Efeitos benéficos para a saúde impulsionam pesquisa sobre nozes e castanhas

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Pesquisa e Desenvolvimento foi o tema do segundo painel do V Encontro Brasileiro e I Encontro Latino Americano de Nozes e Castanhas, realizado nesta segunda-feira (29/8) na sede da Fiesp, tendo como moderadora Ana Luiza Vergueiro, da Econut.

Ladislau Martin Neto, diretor executivo de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa, destacou a importância de parcerias público-privadas (PPPs) para o desenvolvimento do setor. “São um imperativo”, disse. Listou alterações no panorama brasileiro que devem ser vistas como oportunidades para o setor de nozes e castanhas, como o fato de o tripé alimento/nutrição/saúde estar passando do paradigma da prevenção para o da cura.

A Embrapa, explicou, tem linhas (portfólios) relacionadas a nozes e castanhas, como alimentos, nutrição e saúde, alimentos seguros, sistemas de produção de base ecológica, produtos nativos. Há, disse, 68 projetos de grande porte em andamento na Amazônia. Entre as iniciativas, está o melhoramento genético da castanha.

Martin frisou que a oferta extrativista já chegou ao limite. Em relação à questão da viabilidade econômica da plantação da castanheira, a Embrapa atua no desenvolvimento das árvores. Ele explicou que, por enxertia, avançou a redução do porte e do tempo para a colheita da castanha-do-brasil.

Na castanha de caju, principalmente no Nordeste, destacou o desenvolvimento do cajueiro-anão precoce, de maior produtividade e já ocupando 18% da área plantada. E a Embrapa desenvolve novas formas de aproveitamento da polpa do caju.

O diretor de P&D da Embrapa falou também sobre o desenvolvimento do cultivo da macadâmia em São Paulo. Mostrou, por exemplo, filmes comestíveis com zeínas para proteção da macadâmia.

Graziela Biude Silva fez a apresentação Castanha-do-brasil: aspectos nutricionais e de saúde. O produto, explicou, tem maior teor de lipídios que amêndoas e castanha de caju, o que é uma vantagem porque nele predominam gorduras monoinsaturadas e poli-insaturadas. Também é rica em compostos fenólicos, com grande concentração na pele marrom.

Tem quantidade razoável de micronutrientes e é muito rica em selênio, que tem funções importantes, como por exemplo sua capacidade antioxidante. Atua também no metabolismo da tireoide. Ressaltou que a concentração natural do selênio varia muito conforme o solo. Destacou que uma castanha por dia atende às recomendações nutricionais. Mostrou exemplos de estudos que atestaram efeitos benéficos do consumo de castanha em pessoas com diferentes quadros clínicos, inclusive pacientes com problemas cognitivos leves.

Glaucia Pastore, professora da Unicamp, falou sobre as propriedades nutricionais de nozes e castanhas. Destacou a importância para os cientistas do encontro promovido na Fiesp e defendeu que eles estejam integrados aos produtores.

Há, disse Pastore, uma revolução silenciosa na área de alimentos, que impacta profundamente a área da saúde, ocorrida devido à presença dos alimentos funcionais. Avanço da pesquisa mostra impacto desses alimentos na preservação da saúde, com efeitos inclusive na produção industrial.

Alimentos funcionais agem sobre o sistema cardiovascular, fisiologia intestinal, funções comportamentais e psicológicas, explicou, frisando sua importância na defesa contra a oxidação.

São, avaliou, mercado de nicho muito promissor e impulsionam o desenvolvimento de novos produtos. Exemplificou com a recente epidemia de dengue, com pacientes que poderiam ter tido recuperação mais rápida com a nutrição adequada, como a ingestão de vitamina C.

Fatores como aumento da idade da população, aumento no nível de escolaridade e informação, aumento da renda, busca por bem-estar, estética, impulsionam o desenvolvimento desses produtos.

Silvia Cozzolino, professora da USP especialista em micronutrientes, lembrou que em 1990 se começou a estudar a castanha-do-brasil, sobre a qual na época havia muito poucos dados, situação que mudou.

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Pesquisa e desenvolvimento foi tema de painel de encontro sobre nozes e castanhas na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp