Indústria de SP demite 27,5 mil e registra pior patamar em 10 anos

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O setor manufatureiro paulista demitiu 27,5 mil funcionários em junho, o equivalente a uma queda de 1% ante maio deste ano, na comparação com ajuste sazonal. Esse é o pior resultado para o mês de junho na série histórica da pesquisa, iniciada em 2005, aponta a equipe de economia da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

De acordo com o levantamento do Nível de Emprego do Estado de São Paulo, elaborado pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon), de janeiro a junho de 2015, a indústria paulista fechou 62,5 mil vagas, também o pior resultado em 10 anos, desde o início do trabalho.

“Há anos, a indústria vem perdendo postos de trabalho, porém a violência da perda deste ano de 2015 surpreende”, afirma o diretor do Depecon, Paulo Francini. “E a indústria não é o único setor surpreso, todos os setores também estão.”

Segundo Francini, a indústria de transformação paulista deve encerrar este ano com pelo menos 150 mil empregos a menos na comparação com 2014, quando já houve perda de cerca de 130 mil postos de trabalho.

“Estamos surpresos, perplexos e tristes com a redução que estamos sofrendo e não vemos o seu término. Não sentimos que o pé bateu no fundo do poço para, agora, tomarmos impulso para voltar a subir”, diz o diretor.

Se comparada com a situação em junho de 2014, a indústria paulista chegou a junho deste ano com um saldo negativo de 191 mil empregos. E de acordo com Francini, a pesquisa registrou recorde de perdas em praticamente todas as leituras e deve encerrar 2015 “superando todo e qualquer outro ano anterior” em termos de baixas.

Setores
Da perda de 27,5 mil postos em junho, 1.987 demissões são da parte do setor de açúcar e álcool, as usinas, enquanto os demais 25.513 foram demitidos pela restante da indústria de transformação.

O Depecon apura a situação de emprego em 22 setores. Em junho, 18 informaram demissões, três anotaram estabilidade em seu quadro de funcionários e apenas um contratou. Este também é o pior cenário para o mês de junho desde o início da pesquisa, em 2005.

A indústria de veículos automotores continua sendo um dos setores que mais demitem ao longo dos meses. Em junho, o setor desligou 4.691 funcionários. Na esteira, o segmento de máquinas e equipamentos também exibiu significativas baixas, com a demissão de 4.081 trabalhadores.

>>Ouça o boletim sobre a pesquisa do emprego

Regiões
Das 36 regiões avaliadas, 30 computaram baixa no mercado de trabalho de sua indústria, cinco ficaram positivas e uma ficou estável.

Entre as altas, destaque para Matão, com ganho de 0,48%, impulsionado pelo setor de produtos alimentícios (3,95%).

A região de Presidente Prudente também anotou alta, de 0,45% em junho, influenciada por contratações nos segmentos de minerais não-metálicos (7,14%) e de coque, petróleo e biocombustível (1,77%).  E Santos registrou ligeiro crescimento de 0,31%, puxado pelas indústrias de confecção de artigos do vestuário e acessórios (3,29%) e de produtos alimentícios (1,02%).

No campo das baixas, a região de São Carlos se destacou, com queda de 4,56% no emprego industrial, em meio a perdas nos setores de máquinas e materiais elétricos (-1,06%) e de produtos alimentícios (-6,15%).

O mercado de trabalho da indústria de Bauru também registrou perdas significativas, de 3,30% no mês passado contra o mês anterior, abatido pelo desempenho negativo nos segmentos de máquinas e equipamentos (-13,70%) e de confecção de artigos do vestuário (-4,25%). E a região de Piracicaba computou baixa de 2,16%, influenciada pela queda em veículos automotores e autopeças (-6,94%) e produtos alimentícios (-4,31%). 

Atividade industrial de São Paulo cai 3% em abril

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O desempenho da indústria paulista apresentou forte piora. Caiu 3% na passagem de março para abril, segundo pesquisa da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) divulgada nesta quinta-feira (28/5).

Entre as variáveis avaliadas, o Total de Vendas Reais apresentou expressiva queda, de 6,3%, em abril em relação a março, na leitura com ajuste sazonal.

“Um resultado preocupante”, segundo o gerente do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp, Guilherme Moreira.

O Índice de Nível de Atividade da Fiesp e do Ciesp, o INA, acumula o seu quinto quadrimestre consecutivo de queda. “Desde 2013, o INA vem em trajetória de queda. A indústria paga muito imposto, os juros afetam diretamente e, nas medidas atuais, não há nenhum sinal de melhora nesse sentido”, afirma o gerente sobre o ajuste fiscal em curso, feito pelo governo.

No acumulado de 12 meses, a atividade industrial registra queda de 4,5%, segundo dados de abril. O resultado negativo é mais significativo porque a base de comparação – os 12 meses imediatamente anteriores – é ainda pior.

“Mantemos nossa projeção de queda de 5% do INA para 2015, o que é ruim, principalmente tendo como base o ano de 2014, que foi horrível”, diz Moreira.

Medida pelo Sensor Fiesp, a percepção geral dos empresários diante do cenário econômico também indica preocupação com o futuro. Na sondagem do mês de maio, houve queda de quase cinco pontos, indo para 44,2, frente a 49 pontos em abril, na leitura com ajuste sazonal. É o pior resultado da série histórica da pesquisa, iniciada em 2006.

Câmbio

Na avaliação do gerente do Depecon, a mudança de patamar do câmbio é positiva para o setor produtivo, uma vez que beneficia as exportações e aumenta a competitividade do produto nacional em relação ao importado. Mas o efeito desse novo patamar cambial tem perdido força em meio à forte redução de demanda que o país enfrenta.

“O câmbio ajuda a indústria, favorece a competitividade em relação ao produto importado. Mas este momento de crise em que o país entrou, afetando muito a renda e o consumo das famílias, está se sobrepondo aos efeitos positivos do câmbio”, afirma.

Moreira cita como exemplo o caso de indústria de alimentos, que apresentou uma queda de 2,1% na passagem de março para abril, segundo o INA. As vendas reais do segmento despencaram 22,3% no mês.

“Essa queda não está relacionada somente ao setor sucroalcooleiro, mas é reflexo da forte queda da renda e do emprego que as famílias vêm enfrentando. Está se refletindo nas compras do supermercado. A crise, que até ano passado atingia a indústria, agora é generalizada e também chegou às famílias”.

Sensor em maio
A percepção do setor produtivo em relação ao mercado também apresentou queda. Foi de 41,7 pontos em maio, versus 46,3 pontos em abril. Já a variável Vendas despencou 8,6 pontos, para 40,5 pontos em maio, ante 49 pontos em abril.

O item Estoque chegou a 46 pontos no mês de maio, ante 47,2 pontos no mês anterior.  E a percepção quanto ao Emprego piorou para 43,5 pontos, contra 47,1 pontos em abril.

De acordo com o levantamento, a variável Investimento caiu para 46 pontos em maio, contra 50,6 pontos no mês anterior.

Os resultados do Sensor deste mês indicam que a atividade de maio também deve apresentar baixa. Leituras em torno dos 50 pontos indicam percepção de estabilidade do cenário econômico. Abaixo dos 50,0 pontos, o Sensor sinaliza queda da atividade industrial para o mês; acima desse nível, expansão da atividade.

No caso da variável Estoque, leituras superiores a 50,0 pontos indicam estoque abaixo do desejável, ao passo que inferiores a 50,0 pontos indicam sobrestoque.

Acordo entre UE e Mercosul vai beneficiar comércio entre Brasil e Suécia, diz ministro sueco

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O governo da Suécia acredita “fortemente” que o acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul, em negociação há mais de 15 anos, deve beneficiar não só as economias de ambos os blocos como também as relações comercias entre o Brasil e os parceiros suecos.

A avaliação é do ministro da Indústria, Comércio e Inovação da Suécia, Mikael Damberg, que participou nesta quarta-feira (20/5) de um seminário sobre cooperação industrial na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), como parte de uma missão no Brasil. Ele deve ainda cumprir agenda em Brasília nesta quinta-feira (21/5), em esforço de estreitar a relação de comércio bilateral.

