outros Estados da Federação, bem como importadores, distribuidores e comerciantes.

Raízen Energia vence 12ª edição do Prêmio de Conservação e Reúso de Água, da Fiesp

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O Prêmio Fiesp Conservação e Reúso de Água, em sua 12ª edição, teve como vencedora na categoria Médio e Grande Porte a Raízen Energia, de Piracicaba, do agronegócio. Na categoria Micro e Pequeno Porte, a vencedora foi o Laboratório Veterinário Homeopático Fauna & Flora Arenales, de Presidente Prudente, com o projeto Reúso de água dos destiladores. O resultado foi anunciado nesta terça-feira (21 de março), na sede da Fiesp, durante o seminário Mudança do clima e segurança hídrica: Reflexos e impactos para a sociedade.

O prêmio homenageia as empresas que adotam medidas efetivas na redução do consumo e do desperdício de água.

Nelson Pereira dos Reis, diretor titular do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp (DMA), destacou que o compartilhamento das boas práticas das empresas é um grande objetivo do prêmio. Observamos ao longo do tempo que muitas delas são aproveitadas por outras empresas, afirmou.

A escolha dos vencedores, lembrou Reis, é feita por uma comissão independente, sem participação da Fiesp. Wanderley Paganini, da comissão julgadora, disse que o prêmio representa a ida ao chão da fábrica, ir da teoria à prática. “A sociedade ganha”, afirmou.

No total, foram inscritos 36 projetos industriais, sendo 31 de empresas de médio e grande porte e 5 de micro e pequeno porte, com investimentos da ordem de R$ 62 milhões e mais de 23,5 milhões de m³/ano. Com o prêmio, divulgam-se iniciativas das indústrias que apostam na redução do consumo e desperdício de água, o que leva a benefícios ambientais, econômicos e sociais, além de competitividade.

Nas 12 edições do prêmio, houve 234 projetos inscritos e 191 empresas participantes, o que gerou uma economia de cerca de 125 milhões de m3 de água por ano, em média. O resultado ocorreu graças a investimento de mais de R$ 580 milhões.

A Raízen Energia criou, para o início da safra 2015/16, o Programa ReduSa (REDução do Uso da Água). O investimento na área ambiental é anterior, com cerca de R$ 50 milhões em cinco anos destinados a ações para redução de captação/consumo, tais como fechamento de circuitos de água (fabricação de açúcar, resfriamento da fermentação e condensação de etanol, entre outros), instalações de torres de resfriamento, aproveitamento de condensado de vapor (água gerada no processo) em etapas do processo produtivo (filtro de torta, fermentação, embebição e instalação de limpeza de cana a seco), deixando de consumir água nesses processos com o devido aproveitamento do condensado gerado. Com foco em fontes externas (superficiais e profundas), os números obtidos nos dois primeiros anos de implantação do programa foram:

  • Redução de mais de 8 bilhões de litros em captação, equivalente ao consumo anual de uma cidade de 135 mil habitantes.
  • Redução de custo em cerca de R$ 13 milhões.
  • 26 mil funcionários impactados.

A empresa tem como foco reusar 100% do volume de água de cana-de-açúcar, evitando a captação de 0,7m3 por tonelada de cana, representando 46% de reúso frente à demanda de captação total. E também em retornar os condensados para as caldeiras, reutilizando 90% de volume total do valor gerado da Raízen.

Para José Orlando Ferreira, gerente de qualidade integrada da Raízen, “é um orgulho receber esse prêmio de uma entidade da importância da Fiesp e é o primeiro prêmio conquistado pela empresa na área de gestão hídrica. É a concretização de um trabalho fantástico que é o programa Reusa, que vem sendo cada vez mais estruturado. A sustentabilidade está no DNA da Raízen e na prática diária de seus 30 mil funcionários”.

Trata-se de uma qualidade essencial para uma empresa jovem, com cinco anos de vida. Apesar de o projeto Reusa ter sido desencadeado em todas as unidades, as que obtiveram melhor resultado, sendo inscritas no Prêmio, foram as plantas Gasa (Andradina) e da Serra (Ibaté), que já são benchmark dentro do próprio setor sucroenergético.

