INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: SCHNEIDER ELETRIC

Proporcionar acesso à energia para que comunidades possam ser tornar mais conectadas, seguras, ambientalmente responsáveis e eficientes faz parte do propósito da empresa. 

 

 

 

 

 

 

Por Raquel Corrêa Sajonc

Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis é uma das metas globais das Nações Unidas para promover o desenvolvimento sustentável até 2030. Neste movimento, está o grupo multinacional francês Schneider Eletric, especializado em produtos e serviços para distribuição elétrica, controle e automação industrial. A empresa se posiciona como uma especialista global em gestão de energia e automação e, segundo a Sustaintability and Innovation Manager da Schneider Electric para a América do Sul, Regina Magalhães, é intrínseco ao negócio tornar as cidades e comunidades mais sustentáveis. “Na Schneider Electric, temos como core business a sustentabilidade, sempre pensando no mundo que queremos construir para as próximas gerações. Ela fala que uma das prerrogativas é atuar além do discurso e de forma estruturada. “Nós buscamos trabalhar em ações e projetos com impactos reais e mensuráveis, isso inclui colaborar no desenvolvimento de cidades e comunidades para que elas possam ser mais conectadas, digitalizadas, seguras, ambientalmente responsáveis e eficiente”, relata.

Essas soluções permeiam diversos setores da economia, com impacto na vida de quem mora em áreas urbanas, periurbanas – que se localiza além dos subúrbios das cidades – e rurais.  Para populações de baixa renda e moradoras de regiões rurais e isoladas, a empresa conta com uma iniciativa específica, que é o Programa de Acesso à Energia. Hoje, praticamente 1,1 bilhão de pessoas – quase 1 em cada 5 pessoas no planeta – não têm acesso à energia. Um levantamento inédito da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), realizado este ano, mostrou que o Brasil ainda possui 1 milhão de residências sem luz, sobretudo nas áreas rurais.

 O Programa de Acesso à Energia da Schneider Eletric foi criado em 2009 com o nome de BipBop (Business, Innovation & People at the Base of the Pyramid), destinado a levar energia renovável, segura e confiável para áreas sem acesso ou com acesso precário, além de promover treinamento em competências relacionadas ao setor de energia para comunidades de baixa renda. Até 2025, a meta global da companhia é levar energia para 50 milhões de pessoas e treinar um milhão. Até o momento, a empresa atingiu 5 milhões de pessoas e treinou mais de 100 mil. Os números são expressivos, inclusive no Brasil, onde já foram treinadas mais de 30 mil pessoas. Regina comenta que o Programa ganhou força com a criação do departamento de Sustentabilidade no país, em 2011, e já no ano seguinte foi realizada a primeira eletrificação na Amazônia. De lá para cá, a empresa vem amadurecendo seus projetos e parcerias para eletrificação em comunidades isoladas, com o fortalecimento de competências locais. Para se ter uma ideia da evolução, este ano, a empresa apoiou a instalação de mais de 30 sistemas de energia solar em comunidades indígenas e extrativistas na região amazônica, beneficiando espaços de uso comunitário e atividades produtivas. Com isso, o Projeto manteve sete parcerias educacionais ativas em diferentes estados.

As metas de acesso à energia e de treinamento tem sido reportadas no Barômetro Planeta & Sociedade, ferramenta criada pela própria empresa para medir a evolução da companhia em suas principais metas de sustentabilidade, sendo que essas metas estão relacionadas aos indicadores de desempenho dos executivos, que podem ser bonificados com os seus resultados. E o Programa de Acesso à Energia tem alcançado, a cada ano, mais resultados e positivos impactos. É possível perceber que o êxito da iniciativa está ligado ao fato de que o desenvolvimento social e a promoção de energia limpa estão na estratégia da empresa, e não às margens de sua gestão. “Levar energia para quem não tem não se trata de um projeto social acessório, mas de um compromisso ético da organização e de um objetivo de negócio”, relata a Sustaintability and Innovation Manager da Schneider Electric para a América do Sul, Regina Magalhães.