“Vemos com bons olhos os progressos nas negociações entre UE e Mercosul, que já ocorrem há muito tempo.  Esperamos que as negociações possam ser finalizadas assim que possível”, disse.

Em fevereiro deste ano, a Alemanha também manifestou seu apoio à aceleração das negociações entre os dois blocos. Durante visita ao Brasil, o ministro do Exterior alemão, Frank-Walter Steinmeier, afirmou o interesse do país na conclusão do acordo, que agora depende de um parecer da liderança da UE.

Ministro Mikael Damberg: "Gostaria de discutir como podemos remover barreiras". Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ainda durante o seminário “Cooperação Industrial Brasil-Suécia”, organizado pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, o ministro sueco Damberg manifestou seu desejo em “remover barreiras comerciais” entre a Suécia e o Brasil.

“Gostaria de discutir como podemos remover barreiras e elevar o comércio bilateral, o que é uma necessidade para a cooperação industrial de longo prazo”, disse Damberg ao citar três áreas de interesse por parte do governo sueco: aeronáutica, mineração e bioeconomia.

Também participaram do encontro o vice-presidente da Fiesp Josué Christiano Gomes da Silva e o embaixador da Suécia, Per-Arne Hjelmborn.

O ministro Mikael Damberg está em missão no Brasil acompanhado de uma delegação de pelo menos 50 empresários e autoridades suecas.

Comércio Brasil e Suécia

A balança comercial com a Suécia foi deficitária para o Brasil nos últimos anos, registrando um déficit de US$ 1,1 bilhão em 2014.

O Brasil exporta principalmente minério, com 26,7% da pauta, café (24,5%) e ferro fundido (9,9%) para o parceiro sueco. Em relação às importações brasileiras, a pauta se concentra em máquinas, com 34,3%, e veículos, com 21,4% do total importado.

Indústria de SP contrata 5 mil trabalhadores em abril, mas resultado fica abaixo da média

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A indústria de São Paulo contratou cinco mil trabalhadores na passagem de março para abril, informou nesta quinta-feira (14/5) a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp). Na leitura com ajuste sazonal, no entanto, a variação é negativa em 0,86%.

O saldo de empregos no mês reflete, na verdade, uma contratação de 16.054 funcionários por parte do setor de açúcar de álcool que foi contrabalançada pela demissão de 11.054 trabalhadores pelo restante da indústria de transformação. No acumulado do ano de 2015, a queda do nível de emprego sentida por estes setores foi equivalente a 1,5%, a pior da série histórica da pesquisa com exceção de 2009, quando houve perdas de 3,9%, na mesma base de comparação.

“Os resultados são muito ruins, porém de certa maneira eles vêm mascarados. Em uma primeira leitura, houve geração de empregos. Mas o fato é que em abril sempre existe geração e esse mês houve pouca. Ou seja, o saldo de cinco mil empregos é muito ruim”, esclarece Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp.

A média de contratações da indústria paulista em geral para o mês de abril é de 31,5 mil trabalhadores, segundo o Depecon.

De janeiro a abril deste ano, o setor produtivo paulista já encerrou 18,5 mil postos de trabalho. Com exceção da queda registrada em 2009, ano da crise (e em que foram encerradas 32.000 vagas), este é o pior resultado para o período desde o início da pesquisa, em 2005.

Na comparação de abril de 2015 com o mesmo mês de 2014, a indústria demitiu 177 mil trabalhadores.

Setores e regiões

Dos 22 setores avaliados pela pesquisa do Depecon, 16 registraram baixa no emprego, cinco informaram contratações e um permaneceu estável.

O setor de produtos alimentícios foi o que mais contratou em abril, com a criação de 19.246 vagas, sendo a maior parte para usinas de açúcar. A indústria de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis também se destacou entre as contratações com 3.634 empregos gerados no mês passado.

Entre as perdas, destaque para o segmento de veículos automotores, com 5.843 demissões, seguido pela indústria de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos, que fechou 3.007 vagas.

Das 36 regiões apuradas, 25 sofreram queda no emprego e 11 anotaram alta.

Entre os comportamentos de alta, a indústria de Jaú se destacou com aumento de 8,56%, impulsionado pelos segmentos de produtos alimentícios (21,46%) e de coque, petróleo e biocombustíveis (48,46%). Sertãozinho também avançou, a 3,91% em abril, motivada por contratações no setor de produtos alimentícios (12,06%).  O emprego em Araraquara subiu 2,66%, em meio a alta na indústria de produtos alimentícios (9,05%) e no segmento de confecção de artigos de vestuário (0,23%).

No campo das perdas, a região de Taubaté registrou a maior queda, 3,62%, pressionada pelo baixo desempenho nos segmentos de veículos automotores e autopeças (-7,85%) e de metalurgia (-4,76%).  São Caetano também anotou baixa, de 1,82%, em meio a demissões nas indústrias de veículos automotores e autopeças (-2,89%) e de produtos de metal (-2,55%).

Jacareí também se destacou com uma queda de 1,81%, influenciada pela baixa nos setores de produtos químicos (-18,07%) e de produtos têxteis (-2,94%).

Segurança energética é fundamento para competitividade da economia, diz coordenador da FGV

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A segurança energética é um importante fundamento para a competividade da economia brasileira. E para garantir o abastecimento no país é essencial priorizar uma matriz de energia diversificada. A avaliação foi feita nesta quarta-feira (13/5) pelo coordenador de projetos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Otávio Mielnik.

Ao participar de um workshop sobre energia nuclear organizado pelo Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Mielnik listou quatro “itens importantes na segurança energética”: a confiabilidade no fornecimento, localização e acesso, custo da geração de energia e estabilidade.

O coordenador da FGV ponderou, no entanto, que “não estão diversificando as fontes, estão acelerando o crescimento de geração hidroelétrica. Isso é fato para os próximos anos”.

Otávio Mielnik, da FGV, fala em worshop da Fiesp sobre energia nuclear. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Mielnik apresentou a informações de um projeto lançado pela FGV, na sede da Fiesp em 2013, para a expansão da matriz energética, incluindo a geração nuclear, em 2040. O estudo aponta três possíveis cenários para a situação energética do país e para a economia brasileira.  Em todos os cenários, a entidade defende a diversificação da matriz.

“A geração nuclear é uma ótima candidata para garantir a segurança energética pela confiabilidade, com um fator de capacidade de 90%, custo de geração competitivo, pela localização próxima aos centros de consumo, estabilidade no longo prazo e pela integridade da cadeia de valor”, afirmou Mielnik.

Atividade mundial

O diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da Eletrobras Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, também participou do debate sobre uso de energia nuclear na Fiesp. Segundo ele, há mistificação quanto à produção e ao consumo de energia nuclear, que precisa ser derrubado.

“Não estamos falando de um bicho raro, é uma atividade tecnológica industrial amplamente difundida no mundo”, disse Guimarães. Ele informou que há mais de 435 reatores nucleares em 31 países e 66 usinas nucleares em expansão ou construção no mundo, “sendo que duas estão sendo construídas nos Estados Unidos”.

Na avaliação do diretor, a visão de que a produção nuclear perdeu força “se espelha em apenas um país da Europa, a Alemanha, que tomou essa decisão política e está lhe custando caro”.

Guimarães disse ainda que, apesar estar entre os 10 maiores geradores de energia elétrica do mundo, o Brasil ocupa a 90ª posição no consumo per capita. “Se a gente espera desenvolver a sociedade brasileira, temos que gerar muito mais eletricidade do que estamos gerando. E a questão é: como gerar essa eletricidade a custos praticáveis e com impacto ambiental reduzido?”, completou.

O palestrante aproveitou a ocasião para alertar sobre o potencial hidrelétrico do país que, segundo seus cálculos, deve se esgotar em 2020.

“Cuidado com o mito do potencial infinito. A parcela viável, ambiental e economicamente, desse potencial se esgota em 2020. Dos 180 gigawatts dos quais temos, quase 100 já foram aproveitados”.

Especialistas e plano de contingência

Em sua apresentação, o gerente do Centro de Engenharia Nuclear do Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares (IPEN), Ulysses D´Utra Bitelli, criticou a falta de incentivo à formação de especialistas no segmento.

Segundo Bitelli, desde o ano passado, ao menos 50 funcionários do IPEN se aposentaram. “Os especialistas em energia nuclear estão acabando no país. Estamos perdendo pessoal e nos próximos 10, 15 anos acabou”.

O gerente informou ainda que mais de 530 trabalhos científicos do IPEN foram publicados em periódicos internacionais, em 2014.

Também presente no debate, a diretora da Engenho Consultoria, Leontina Pinto, defendeu a criação de um plano de contingência efetivo para a expansão e diversificação da matriz energética.

“Qualquer usina que seja construída, na verdade, deveria ter plano de contingência. Energia por si só é uma coisa que, descontrolada, dá bobagem”, disse. “E não há opção sem custo, toda opção vai ter seu preço”, completou.

Paulo Skaf se reúne com presidente da Fenabrave

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Alarico Assumpção Junior, almoçou nesta quarta-feira (6/5) com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. A pauta do encontro foi as preocupações com o fraco desempenho do setor automotivo, principal influência negativa nos resultados da indústria.

“Para a situação em que se encontra hoje, não enxergamos uma melhora ainda. A crise política gera insegurança. A falta de credibilidade faz com investimentos sejam reduzidos, deixam as pessoas e as empresas sem uma visão clara de futuro e investimentos caminham junto com confiança”, afirmou Paulo Skaf após a reunião. “A maior preocupação é com a questão do desemprego”.

Segundo Alarico Assumpção Junior, ao menos 250 concessionárias foram fechadas nos primeiros quatro meses deste ano. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

A indústria automotiva registrou um dos piores desempenhos do Indicador do Nível de Atividade (INA), apurado pela Fiesp e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Em março deste ano, o segmento apresentou queda de 6,5% da atividade em relação ao mês anterior, pressionado pela diminuição de 6,6% no Total de Horas Trabalhadas na Produção.

Segundo o presidente da Fenabrave, ao menos 250 concessionárias foram fechadas nos primeiros quatro meses deste ano.

“Novas casas serão fechadas e empregos serão naturalmente perdidos. Precisamos de PIB, tendo PIB, vendemos automóvel. Não tendo PIB, há uma queda muito drástica”, disse Alarico Junior.

Ele ainda comentou que o ajuste fiscal organizado pelo governo é “lamentavelmente necessário”. O segmento de distribuição de veículos deve registrar uma queda de 18% este ano, informou o presidente da Fenabrave.

Paulo Skaf voltou a afirmar que o setor privado é a favor do ajuste fiscal, mas ele deve ser conduzido “na redução de despesas do governo, e não pelo aumento de impostos”.


Terceirização

O presidente da Fiesp reiterou que o projeto de lei que regulamenta a terceirização pode ser uma boa notícia “em meio a tantas coisas ruins”.

“A terceirização não está em discussão, o que está se discutindo é a sua regulamentação”, afirmou Skaf.

O Lobo Atrás da Porta vence como melhor filme no 11º Prêmio Fiesp/Sesi-SP de Cinema

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Dirigido por Fernando Coimbra, “O Lobo Atrás da Porta” foi eleito o melhor filme de ficção pelo 11º Prêmio Fiesp/Sesi-SP de Cinema. Os vencedores de 13 categorias da edição de 2015 foram conhecidos na noite desta terça-feira (5/5).

A atriz Leandra Leal, que interpreta Rosa em “O Lobo Atrás da Porta”, venceu na categoria de melhor atriz do Prêmio.  Já o diretor e roteirista Coimbra levou o prêmio de melhor roteiro pelo longa.

“Eu nunca tinha ganhado um prêmio de roteiro até então, mas nos últimos meses ganhei três. Agora sou oficialmente roteirista, podem me chamar para trabalhar”, disse Coimbra ao receber o prêmio no Teatro Sesi-SP.

 

"O Lobo atrás da Porta" vence nas categorias melhor filme, atriz e roteiro. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Em “O Lobo Atrás da Porta”, uma rede de mentiras, vingança e ciúmes envolvendo Bernardo (Milhem Cortaz), sua esposa Sylvia (Fabiula Nascimento), e sua amante Rosa (Leandra Leal) vem à tona em meio ao desaparecimento de uma criança.

Na categoria de melhor ator, a edição deste ano reconheceu Matheus Nachtergaele pelo trabalho em “Trinta”, cinebiografia do carnavalesco Joãosinho Trinta dirigida por Paulo Machline

“Eu mereço esse [prêmio] dessa vez. E pelo seguinte: a gente passa essa vida aqui tentando descobrir quem a gente é, quem é o Brasil, através da arte. Mas dessa vez, no Trinta, comecei a aprender uma coisa que vai ficar cravada no meu trabalho daqui para frente:  aprender a acreditar na felicidade e na alegria. E o primeiro passo foi do João Jorge Trinta”, disse Nachtergaele.

Daniel Ribeiro venceu a categoria de melhor diretor por seu trabalho no longa “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”.

A atriz Maria Alice Vergueiro venceu a categoria de melhor atriz coadjuvante por “Jogo das Decapitações”. E o prêmio de melhor ator coadjuvante foi para Marat Descartes, que deu vida ao malandro Lucas em “Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa”.

 

Matheus Nachtergaele vence categoria de melhor ator por Trinta. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Cinema Nacional

Em sua 11ª edição, o Prêmio da Fiesp e do Sesi-SP exibiu mais de 40 longas e curtas de março a abril, durante da Mostra de Cinema, uma etapa na qual o público também pode escolher o melhor filme.

O prêmio é fruto de uma parceria entre a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e o Sindicado da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo (Siaesp). Os organizadores da iniciativa pretendem incentivar a produção cinematográfica nacional e facilitar o acesso às produções brasileiras.

“Nesses 11 anos temos procurado ser inconformados com tudo.  Apoiar o cinema brasileiro com iniciativas como essa, que permitem que novos públicos tenham acesso, nos enche de satisfação”, disse o superintendente do Sesi-SP, e diretor regional do Senai-SP, Walter Vicioni.

A edição de 2015 homenageou a produtora, atriz e roteirista Mariza Leão, à frente da Morena Filmes.  Em seu discurso de agradecimento, ela fez uma declaração para a capital paulista. “São Paulo talvez seja a cidade mais cinematográfica do mundo”.

Mariza Leão aproveitou a ocasião para pedir por mais espaço ao cinema nacional. “Eu quero cinco mil novas salas de cinema nos próximos 10 anos, isso não é um sonho”.

Vencedores

Melhor Filme de Ficção – O Lobo Atrás da Porta
Melhor Filme Documentário – Democracia em Preto e Branco
Melhor Curta‐Metragem – O menino que sabia voar
Melhor Diretor
Daniel Ribeiro – Hoje eu quero voltar sozinho
Melhor Atriz
Leandra Leal – O Lobo Atrás da Porta
Melhor Atriz Coadjuvante
Maria Alice Vergueiro – Jogo das Decapitações
Melhor Ator
Matheus Nachtergaele – Trinta
Melhor Ator Coadjuvante
Marat Descartes – Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa
Melhor Roteiro
Fernando Coimbra – O Lobo Atrás da Porta
Melhor Fotografia
Rodrigo Monte – Confia em mim
Melhor Montagem
Gustavo Giani – Confia em Mim
Melhor Direção de Arte
Daniel Flaksman – Trinta
Melhor Trilha Sonora
Beto Villares – Entre Nós

Atividade industrial paulista cai 1,4% em março

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A indústria de São Paulo registrou desempenho negativo de 1,4% na passagem de fevereiro para março, na leitura livre de influências sazonais, divulgaram a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) nesta quinta-feira (30/04).

Na avaliação do diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp, Paulo Francini, apesar de negativo, o resultado de março incorporado ao desempenho do primeiro trimestre do ano sinaliza um pessimismo menor com relação ao setor. Segundo apurações do Depecon, a atividade industrial paulista melhorou 1,8% nos primeiros três meses de 2015 ante o quarto trimestre de 2014.

