Desnutrição infantil diminuiu mais de 70%, mas ainda não acabou, diz especialista

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Rubens Feferbaum, da Sociedade de Pediatria de SP: "A desnutrição hospitalar é um problema cada vez mais emergente"

Entre os anos 1970 e 1990, a desnutrição em crianças apresentou um declínio cumulativo de 72%. A taxa nos últimos dez anos também apresenta queda expressiva de 50%, informou nesta terça-feira (21) o diretor dos Departamentos Científicos da Sociedade de Pediatria de São Paulo, Rubens Feferbaum, ao encerrar o 1º Fórum Internacional da Alimentação e Nutrição Escolar Sesi-SP.

Na contramão deste número otimista, um terço das crianças brasileiras apresenta quadro de sobrepeso ou obesidade, de acordo com dados apurados pela Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (Pense) em 2009.

“O problema extrapolou o consultório de pediatria. E por isso hoje nós temos aqui representantes de governos, universidades, indústria e ONGS”, afirmou Feferbaum, que também é professor livre docente em pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e médico da Seção de Neonatologia do Instituto da Criança da FMUSP.

O novo desafio da Saúde, na opinião de Feferbaum, é a desnutrição hospitalar, além dos bolsões de miséria restantes localizados em periferias das grandes cidades nos quais, segundo ele, a realidade de nutrição está longe do ideal.

“Acabou a desnutrição no Brasil, no mundo? Não. Os desnutridos de hoje vamos ver nos hospitais. A desnutrição hospitalar é um problema cada vez mais emergente”, afirmou o especialista, acrescentando que a situação nutricional da criança se inicia, na verdade, antes do nascimento. “Hoje, um aspecto extremamente importante é o bem-estar e o crescimento fetal. Uma gestão bem conduzida.”

Prof. Cesar Calegari, diretor de Operações do Sesi, abriu a porta a mais um encontro para discutir nutrição escolar

Durante sua exposição sobre a situação alimentar de crianças e adolescentes, Feferbaum informou que, no Brasil, 41% dos recém-nascidos mamam exclusivamente ao seio até o sexto mês de vida, abaixo da taxa considerada aceitável pela Organização Mundial da Saúde, de 50%.

Próximo encontro

Ao discursar no encerramento do fórum, o professor Cesar Calegari, diretor de Operações do Sesi, abriu a porta para mais um encontro para discutir o tema nutrição escolar.

“Nos comunicar, trocar experiências. Esse é o papel que o Sesi quer dar como contribuição a um tema tão importante”, garantiu ele, ao acrescentar que a entidade pretende organizar uma publicação “para que esses materiais sirvam de subsídio a outros colegas que não puderam participar.”

Rubens Feferbaum também espera “que tenha sido de grande proveito para todos. Que possamos trabalhar no sentido de realmente levarmos alguma solução para minimizar problemas para as nossas crianças.”