Nos próximos anos, a companhia pretende investir em novas formas de promover este direito humano básico, que é o acesso à energia. Regina cita algumas ações que deverão ser realizadas, além daquelas que já estão em prática.  “Além de desenvolver projetos de maior impacto e replicáveis, queremos aperfeiçoar nossa metodologia de treinamento para comunidades isoladas, ampliar o apoio a empreendedores sociais e estimular iniciativas inovadoras que estejam conectadas a desafios da empresa e da sociedade”.

Para a Schneider Electric, o acesso à energia é só o começo de uma onda de transformações na educação, na saúde, na economia local, nas comunicações e em toda a organização social de uma comunidade. Ou seja, a empresa acredita que o acesso à energia facilita o acesso a outros direitos fundamentais, como um círculo virtuoso. “Diante de tamanho impacto, temos a responsabilidade de conduzir os projetos de forma estruturada, com respeito às características e potenciais locais. É um trabalho que demanda sensibilidade e uma boa dose de criatividade”, finaliza a gestora da área.

Sobre a empresa:

A Schneider Electric é especialista mundial em gestão de energia e automação, reúne conhecimentos e soluções para garantir aos seus clientes uma energia segura, confiável, eficaz, durável e conectada. Conta com 144.000 colaboradores em mais de 100 países, sendo 2.942 no Brasil, onde atua há 70 anos. Possui no país cinco fábricas, dois escritórios administrativos em São Paulo, um centro de distribuição em Cajamar e mais 7 mil pontos de vendas.

Amazônia dá exemplos e oferece recursos, mostram especialistas na Fiesp

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Amazônia e Agricultura Sustentáveis foi o tema do Simpósio de Bioeconomia da Fapesp, Fiesp e Ciesp realizado nesta sexta-feira (29 de setembro). Rodrigo Rocha Loures, presidente do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp (Conic), abriu o evento ressaltando a enorme importância do tema para o Brasil, a América do Sul e o mundo. O trabalho realizado nos últimos dois anos, afirmou, mostra que há o envolvimento até simbiótico entre o desenvolvimento sustentável da Amazônia e o agronegócio brasileiro.

O grande desafio para o Brasil é como responder ao desafio de fornecer alimentos para o mundo sem sacrificar a floresta amazônica e outras. O agronegócio brasileiro, afirmou, precisa de aumentos dramáticos de produtividade.

A preservação da floresta é imperativa para manter o regime de chuvas em toda a América do Sul.

Walter Lazzarini, presidente do Conselho Superior do Meio Ambiente da Fiesp (Cosema), ressaltou o momento oportuno de discutir bioeconomia e Amazônia. “A região é para nós um pouco mística”, disse, distante fisicamente do Sudeste, mas presente no coração. Tudo que acontece na Amazonia é alardeado, para o bem ou para o mal. “Está no momento de quebrar um tabu, o da preservação da Amazônia”, que, afirmou, não é uma realidade. Cabe, disse, aos empresários industriais paulistas e de todo o país esta grande tarefa de procurar, e conseguir, fazer o desenvolvimento sustentável da Amazônia, para mudar essa imagem muito ruim que o Brasil tem no mundo todo.

Roberto Paranhos do Rio Branco, vice-presidente do Conic, lembrou a ocupação sem planejamento da Amazônia, destacando o desafio representado por sua preservação. O Brasil ainda tem o ônus, mas não tem o bônus de saber usar a Amazônia. “Nossos indígenas sempre praticaram uma agricultura sustentável, melhor do que ninguém poderiam ter áreas de agricultura sustentável na Amazônia que seriam referência para o mundo.”

Abertura do Simpósio de Bioeconomia – Amazônia e Agricultura Sustentáveis. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

No primeiro painel do simpósio, “Tecnologias para produtividade agrícola disruptiva”, Roberto Rodrigues, presidente do Centro de Agronegócio da FGV/EESP e membro do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag), destacou que agronegócio é um pedaço significativo da bioeconomia. A amplitude do tema exige coordenação, inclusive com um marco regulatório, com pouca burocracia e corporativismo, que permita a atividade.

Rodrigues listou diretrizes de um estudo recém-publicado sobre a exploração sustentável da Amazônia, mas disse que falta ali a questão da estrutura fundiária. “Sem saber de quem é a terra, como dar crédito?” Rodrigues disse ter convicção de que o casamento da moderna agricultura com a bioeconomia é essencial para manter a competitividade brasileira.

Rodrigo Lima, diretor geral da Agroícone, disse que a discussão do desmatamento é essencial para entender como fazer a expansão sustentável na Amazônia. Destacou que 69 milhões de hectares do território amazônico, 22% de seu total, pertencem à União sem ter destinação nenhuma, não integrando parques, áreas de preservação etc.

É preciso, defendeu, mostrar o que é legal e ilegal no desmatamento, e para isso é importante o papel do cadastro rural.

E o Estado brasileiro precisa fazer a regularização fundiária.

A área de vegetação secundária, de 17 milhões de hectares, deveria ser urgentemente ter destinação. E há a questão das pastagens, de produtividade baixíssima, ocupando 49 milhões de hectares. “Isso tem que acabar ou tem que melhorar, porque não faz sentido do ponto de vista ambiental nem econômico, mas é uma questão social.” Há, em sua avaliação, uma oportunidade enorme de aumentar a produtividade, com integração pecuária-floresta.

Os recursos da biodiversidade têm enorme potencial e podem ajudar na preservação. “Temos que sair do potencial e ir para a prática.”

“Uma nova Biocivilização é possível?” foi o tema da apresentação de João José Passini, consultor do diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional.

Ricardo Rodrigues Mastroti, mestre em biomimética e sócio da Bemtevi, Investimento social, fez a apresentação “Produtividade agrícola inspirada em ecossistemas biológicos”.

Wilson Nobre, conselheiro do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp (Conic) e professor da FGV-EAESP, moderador do primeiro painel do simpósio, destacou a esperança no mundo de que o Brasil forneça alimentos saudáveis. Foi para mostrar a importância de olhar para o que a natureza oferece que foi inserido em cada painel um exemplo de biomimética, explicou.

O painel 2 teve como tema Amazônia: florescendo seu maior potencial para a humanidade. Foi moderado por Roberto Aloísio Paranhos do Rio Branco, vice-presidente do Conic e presidente da Câmara de Comércio Brasil-Índia. O painel apresentou quatro casos de desenvolvimento da região a partir dos ativos amazônicos, em termos de insumos naturais, inteligência embarcada nos processos da natureza e serviços ecossistêmicos de importância para o Brasil e o mundo.

Ana Luiza Vergueiro, sócia-proprietária da empresa Econut, explicou o processo de domesticação da castanha do Brasil na Agropecuária Aruanã, iniciada em 1981. Hoje há uma minifloresta de 1,3 milhão de castanheiras, das quais 300.000 para colheita de frutos. É um cultivo orgânico. Seu produto, afirmou, atende às demandas atuais do mercado mundial, mas ele ainda não é exportado.

Guilherme Moraes, diretor financeiro da Sambazon, explicou que mais de 90% do fruto do açaí é o caroço, que precisa ser descartado. Para evitar a geração de resíduos, parte dos caroços alimenta as caldeiras da Sambazon e parte vai para olarias, evitando o corte de árvores que seriam usadas como lenha. Ele fez a apresentação “Caso do Açaí: Criação e captura de valor com impacto positivo”.

“Projeto Amazônia: Formação de cadeia de valor com Inovação na floresta” foi o tema da palestra de Ronaldo Freitas, gerente de Sustentabilidade de Desenvolvimento Local da Amazônia da Natura. Disse que o processo ensinou várias lições à empresa, entre as quais a necessidade de contato direto com as comunidades. Entre os desafios da SBD destacou a alta carga tributária sobre produtos florestais não madeireiros e a precária infraestrutura de produção e logística.

Alessandra Araújo, mestre em biomimética, diretora sócia na GCP Arquitetura & Urbanismo, fez a apresentação “A biodiversidade amazônica inspirando o design”. Mostrou diversos exemplos de soluções naturais, encontradas em animais e plantas, que podem inspirar estruturas e produtos.

Mesa do painel “Casos exemplares: Empreendedorismo tecnológico para o agronegócio”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Empreendorismo

Eduardo Giacomazzi, diretor titular adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde e Biotecnologia da Fiesp (ComSaude), moderou o terceiro painel do simpósio. Com o tema “Casos exemplares: Empreendedorismo tecnológico para o agronegócio”, o painel reuniu startups e profissionais que têm foco no impacto positivo e no aumento radical da produtividade, mostrando exemplos de tecnologias voltados a alavancar a produtividade agrícola e a sistematização de processos em rede para ecossistemas empreendedores.

Giacomazzi explicou a tentativa de construir um chamado para a ação com a série de simpósios de bioeconomia, que começou com um sobre Cidades e prosseguiu com o de agricultura, havendo um terceiro ainda a ser realizado.

As palestras do painel foram:

“Redes vivas na autogestão de pessoas e processos”, a cargo de Ana Carolina Freitas, cofundadora do Biomimicry Brasil Network e CEO do Napkintalk.

“Solos saudáveis inspirados em sistemas vivos”, por Giane Brocco, fundadora do Biomimicry Brasil e diretora executiva da Mercobor.

“Nowcasting, tempo e clima para a agricultura”, apresentação de Takao Miyata, CEO da Oráculo Meteorologia.

“Produtividade com foco no meio ambiente aquático”, de  Daniel Ruffato, diretor Executivo da Salt Ambiental.

“Fertilizantes nitrogenados formulados com biocarvão”, apresentação de Aline Peregrina Puga, pós-doutoranda da Embrapa Meio Ambiente e parceira da Carbosolo.

“Biotecnologia aplicada ao agro”, feita por Rafael Vicente de Pádua Ferreira, diretor executivo da Itatijuca Biotech.

‘A Amazônia tem soluções para os problemas do mundo’, explica cientista em reunião na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Hora de agir rapidamente para reduzir os riscos futuros. E de pensar no desenvolvimento baseado na sustentabilidade. Com esse foco, foi realizada, na manhã desta sexta-feira (21/10), na sede da Fiesp, na capital paulista, a reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da federação. O debate ficou por conta da “Revolução Bioindustrial para a Amazônia”, com a participação do cientista Carlos Nobre, professor de pós-graduação do Inpe, e de Juan Carlos Castilla-Rubio, empreendedor e engenheiro bioquímico. Participaram do encontro personalidades como o presidente do Conic, Rodrigo Costa da Rocha Loures.

Segundo Nobre, as mudanças climáticas estão se desenvolvendo em ritmo mais acelerado do que esperava a ciência. “Na minha infância, os meses mais quentes do ano eram janeiro e fevereiro. Agora, outubro e novembro já são muito quentes”, disse. “Isso afeta tudo: do cotidiano das pessoas à produção agrícola. Temos que reduzir o risco futuro, as emissões de carbono na atmosfera”.

Nesse sentido, o Brasil teria sido “audacioso” no Acordo de Paris, que é um tratado das Nações Unidas sobre as mudanças do clima, com medidas de redução da emissão de dióxido de carbono a partir de 2020. O acordo foi negociado em Paris, na França, e aprovado em 2015. “Estabelecemos ter, em 2030, emissões equivalentes a 2012, o que significa praticamente não ter emissões novas”, afirmou. “No Brasil, 70% das emissões vêm ainda, de forma direta ou indireta, da agricultura, como as queimadas na Amazônia e no cerrado”.

Tudo isso quer dizer que “o Brasil tem que acordar”. “Estamos perdendo essa corrida para a Índia, por exemplo”, explicou. “Lá, a meta é ter 100 giga watts de energia solar gerados em 2022.  Aqui, o objetivo é chegar a 1 giga watt em 2024”, disse. “E olhe que somos o país com o maior potencial de uso de energia renovável do planeta”.