“Parou de piorar. Já começamos a ter alguma reação motivada pela alteração da taxa de câmbio, o que é positivo. Ainda olhando para um 2015 difícil, talvez a nossa previsão de 5% de queda da indústria de transformação de São Paulo não se verifique, ou seja atenuada”, afirma Francini.

A melhora da atividade industrial no primeiro trimestre do ano interrompeu uma sequência de dois trimestres consecutivos de queda do desempenho do setor.

Na comparação com o mês do ano anterior, a atividade industrial registrou melhora de 0,8%, na série sem o ajuste sazonal. Mas no acumulado de 12 meses, o INA caiu 5,1%, na leitura sem ajuste sazonal.

Todas as variáveis apuradas pelo indicador apresentaram queda na passagem de fevereiro para março, na série livre de efeitos sazonais. O componente Total de Vendas Reais se destacou com queda de 1,9% na comparação mensal, enquanto as Horas Trabalhadas na Produção recuaram 1,6%. E o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) perdeu 0,1 ponto percentual passando de 78,9% para 78,8% em março.


 

Setores em março

A indústria automobilística continua entre os destaques negativos do INA. Em março, o segmento apresentou queda de 6,5% da atividade, pressionado pela diminuição de 6,6% no Total de Horas Trabalhadas na Produção.

O setor químico registrou baixa de 3,1% no mês. O resultado do setor foi influenciado principalmente pela retração de 3,2% da variável Horas Trabalhadas na Produção.

A indústria de móveis também registrou queda na atividade em março, de 2,5%, com relação a fevereiro. A variável Total de Vendas Reais exerceu a principal influência negativa com baixa de 5,9%.

Percepção

A percepção geral dos empresários diante do cenário econômico, medida pelo Sensor Fiesp, melhorou 3,2 pontos para 49,2 pontos em abril ante 46,0 pontos em março, na leitura com ajuste sazonal.

O componente Mercado também apresentou alta, de 44,3 pontos em março para 47,5 pontos no mês corrente. Enquanto o item Vendas manteve-se estável a 50,6 pontos em abril contra 49,3 pontos em março.

A variável Estoque melhorou para 46,8 pontos em abril ante 44,3 pontos no mês anterior.  E a percepção quanto ao Emprego também melhorou para 48,7 pontos contra 43,7 pontos em março.

 

De acordo com o levantamento, a percepção quanto ao componente Investimento ficou estável a 51,3 pontos contra 50,5 pontos em março.

Resultados do Sensor em torno dos 50 pontos indicam percepção de estabilidade do cenário econômico. Abaixo dos 50,0 pontos, o Sensor sinaliza queda da atividade industrial para o mês, acima desse nível, expansão da atividade.

No caso da variável estoque, leituras superiores a 50,0 pontos indicam estoque abaixo do desejável, ao passo que inferiores a 50,0 pontos indicam sobrestoque.

Confiança do Agronegócio registra pior resultado desde 2013

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O Índice de Confiança do Agronegócio, medido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), apurou uma queda de oito pontos na passagem do quarto trimestre de 2014 para o primeiro trimestre de 2015. Com isso, registra o pior resultado da série histórica da pesquisa, iniciada no último trimestre de 2013.

A confiança do setor no primeiro trimestre deste ano caiu para 85,5 pontos, contra 93,5 pontos do trimestre do anterior. Se comparado com o mesmo período em 2014, a queda é ainda maior, de 17,2 pontos.

A sondagem, divulgada pelas entidades nesta quarta-feira (29/4), também apurou o menor patamar da série histórica na confiança de todos os elos da cadeia: a indústria antes da porteira (insumos agropecuários), depois da porteira (alimentos) e os produtores agrícola e pecuário.

Um dos poucos setores a apresentar desempenho positivo nos últimos anos, apesar dos reflexos negativos gerados pela crise econômica, o agronegócio agora demonstra maior preocupação em meio a um cenário político e econômico conturbado no país.

Segundo o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, o produtor já começa a olhar o efeito do câmbio nas aquisições de insumos agropecuários e uma possível piora na relação de troca, já que os preços das commodities, especialmente os grãos, apresentaram queda nos mercados internacionais.

“Outro aspecto importante é a constatação de que, apesar da vocação exportadora, o setor não está alheio à crise econômica enfrentada pelo Brasil, uma vez que o nosso mercado doméstico é o mais importante vetor de crescimento para uma série de produtos do agronegócio”, explica.

A confiança da indústria antes da porteira (insumos agropecuários) caiu 15 pontos no primeiro trimestre de 2015, para 73,6 pontos, em relação ao último levantamento, quando o indicador registrou 88,6 pontos. O fraco desempenho das vendas de defensivos agrícolas, fertilizantes e máquinas no início do ano comprometeu a confiança deste elo da cadeia.

A alta do dólar também afetou negativamente o resultado, uma vez que o segmento como um todo é muito dependente da importação de matérias primas.

O IC Agro apurou ainda que a confiança da indústria depois da porteira (alimentos) anotou baixa de 3,5 pontos, indo para 88,1 pontos, em meio ao arrefecimento da economia. A desvalorização cambial, neste caso, impediu uma queda maior do índice, em razão do perfil exportador das indústrias que compõem a amostra.

Oferta de crédito

Entre os produtores agrícolas, a confiança piorou 10,3 pontos, para 86,8 pontos, na comparação com o trimestre anterior (97,2 pontos). O resultado foi influenciado, principalmente, pelas preocupações com a situação econômica do país. Das variáveis apuradas neste elo, apenas a confiança com a produtividade e com o setor se mantiveram no patamar de 100 pontos, ou seja, dentro da neutralidade.

A confiança dos produtores com a variável oferta de crédito ficou abaixo dos 100 pontos, a 95,3 pontos na sondagem atual, pior resultado da série para este item. O componente despencou 17 pontos ante a leitura de 112 pontos no quarto trimestre de 2014.

Segundo o presidente da OCB, Márcio Lopes, o produtor já sente a retração na oferta de crédito rural quando, por exemplo, tem mais dificuldades no acesso ao financiamento.

“Mais preocupante ainda é que, juntamente com o aumento dos custos de produção, o índice de expectativas está menor que as condições atuais, o que deve fazer com que os produtores deem passos cada vez mais cautelosos e com a necessidade de planejamento de custos”, afirma.

O levantamento mostra que a queda da confiança quanto ao crédito foi motivada principalmente pela dificuldade enfrentada pelos produtores em obter o crédito pré-custeio, geralmente utilizado para a aquisição antecipada de insumos.

Apesar da recuperação dos preços do leite e a manutenção em níveis elevados da arroba do boi gordo, a confiança dos produtores pecuários caiu 7,8 pontos na comparação trimestral, de 98,3 pontos no quarto trimestre de 2014 para 90,4 pontos em 2015. No caso da pecuária de corte, a piora da relação de troca na reposição do bezerro explica em grande parte o resultado, já que o mesmo subiu proporcionalmente mais em relação ao boi gordo.

Preocupações atuais

No primeiro trimestre de 2015, 48% dos entrevistados afirmaram que as condições climáticas e o aumento dos custos de produção são os itens que mais preocupam os produtores, o que está em linha com o resultado anterior, quando essas duas variáveis também foram as mais mencionadas.

A alta incidência de pragas e doenças teve aumento de seis pontos, passando para o terceiro lugar no ranking das preocupações, enquanto a falta de trabalhador qualificado e o preço de venda do produto, com 23% e 19% das menções, respectivamente, seguem apontados de forma relevante.

Investimento

O IC Agro também apura as intenções de investimento do agronegócio brasileiro. Na sondagem atual, 68% dos produtores agrícolas informaram que pretendem investir mais em tecnologia. Enquanto isso, 73% dos produtores pecuários afirmaram que pretendem direcionar a maior parte dos investimentos para avanços tecnológicos.

Ainda segundo a sondagem, apenas 13% dos produtores agrícolas demostraram disposição de investir na aquisição e modernização de máquinas e equipamentos, enquanto 21% devem investir mais no aperfeiçoamento da gestão de pessoas.

Clique aqui para acessar aos novos dados do IC Agro.

Indústria de SP demite 17 mil e tem pior março da história

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A indústria de São Paulo demitiu 17 mil trabalhadores em março, o pior da série histórica da pesquisa da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp). O resultado foi influenciado pela contratação abaixo da média por parte do setor sucroalcooleiro.

“Em 2014, foram gerados mais de oito mil empregos no campo. Este ano só 1,4 mil. Portanto, não tivemos a parcela positiva de usinas de açúcar e álcool”, avalia Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp, responsável pela pesquisa de emprego no estado.

Segundo ele, a situação atual, pela qual o setor passa, é muito ameaçadora para o emprego, “uma vez que há um número razoável de empresas em recuperação judicial”.

Na leitura com ajuste sazonal, o emprego na indústria caiu 0,88% em março ante fevereiro. No acumulado do ano, o setor manufatureiro paulista fechou 23 mil vagas. Mas o número mais preocupante para as entidades é o fechamento de 173 mil postos de trabalho na indústria na comparação de março de 2014 com março de 2015.

“Março comparativamente ao mesmo mês do ano passado teve 6,54% a menos de emprego. Um número muito ruim. E nos coloca na rota de um 2015 certamente negativo na geração de empregos na indústria de transformação”, acrescenta Francini.

A Fiesp e o Ciesp estimam que o mercado de trabalho da indústria de São Paulo deve encerrar este ano com uma queda de ao menos 5%.

A indústria de máquinas e equipamentos foi a que mais demitiu em março. Ao todo, foram fechadas 7.380 vagas em todo o estado.

“É um setor totalmente ligado a investimento, que, por sua vez, é uma crença no futuro e essa crença está muito débil atualmente”, justifica o diretor do Depecon. “É necessário ganhar um novo espírito com relação ao futuro”.

Números de março
No mês passado, as demissões na indústria chegaram a 18.423, mas uma pequena parte da cifra foi anulada pela contratação de 1.423 trabalhadores pelo setor de açúcar e álcool.

Apesar de contratar, o setor sucroalcooleiro sinalizou um arrefecimento no mercado trabalhado se comparado com anos anteriores. Em 2014, por exemplo, foram admitidos por usinas 8,6 mil trabalhadores.

O emprego industrial já caiu 0,93%, na leitura sem ajuste sazonal, de janeiro a março deste ano. Este é o pior resultado da série histórica da pesquisa com exceção dos resultados de 2009, quando o mercado de trabalhou encolheu 2,34% durante o mesmo período.

Setores e Regiões

Dos 22 setores avaliados pela pesquisa do Depecon, 18 registraram baixa no emprego, três informaram contratações e um permaneceu estável.

Além da indústria de máquinas e equipamentos, o setor de veículos automotores, reboques e carrocerias se destacou entre as demissões de março com o fechamento de 2.358 vagas, seguido pelo segmento de produtos alimentícios, que perdeu 1.722 vagas no mês passado.

Das 36 regiões apuradas, 24 sofreram queda no emprego, oito anotaram alta e quatro mantiveram-se estáveis.

Entre os comportamentos de alta, a indústria de São João da Boa Vista se destacou com aumento de 1,4%, impulsionado pelos segmentos de veículos automotores (6,94%) e de produtos alimentícios (2,9%). Franca também avançou, a 1,16% em março, motivada por contratações nos setores de artefatos de couro e calçados (1,89%) e de produtos de borracha e plástico (0,80%).  O emprego em Bauru subiu 0,71%, em meio a alta na indústria de confecção de artigos de vestuário (6%) e de produtos alimentícios (1,83%).

No campo das perdas, a região de Osasco registrou a maior queda, 3,34% pressionada por baixo desempenho nos segmentos de produtos alimentícios (-14,45%) e de impressão e reprodução (-2,16%).  Diadema também anotou baixa, de 3,02% em meio a demissões nas indústrias de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (-8.26%) e de produtos de borracha e plástico (-4,69%).

Santos também se destacou com uma queda de 1,79%, influenciada pela baixa nos setores de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (-15,07) e de impressão e reprodução de gravações (-3,75%).

Atividade industrial em 2015 deve cair até 5%, afirma Paulo Skaf

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A atividade da indústria deve apresentar uma queda de até 5%, informou o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, ao comentar os resultados do IBGE sobre a produção do setor manufatureiro. Ele voltou a defender nesta quarta-feira (1/4) um ajuste fiscal concentrado na corte de gastos do governo.

“Se compararmos fevereiro de 2015 com fevereiro de 2014, houve uma queda bastante importante. Os setores que tiveram desempenho bastante ruim nesse mês de fevereiro foram: automotivo, fármacos e químicos”, disse Skaf.

Paulo Skaf, presidente da Fiesp, em coletiva imprensa na sede da entidade. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Segundo a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial brasileira caiu 0,9% em fevereiro em relação a janeiro. Já na comparação com o mesmo mês do ano passado, a atividade do setor despencou 9,1%, o menor desempenho desde 2009.

“Em 2014 tivemos um resultado, tanto na economia brasileira quanto no desempenho industrial, ruim. E, lamentavelmente, a expectativa para 2015 é pior ainda”, afirmou o presidente da Fiesp.

Demora no ajuste

Skaf afirmou ainda que a demora no ajuste fiscal é “péssima” para uma eventual retomada da recuperação da indústria.

“O que nós gostaríamos é que o ajuste fiscal já tivesse sido feito, e através do corte de despesas do governo e não da forma cômoda de buscar mais imposto”.

Ele voltou afirmar que o novo patamar cambial é uma boa notícia para a indústria brasileira, mas alertou que leva tempo para os efeitos positivos da desvalorização do Real ante o dólar serem percebidos.

“O câmbio não responde imediatamente, os mercados lá fora também não estão num período de vacas gordas e não ficam esperando o momento que o Brasil resolve exportar e ter um câmbio justo”, disse.

Atividade industrial de SP sobe 0,8% em fevereiro, mas não há sinal de recuperação

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A atividade da indústria paulista registrou aumento de 0,8% em fevereiro na comparação com janeiro, sem influências sazonais. Apesar de positivo, o resultado ainda não sinaliza uma retomada da produção, indica a pesquisa da Federação e do Centro da Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), divulgada nesta terça-feira (31/3).

“Percebemos que esse aumento tanto em janeiro quanto em fevereiro é reflexo da grande queda que houve em novembro e dezembro”, explica o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp, Paulo Francini.

A equipe de economia das entidades é responsável pelo levantamento Indicador de Nível de Atividade (INA) no estado de São Paulo.

O Depecon revisou para cima o resultado do INA de janeiro, de 2,9% para forte alta de 5,4%, com ajuste sazonal. Mesmo assim, Francini diz não ver “no número em si a condição de alterar a visão que temos quanto ao desempenho da indústria para o ano de 2015, que é um mal desempenho”, alerta o diretor.

A Fiesp e o Ciesp projetam uma queda de 5% da atividade industrial de São Paulo em 2015. E Francini reitera que o baixo grau de confiança do empresariado ainda influencia negativamente o investimento no setor.

“Os investimentos continuam comprometidos por essa visão de futuro”, diz Francini sobre a provável retirada dos programas de desoneração da folha e do Reintegra, e o aumento da tarifa de energia, da taxa de juros, além da desaceleração do consumo doméstico.

No acumulado de 12 meses, a atividade industrial paulista apresentou queda de 5,9%.  Já o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) se manteve em 79% em fevereiro.

>> Ouça o boletim sobre a atividade industrial paulista

 

Câmbio
Embora a significativa desvalorização do Real com relação ao dólar estimule em certa medida a competitividade da indústria brasileira, Francini pondera que ainda não é possível dimensionar o impacto da mudança cambial no setor produtivo.

“Certamente o efeito é positivo, mas dimensioná-lo é mais complicado porque há esse tempo necessário para as empresas ganharem posição no mercado externo. Ou seja, é um tempo impossível de determinar. É uma coisa que vai depender do particular setor, da particular empresa”, afirma.