Com foco significativo em gestão e operação, obteve-se a motivação de funcionários e a devida otimização de ações voltadas à conservação e reúso de água com baixo nível de investimento, mas alto impacto em redução, captação e geração de efluentes. Em sua estratégia, ações de comunicação interna, além do treinamento para capacitação de equipes e de multiplicadores no time corporativo, resultando em um engajamento completo.

Ainda receberam menção honrosa as seguintes empresas na categoria Médio e Grande Porte:

Companhia Brasileira de Alumínio (Votorantim) (Alumínio) – do setor de metalurgia, com o projeto Gota d’água – conscientização e estratégias de gestão para redução do consumo específico de água.

Voith Paper Máquinas e Equipamentos – metal-mecânica (Jaraguá), com o projeto Iniciativas para economia de água.

Novelis do Brasil – metalurgia do alumínio e suas ligas (Pindamonhangaba) com Estratégia para conservação de recursos hídricos: otimização de processos industriais e melhorias de gestão para redução do consumo específico de água.

Libbs Farmacêutica – do setor farmacêutico (Embu), apresentou Reúso de água descartada.

Raízen Energia venceu o Prêmio Fiesp Conservação e Reúso de Água. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Raízen Energia venceu o Prêmio Fiesp Conservação e Reúso de Água. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Micro e pequenas

Na categoria Micro e Pequeno Porte, a vencedora, Laboratório Veterinário Homeopático Fauna & Flora Arenales com o projeto Reúso de água dos destiladores (Presidente Prudente). Em janeiro de 2016 foi implementado o sistema de reúso de água dos destiladores. Há dois deles que captam água corrente para produzir água destilada no setor onde são esterilizados os materiais utilizados. Por meio de um sistema de reutilização, o equipamento que necessita de 60 litros de água encanada para gerar um litro de água destilada, são reaproveitados 59 litros do líquido que agora é usado nas descargas. Com essa adaptação criativa, são aproveitados por mês cerca de 4.000 litros de água.

“Nós nunca poluímos”, frase de impacto, é de Maria do Carmo Arenales, diretora do Laboratório Veterinário Homeopático Fauna e Flora Arenales. Médica veterinária e agrônoma, foi surpreendida pela primeira colocação entre as micro e pequenas e agradeceu “as mentes que trabalham conosco”, dizendo ser “visceral essa conquista”. Em Presidente Prudente, base da empresa, “não há crise de água e energia, mas paga-se mais pelo líquido. O que temos é uma visão de futuro. A gente já fazia esse trabalho, não contamina, não polui, já abrimos a empresa assim. Trabalhamos de forma sustentável, contabilizando tudo dentro do laboratório, levando para o homem do campo a economia e o custo-benefício que se obtém e uma proposta de trabalho com valores que têm benefício reverso na balança”, afirmou.

De acordo com Arenales, dentro do laboratório se mensura o consumo de energia elétrica, e sua oscilação entre inverno e verão, e há a economia e reaproveitamento de água pluvial e de destiladores, especialmente para uso em sanitários, com investimento mínimo, uma bomba e uma caixa de água, além de encanamento apropriado, segundo explicou a diretora da empresa, que conta com 40 funcionários. Em Presidente Prudente, o fornecimento de água e energia elétrica tem valores mais elevados em comparação com a capital.

Ao reforçar que a quantidade de água utilizada na planta é insignificante, lembrou a importância da aferição na cadeia produtiva, mesmo em um produto de baixo impacto ambiental. “Nós nascemos para retirar o veneno do planeta”, enfatizou, e explicou que há um esforço na promoção de palestras contínuas para conscientização. Além de já ter obtido o selo verde da secretaria de meio ambiente e o Prêmio Sesi Qualidade no Trabalho (PSQT) na categoria de educação continuada, o laboratório realiza trabalhos junto ao Sesi-SP.

Ainda receberam menção honrosa as seguintes empresas na categoria Micro e Pequeno Porte:

FCL Serviços Automotivos – lavagem de veículos (capital), e seu projeto ecoLavapor – a verdadeira estética automotiva sustentável. Em 2015, o projeto ficou entre os 18 melhores Projetos Sustentáveis do prêmio Acelera Startup, da Fiesp.

Planeta Legal – lavagem a seco de frotas (capital) com a autolavagem ecológica sistema água zero delivery.

>> Ouça boletim sobre o Prêmio

Em preparação para a COP21, Fiesp lança hotsite sobre mudança do clima

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) conta a partir de agora com um site específico voltado às questões climáticas e à atuação do Comitê de Mudança do Clima da entidade, atuante desde 2009.

A exemplo de anos anteriores, a Fiesp contará com equipe técnica que acompanhará a delegação brasileira à COP21, atenta aos debates globais e seus desdobramentos. A COP21 será realizada de 30 de novembro a 11 de dezembro em Paris.

Saiba mais sobre o trabalho desenvolvido pelo setor industrial: www.fiesp.com.br/clima-em-debate.

Conheça o histórico da atuação da Fiesp nas questões climáticas

A Fiesp conta com forte agenda ambiental, impulsionada especialmente a partir da Conferência de Estocolmo, realizada em Estocolmo, na Suécia, em 1972, quando foi feita a Declaração Universal do Meio Ambiente.

Em 1973, criou-se uma comissão de meio ambiente na entidade e que resultou no Departamento de Meio Ambiente (DMA) com o objetivo de compreender as questões ambientais e seus reflexos no setor industrial sob os princípios da sustentabilidade.

Em 2009, realizou-se a Conferência do Clima da ONU em Copenhague, na Dinamarca, a COP15. A Fiesp entendeu que era importante adotar estratégia de posicionamento sobre o assunto Mudança do Clima, internalizando ainda mais as discussões ambientais, e criando um Comitê de Mudança do Clima. Em outubro daquele ano foi lançado, em evento, o documento de posicionamento da casa, Mudanças Climáticas: o valor das convergências, com a presença do ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore. A Fiesp enviou à COP15 uma comitiva de técnicos e diretores do Comitê de Mudança do Clima e, desde então, tem participado de todas as Conferências globais.

O ano de 2012 trouxe um novo marco nos debates ambientais para o setor industrial. Após 20 anos da primeira reunião de chefes de Estado no Rio de Janeiro (a Rio92), o governo brasileiro e a ONU promoveram a Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. O objetivo foi renovar o compromisso político com o desenvolvimento sustentável e contou com dois eixos temáticos: a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza e a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável.

A Fiesp e a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) se juntaram à Fundação Roberto Marinho e à Prefeitura do Rio para empreender uma iniciativa que foi o principal destaque dos eventos paralelos à conferência, o Humanidade2012. Projeto concebido pela cenógrafa Bia Lessa e pela arquiteta Carla Juaçaba, o pavilhão montado sob o Forte de Copacabana foi a grande atração e por lá passaram mais de 200 mil pessoas durante onze dias de evento. O Humanidade2012 recebeu debates sobre gestão compartilhada de praias, governança das águas, mudança do clima, produção e consumo sustentável e equidade de gênero. Nesse evento, a entidade divulgou seu posicionamento para a COP18, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), chamado de “A Desigualdade é Insustentável”.

Ao longo de 2015, a Fiesp participou das reuniões intermediárias que ocorreram em Bonn, na Alemanha, onde construíram-se as bases da negociação que ocorrerá na 21a Conferência sobre Mudança do Clima da Organização das Nações Unidas (COP21), em Paris, na França, de 30 de novembro a 11 de dezembro. Além disso, tem promovido encontros e debates sobre o tema, com renomadas instituições ligadas a sustentabilidade.

Questões ambientais levam à judicialização de conflitos e à insegurança jurídica

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O meio ambiente está sendo remediado, esta foi a tônica dada por Édis Milaré, especialista em Direito Ambiental, ao abrir na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) debate sobre crise hídrica, nesta terça-feira, 4, ao lembrar que não são só os fenômenos que levam à escassez, mas especialmente a ação humana. O tema torna-se mais abrangente ao envolver desenvolvimento, gestão adequada e uso racional dos recursos naturais. “Há um rompimento da capacidade de suporte do planeta. Se persistir a demanda atual, serão necessários dois planetas”, segundo o palestrante.

