Para especialistas, processo de integração elétrica na América Latina ainda é lento

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

“Todos os sinais dizem que o melhor caminho é a integração, mas esse processo tem se desenvolvido de maneira muito lenta”, declarou o secretário de Planejamento energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, na manhã desta terça-feira (06/08) durante o 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no Hotel Unique, na capital paulista.

Participante do painel “Integração Elétrica na América Latina”, Ventura Filho explicou que, se a região fosse um único país, seu sistema de energia seria muito parecido com o que temos no Brasil, formado principalmente por hidrelétricas e com alta capacidade de interligação, o que permite benefícios como a redução de custos de operação, aumento da confiabilidade e segurança quanto ao suprimento da demanda. “O que limita [os processos de integração] são as distâncias geográficas entre as nações, o que exige investimentos maiores.”

Os debatedores do painel sobre a integração elétrica na América Latina. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Os debatedores do painel sobre a integração elétrica entre os países da América Latina. Foto: Julia Moraes/Fiesp


Para o presidente do CIER, Hermes Chipp, outra dificuldade para se concretizar um sistema de conexão multinacional é o fato de os governos preferirem a autossuficiência – mesmo que a um custo mais alto – à dependência de outro país. “É preciso resgatar a confiança dos governos”, alertou. “Temos plenas condições de fazer uma integração e é uma pena que, hoje, somente 5% da energia gerada na América Latina seja transacionada.”

Bons Exemplos

Flores: bons resultados, mesmo que processo de integração seja lento. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Flores: bons resultados, mesmo que processo de integração seja lento. Foto: Julia Moraes/Fiesp

A integração elétrica, no entanto, não é algo impossível, como mostrou o especialista em energia do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Rodriguez Flores, ao apresentar o Projeto de Integração Energética da América Central (Siepac).

O Siepac une seis países da América Central através da interconexão elétrica e da criação de um mercado elétrico regional. Suas linhas de transmissão ligam, atualmente, 37 milhões de consumidores no Panamá, Costa Rica, Honduras, Nicarágua, El Salvador e Guatemala.

O processo, todavia, é demorado. Para se ter uma ideia, os estudos para a implementação do projeto começaram em 1987.

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Política energética brasileira em debate na Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A política energética brasileira e suas perspectivas foram alvo de debates, na quarta-feira (03/07), durante o seminário “O Futuro Energético e Geração Nuclear”, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na sede da entidade. No evento, estiveram em discussão temas como os limites de uso da hidroeletricidade no país, com a adoção de sistemas como a energia nuclear, por exemplo.

A abertura oficial do encontro foi feita pelo gerente do Departamento de Energia (Deinfra-Energia) da Fiesp, Roberto Moussalem.

O seminário "Futuro Energético e Geração Nuclear": debate sobre novas matrizes para o setor. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O seminário "Futuro Energético e Geração Nuclear": debate sobre novas matrizes. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


O primeiro a se apresentar no seminário, o secretário do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, explicou que a prioridade da política energética brasileira está baseada em hidroeletricidade, biomassa e eólica, fontes que representam 75% da expansão do sistema elétrico nos próximos anos. No entanto, as operações hidrelétricas, base dessa expansão, têm um horizonte de 12 a 15 anos, alertou ele, indicando que será necessário um substituto para o “carro-chefe” da matriz energética brasileira.

“As soluções já estão atrasadas”, afirmou Ventura. Segundo ele, a alternativa para substituir as hidrelétricas, esgotadas em no máximo 15 anos, partirá de uma mistura de fontes como a nuclear, térmica e o uso de gás natural.  O secretário destacou a geração de energia nuclear como um dos alvos de uma política mais efetiva e de curto prazo.

Também presente no evento, o chefe de gabinete da presidência da Eletrobras Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, afirmou que impulsionar a geração de energia nuclear no Brasil é como “quase construir um novo negócio” já que o modelo com o qual setor conta para negociar é da década de 1970. “O grande ineditismo é explorar as possibilidades de negócios que possam se adaptar às características do setor energético nuclear considerando o cenário econômico atual”, avaliou Guimarães.

Moussallem: iniciativa privada pode ajudar. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Moussallem: iniciativa privada pode dar apoio para energia nuclear. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O gerente do Departamento de Energia (Deinfra-Energia) da Fiesp, Roberto Moussalem, foi outro a defender a atuação da indústria no setor de energia nuclear. “A Fiesp entende também que há na energia nuclear um espaço muito importante para participação do setor privado. Na planta de energia nuclear o setor privado pode dar sim sua contribuição, aportando recursos e operando essas unidades”, afirmou.

Mais energia nuclear

A política energética brasileira pode valorizar mais a diversificação e o equilíbrio da oferta entre as diversas fontes energéticas que podem ser geradas no país. Inclusive com o maior uso de energia nuclear. A recomendação é da divisão de projetos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em estudo divulgado no seminário.