Diante disso, é preciso ter “foco no desenvolvimento sob a vertente da sustentabilidade”. “Viajando bastante pela Amazônia nos últimos 40 anos, percebi que há muita pobreza na região: o desenvolvimento não trouxe ganhos sócio-econômicos”.

Entre as mudanças nesse cenário estão o trabalho feito com a castanha do Pará, que antes “mantinha os extrativistas em regime praticamente de escravidão” e hoje já tem iniciativas empreendedoras que fazem a diferença. “Outro exemplo bom é o do açaí, fruta tradicional da Amazônia que era consumida em pequena escala e que nos últimos 15 anos virou um produto de consumo mundial”, afirmou. “Recentemente, vi quatro produtos derivados do açaí numa mesma prateleira numa farmácia em Washington, nos Estados Unidos”, disse. “Não foi a indústria brasileira que fez essa transformação, mas originalmente uma empresa da Califórnia. De qualquer modo, isso beneficia o Brasil. O açaí é uma indústria que deixa US$ 1,8 bilhão por ano na Amazônia”.

Nobre, ao microfone: "Temos que reduzir o risco futuro, as emissões de carbono". Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

Por essas e outras, conforme Nobre, é preciso pensar num plano de “inovação de ruptura, que envolva novos modelos”. “Temos que pensar num modelo de desenvolvimento de ruptura na Amazônia, centrado em inovação tecnológica”.

Saída pelo empreendedorismo

Assim, a revolução que fará a diferença, para Castilla-Rubio, envolve uma grande mudança “empreendedora”. “A Amazônia tem recursos biológicos de grande valor para o mundo”, disse. “Precisamos descobrir como usa-los da melhor forma, com ganhos para todos e de modo que a floresta continue em pé. É uma revolução que não pode esperar mais para começar”.

Que não pode mais esperar e que tem como desafio barrar o “processo de ‘savanização’ da Amazônia”. “Temos uma previsão de aquecimento na área de quatro graus, com um grau já registrado, além de danos à Bacia Amazônica”.

De acordo com Castilla-Rubio, o Brasil fez seu dever de casa nos últimos anos, reduzindo em 80% a deflorestação da Amazônia em seu lado. “Temos que pensar numa terceira via de desenvolvimento econômico que seja inclusiva e que mantenha a Amazônia viva”, explicou. “Um modelo que possa criar uma nova economia”.

Por nova economia, entenda-se aproveitar oportunidades como o desenvolvimento de algoritmos para a criação de veículos autônomos inspirados no sistema de comunicação entre as formigas a partir dos feromônios. “É como se fosse uma rede sem fio”, disse Castilla-Rubio. “A Amazônia tem soluções para os problemas do mundo”.

 

 

 

 

 

 

Potencial Amazônico: riqueza ainda oculta

A Amazônia brasileira abrange nove estados e 25 milhões de pessoas, ocupando 61% do território nacional. Também concentra 20% do total de espécies do planeta na maior floresta equatorial e tropical úmida do globo terrestre, agrupando 16,5 bilhões de genes. Os dados dão a dimensão do trabalho que se tem pela frente e do potencial ainda a ser explorado.

No seminário Oportunidades de Biotecnologia na Amazônia para a indústria brasileira, realizado nesta segunda (26), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), foram demonstradas as possibilidades de investimento e a riqueza regional, sob a iniciativa do Conselho de Meio Ambiente (Cosema).

Uma das portas de entrada é o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), fruto do Programa Brasileiro de Ecologia Molecular (Probem), sob a articulação dos Ministérios de Desenvolvimento, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia.

A estrutura do CBA tem 12 mil m² e, após receber investimentos da ordem de R$ 40 milhões nos últimos dez anos, conta com central de produção de extratos, planta piloto para processos industriais, biotério, museu e, ainda, áreas de apoio à inovação e incubadora de empresas, envolvendo o trabalho de aproximadamente 180 profissionais.

Seu trabalho se articula com o Ibama, para pesquisas científicas, e o Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (Cgen), responsável pela liberação deste tipo de patrimônio para uso comercial.

