Consultora pede participação do nutricionista em políticas públicas para alimentação

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Vânia Cabrera destacou a carência de preparo técnico do profissional recém-formado ante à gestão de programas alimentares das escolas públicas do País

A diretora da DAC Brasil Consultoria Ltda., Vânia Luzia Cabrera, cobrou nesta terça-feira (21) a participação do nutricionista na elaboração de políticas públicas voltadas para a alimentação escolar.

Em palestra durante o 1º Fórum Internacional da Alimentação e Nutrição Escolar Sesi-SP, Cabrera provocou o público, formado principalmente por nutricionistas e estudantes da área, quanto a atuação do profissional na gestão pública.

“Nós precisamos estar nessas equipes que formulam políticas públicas. Nós temos que ir. Quem faz? Quem vai? Quem propõe? Quem tira um pouquinho do seu e escreve uma política? A política nós saberíamos fazer, mas será que conseguiríamos? O que nos falta para isso? Quantos nutricionistas se dedicam a cargos públicos?”

Limitações técnicas

Cabrera também destacou a carência de preparo técnico do profissional recém-formado ante à gestão de programas alimentares das escolas públicas do País.

Ela frisou a necessidade de aplicar conhecimentos de logística e de direito, os quais, em sua opinião, são pouco abordados durante a graduação. “Nós respondemos ao TCU (Tribunal de Contas da União), temos que saber fazer.”

A diretora da DAC ainda alertou que “a carga horária mais comum para o estudo do Programa de Alimentação Escolar nas universidades é de até 20 horas. A maioria não estuda com profundidade. E no estágio, pouquíssimos têm a oportunidade de aprender a gestão do PAE.”

Epidemia de obesidade no País pode reduzir esperança de vida em 10 anos, diz especialista

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A preocupação atual entre os especialistas em saúde e educação no Brasil deixou de ser apenas com a desnutrição infantil, afirmou nesta terça-feira (21) o professor-titular do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Claudio Leone. O alerta está voltado para o elevado índice de sobrepeso e obesidade, doenças que podem encurtar a expectativa de vida do brasileiro.

Durante palestra sobre transição nutricional e doenças crônicas para o 1º Fórum Internacional da Alimentação e Nutrição Escolar Sesi-SP, Leone destacou uma pesquisa realizada com mais de 1.500 crianças de creches filantrópicas de Santo André, Grande São Paulo.

O estudo produzido entre 2001 e 2002 revela que tanto para peso e idade quanto para Índice de Massa Corpórea (IMC) há menos crianças desnutridas. Em contrapartida, existe um excesso de peso em mais de 25% do total apurado, o equivalente a uma criança em cada quatro. “Isso é um dado alarmante se considerarmos o nível socioeconômico dessa população.”

No Canadá, um levantamento feito em 2003 apontou um crescimento de 40% do sobrepeso ou obesidade em crianças com idade escolar, acrescentou o professor da USP.

“Em breve, a esperança de vida hoje tão comentada vai diminuir. Se essa epidemia continuar nesses moldes, vamos ter nos próximos anos uma esperança de vida 10 anos a menos da que se espera hoje”, alertou Leone durante palestra para mais de 400 pessoas, entre elas nutricionistas, educadores e especialistas, no Teatro do Sesi São Paulo.

Atualmente, a expectativa de vida do brasileiro é de 73 anos, segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).

Transição nutricional

Segundo Leone, nos últimos 15 a 20 anos ocorreram algumas mudanças que englobam o crescimento econômico sustentado e políticas de governo que contribuíram para um cenário de obesidade e sobrepeso acima da taxa da desnutrição.

O professor explicou que essa fase da transição nutricional no mundo globalizado se traduz no aumento do consumo de alimentos processados, além do salto na tecnologia, sugerindo atividades de lazer e trabalho muito mais sedentárias. “Dentro disso começa a surgir a obesidade.”

“Vão ocorrer os mesmos 15 a 20 anos para que essa transição nutricional seja revertida ante o quadro de sobrepeso e obesidade. Estamos criando gerações que terão um encurtamento de vida”, acrescentou o palestrante.

Terceirização da merenda escolar é tendência, diz diretora municipal de SP

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Sonia Maria Peres, da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo

A diretora do Departamento Técnico da Merenda Escolar da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, Sonia Maria Peres, afirmou nesta segunda-feira (20) que a terceirização do serviço de merenda nas escolas locais é uma tendência.

