Integrado ao mundo, Peru apresenta na Fiesp razões para aproximação do Brasil

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex), Thomaz Zanotto, abriu nesta quarta-feira (26/10) workshop para destacar oportunidades de investimento no Peru, com destaque para projetos regionais.

A interlocução com o Peru tem sido muito extensa, lembrou Zanotto, ressaltando que um novo presidente, Pedro Pablo Kuczynski, assumiu o país (no final de julho). O Peru, explicou, é parte da Aliança do Pacífico e é muito arrojado em tratados de livre comércio.

O diretor do Derex destacou vantagens da integração regional, como a possível criação de um mercado comum de 400 milhões de habitantes, numa região sem conflitos de fronteira.

Interesse no Peru vai muito além da infraestrutura, disse Zanotto. “Temos que tentar avançar em diversas outras áreas, de modo a que quando as tarifas estejam zeradas sejamos uma região de livre comércio, mas também de livre investimento.” Fala-se há 15 anos em integração regional, lembrou, mas pouco saiu do papel.

Zanotto disse esperar que os investimentos cresçam e permitam o desenvolvimento dos 2 países.

Vicente Rojas, embaixador do Peru no Brasil, destacou que a ida de 7 governadores ao workshop na Fiesp mostra o interesse do país em fortalecer as regiões. Ele afirmou que o novo presidente definiu as relações com o país como único. Manifestou a intenção de atacar problemas como o da burocracia nas fronteiras, mencionado por Zanotto. Participação dos empresários é vista pelo Peru como fundamental. Projeto do governo é reduzir a 10% neste mandato o número de pobres. País oferece estabilidade política e ambiente em que se podem fazer investimentos.

Reavivar a economia é um dos temas centrais para o Peru. Nos últimos 20 a 22 anos o país tem crescido sem interrupção, e isso vai continuar, disse Rojas. Experiência mostra que sem investimento não é possível fazer nada.

A preocupação com o bem-estar envolve o saneamento. Peru tem 8 de seus 30 milhões de habitantes sem água potável e sem esgoto. Tema se vincula à saúde e à educação. Sem água potável na primeira infância as crianças não se desenvolvem.

Começando pelas fronteiras há um trabalho a ser feito de conectividade, ligando os peruanos aos brasileiros. País está de portas abertas, disse Rojas, e se esforça para ser um Estado muito mais eficiente. Peru busca a igualdade de oportunidades para todas as pessoas.

Thomaz Zanotto abriu o workshop na Fiesp sobre oportunidades para investimento no Peru. Foto: Helcio Nagamine/Fiespe

Oportunidades

Os 14 governos regionais presentes apresentaram mais de 136 projetos, com necessidade de US$ 34 bilhões em investimentos.

O governador do Estado peruano do Amazonas (Norte do país), Gilmer Wilson Horna Corrales, foi o primeiro administrador regional a fazer sua apresentação.

Antonio Castillo Garay, conselheiro comercial do Peru no Brasil, fez a apresentação Megaprojetos de infraestrutura no Peru para o investimento privado.

No governo nacional são 25 megaprojetos para promoção em 2017 e 2018, com investimento previsto de US$ 4,6 bilhões. Nos 25 governos regionais, são mais de 44.000 oportunidades em diferentes projetos no mesmo período, que exigem US$ 12 bilhões em investimento.

Um dos nacionais, que busca conectar 12 regiões do Peru, é a Estrada Longitudinal da Serra, em sistema de parceria público-privada (PPP). Outro é a Hidrovia Amazônica, que terá 2.500 km em quatro rios e está em seu trecho final. Com investimento de US$ 70 milhões e concessão por 20 anos e terá licitação ainda este ano. Linhas 3 e 4 do metrô de Lima, com 32 km e 30 km, respectivamente, têm estudos prévios a cargo de empresa brasileira.

Peru trabalha em estrutura de transporte para se tornar hub regional, disse Garay. A projeção de novos investimentos em infraestrutura de transporte supera US$ 10 bilhões sendo US$ 2,8 bilhões em estradas e US$ 6,8 bilhões em trilhos.

Projetos da área de energia incluem térmicas, gás natural. Em saneamento, há projetos importantes em água, especialmente um de US$ 600 milhões para o abastecimento de Lima. E o Peru convocou empresas brasileiras para participar de projetos hospitalares, devido, disse Garay, à experiência com grandes centros hospitalares em São Paulo. Ideia é ter 11 hospitais nacionais, 23 regionais e 170 de menor porte, provinciais.