Em sua apresentação, Milaré enfatizou dois indicadores. O relatório Planeta Vivo 2010 (WWF e PNUD-Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) indica que hoje os 7,2 bilhões de habitantes consomem 30% acima da capacidade da Terra. Pelos cálculos, cada um teria direito a usar 2,1 hectares. Hoje são usados 2,7, mas a média dos Estados Unidos é de 9,7 hectares. Assim, “em 2030, necessitaremos de dois planetas, o que indica que é preciso mudar urgentemente os métodos de produção e consumo”, sinalizou.

O segundo indicador diz respeito às mudanças climáticas, com a previsão de aumento médio da Terra de 2º a 4ºC até 2050, o que inviabilizaria a vida humana, entre outras espécies, baseando-se no relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas). Ao citar Al Gore (ex-vice-presidente dos EUA e ativista ambiental), que afirmou que a Terra sofre de febre intensa e que não há recursos para tirá-la da UTI em função de seu custo alto, Milaré citou previsão de Nicholas Stern (economista-chefe do Banco Mundial) de que o socorro à Terra comprometerá de 5% a 20% do Produto Interno Bruto (PIB).

Trata-se de uma situação de não retorno e, nesse sentido, a lei teria como função ter aspecto terapêutico e auxiliar a estancar a atual crise ambiental, configurando o paradoxo de o homem recorrer ao Direito para preservar a natureza em benefício das futuras gerações, refletiu o debatedor. Milaré elencou os pilares jurídicos norteadores do tema, como os princípios 11 e 13 da Declaração do Rio; o capítulo 39 da Agenda 21 e o capítulo 1 da Encíclica Laudato Si, a Encíclica Verde do Papa Francisco.

As Resoluções Conama 357/2005 (classifica águas superficiais) e 396/2008 (classifica águas subterrâneas) auxiliam no sistema de gestão de qualidade. Para completar o arcabouço jurídico, o especialista fez a interface com as Políticas Nacionais, indissociáveis das práticas de desenvolvimento sustentável, vinculando-se à gestão de recursos hídricos com a gestão do meio ambiente (art. 3º, III e V da Lei 9.433/1997) e Leis 11.445/2007 (Saneamento) e 12.651/2012 (Código Florestal).

O Direito Ambiental também encontra amparo na Constituição, no Código Ambiental e nas Políticas Nacionais, mas o divisor de águas foi a Política Nacional dos Recursos Hídricos, em sua opinião, para quem “sem água não há dignidade humana. Sem água somos todos pobres e miseráveis”.

Debate na Fiesp sobre aspectos jurídicos da crise hídrica. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

A grande equação é como lidar com o atual consumo insustentável, o desmatamento, a contaminação de mananciais, as precárias condições de infraestrutura dos sistemas de produção e distribuição, além da falta de planejamento estratégico. Some-se a isto o fato de um aumento populacional, no país, levando 83,2% das pessoas a se concentrarem nas cidades, ou seja, a cada 5 brasileiros, 4 têm como endereço a área urbana, agravando a crise hídrica.

Insegurança jurídica

Todo este complexo quadro leva à “judicialização” (recurso à Justiça) dos conflitos ambientais. A observação partiu de Ricardo Cintra Torres de Carvalho, desembargador da 1ª Câmara de Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo. “Mas esta estrutura se amolda ao que precisamos em termos de políticas públicas e oscila de acordo com a disponibilidade de orçamento e, no caso da natureza, é pior ainda, porque ela nunca para. A natureza não espera, e o sistema jurídico conta com o fator tempo, pois não há decisão de um dia para outro”, contextualizou.

Daí a dificuldade do Judiciário atuar na área ambiental quanto a um amplo leque de temas como a recomposição florestal, áreas contaminadas e resíduos sólidos, aterros e ocupação irregular. “Em 1970 éramos 90 milhões de pessoas, 45% na zona rural; hoje somos 210 milhões, 83% na zona urbana. Este êxodo monstruoso ocorreu com estas deficiências de planejamento urbano estratégico”, sentenciou, e muitos se estabeleceram em zonas protegidas diante do crescimento desordenado das cidades.

O desembargador citou, por exemplo, um loteamento clandestino, envolvendo 110 mil pessoas, às margens da Billings, cuja retirada até hoje não foi executada. Hoje há quase 1 milhão e cem mil pessoas nessa área de manancial. “O Judiciário tem oscilado, manda regularizar umas, manda preservar outras”, observou Carvalho, que questiona qual é a opção que a sociedade faz diante deste problema e qual é a política pública necessária. “É preciso que a sociedade toma algum tipo de rumo”, concluiu, na expectativa de que a crise atual tenha seu lado positivo que é trazer soluções e um novo equilíbrio.

Mesmo assim, a Câmara Ambiental cumpre a função de tentar preencher essa lacuna de insegurança jurídica, apesar de ser necessário um aparato legal mais claro, disse Pedro Szajnferber de Franco Carneiro, diretor adjunto do Departamento Jurídico da Fiesp e do Ciesp, no encerramento do encontro.

Estado de S. Paulo publica artigo de vice-presidente da Fiesp sobre clima

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, João Guilherme Sabino Ometto, vice-presidente da Fiesp e coordenador do Comitê de Mudança do Clima da entidade, reflete sobre a necessidade de o Brasil apresentar contribuições ousadas e flexíveis quanto à redução de emissões, mas que sejam compatíveis com nossa realidade socioeconômica.

Clique aqui para ler o artigo.

Licenciamento ambiental é prioridade para Secretaria de Meio Ambiente de SP

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A Lei Complementar 140 tentou resolver os problemas para obter o licenciamento ambiental, mas em algumas situações ainda há dificuldade em conseguir a emissão da licença, afirmou nesta terça-feira (9/6) a secretária de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Patrícia Faga Iglecias. Ela participou da abertura da 17ª Semana do Meio Ambiente, organizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Sabemos os gargalos do licenciamento, a LC 140 tento resolver, mas percebemos toda uma dificuldade nessa temática”, disse Patrícia sobre a lei que estabelece competência para a promoção do licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades desenvolvidas em regiões de conservação.

Secretária de Meio Ambiente de SP, Patrícia Faga Iglecias, na abertura da 17ª Semana do Meio Ambiente. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Secretária de Meio Ambiente de SP, Patrícia Faga Iglecias, na 17ª Semana do Meio Ambiente. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Durante a abertura do evento, a secretária elencou ainda o que chamou de “cinco diretrizes fundamentais” para o estado nos próximos anos. Entre elas a conservação ambiental e restauração ecológica, a redução da pegada ambiental, o controle da vulnerabilidade ambiental e mudanças climáticas, e a gestão da fauna silvestre, com a implementação de uma política de estadual de conservação. A simplificação do licenciamento ambiental também é uma das diretrizes.

Patrícia reiterou ainda que “cada vez mais, existe uma interdependência muito grande entre a preservação ambiental e a necessidade de adaptação dos padrões de produção”.

Semana do Meio Ambiente

O tema do primeiro dia de debates da Semana do Meio Ambiente da Fiesp foi Produção e Consumo Sustentáveis. Outros debates sobre diversos setores da indústria devem acontecer até quinta-feira (11/6).

A diretora do Departamento de Produção e Consumo Sustentáveis do Ministério do Meio Ambiente, Raquel Breda, também participou da abertura da Semana. E, segundo a representante do governo federal, o tema desta terça-feira é “absolutamente estratégico, tanto é que foi eleito com um dos 15 temas prioritários para o planejamento estratégico do ministério”.

O diretor do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, coordenou o primeiro painel do evento. Em seu discurso de abertura, ele relembrou ações da área, inclusive um relatório de posicionamento sobre ações sustentáveis para o Brasil.

Clique aqui para saber mais sobre a programação.