Riscos e vantagens no ambiente empresarial ganham força na sociedade da informação

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp 

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Paulo Nassar, prof. da ECA-USP e diretor-geral da Aberje. Foto: Vitor Salgado

“Toda organização funciona num meio ambiente de públicos”. A citação do precursor do marketing Philip Kotler foi o ponto de partida na reunião do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Fiesp, realizada na segunda-feira (20).

Além desse conceito, Paulo Nassar, professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e diretor-geral da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), apresentou os vários campos que a comunicação corporativa pode atingir.

Ao redor do núcleo de uma empresa, por exemplo, orbitam fornecedores, terceirizados, acionistas, parceiros, sindicatos e organizações não governamentais. Uma lista ampla de stakeholders, que inclui funcionários, clientes e a própria imprensa. “Um dos grandes desafios das instituições é organizar informações em uma sociedade faminta de sentidos e obesa de informações”, avaliou.

Para o professor, a comunicação deve ser entendida como um todo. As redes sociais tiram a centralidade da imprensa, pois faz com que todos sejam produtores de conteúdo. Se por um lado há um processo de democratização, por outro o fenômeno leva a diversas reflexões: o monitoramento e o impacto causado na reputação de uma marca ou organização, além de questões éticas.

Nassar sinalizou pontos de riscos que agregam redes e tecnologia da informação, mercado, crédito e, ainda, temas regulatórios.

Quando o privado transforma-se em público

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Ruy Martins Altenfelder, pres. do Consea. Foto: Vitor Salgado

A informação pode ser adquirida também de maneira não-ética. Ao se referir à quebra de sigilo fiscal, Nassar citou a compra de dossiês e segredos industriais e vazamentos. “Toda vez que tivermos um desalinhamento do eixo técnico, ético e estético haverá ‘vazamento’ devido ao poder midiático que todos têm hoje”, avaliou.

Em função desse debate, o presidente do Consea, Ruy Martins Altenfelder, sugeriu o encaminhamento de uma comunicação à presidência da Fiesp “para que se manifeste de forma contundente, objetiva e precisa contra a atual invasão da privacidade”.

Uma das cláusulas pétreas da Constituição Federal, artigo 5º, incisos 10 e 12, trata exatamente do respeito à privacidade, como lembraram os participantes.