Negócios sem barreiras

O painel Perspectivas de investimentos no Peru teve apresentação de Edgar Vásquez Vela, vice-ministro de Comércio Exterior do Peru. Ele revelou que em 15 dias o governo divulgaria pacote para eliminar todas as barreiras aos negócios no Peru, com o fim da burocracia e outros fatores que dificultam o investimento. “Isso vai facilitar radicalmente a forma de fazer negócios no país.”

Destacou que o país está entre os 5 principais países da América Latina para investimentos. Disse que é chave para os investidores brasileiros porque é um país aberto. Já há muitos investimentos brasileiros em comércio exterior no Peru, e o país quer que isso se estenda a outros setores.

É integrado ao mundo de maneira sólida e tem grau de investimento, afirmou Vela, e tem teto muito alto de investimentos em diversas áreas, quando se compara o consumo local com o de países vizinhos. Peru está em seu melhor momento para o investimento, pelas perspectivas para o futuro, segundo a maioria das avaliações internacionais. FMI aponta para o Peru taxa de crescimento nos próximos anos acima da dos outros países da América Latina. E o Peru tem crescido a taxas acima das previstas. Este ano deve fechar em 4%, contra 3,7% estimados pelo FMI.

Reformas estruturais iniciadas nos anos 90 foram bem-sucedidas, disse Vela, permitindo excepcional desempenho de sua economia. E há estabilidade fiscal, além de marcos regulatórios que não discriminam o investimento estrangeiro. Há também livre circulação de capitais e a adoção de diversos mecanismos internacionais para resolução de disputas.

A ampla rede de acordos comerciais, 18, com 52 países do mundo, disse Garay, dá ao país a posição de um dos mais avançados globalmente na integração. Meta é 72 países e 98% do comércio sem barreiras. Acordo próximo com a Índia. Relações com Brasil são muito importantes em relação ao comércio de bens. Acordo de aprofundamento comercial estabelece benefícios por exemplo para serviços e investimentos e compras públicas. Destacou que mais de 70 empresas brasileiras estão instaladas no Peru.

Nos próximos dias deve ser modificada legislação sobre ingresso de veículos, o que deve beneficiar quem quiser entrar do Brasil via rodovia do Pacífico. Temos que facilitar também o melhor relacionamento entre pessoas, disse.

Como parte dos acordos de aprofundamento, Peru vai eliminar as tarifas sobre os veículos brasileiros, dando vantagem em relação aos que vem da China, Japão e EUA.

Disse que quando começou, três anos antes, na função, relacionamento entre Brasil e Peru era frio. Não há lógica que Peru vá à China e União Europeia e não tenha as mesmas condições com o Brasil.

Desenvolvimento Regional e a Aliança do Pacífico na Integração Peru-Brasil foi o tema da apresentação de Miguel Veja Alvear, presidente da Capebras (Câmara Binacional de Comércio e Integração Peru Brasil). Vinda de 15 dos 24 governadores ou seus representantes é inédita, destacou. Demonstra a confiança em relação a para onde se vai.

Unir as populações mais distantes do Brasil às do Peru permitiria o desenvolvimento de ambas, gravadas pelo maior custo para comprar e para vender produtos.

Destacou que desde 2003 a Fiesp tem sido a instituição mais ativa na tentativa de integração. Brasil representa 50% do território, 50% da população e 50% do PIB da América Latina. Peru, 7% nos mesmos indicadores. E a fronteira entre ambos é a maior no mundo. Integração é importante, e Aliança estratégica Brasil Peru já permitiu avanço significativo.

Alvear disse que as importações da Suframa teriam redução de 40% em seu frete com a chegada ao Peru e posterior distribuição multimodal. Destacou que por asfalto é possível chegar de São Paulo aos portos do Sul do Peru.

Ele mostrou rotas possíveis do trem Bioceânico Peru-Brasil, que exigiu estudos aprofundados, em razão da preocupação com a proteção da Amazônia. Acordo tripartite, incluindo a China, poderá permitir a construção de ferrovia ligando Santos a Porto Velho no Brasil e daí a Bayobár, no Norte do Peru, ou Matarani, no Sul (devido a interesse da Bolívia). “Teremos que falar de forma transparente para concluir se poderá ser feita na forma de concessão”, disse, argumentando que a ferrovia seria a artéria da América Latina.