Setores
A indústria de celulose, papel e produtos de papel se destacou entre os comportamentos de alta, com ganhos de 4,7% em fevereiro ante janeiro, na leitura com ajuste sazonal.  A maior parte da produção do setor é direcionada para exportação, que vem sendo beneficiada pela trajetória de desvalorização do Real frente ao dólar.

O setor de máquinas e equipamentos também anotou alta em fevereiro, a 2,2% com relação ao mês anterior.  Já o segmento de metalúrgica básica registrou queda de 1,3% na comparação mensal. O aumento dos custos com energia e combustível tem influenciado negativamente o desempenho dessa indústria.

Percepção
A percepção geral dos empresários diante do cenário econômico, medida pelo Sensor Fiesp, se manteve estável em março, a 48,8 pontos contra 47,9 pontos em fevereiro.

O componente Mercado também apresentou estabilidade, de 48,6 em fevereiro para 46,9 pontos no mês corrente. Enquanto o item Vendas subiu de 49,4 pontos no mês passado para 53,5 pontos em março.

 

 

A variável Estoque aumentou para 46,4 pontos em março ante 42,4 pontos no mês anterior.  E a percepção quanto ao Emprego caiu para 44 pontos contra 46,1 pontos em fevereiro.

De acordo com o levantamento, a percepção quanto ao componente Investimento ficou estável a 53,4 pontos contra 52,9 pontos em fevereiro.

Com exceção da variável Estoque, resultados em torno dos 50 pontos indicam estabilidade. Acima disso há otimismo e abaixo, pessimismo.

 

Poder de fogo está ligado a crimes cibernéticos, afirma diretor da Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Os crimes cometidos são, de uma forma ou de outra, interligados e abastecidos pelo mercado ilícito cibernético, afirmou nesta terça-feira (31/3), o diretor de Segurança da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Ricardo Lerner.

“Cada vez mais os patrimônios transitam pelos meios eletrônicos e, consequentemente, os criminosos também migram, se especializam e se adequam a nova realidade. Fraudes bancárias e terrorismo cibernético são apenas alguns exemplos”, disse Lerner. “E o poder de fogo está ligado ao crime cibernético”, acrescentou.

A declaração foi feita por Lerner na abertura do Congresso Nacional de Segurança Cibernética, organizado pelo Departamento de Segurança da Fiesp.

Ricardo Lerner, diretor do Departamento de Segurança da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Durante o encontro na sede da federação, foi divulgada a pesquisa Segurança Cibernética, feita pela entidade com objetivo de compreender como o setor produtivo enxerga as ameaças cibernéticas.

Segundo o levantamento, ao menos 59% dos ataques cibernéticos registrados no estado atinge as finanças das empresas. E mais de 60% desses atentados acontece em indústrias de pequeno e médio porte.

Também foi lançado durante o congresso uma cartilha com orientações a empresas para evitarem fraudes e ataques do gênero.

A publicação orienta sobre como proteger dados, documentos e finanças manipuladas virtualmente, incluindo a implantação de regulamento e termos de uso dos sistemas, classificação e perfis de usuários, utilização de e-mails corporativos, uso de mídias sociais, cuidados ao disponibilizar instrumentos eletrônicos – como notebook, tablets e telefones – e uso da internet.

>> Clique aqui para baixar a cartilha

Capacitação

Também presente na abertura do encontro, o general de divisão Paulo Sergio Melo de Carvalho, chefe do Centro de Defesa Cibernética do Ministério da Defesa, afirmou que a prioridade da instituição é “capacitar recursos humanos” para o combate a esse tipo de crime.

“Buscamos executar nossa atividade primordial que é a atividade operacional, mas pra isso precisamos da ciência e tecnologia, doutrina e inteligência. Assinamos um memorando de entendimento com a Universidade Nacional de Brasília para fazer um projeto básico inicial da Escola Nacional de Defesa”, informou Carvalho.

PIB de 2015 deve cair 1,7%, projeta Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O fraco desempenho da atividade econômica brasileira no último trimestre de 2014 deve ter gerado a pior herança estatística para a expansão econômica em 2015. A avaliação é do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

A equipe econômica da entidade revisou para baixo suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB).  O Depecon, que antes previa um ganho de 0,5% para o PIB em 2015, agora estima uma retração de 1,7% para este ano.

O departamento projeta ainda uma queda de 0,3% do PIB no quarto trimestre de 2014 em relação ao período imediatamente anterior. O prognóstico anterior era de expansão de 0,2% para os últimos três meses do ano.

Segundo o Depecon, o carregamento estatístico para o PIB de 2015 caiu de 0,0% para -0,3%. E ainda não foram incorporados às previsões para este ano choques como o risco de racionamento de água e energia elétrica.

Ajuste fiscal

De acordo com o departamento, o ajuste fiscal promovido pelo governo para reequilibrar as contas públicas deve gerar um impacto de -0,4 ponto percentual no total do PIB este ano.

Para 2015, a meta oficial de superávit primário é de 1,2% do PIB. E para ser alcançada, é necessário um esforço fiscal de 1,8% do PIB.

PIB da Indústria

Para o PIB da indústria de transformação, o Depecon da Fiesp também revisou a previsão de um recuo de 1,1% para uma queda de 4,9% em 2015.

“A despeito da significativa desvalorização do Real, que traz ganhos de competitividade para a indústria nacional, a combinação de diversos fatores negativos prejudicará a retomada do setor. Entre os principais vetores negativos, destacamos a retirada de alguns mecanismos importantes como o Reintegra e a Desoneração da Folha”, afirmou a equipe em nota.

>>Clique aqui para acessar as previsões do Depecon

Sociedade está cansada de pagar imposto, afirma Skaf

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O setor produtivo de São Paulo está de acordo com o governo federal em encontrar caminhos para atravessar a crise econômica do país, mas elevar o imposto não é a solução, afirmou o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, nesta segunda-feira (16/3).

Skaf recebeu o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, na sede da federação. No encontro, a diretoria da Fiesp e empresários de diversos setores discutiram, entre outros problemas, a desoneração da folha de pagamento e o aumento da carga tributária proposto pelo ajuste fiscal do governo.

“Certamente o caminho não é aumentar o imposto. Os setores produtivos de São Paulo e do Brasil vão se colocar radicalmente contra o aumento de imposto. Fechamos essa posição junto com as centrais sindicais também”, afirmou Skaf em coletiva de imprensa após a reunião.

Na avaliação de Skaf, o ajuste fiscal deve ser conduzido na direção da redução de despesas do governo.

“Nós precisamos é fazer o governo apertar o cinto, eliminar gastos que não precisam existir, buscar eficiência e seriedade. A sociedade está cansada de pagar mais imposto e não ter retorno nenhum”.

Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

O presidente da Fiesp voltou a afirmar que os representantes do setor produtivo e as centrais sindicais devem buscar por uma alternativa à Medida Provisória 669, devolvida pelo Senado na semana retrasada ao governo e que agora pode passar a ser um projeto de lei. A MP propõe mudança no projeto de desoneração da folha de pagamento.

“Precisamos encontrar um caminho de saída pra essa MP 669. Coloquei nossa posição totalmente contrária a aprovação e esse retrocesso da desoneração da folha de pagamento, penalizando ainda mais as empresas”, disse Skaf sobre o conteúdo da reunião com presidente da Câmara.

Segundo Cunha, a reunião foi positiva no sentido de escutar mais um segmento da economia “para poder ter isso em conta durante o debate do processo legislativo”.

“Não tem uma ação concreta. A Câmara dos Deputados não vai votar nada amanhã que possa atender o que empresariados pediram aqui, mas certamente vamos ter mais um interlocutor sabendo da realidade dos problemas e colocando os debates e as aflições que foram colocadas hoje pelo setor produtivo”, afirmou Cunha.

Manifestações

Questionado sobre as manifestações que ocorreram em todo o Brasil no domingo (15/3) a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, Cunha disse que “essa não é a solução” para a crise política e econômica do país.

“O governo foi legitimamente eleito. Se que aqueles que votaram se arrependeram, faz parte do processo político. Temos que buscar uma forma que ajude o governo a se reencontrar com aquilo que a sociedade deseja ver, mas não a partir de situações que beiram o ilegal e o inconstitucional”, completou o presidente da Câmara.

Indústria de SP demite 9,5 mil em fevereiro

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A indústria de São Paulo demitiu 9,5 mil em fevereiro, o equivalente a uma queda de 0,74% ante janeiro na leitura com ajuste sazonal, segundo a Pesquisa de Nível de Emprego da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), divulgada nesta quinta-feira (12/3).

Em janeiro, o setor manufatureiro paulista havia contratado 2,5 mil novos funcionários, mas as demissões de fevereiro elevaram o saldo negativo do emprego industrial para sete mil postos de trabalho fechados no acumulado do ano de 2015.

Segundo o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp, Paulo Francini, o começo deste ano é o pior da série histórica da pesquisa das entidades, com exceção de 2009, ano da crise.

“Em 2010 recuperamos os empregos perdidos em 2009. Superamos, de certa maneira, num período relativamente curto. Em 2015 não vamos recuperar os empregos perdidos em 2014”, afirma Francini.  “A perspectiva para 2015 é de perda”.

Na comparação em 12 meses, ou seja, fevereiro de 2015 ante o mesmo mês em 2014, a indústria fechou 150,5 mil postos de trabalho.

Do saldo do mês passado, o setor de açúcar e álcool foi responsável pela contratação de 520 funcionários, já a indústria de transformação demitiu 10.020 no mesmo período.

Setores e Regiões

Dos 22 setores avaliados pela pesquisa, 15 demitiram, quatro contrataram e três mantiveram o quadro de funcionários estável. A indústria que mais demitiu no mês foi a de veículos automotores, reboques e carrocerias, com 1.912 postos de trabalho a menos.

Os fabricantes de máquinas e equipamentos também foram uma forte influência negativa para o indicador com 1.481 demissões em fevereiro.

A indústria que mais demitiu em 2015 foi a de coque, petróleo e biocombustíveis, com taxa negativa de 1,8%.

A pesquisa apura a situação do emprego em 36 regiões paulistas, das quais 22 anotaram baixa no mercado de trabalho de sua indústria, 11 contrataram e três mantiveram-se estáveis.

Entre as perdas, destaque para a região de Matão, com queda de 7,6%, influenciada principalmente pelo segmento de produtos alimentícios (-15,08%) e máquinas e equipamentos (-5,47%).

A região de Botucatu registrou perdas de 1,97%, em meio a comportamentos de baixa na indústria de confecção de artigos do vestuário (-9,84%) e de veículos automotores e autopeças (-5,33%).  São José do Rio Preto também caiu, 1,79%, abatida pela queda nos setores de veículos automotores e autopeças (-7,9%) e produtos alimentícios (-1,21%).

Em relação a contratações, destaque para Franca, com 1,95% de alta em meio a ganhos na indústria de artefatos de couro e calçados (3,9%), São Carlos, com 0,87%, impulsionado pelos setores de produtos alimentícios (4,19%) e de máquinas de aparelhos e materiais elétricos (3,43%).

O emprego na região de Araçatuba também subiu, 0,82%, estimulado pela alta nos setores de produtos alimentícios (3,05%) e artefatos de couro e calçados (1,30%).

Atividade da indústria de SP sobe 2,9% em janeiro

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A atividade da indústria paulista subiu 2,9% em janeiro com relação a dezembro do ano passado, segundo dados dessazonalizados da pesquisa da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp). O resultado recupera parte das perdas acumuladas no final de 2014, mas não indica uma retomada de crescimento do setor.

Na avaliação de Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp, a forte alta em janeiro também se deve à uma base de comparação muito baixa. Entre novembro e dezembro do ano passado o índice acumulou perdas de 6,5%.

“Eu diria que a primeira reação é de certa alegria porque temos divulgado sempre números muito negativos”, diz Francini. “A segunda [reação] é de relativizar isso. Uma parte expressiva do crescimento ocorrido em janeiro se deve ao fato de que o mês de dezembro foi anormalmente ruim”, afirma.

Para o diretor do Depecon, a atividade industrial deve continuar mostrando fraco desempenho em função de um cenário econômico adverso.  “Não é que a intenção seja de manter um tom pessimista, muito pelo contrário. Porém não dá para nos basearmos neste resultado positivo para dizer que isto representa uma reversão da situação da indústria”.

“Não vimos até agora um programa redentor, da mudança, que deve estar contido. A indústria, para vencer o período ruim pela frente, precisa enxergar com clareza que ao mesmo tempo estão desenhando coisas boas para sua atividade”, afirmou. Francini acrescenta que a intensidade e duração da crise hídrica em São Paulo é “uma grande dúvida”, além das incertezas no setor quanto ao futuro da economia.

Alívio com dólar

Em meio a fundamentos econômicos negativos, há certa movimentação positiva, promovida pela apreciação do dólar por parte de empresas exportadoras, diz Francini.

“A desvalorização do Real impulsiona, evidentemente, a atividade exportadora e também dá mais competitividade à produção doméstica versus o produto importado. Isso é uma coisa positiva dentro do quadro recente”.

>>Ouça o boletim sobre o desempenho da indústria


Atividade em janeiro
No acumulado de 12 meses, a atividade da indústria paulista caiu 5,9% em relação a igual período imediatamente anterior. Comparado a janeiro de 2014, o comportamento do setor manufatureiro piorou em 5,7% no primeiro mês deste ano.

Para o resultado positivo na leitura mensal, contribuíram, além da baixa base de comparação, as variáveis horas trabalhadas na produção, com alta de 2,1%, e as vendas reais, que subiram 3,3% no mês.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) ficou em 80,5% em janeiro versus 79.6% em dezembro do ano passado, na leitura com ajuste sazonal.

Setores
A atividade da indústria de bebidas cresceu 3,9% na comparação mensal, puxada principalmente pelo aumento de 5,2% no total de vendas reais e de 1,2% nas horas trabalhadas na produção.

O setor de borracha e matérial plástico foi outro destaque positivo de janeiro com avanço de 2,8%, impulsionado pelo crescimento de 2,9% das horas trabalhadas na produção e 6,4% no Nível de Utilização da Capacidade Instalada.  Enquanto a performance do segmento de minerais não metálicos melhorou em 1,6% na comparação entre dezembro e janeiro, em meio ao aumento de 2,3% do total de vendas reais.

Percepção
A percepção geral dos empresários diante do cenário econômico, medida pelo Sensor Fiesp, se manteve estável em fevereiro, a 47,9 pontos contra 47,7 pontos em janeiro.  Já o componente Mercado mostrou alta de três pontos, para 48,6 em fevereiro contra 45,5 pontos no mês anterior. O item Vendas se manteve estável em 49,4 pontos no mês passado versus 50,8 pontos em janeiro.

A percepção quanto ao item Estoque também continua estável, a 42,4 pontos em fevereiro ante 42,9 pontos no mês anterior.  Estabilidade também na variável Emprego, a 46,1 pontos contra 47,9 pontos em janeiro.

De acordo com o levantamento, a percepção quanto ao componente Investimento também ficou estável a 52,9 pontos contra 51,5 pontos em janeiro.

Com exceção da variável Estoque, resultados em torno dos 50 pontos indicam estabilidade. Acima disso há otimismo e abaixo, pessimismo.

Infográfico: Índice de Confiança do Agronegócio

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A confiança do produtor agropecuário aumentou no último trimestre de 2014 em relação ao terceiro período do mesmo ano. Apesar da melhora na comparação trimestral, o produtor ainda estava pessimista nos últimos três meses do ano passado.

Segundo o Índice de Confiança do Agronegócio, uma sondagem feita pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a confiança do produtor aumentou 4,2 pontos no último trimestre de 2014 contra o período imediatamente anterior.

O IC Agro geral, que envolve os segmentos “antes”, “dentro” e “depois” da porteira, variou de 89,3 pontos no terceiro trimestre de 2014 para 93,5 pontos no quarto trimestre.  Mas, se comparado com o quarto trimestre de 2013, a queda da confiança é de 10,9 pontos.