“Isso se refere a um quadro que entendemos que pode ser ampliado e melhorado”, afirmou o professor Otavio Mielnik, coordenador da FGV Projetos. Segundo o estudo, as reservas de urânio no país –matéria prima para geração de energia nuclear– em 2012 eram de 309 mil toneladas, com condição para manter dez usinas nucleares de 1.000 MW durante cem anos.  Mas as estimativas apontam que o potencial de urânio no Brasil é de 800 mil toneladas, levando em conta as condições geológicas e o fato de apenas 25% do território ter sido prospectado.

Alegando a necessidade de novos cálculos para aumentar a segurança da unidade, o presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro, também presente no seminário, informou, em junho, que o início da operação da usina nuclear Angra 3 foi adiado de 2016 para 2018.

Quando 2040 chegar

No mesmo estudo da FGV apresentado no seminário, foi feita uma projeção da demanda por energia elétrica no Brasil em 2040, que pode chegar a 1,2 milhão gigawatt-hora (GWh). O levantamento indica ainda que a utilização de energia nuclear no Brasil deve atender à demanda futura.

“Ficou claro que o sistema elétrico está em transição. E uma transição que tem dimensão econômica, energética e regulatória”, afirmou Mielnik  no seminário.

O maior consumo estimado seria se o país enfrentasse um cenário de crescimento anual de 2,5% até 2015 e posteriormente  de 5%.  Neste caso, a demanda por energia chegaria a 1,2 milhão gigawatt-hora (GWh). “É claro que os recursos públicos não serão suficientes para suprir a demanda”, disse Mielnik. “Mas o setor privado poderia contribuir e inovar trazendo sua experiência”, concluiu.

País precisa de mais opções de matrizes energéticas, diz secretário de Minas e Energia

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A prioridade da política energética brasileira está baseada em hidroeletricidade, biomassa e eólica, fontes que representam 75% da expansão do sistema elétrico nos próximos anos, afirmou o secretário Altino Ventura Filho, do Ministério de Minas e Energia.  No entanto, as operações hidrelétricas, base dessa expansão, têm um horizonte de 12 a 15 anos, alertou ele, indicando que será necessário um substituto para o “carro-chefe” da matriz energética brasileira.

Os participantes do seminário na Fiesp: diversificação para evitar problemas futuros. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Os participantes do seminário na Fiesp: diversificação para evitar problemas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


A abertura oficial do seminário da FGV na Fiesp foi feita pelo gerente do Departamento de Energia (Deinfra-Energia) da Fiesp, Roberto Moussalem.

Ventura Filho: hidrelétricas esgotadas em 15 anos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ventura Filho: soluções para o setor de energia já estão atrasadas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

“As soluções já estão atrasadas”, afirmou Ventura durante o seminário O Futuro Energético e Geração Nuclear, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na tarde desta quarta-feira (13/07), na sede da entidade.

Segundo Ventura, a solução para substituir as hidrelétricas, esgotadas em no máximo 15 anos, partirá de uma mistura de fontes como a nuclear, térmica e o uso de gás natural.  O secretário destacou a geração de energia nuclear como um dos alvos de uma política mais efetiva e de curto prazo. “A política nuclear no Brasil neste momento consta da decisão do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) de construir Angra 3,  dos nossos estudos de planejamento de longo prazo que preveem essas necessidades nucleares e no plano de 2030. Essa é a politica atual, mas nós precisamos avançar em relação a ela”, afirmou.

Enquanto as soluções e o substituto das hidrelétricas não chegam, a capacidade instalada para geração de energia elétrica precisa duplicar nos próximos 15 anos, afirmou o secretário.  Segundo Ventura, o setor precisa crescer pelo menos 4% ao ano para suprir a demanda.

Segundo levantamento da FGV divulgado durante o seminário, o crescimento estimado da demanda de energia elétrica entre 2012-2021 deve ser de 4,9% ao ano, o equivalente a um aumento total de 55% durante o período.

Novo modelo de negócio

Moussalem: apoio da iniciativa privada. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Moussalem: iniciativa privada pode dar a sua contribuição. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O chefe de gabinete da presidência da Eletrobras Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, afirmou que impulsionar a geração de energia nuclear no Brasil é como “quase construir um novo negócio” já que o modelo com o qual setor conta para negociar é da década de 1970. “O grande ineditismo é explorar as possibilidades de negócios que possam se adaptar as características do setor energético nuclear considerando o cenário econômico atual”, avaliou Guimarães.

O gerente do Departamento de Energia (Deinfra-Energia) da Fiesp, Roberto Moussalem, defendeu a atuação da indústria no setor de energia nuclear. “A Fiesp entende também que há na energia nuclear um espaço muito importante para participação do setor privado. Na planta de energia nuclear o setor privado pode dar sim sua contribuição, aportando recursos e operando essas unidades”, afirmou.