O programa de alimentação da prefeitura atende 2.523 unidades locais, das quais 1.196 unidades contam com serviço terceirizado de alimentação oferecido por oito empresas.

“A terceirização apareceu para suprir algumas necessidades. Ela está virando uma tendência”, informou Sonia Maria Peres em palestra durante o 1º Fórum Internacional da Alimentação e Nutrição Escolar Sesi-SP.

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Tereza Watanabe, diretora da Divisão de Alimentação do Sesi

Já a diretora da Divisão de Alimentação do Sesi, Tereza Toshiko Watanabe, alerta, embora reconheça os benefícios, que a “terceirização é viável com base em um edital detalhado, correspondendo a exigências como cardápio adequado, controle de qualidade, boas práticas de gestão e acompanhando diário.”

Watanabe informou que das 72 unidades escolares do Sesi, 22 utilizam serviços terceirizados na alimentação fornecidos por cinco empresas.Já a diretora da Divisão de Alimentação do Sesi, Tereza Toshiko Watanabe, alerta, embora reconheça os benefícios, que a “terceirização é viável com base em um edital detalhado, correspondendo a exigências como cardápio adequado, controle de qualidade, boas práticas de gestão e acompanhando diário.”

As duas diretoras participaram do painel Boas Práticas em Gestão da Merenda, no primeiro dia do encontro que vai até está terça-feira (21), no Teatro do Sesi São Paulo, na sede da Fiesp.

Fórum Sesi-SP

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Walter Vicioni, superintendente operacional do Sesi-SP

Durante o Fórum Internacional de Alimentação e Nutrição Escolar do Sesi, especialistas vão debater assuntos como o estado nutricional dos alunos, boas práticas em gestão da merenda, desnutrição e horário de refeição na escola como momento de educação.

“Diversas são as realidades que se cruzam hoje. De um lado, a subnutrição infantil. De outro, a obesidade infantil. Esse nosso fórum vem bem ao encontro das necessidades que o País vive hoje” , ressaltou Walter Vicioni, superintendente operacional do Sesi-SP
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Prefeituras paulistas priorizam alimentos in natura na dieta alimentar escolar

Agência Indusnet Fiesp

Educação alimentar e nutricional da rede municipal de ensino foi o tema do painel Boas Práticas de Gestão de Merenda, nesta segunda-feira (20), durante o 1º Fórum Internacional da Alimentação e Nutrição Escolar Sesi-SP, no Teatro Sesi São Paulo – Ruth Cardoso.

Maria Helena Cecin Resek Albernaz, diretora do Departamento de Alimentação Escolar da Prefeitura de Mogi das Cruzes, destacou os investimentos do município, com o subsidio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), de R$ 9,6 milhões, em 2010. O recurso beneficiou 45 mil crianças e jovens matriculados na rede municipal de ensino. “A prefeitura de Mogi das Cruzes acredita que por meio de uma alimentação saudável o município oferecerá saúde para os alunos”, disse.

Segundo Maria Helena, o cardápio alimentar dos estudantes é composto por alimentos in natura e, também, por mantimentos industrializados. Com o apoio dos educadores, os alunos aprendem o valor nutricional de cada produto e sua importância para uma dieta alimentar saudável.

“É utopia dizer que nós não precisamos utilizar o alimento industrial. Se eu quero dar uma refeição adequada para minhas crianças, eu preciso utilizar, com responsabilidade, os dois tipos de alimento”, analisou a palestrante.

Cardápio saudável

Sonia Maria Perez, diretora do Departamento Técnico da Merenda Escolar da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, apresentou os avanços do Programa de Alimentação da cidade de São Paulo. O programa atende 2.500 unidades escolas que oferecem 1,8 milhão de refeições por dia, para crianças e jovens matriculados na rede municipal de ensino.

“A alimentação escolar hoje é totalmente diferente daquilo que nós tínhamos há 30 anos, quando às nove horas da manhã as crianças estavam comendo um prato de macarronada”, enfatizou.

Além disso, Perez ressaltou que a Prefeitura de São Paulo restringiu, desde 2007, o consumo de alimentos ricos em gordura e ampliou a oferta de frutas, legumes e vegetais no cardápio dos estudantes. “Nós trabalhamos na mudança de hábitos alimentares das crianças para que no futuro ela saiba como se alimentar corretamente e tenha uma saúde perfeita”, completou.