Veja detalhes do IC Agro no infográfico abaixo:

Indústria de SP contrata 2,5 mil em janeiro e fica abaixo da média esperada para o mês

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Apesar de ser positivo, o resultado de contratações pela indústria paulista em janeiro é “fraco” e ainda não sugere um início de recuperação do setor manufatureiro, afirma o gerente do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Guilherme Moreira.

Segundo ele, o nível de contratações ficou abaixo da média histórica considerada para janeiro, ocasião em que é comum serem abertas cerca de quatro mil vagas.  Em janeiro de 2014, por exemplo, a indústria contratou ao menos 6,5 mil funcionários.

Na leitura mensal com ajuste sazonal, o setor manufatureiro paulista encerrou o mês negativo em 0,38%. Os resultados são da pesquisa de Nível de Emprego da Fiesp e do Ciesp, divulgada nesta quinta-feira (12/2).

“Precisaríamos de um 2015 com fortes contratações para compensar as demissões de 2014. Janeiro é o primeiro mês ainda, é cedo para fazer qualquer projeção, mas é um número fraco”, afirmou Moreira.

Para ele, a combinação entre um desempenho ruim da indústria em 2014 e a falta de perspectivas positivas para 2015 gera incertezas e derrubam a confiança do empresário em relação à uma possível recuperação.

“A previsão do tempo não é boa para os próximos meses. Quando olhamos para 2015, o empresário tem um leque de más notícias que afetam o planejamento dele”, diz.

Algumas das más notícias são os juros elevados, a crise hídrica e energética, o consequente aumento dos custos e o potencial aumento da carga tributária.

>> Ouça o boletim da Pesquisa de Emprego

Emprego em SP
Dos 22 setores avaliados pela pesquisa, 13 informaram contratações, seis anotaram demissões e três ficaram estáveis.  A indústria de produtos de borracha e de material plástico contratou 1.960 novos funcionários.  Seguida pelo setor de preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados, com 1.105 admissões.

Já a indústria de confecção de artigos de vestuário e acessórios se destacou no campo das demissões do mês com o fechamento de 1.152 postos de trabalho.  Enquanto o segmento de produtos de minerais não metálicos demitiu 988 funcionários.

O setor de açúcar e álcool fechou 353 vagas no primeiro mês do ano, o equivalente a uma queda de 0,01%.

Regiões
A Pesquisa de Emprego da Fiesp e do Ciesp avalia 36 regiões de São Paulo. No levantamento de janeiro, 15 registraram contratações, outras 15 informaram fechamento de vagas e seis ficaram estáveis.

Entre os comportamentos de alta, a região de Araçatuba subiu 2,61% no emprego, influenciada pelos setores de produtos alimentícios (3,79%) e de artefatos de couro e calçados (4,35%).  Sertãozinho também contratou no mês passado e avançou 1,56%, estimulado pelos segmentos de máquinas e equipamentos (7,04%) e de produtos alimentícios (0,64%).

A indústria de Botucatu registrou alta de 1,1%, com contratações nos setores de produtos alimentícios (2,33%) e de confecção de artigos do vestuário e acessórios (7,49%).

No campo das demissões, a região de Santa Bárbara d´Oeste registrou queda de 3,34%, influenciada por fortes perdas na indústria de produtos alimentícios (-37,76%) e demissões no setor de produtos têxteis (-1,05%).  São Carlos também se destacou com declínio de 2,57%, em meio ao fechamento de vagas nos segmentos de produto de metal, exceto máquinas e equipamentos (-4,76%) e de máquinas e equipamentos (-2,58%).

Limeira fechou janeiro em baixa de 2,07%, abatida por demissões nos setores de produtos de minerais não-metálicos (-23,68%) e de veículos automotores.

Desempenho da indústria paulista cai 5,9% em 2014

Alice Assunção, Agências Indusnet Fiesp

A atividade da indústria paulista encerrou o ano de 2014 com queda de 5,9% em relação a 2013, aponta o levantamento da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp). De acordo com o diretor de Economia das entidades, Paulo Francini, a trajetória do último trimestre do ano passado agravou a já debilitada situação do setor manufatureiro.

“O que já era ruim ficou um pouco pior”, afirma o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon), responsável pelo Indicador de Nível de Atividade (INA). Somente em dezembro de 2014, a performance do setor manufatureiro paulista registrou queda de 4,3%, na leitura mensal com ajuste sazonal. Em novembro, o desempenho da indústria recuou 1,6% sob a mesma comparação.

A variável do índice que mais apresentou queda em 2014, foi a de horas trabalhadas na produção, com declínio de 6,6% no ano.

Francini explica, no entanto, que o componente de horas trabalhadas, apesar de um dado físico importante para o indicador, pode sofrer interferências mais complexas que não resultem em uma baixa produção, como o aumento da produtividade, ou seja, o uso das mesmas horas para fabricar mais produto.

“O INA é um indicador que mistura dados físicos e financeiros. O número de produção deveria acompanhar o número de horas trabalhadas, se não existisse a diferença da produtividade, ou seja, há particularidades. Porém, no grande jogo, a mensagem é essa: 2014 foi muito ruim”, esclarece.

Ainda segundo a pesquisa, o componente Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) ficou em 79,6% em dezembro de 2014 contra 79,4% em novembro do mesmo ano.

O resultado de 2014 foi mais negativo que o estimado pelo Depecon, que projetava uma queda de 5,4 no final do ano passado. Francini associa o desempenho ruim da indústria à má performance da economia.

“Espera-se evolução do PIB de 2014 próxima de zero. Quando um PIB cresce, e cresce vigoroso, é porque a indústria está crescendo, quando se tem um PIB zero, a indústria vai ter um resultado negativo”, explica o diretor do Depecon.

Ele reitera ainda que o já esperado ajuste fiscal, aumento dos juros e contenção do crédito não desenham um início de ano “brilhante”.  Francini acrescenta ainda que, com os “fantasmas da crise hídrica e energética voando, é difícil ver algo positivo”.

Setores

A indústria automobilística registrou um dos piores desempenhos em São Paulo durante 2014. De acordo com o levantamento, a atividade do setor despencou 15% na comparação com 2013. Somente em dezembro, a performance dessa indústria piorou em 9,3% na leitura mensal com ajuste sazonal.

O desempenho do segmento de metalurgia básica também amargou uma forte queda no ano, de 5,6% versus comportamento de 2013. Na comparação mensal, o setor caiu 3,8%, com ajuste sazonal.

A indústria de máquinas e equipamentos também se destacou entre as quedas com declínio de 3,9% no ano. No mês, o desempenho do setor caiu 4,7%.

Percepção

A percepção geral dos empresários diante do cenário econômico, medida pelo Sensor Fiesp, mostrou estabilidade no mês de janeiro, a 47,7 pontos contra 45,9 pontos em dezembro. O diretor do Depecon destaca, no entanto, que se trata de um resultado “atípico” para o mês de janeiro.

“Início de ano sempre tem aquela esperança, o entusiasmo foi substituído por um cansaço que parece ser residual do ano passado”, afirma Francini.

Em janeiro de 2014, o Sensor Fiesp apontava uma leitura de 49,9%. Com exceção da variável Estoque, resultados em torno dos 50 pontos indicam estabilidade. Acima disso há otimismo e abaixo, pessimismo.

O componente Mercado mostrou alta de quase cinco pontos, para 45,5 em janeiro contra 40,9 pontos no mês anterior. O mesmo aconteceu com o componente Vendas, que subiu mais de seis pontos para 50,8 pontos em janeiro versus 43,6 pontos em dezembro.

Já a percepção quanto ao item Estoque piorou para 42,9 pontos no mês corrente ante 48,2 pontos no mês anterior.  Enquanto a variável Emprego mostrou alta, de praticamente dois pontos, para 47,9 contra 45,8 pontos em dezembro.

De acordo com o levantamento, a percepção quanto ao componente Investimento ficou estável a 51,5 pontos contra 50,9 pontos em dezembro.