Segundo Imar Cesar de Araújo, da área de Implementação do Centro, o objetivo é promover a inovação partindo-se de processos e produtos resultantes da biodiversidade amazônica, integrada com universidades e centros de pesquisa públicos e privados. Um ponto de apoio é a Rede de Laboratórios Associados (RLA), que agrega 25 núcleos.

“O Brasil não pode abdicar de sua vocação para os produtos naturais. Temos o maior acervo de biodiversidade do mundo”, alertou Alberto Cardoso Arruda, coordenador de produção extratos, acesso à biodiversidade e planta piloto do CBA.

Arruda traduziu a necessidade de se ter investimentos na área: “A Amazônia não é só Brasil. E preocupa o maior acesso à biodiversidade por parte dos outros países que a compõem (Suriname, Equador, Peru, Bolívia, Guiana, Guiana Francesa, Venezuela e Colômbia). Perdemos para eles”, lamentou o representante do CBA. Em sua opinião, o País tem muito ainda o que fazer nesse sentido.


Incentivos federais e estaduais

O Polo Industrial da Amazônia (Pim) assume estrita importância devido à exploração adequada da biodiversidade mais a agregação de valor em toda sua cadeia produtiva, conforme avaliou Elilde Mota de Menezes, representante da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Nesse sentido, o modelo de desenvolvimento regional contempla incentivos para a indústria na esfera federal, por exemplo. Entre eles:

  • Os impostos sobre importação que sofrem retração de 80% sobre os insumos destinados à industrialização;
  • A isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI);
  • As alíquotas zero do Programa de Integração Social (Pis) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nas entradas e nas vendas internas e de 3,65% (há exceções) nas vendas de produtos acabados para o país.

Mas há a exigência de contrapartidas: gerar empregos regionais, reinvestir parte do lucro na área e apostar na formação e capacitação de recursos humanos para o desenvolvimento científico e tecnológico da região.

Uma das vantagens do CBA é a agilização dos entraves da burocracia e da legislação – o Processo Produtivo Básico (PPB) já foi contemplado.

Ewerton Larry Soares Ferreira, à frente do núcleo de negócios do CBA, explicou que há duas frentes de atuação: como incubadora e como unidade de gestão, apoiando o planejamento e inclusive a captação de recursos para empreendimentos apoiados na biodiversidade e inovação.

“O mundo pede cada vez mais a substituição dos produtos sintéticos por naturais”, disse Ferreira, apontando as múltiplas possibilidades da marca Amazônia.


Mercado promissor

Há oportunidades em diversas frentes:

  • Fitocosméticos (dermocosméticos);
  • Bioterápicos (uso humano e animal);
  • Alimentos funcionais e nutracêuticos;
  • Plantas medicinais;
  • Perfumaria;
  • Corantes e inseticidas;
  • Fitoterápicos e medicamentos.

Antônio José Lapa, da Farmacologia Toxicologia do CBA, frisou que o mercado de medicamentos é um dos maiores da América Latina, com impacto de US$ 8 a US$ 10 bilhões anuais na economia. O País está entre os dez maiores consumidores mundiais de medicamentos. O entrave é o tempo que se leva para o desenvolvimento de novos produtos: cerca de quinze anos.

João Lucio de Azevedo, Coordenador de Microbiologia, apontou outras vantagens, apesar de se conhecer apenas 11% das bactérias que habitam o planeta. O conhecimento aliado à tecnologia é antídoto para o controle de pragas e insetos, auxiliar no desenvolvimento de hormônios vegetais de crescimento e, também, com finalidade antibiótica e anti-tumoral, fundamentais devido à resistência crescente das bactérias e à maior expectativa de vida da população.

Materiais para estudo não faltam. O CBA tem uma coleção de culturas, propiciada pela proliferação de microorganismos em uma área altamente úmida. Há um leque de possibilidades a ser explorado, inclusive minimizando os reflexos negativos de uma história recente: o desmatamento extinguiu 26% da flora e da fauna regional (Fonte: Pnuma, 2006), inserindo outras 644 espécies na lista de ameaçados. Hoje, 35% do gado bovino e 5% das plantações se concentram na região amazônica, antes prioritariamente extrativista.