Aloysio Nunes Ferreira defende esforço em marcas e marketing para o agronegócio

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Reunião conjunta nesta sexta-feira (13 de julho) dos Conselhos Superiores do Agronegócio (Cosag) e de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp teve a participação do ministro Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores) como expositor, em palestra com o tema Acordos Comerciais e consequências para o Agronegócio Brasileiro.

José Ricardo Roriz Coelho, presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp, abriu a reunião, coordenada por Jacyr Costa, presidente do Cosag. O Brasil, e principalmente São Paulo, tem no agronegócio um grande exportador, destacou Jacyr Costa.

Roriz alertou que o cálculo do coeficiente de penetração do Brasil mostra o país em posição semelhante à do Japão e dos EUA, mas a comparação é feita com países como a Coreia do Sul, que não têm matérias-primas e alimentos. O presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp também disse que o governo deve ficar atento, no processo de abertura comercial, à agregação de valor aos produtos brasileiros.

Aloysio Nunes Ferreira, ministro de Estado das Relações Exteriores, destacou que manter mercados e abrir novos mercados são desafios para o agronegócio do Brasil, que é uma grande potência agrícola e ambiental. “Nossos clientes ficam mais exigentes”, afirmou, e há um esforço a ser feito em marketing e marcas. Deu como exemplo a Argentina em relação à carne. Temos os atributos para continuar a ser uma grande potência agroindustrial, mas há concorrentes fortes, como os Estados Unidos. Hoje em disputa com a China, pode mudar o jogo e virar exportador de carne e soja para o país. O que interessa ao Brasil é ter regras claras. A guerra comercial é ruim, mesmo que represente ganhos no curto prazo, disse o ministro. “É um desastre no longo prazo. Vai deprimir o comércio mundial.”

Há um problema de fechamento de mercados em países europeus, que se tenta resolver em negociações com a União Europeia. A Apex tem feito trabalho importante em relação às exportações do agronegócio, destacou o ministro.

Arrasta-se há muitos anos a negociação do Mercosul com a União Europeia, lembrou. “Espero que esteja numa fase final, não terminal”, disse. Houve avanços importantes, como o capítulo de defesa sanitária, mas sobram temas como o setor automotivo, origem em máquinas equipamentos, vinho, denominação de origem.

Entre os negociadores europeus gera certa insegurança a onda de nacionalista e xenofobia que atravessa a Europa.

Em relação ao próprio Mercosul, Aloysio destacou que houve o início de tratativas para acordos comerciais em outros formatos, com outros países. “O Mercosul”, com essas mudanças, “passa a ser uma noiva cobiçada”, atraindo países como Coreia do Sul, Canadá e Cingapura. E fechar um acordo relevante abre portas e estimula outros países a procurar um acordo, afirmou, exemplificando com o interesse japonês demonstrado depois de bem-sucedidas conversações do Brasil com a Coreia do Sul.

As articulações para acordos não param nunca, afirmou o ministro, porque sempre surgem barreiras e há temas que se arrastam há tempos, como a rodada Doha da OMC.

Há fatos como as tecnologias digitais e a ascensão da China que alteram o panorama mundial. Aumenta a importância de acordos regionais, devido a turbulências globais.

Qualquer estratégia de desenvolvimento exige a inserção internacional do Brasil, afirmou. O atual governo retoma um esforço de maior integração, de abertura para o mundo, explicou.

Rubens Barbosa, presidente do Coscex, disse na abertura do evento que o ministro “vestiu a camisa do Itamaraty”, apesar de não ser oriundo dele, conseguindo superar a complexidade dos temas de política externa. Tomou medidas de modernização, instituindo planejamento de médio e longo prazo, em que havia deficiência. Em relação aos problemas de fronteira, a gestão de Aloysio tomou iniciativas importantes, afirmou Barbosa. O Itamaraty, lembrou, tem papel importante no comércio exterior.

Também fizeram parte da mesa principal da reunião Débora Vainer Barenboim-Salej, embaixadora-chefe do Escritório em São Paulo do Ministério das Relações Exteriores; Pedro Miguel da Costa e Silva, diretor do Departamento Econômico do Ministério; Roberto Ignacio Betancourt, vice-presidente do Cosag e diretor titular do Departamento do Agronegócio da Fiesp; Thomaz Zanotto, diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp e vice-presidente do Coscex.

Reunião de Cosag e Coscex da Fiesp com a participação de Aloysio Nunes Ferreira. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp