Brasil deve aprender com modelo alemão que fortalece pequenas e médias empresas, afirma Skaf no EEBA 2013

Alice Assunção e Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

A modelagem alemã para as pequenas e médias empresas (PMEs) é um dos principais pontos da pauta do 31º Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA 2013), disse o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, na manhã desta segunda-feira (13/05), durante cerimônia de abertura.

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Na abertura do EEBA 2013, presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disse que as relações comerciais bilaterais entre Brasil e Alemanha são intensas, mas podem ser ainda mais. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

“O modelo alemão das pequenas e médias empresas é muito importante e devemos trazê-lo para o Brasil e aprender com ele”, afirmou Skaf. Segundo ele, as PMEs representam 66% do Produto Interno Bruto (PIB) alemão. “Estudos mostram que uma das razões para a resistência à crise da Alemanha é graças à política de pequena e média empresa”, completou.

De acordo com Skaf, o 31º Encontro Econômico Brasil-Alemanha é mais uma oportunidade para estudar formas de impulsionar as relações comerciais bilaterais. “A participação das empresas alemãs no Brasil ajudou muito o crescimento do nosso país. As relações são intensas, mas podem ser ainda mais. A corrente de comércio entre os nossos países ainda é pequena”, alertou Skaf.

Para o presidente da Fiesp, as relações comerciais entre Brasil e Alemanha podem ser ainda mais estreitas e o fluxo de exportação entre os dois países, mais equilibrado, já que em 2012 o Brasil exportou o equivalente a US$ 7,22 bilhões, enquanto as exportações alemãs chegaram a US$ 14,2 bilhões.

Comércio exterior

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Ulrich Grillo, presidente da BDI, citou a inovação como uma chave para fortalecer a indústria. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

O presidente da Federação das Indústrias Alemãs (BDI),  Ulrich Grillo, projetou um crescimento de 3,5% das exportações alemãs fora da zona do Euro neste ano.

Grillo alertou, no entanto, que a preocupação do empresariado alemão é o protecionismo adotado por alguns mercados estrangeiros. “O protecionismo é um perigo para a capacidade de crescimento de um país. Precisamos criar melhores caminhos multilaterais”, afirmou ao elogiar a nomeação do embaixador brasileiro Roberto Azêvedo para o cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC).

“Isso mostra que o poder econômico do Brasil ganhou importância. Esperamos que Azêvedo dê novos impulsos nas OMC”, acrescentou.

Infraestrutura na Copa

Segundo o presidente do BDI, a Copa do Mundo em 2014 representa o primeiro desafio logístico para o Brasil.

“Certamente há muito o que fazer. O governo brasileiro está atacando esse tema de forma intensa, mas [infraestrutura de transportes] é algo que sabemos fazer e gostaríamos de aplicar também ao Brasil”, disse Grillo ao elogiar as concessões de aeroportos e de portos brasileiros para a iniciativa privada.

O representante da indústria alemã citou a inovação como uma chave para fortalecer a indústria. Apesar de o Brasil ocupar posição de liderança em agronegócio e matérias-primas, “o futuro também necessita de uma indústria forte”, ponderou Grillo.

Em seu pronunciamento, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, afirmou que o momento da indústria brasileira é de busca por capacitação e inovação. “Nosso principal objetivo é proporcionar a melhoria do ambiente de negócios entre ambos os países”, concluiu.