Presidente da Fiesp e do Ciesp na Rede TV: ‘Juros altos não interessam ao Brasil’

Agência Indusnet Fiesp

Paulo Skaf é o entrevistado do telejornal É Notícia da RedeTV. Foto: Reprodução

O presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, foi o entrevistado da edição deste final de semana (03/02) do programa “É Notícia”,no canal RedeTV!.

Na entrevista à jornalista Amanda Klein, Skaf falou sobre o desempenho da indústria nos últimos anos, economia brasileira, câmbio, relações comerciais com a Argentina, gestão publica, a liminar que suspendeu o aumento do IPTU em São Paulo, entre outros assuntos.

Leia, abaixo, os principais trechos da entrevista ou assista aos vídeos no site da Rede TV!.


Desempenho da indústria

“Em 2012 tivemos crescimento negativo, em torno de 2%, e no ano passado tivemos crescimento positivo, em torno de 2%. A indústria de transformação foi a que teve melhor desempenho, em torno de 2,4%. (…) Não houve nenhum setor que tenha tido um crescimento extraordinário, até porque quando se fala de um crescimento de 2% é um crescimento modesto. Não é o crescimento que o Brasil precisa. “

2014

“Temos alguns indicadores que já no mês de janeiro estão sinalizando um ponto morto. A gente está em uma situação mais ou menos estacionária. O que poderá acontecer neste ano é um crescimento parecido com o do ano passado ou pior que o do ano passado. (…) Em torno de 1,5% a 2% – tanto o crescimento da indústria como da economia brasileira.”

Argentina

“Há um ambiente não está tão favorável  à economia como, por exemplo, a situação da Argentina. A Argentina é um grande parceiro brasileiro de compras de manufaturas. É o maior cliente de manufaturas brasileiras. (…) Corrente de comercio com a Argentina no ano passado foi em torno de 36 bilhões dólares, com superávit de 3 bilhões. (…). Essa crise argentina afeta o crescimento da indústria e em consequência o crescimento do PIB. (…) Um principal cliente  nosso que quando passa por dificuldades nos atrapalha. (…) Automóveis, calçados, confecções, têxteis, tecidos, alimentos  – todos esses setores de manufaturas são afetados.  (…) As relações com a Argentina estão bastante intranquilas. Isso não é positivo. Poderíamos vender muito mais para a Argentina. Creio que essa corrente de comércio (…) tem um potencial bastante grande.  (…)Se isolarmos as manufaturas, nosso déficit foi de 105 bilhões de dólares, ou seja, estamos exportando commodities e importando manufaturas do mundo. Por isso, a importância da Argentina. ”

Câmbio

“Hoje, estamos vivendo um dólar a R$ 2,40, o que aumenta muito a competitividade brasileira. (…)  Tem eu ver o câmbio não como bom para o importador ou bom para o exportador. Vejo esse patamar de R$ 2,30 ou R$ 2,40 como bom para o país. (…) Agora, está muito mais coerente, muito mais lógico do que seria como se estivesse há poucos anos, quando era R$ 1,60”.

Desindustrialização

“Há um processo de desindustrialização, sim, e esse processo vem dos últimos 30 anos . (…) Há 30 anos a indústria manufatureira contribuía com 27% e hoje contribui com 14%. (…). Isso é muito ruim para o Brasil porque a indústria de transformação agrega valor, emprega intensivamente, paga maior salário, desenvolve regiões, usa da inovação, desenvolve tecnologia. É ruim para o país. (…) Acontece porque quando tem juros altíssimos, spreads bancários mais altos do mundo, infraestrutura deficitária porque tem custos e logística altíssimos… (…); custo de energia, houve uma melhora, mas nós tivemos todos esses anos um curto absurdo de energia; custo do gás (…) Nós fomos perdendo competitividade. A burocracia no Brasil é uma coisa absurda. Os governos não ajudam quem quem produzir, quem quer trabalhar. (…) Carga tributária tremenda. Além da carga tributária, tem custo para recolher impostos, até para o governo cobrar. (…) O Brasil perdeu sua competitividade. Ficou caro produzir o Brasil. (…) Legislação trabalhista de 1950, que engessa muita coisa.”


Reformas estruturais

Reformas estruturais devem ser feias no início do governo e. Força do Executivo é muito grande. Sai com força suficiente para fazer o que o Brasil precisa. Tem que olhar para a frente. Temos que fazer uma reforma tributária.

Juros

“Eu acho que os juros são altíssimos já. Tem uma taxa básica de jutos de 10,5% com uma inflação em torno de 5%, tem cinco pontos reais de juros. Isso sem falar que isso é a taxa básica, não é de balcão. Sem falar que a dívida do governo federal é paga de acordo com a Selic. A despesa com juros é quase 200 bilhões por ano, mais do que se gasta com educação. (…) Esse modelo de aumentar juros para combater inflação deveria ter ficado no século passado. (…). Tem outras formas: você reduz gastos públicos, você evita desperdício, você estimula investimentos. O aumento de preço você controla pela oferta. (…) Não é possível que a gente viva sempre com juros altos. (…)  O foco deveria ser  [do governo] superávit nominal. Tem que pegar receita e despes. Os juros são a principal despesa do governo.  A despesa de juros é a mais alta de todos.  (…)Juros altos não interessam ao Brasil. Não interessam ao povo brasileiro. Nem os juros básicos nem os juros de balcão. (…) Caminho para evitar a inflação é não desperdiçar (…) é gastar menos e melhor.”

Gestão pública

“O que a sociedade quer é pagar menos imposto e ter mais qualidade nos serviços.  (…) O que está precisando é um choque no sentido de as coisas terem mais agilidade, (…) não ficar só nos projetos. Tem que fazer.”