Alto custo da logística para o agronegócio prejudica competitividade do setor

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Luiz Antonio Fayet, da CNA: "Entre 5 a 10 anos, Brasil será maior fornecedor de alimentos ao mercado internacional"

Embora seja uma preocupação relativamente recente para diversos segmentos do agronegócio, a logística deve provocar um impacto positivo na movimentação de cargas. Mas para que isso aconteça, é necessária a adoção de algumas medidas como a diluição do valor dos custos fixos facilitados por economia de escala, eficiência nos processos, organização e integração das atividades.

As observações de José Vicente Caixeta Filho, diretor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, durante o 6º Encontro de Logística e Transportes da Fiesp nesta quarta-feira (15), revelaram que ainda existem gargalos a serem eliminados. “O déficit na armazenagem de cargas tem crescido nos últimos anos, há deficiência na capacidade instalada na propriedade. Mas há expectativa positiva quanto às novas estruturas”, sinalizou Filho.

Para ele, “o dono da carga é o dono da logística”, fator que dá maior poder de barganha dos embarcadores com os transportadores. O diretor aponta que são necessárias mais ferrovias, hidrovias e dutos, além da modernização do sistema portuário, o que aumenta a capacidade e eficiência e promove a competitividade.

Previsões

Mais do que isso, na visão de Luiz Antonio Fayet, consultor técnico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), é fundamental identificar mercados quantitativos e qualitativos. “Entre cinco a dez anos, o Brasil será o maior fornecedor de alimentos para o mercado internacional”, previu.

O País, cujo agronegócio é estratégico para o desenvolvimento mundial, acrescerá até 2020, cerca de 70 milhões de toneladas de alimentos exportados. As principais razões para esse desempenho, segundo o consultor, são o crescimento populacional e a melhoria do nível de renda.

Guerra da logística

Classificando como “grande problema”, o consultor citou o apagão portuário como o segmento mais preocupante. Ele assegurou que as rodovias garantem esta movimentação, mas há limitações ao tráfego por conta dos altos pedágios e, no caso das ferrovias, é preciso rever os contratos de concessão.

Código Florestal

De 1990 a 2007, houve 125% de acréscimo de produção agrícola, que representa alto ganho de produtividade. Entretanto, Fayet garante: “Nosso grande estoque de terras para a produção não está sendo explorado. O setor pecuário não está incluso neste número, já que ocupa sozinho 200 milhões de hectares, e o setor de lavouras, 70 milhões”.

Ele afirmou que metade da área destinada ao pastoreio está degradada e precisa de reestruturação. “É um estoque de terras para silvicultura e cana, no qual não é necessário derrubar nenhum pedaço de madeira para triplicar a produção brasileira. A discussão do Código Florestal brasileiro, que há 15 anos tramita no Congresso é um problema de interesses internacionais contra nossa terra”, alertou.

Fayet chama a atenção para o fato de existirem, na Amazônia, aproximadamente 350 ONGs com financiamento externo para proteger cerca de 250 mil índios na região. “Em contrapartida, no Nordeste há quase 10 milhões de pessoas que sofrem com privações alimentares e inexistem ONGs na região com este intuito” pontuou.

O consultor citou que o deputado Aldo Rebelo, relator da reforma do Código Florestal, produziu um documento com informações e se dispôs a exaurir todas as dúvidas existentes, e foi boicotado ao ouvir de algumas personalidades que seria uma vergonha aprovar o projeto. “Não é uma vergonha, e sim uma questão de soberania da qual não podemos abrir mão”, arrematou Fayet.

Consolidação

Fabiano Lorenzi, diretor comercial de Carga Geral da Companhia Vale do Rio Doce, apresentou alguns dados da empresa, que transporta de 42% da produção comercializada para o exterior. “Nossos investimentos previstos em infraestrutura apresentam grande foco no agronegócio”, explicou.

Lorenzi revelou que 33% da receita de 2010 da Vale é proveniente da movimentação de cargas do agronegócio brasileiro. “Trinta e oito pátios no corredor sudeste visam a maior produtividade no escoamento de grãos e fertilizantes”, afirmou o diretor.